Temer não acreditou em Joesley, diz assessoria da Presidência

Presidente avalia que áudio confirma que frase 'tem que manter isso, viu?' se refere à boa relação entre Joesley e Eduardo Cunha, e não a propina

O presidente Michel Temer ouviu na noite desta quinta-feira, na companhia de assessores, o áudio gravado pelo empresário Joesley Batista que o implicaria na compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do doleiro Lúcio Funaro, investigados na Operação Lava Jato. O áudio da conversa entre Temer e Joesley foi divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) depois que o ministro Edson Fachin retirou parcialmente o sigilo da delação premiada do empresário. Após ouvir o áudio, o entendimento do peemedebista e sua equipe é de que o conteúdo da conversa não incrimina o presidente, confirmando a nota divulgada pelo Palácio do Planalto e o pronunciamento do presidente.

Em sua fala na tarde de hoje, o peemedebista afirmou que não vai renunciar ao cargo em razão da delação premiada dos executivos da JBS. “Não renunciarei. Repito, não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida, para os esclarecimentos ao povo brasileiro”, disse Temer, procurando demonstrar firmeza e segurança num momento em que crescem as especulações de que ele vai entregar o posto. 

O áudio tem cerca de 40 minutos. Na conversa, Michel Temer e Batista conversam sobre o cenário político, os avanços na economia e também citam a situação de Cunha (PMDB-RJ), que está preso em Curitiba. O entendimento do governo é que a frase dita por Temer “tem que manter isso, viu?” diz respeito à manutenção do bom relacionamento entre Cunha e Joesley Batista, e não a um suposto pagamento de mesada pelo silêncio do ex-deputado.

“O presidente Michel Temer não acreditou na veracidade das declarações. O empresário estava sendo objeto de inquérito e por isso parecia contar vantagem. O presidente não poderia crer que um juiz e um membro do Ministério Público estivessem sendo cooptados”, disse a assessoria do Palácio do Planalto, em nota. A expectativa do governo é que o STF investigue e arquive o inquérito.

Base aliada

Após seu pronunciamento, o presidente recebeu apoio de partidos, como PP e PRB, além de mensagens por telefone e ligações de aliados políticos. A avaliação é que a fala do presidente repercutiu bem entre os parlamentares da base. Contudo, não foi possível evitar baixas, como a saída do PPS do governo e a de Roberto Freire, presidente do partido, do Ministério da Cultura.

Um dos principais objetivos do governo agora é manter a sua base no Congresso Nacional, tranquilizar o mercado e esperar pela conclusão das investigações no STF com, na expectativa do Planalto, o arquivamento do processo.

(com Agência Brasil)

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Jorge Iório

    Sera que os irmaos Baptista vao mesmo devolver o justo valor do “emprestimo” que receberam do BNDES durante o governo petista? Logico que nenhuma devolucao ou delacao os isenta de passar uns anos atras das grades. Justica seja feita: a JBS, ao fazer essa dita delacao, certamente, esta retribuindo ao PT todas as benesses que recebeu e que a transformaram, em pouquissimos anos, no maior conglomerado do mundo.

    Curtir

  2. Bom o Temer tinha que, no mínimo, ter desligado o telefone qdo o cara começou a tratar das tramoias e bandidagens ou se fosse realmente honesto mandar prender um canalha desses na hora, no mínimo ele prevaricou e mostrou que não tem o menor pulso. Agora está faltando pegarem o sapo barbudo e a dilmentira para limpar mais um pouco (isso sem tirar gleisis, renans, sarneys, Paulo bernardo, collors e jaders é tanta gente que fica difícil).

    Curtir

  3. Temer até 2018, esse é o caminho.

    Curtir

  4. Marly Camargo

    “O presidente não poderia crer que um juiz e um membro do Ministério Público estivessem sendo cooptados.”kakakaakakakakaaka.Então,o presidente é ingênuo,bobo,paspalhão,idiota.A pergunta que não quer calar:como uma pessoa tão INGÊNUA quanto Temer conseguiu chegar aonde chegou?

    Curtir