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Para Freixo, manifestações estão “fora de controle”

Deputado estadual do PSOL negou ter ligação com tatuador preso por envolvimento na morte do cinegrafista Santiago Andrade e criticou grupo Black Bloc. " Você não consegue dialogar com quem não quer ouvir”, disse

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que teve o nome envolvido nas investigações sobre a morte do cinegrafista Santiago Andrade, afirmou nesta segunda-feira que as manifestações estão “fora de controle”. Freixo, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Asselmbeia Legislativa do Rio (Alerj), deu entrevista coletiva para negar envolvimento com o tatuador Fábio Raposo. Segundo o deputado, há uma “escalada da violência” nos protestos de rua.

“As manifestações saíram do controle. Temos visto jornalistas, manifestantes e policiais feridos e isso não é aceitável. É preciso dar um basta. As pessoas precisam entender que a violência não é aliada das conquistas. Ao contrário: está esvaziando os protestos e reduzindo a capacidade de novas conquistas”, afirmou o deputado, que não arriscou apontar uma saída para os impasses. “Não sei qual o caminho e também não sei se é possível frear os conflitos, mas acho que é preciso tentar”, disse.

Freixo negou ter qualquer tipo de relação com Raposo e com o homem que acendeu o rojão que matou Santiago Andrade. O nome do deputado foi mencionado em um termo registrado na delegacia que investiga o ataque ao cinegrafista. Segundo o advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende Raposo, o estagiário de advocacia Marcelo Mattoso teria recebido um telefonema da ativista Elisa Quadros, conhecida como “Sininho”. Na conversa, ela teria oferecido ajuda a Raposo, dizendo que o rapaz que acendeu o rojão seria ligado a Marcelo Freixo.

O deputado ligou o fato de ter seu nome envolvido na investigação ao passado do advogado. Os dois já estiveram em campos opostos quando Freixo presidiu a CPI das Milícias. Nunes defendia o então deputado estadual Natalino Guimarães, condenado e preso por chefiar uma milícia na Zona Oeste do Rio. “Hoje o advogado se desculpou publicamente por ter entregue a declaração assinada por um estagiário a um repórter, mas é claro que ele tinha uma intenção. Ele é o mesmo advogado que defendeu o Natalino (Guimarães, ex-deputado, preso por envolvimento com milícias), quando eu era o presidente da CPI das Milícias. Isso requer um pouco de cuidado. Concretamente, o que há? Nada. Eu mais do que ninguém quero saber quem jogou o rojão. É uma declaração estapafúrdia, mas tudo isso será esclarecido”, disse.

Praça de guerra – Para o deputado, o acirramento dos conflitos durante as manifestações vem crescendo desde o dia 20 junho, quando o Centro da cidade se transformou em uma praça de guerra. Freixo criticou a atuação policial, mas ressaltou que “nada justifica a atuação violenta de manifestantes”, disse.

Nesta segunda-feira, o cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, ferido por um rojão em uma manifestação no centro do Rio na última sexta-feira, teve morte cerebral. Até o momento, uma pessoa foi presa por participação na morte de Andrade: o tatuador Fábio Raposo, que confessou ter encontrado o rojão no chão e passado para um homem de camisa cinza e calças jeans. A suspeita é que Raposo e o suspeito de ter acendido o artefato sejam ligados ao grupo Black Bloc.

Questionado sobre a atuação do Black Bloc, o deputado disse que não concorda com a atuação de qualquer grupo de pregue a violência. “Não tenho a violência como método. Portanto, não concordo com qualquer grupo, preto, azul ou rosa, com métodos que possam desdobrar em violência”, disse. O deputado também negou ter capacidade de mediação com os mascarados. “Não tenho a menor capacidade de intervir em grupos aos quais não tenho acesso. Você não consegue dialogar com quem não quer ouvir”, criticou.

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