Palmas reelege prefeito colombiano com perfil de empresário

Carlos Amastha (PSB) formou grupo político com o PSDB para derrotar a vice-governadora de Tocantins e um ex-prefeito apoiado por Kátia Abreu

O prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), reelegeu-se neste domingo para o segundo mandato da recente carreira política. Natural de Barranquilla, na Colômbia, ele foi o primeiro estrangeiro a se reeleger como prefeito de uma capital brasileira.

Já não tão isolado como na campanha de 2012, Amastha teve a candidatura apoiada pelo PSDB, partido da vice-prefeita eleita, Cinthia Ribeiro, e firmou uma parceria política com o senador tucano Ataídes Oliveira. Se mantido, o grupo ganha agora musculatura para disputar o governo do Tocantins em 2018.

Os números da eleição foram os seguintes: Amastha teve 52,38% dos votos válidos; Raul Filho (PR) recebeu 31,43%; Claudia Lelis (PV), 10,01%; Zé Roberto (PT), 3,71%; e Sargento Aragão (PEN), 2,46%. As urnas foram totalizadas às 18h21.

Amastha teve como principais adversários o ex-prefeito Raul Filho (PR), cuja candidatura foi questionada pela Justiça Eleitoral (por condenação em crime ambiental), e a vice-governadora Claudia Lelis (PV), alvo de ação de investigação judicial eleitoral ao lado do governador Marcelo Miranda (PMDB). O mandato de Miranda e Claudia Lelis está em jogo. Ex-petista e investigado por suspeita de beneficiar o contraventor Carlinhos Cachoeira, Raul Filho foi quem mais rivalizou com Amastha, tendo apoio dos senadores Vicentinho Alves (PR) e Kátia Abreu (PMDB), ex-ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff.

Empresário do ramo de shoppings e educação, vidrado em redes sociais, Amastha teve a campanha mais rica da cidade: 3,7 milhões de reais. Ele próprio bancou quase que por completo, além de ter recebido dinheiro da primeira-dama e da filha, de um empresário amigo e seus herdeiros, e do PSB. Ele doou a si mesmo 3,3 milhões de reais – quase 90% de tudo o que arrecadou.

Ele agora espera desemperrar na Justiça uma de suas principais promessas: a construção de um BRT na cidade, barrada a pedido do Ministério Público Federal. O primeiro trecho, Sul, já foi licitado e tem valor de quase 265 milhões de reais, sendo habilitado o consórcio TCS (Tiisa Infraestrutura, CLD Construtora e Laços Detentores e Eletrônica). O prefeito aposta em deixar um legado de planejamento urbano da cidade.

O prefeito reeleito responde a pelo menos três ações de improbidade administrativa ajuizadas pelo Ministério Público do Tocantins. Somados, os valores das causas chegam a quase 17 milhões de reais. Mesmo sem ter sido formalmente investigado, Amastha teve o nome citado em escândalo do cartel de postos de gasolina de Palmas. Ele negou vínculos com o esquema e disse que agiu de forma contrária aos interesses do cartel. O prefeito informou que foi prestar esclarecimentos voluntariamente à Polícia Civil.