Os bandidos de toga

Na semana que vem, a mais alta corte do país terá de decidir como a Justiça brasileira lidará daqui para a frente com criminosos disfarçados de magistrados

O Judiciário é o menos corrupto dos poderes, afirmou, em uma entrevista recente a VEJA, a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie Northfleet. Ela pode estar certa, mas é inegável que ele é também, entre os poderes, o menos investigado.

A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado mostra que é quase impossível que um juiz bandido seja condenado no Brasil. Os números levantados pela reportagem são reveladores. Na última década, apenas 39 juízes foram investigados em operações de grande porte da Polícia Federal. Uma das explicações para isso é a dificuldade de encontrar policiais e promotores dispostos a enfrentá-los. Do total de investigados, 31 foram denunciados à Justiça pelo Ministério Público, mas apenas sete chegaram a ser efetivamente julgados. Um consequência da resistência entre outros juízes em julgar seus pares. Dos sete jugados, apenas dois foram condenados e só um continua preso, ainda assim, em sua própria casa. Leia também: Magistrados: Presidente da AMB: “Não aceitaremos ficar amordaçados CNJ: Poder de investigação do Conselho divide judiciário Julgamento: Supremo foge de controvérsia e adia decisão sobre o CNJ