O depoimento de Lula a Moro: cherchez la femme

Petista atribui as decisões do tríplex à falecida esposa e parece sugerir, como nas histórias francesas, que a chave dos mistérios é a mulher

O esperado embate entre o ex-presidente Lula e o juiz Sergio Moro acabou em anticlímax. Não houve vencedores nem vencidos notórios, o que não chega a ser boa notícia para Lula. Acusado de ser o dono oculto do famoso tríplex no Guarujá, o qual teria recebido de presente da OAS pelos serviços prestados à empreiteira, Lula teve a oportunidade de fazer o que há muito diz que lhe sonegam: o direito de defender-se. No entanto, Lula confirmou o que não podia negar, negou tudo o que podia e, num gesto que chamou atenção, chegou a apontar o dedo para sua mulher, a ex-­primeira-dama Marisa Letícia, morta há três meses depois de sofrer um AVC. Com isso, Lula fez lembrar a ordem mais popular das histórias francesas de detetive quando se pretende esclarecer algum mistério insondável: cherchez la femme — ou, siga a mulher.

Segundo Lula, Marisa foi quem se interessou pelo tríplex, e não ele. E interessou-se para fazer um investimento, não para morar nem para passar o verão à beira-mar. O juiz Moro perguntou sobre as mensagens telefônicas trocadas por executivos da OAS nas quais o ex-presidente aparece como o beneficiário da reforma do imóvel. “Eu não sou obrigado a responder mensagens que o Ministério Público pegou entre duas pessoas alheias a mim”, respondeu o réu. O juiz perguntou sobre a visita de Lula ao tríplex na companhia de Léo Pinheiro, então presidente da OAS. “Fui ver o apartamento, coloquei quinhentos defeitos no apartamento, voltei e nunca mais conversei com o Léo sobre o apartamento.” O juiz perguntou por que Marisa Letícia visitou o tríplex em 2014, quando discutia com funcionários da OAS benfeitorias no imóvel. Diante da insistência de Moro, Lula afirmou desconhecer documentos assinados por Marisa e não saber por que sua família, na negociação com a OAS, teve condições mais favoráveis do que as de outros proprietários de apartamentos no mesmo edifício. O direito de aquisição do imóvel era de sua esposa, repetia o réu. E repetia de forma enfática, ao tentar afastar-se de qualquer responsabilidade sobre a transação.

No depoimento ao juiz Sérgio Moro, a reedição da estratégia do “eu não sabia de nada” (Reprodução/VEJA)

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Comentários

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  1. Não sei se realmente existe a soberba na Política; se existe, é incontestável que Lula é possuidor da soberba da política. Dentre a maioria dos pecados que constam na Bíblia adicionados aos pecados políticos, Lula é justamente a pessoa que abraçou todos esses males.

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  2. Antonio Carlos de Lima Prado

    Achei as atitudes do Luladrão desrespeitosas e até agressivas com o juiz Moro, mas o que se esperar de um analfabeto, ignorante, farsante,?

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  3. Moris Litvak

    Quanta men tira, negando coisas que são do mais total conhecimento público. No final foi bom, pois os trouxas que ainda acreditam nele, quem sabe se sintam assim mesmo: trouxas.

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  4. Querendo demonstrar o desprezo à justiça que o processa a altivez de quem não se rende ante seus “inimigos” Lula tomava água pelo gargalo durante a audiência, como se estivesse bebendo as “brejas” no buteco ao lado do sindicato onde se formou para a vida pública. Com isso somente demonstrou o seu despreparo para exercer os cargos públicos, que são areia de mais para o seu caminhãozinho de analfabeto.

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