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Neonazistas ovacionaram Hitler antes de agredirem nordestino

Grupo foi preso e encaminhado ao presídio de Bangu; vítima quer deixar Niterói

A suástica estava presente em quase todos os objetos apreendidos com o grupo de neonazistas acusado de agredir um nordestino no sábado, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. Antes de avançarem sobre Cirley Santos, os “skinhead” gritaram o nome de Adolf Hitler, segundo a vítima – que nasceu em Natal (RN), mas vive no Rio de Janeiro desde o 5 anos de idade.

Nordestino, Cirley Santos foi agredido com socos

Nordestino, Cirley Santos foi agredido com socos (VEJA)

Santos é alvo antigo do grupo, contou em entrevista ao jornal Extra. As agressões começaram há cerca de um ano. Ele passou a ser estigmatizado porque adora músicas jamaicanas e tem tatuado no braço o símbolo de uma gravadora daquele país. No sábado, ele foi atacado com socos por dois homens enquanto distribuía currículos pelo Centro da cidade. Conseguiu pedir ajuda a guardas municipais, que encontraram os suspeitos em um veículo preto nas proximidades, junto aos outros três integrantes do bando. Com eles, foram encontrados um soco inglês, duas facas, um bastão e bandeiras e panfletos com o símbolo nazista.

Caio Souza Prado, de 23 anos, Carlos Luiz Bastos, de 33, Davi Oliveira de Moraes, de 31, Philipe Ferreira, de 21, e Thiago Dias Borges, de 28, foram presos e encaminhados ao Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio. Eles responderão por lesão corporal, formação de quadrilha e corrupção de menores (um adolescente de 15 anos estava com eles), além de intolerância de cor, raça, etnia, religião e origem, e fabricação, comercialização ou veiculação de símbolos que utilizem a suástica para divulgação do nazismo.

Santos teme, agora, amigos e cúmplices do grupo que possam querer se vingar. E pensa em deixar Niterói. “Estou com medo de sair de casa”, diz.