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Marina gastou 43,9 milhões de reais na campanha

Presidenciável do PSB não recusou doações de setores criticados por ela. Gastos com jatinho que caiu com Eduardo Campos não foram revelados

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, declarou à Justiça Eleitoral que arrecadou e gastou 43.949.282,05 reais na campanha eleitoral. O prazo para a prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral terminou na noite desta terça-feira. A arrecadação foi bem inferior aos 123,3 milhões de reais arrecadados até 2 de setembro pela presidente Dilma Rousseff (PT), que venceu a disputa em segundo turno contra o senador Aécio Neves (PSDB).

Tiveram destaque as doações feitas por setores criticados por Marina. Embora a candidata seja conhecida pela defesa do meio ambiente, ela não recusou recursos de siderúrgicas e cimenteiras, responsáveis por atividades com elevada emissão de poluentes. O maior doador foi o grupo siderúrgico Gerdau, que deu um total de 4,8 milhões de reais para a campanha da presidenciável. A Votorantim Cimentos doou cerca de 3 milhões de reais.

A campanha de Marina também utilizou contribuições de empresas indiretamente criticadas pela candidata ao longo da disputa presidencial. Nos debates, ela atacou a presidente Dilma por favorecer “campeões” nacionais em empréstimos e investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apesar disso, Marina também aceitou recursos desse time. O segundo maior doador foi o frigorífico JBS, um dos grupos mais criticados por supostamente ter sido beneficiado pelo BNDES nos governos Lula e Dilma. A empresa deu 4,6 milhões de reais à campanha presidencial do PSB quando o candidato à Presidente ainda era Eduardo Campos, morto em 13 agosto em acidente aéreo. Não foram declarados gastos com o jatinho utilizado pelo PSB quando Campos era o presidenciável. Essas despesas vão ser contabilizadas em retificação da prestação de contas da candidatura de Campos, de acordo com o advogado Ricardo Penteado.