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Kassab: ‘PSD é de centro – mas vai escolher lado em 2014’

Prefeito e fundador do partido diz que parlamentares são livres para apoios, mas legenda terá que criar unidade nas eleições presidenciais

O prefeito de São Paulo e fundador do PSD, Gilberto Kassab, parece ter revisto a orientação de sua nova legenda. Após afirmar, em março deste ano, que a sigla não seria “de direita, de esquerda, nem de centro”, o político afirmou nesta quarta-feira que seu partido assumirá uma posição e centro e independência em relação ao governo Dilma Rousseff. “A questão de centro é ideológica. Está desvinculada da relação do apoio ou não ao governo federal”, afirmou Kassab, em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo.

Questionado sobre os desdobramentos práticos de ser de centro, o prefeito garantiu que os cerca de 50 deputados federais e senadores que já compõem o quadro da legenda terão liberdade para apoiar quem quiserem. “Em relação ao governo federal, nossa posição será de independência, para que os parlamentares que se somaram a esse partido e já tenham uma posição – alguns a favor, outros contra – continuem tendo essa liberdade”, comentou.

Kassab, no entanto, deixou claro que a independência de escolha dos integrantes do PSD pode durar somente até as próximas eleições presidenciais. “Seria uma incoerência, para um partido que quer inovar, impor ao parlamentar mudanças na sua conduta. Eu, em 2010, apoiei o José Serra, outros integrantes da legenda, a Dilma, e cada um continua com suas convicções. Mas é claro que, a partir de agora, começamos a preparar uma unidade de ação para que possamos chegar com ela em 2014”, avisou.

Os problemas enfrentados pelo PSD ao tentar confirmar seu registro também foram comentados pelo prefeito. Antes de conseguir o aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que considerou a criação da legenda procedente nesta terça-feira, o partido teve a legitimidade das mais de 500.000 assinaturas favoráveis à sua criação questionadas. “Em todos os estados o partido foi aprovado nos Tribunais Regionais Eleitorais por unanimidade. Eram denúncias sem fundamento, em alguns casos, armações de adversários”, retrucou.

Propostas – O fundador do PSD disse também que irá divulgar, ainda nesta quarta, um manifesto à nação indicando os pontos defendidos pelo partido. O principal deles, segundo Kassab, é a reforma da Constituição Federal, a ser feita por uma assembleia nacional constituinte a ser criada em 2014 exclusivamente para isso. “Pedimos à senadora Kátia Abreu que apresente um projeto no Senado para haver uma campanha de mobilização nesse sentido, para que possamos ter as reformas que o Brasil precisa, política, trabalhista, tributária e administrativa”, evidenciou.

Festa – Após a entrevista, Kassab seguiu para o ato político marcado para a manhã desta quarta-feira, em Brasília, para comemorar a concessão do registro pelo TSE. O DEM – partido que mais perdeu filiados para a nova legenda – promete entrar com recurso contra o resultado do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).