Justiça restabelece prisões preventivas de Cachoeira e Cavendish

Desembargador Paulo Espírito Santo, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, atendeu a um recurso do Ministério Público. O bicheiro, o empresário e os outros cinco presos pela Operação Saqueador seguirão detidos em Bangu 8

O desembargador federal Paulo Espírito Santo, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), atendeu nesta quarta-feira o recurso da Procuradoria Regional da República do Rio de Janeiro e restabeleceu as prisões preventivas dos cinco presos na Operação Saqueador. Na sexta-feira, o desembargador Antonio Ivan Athié havia deferido um recurso da defesa do bicheiro Carlinhos Cachoeira, convertendo a prisão preventiva dele em domiciliar e estendendo o benefício ao empresário Fernando Cavendish, aos lobistas Adir Assad e Marcelo Abbud e ao ex-diretor da empreiteira Delta Cláudio Abreu. Athié se declarou suspeito de julgar o caso e deixou a relatoria da Saqueador no TRF2 na tarde de ontem.

Segundo Paulo Espírito Santo, as provas reunidas pelo MP na denúncia aceita pela 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro apresentam indícios de autoria dos crimes e demonstram “probabilidade de reiteração criminosa”. O desembargador entende que a manutenção das prisões visa a “preservar a ordem pública” e “evitar, no seio da sociedade, a sensação de impunidade e de descrédito do Poder Judiciário”.

O magistrado respaldou em sua decisão o argumento do Ministério Público de que os crimes investigados pelo Ministério Público “configuram situação de flagrância do delito de lavagem de dinheiro, crime de natureza permanente, fato suficiente para justificar a manutenção da prisão”.

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Capitaneada por Carlinhos Cachoeira, de acordo com o MP, a organização criminosa investigada na Saqueador desviou cerca de 370 milhões de reais de contratos da empreiteira Delta com o poder público e posteriormente lavou o dinheiro roubado por meio de 18 empresas de fachada de Cachoeira, Assad e Marcelo Abbud. Os destinatários finais das propinas, conforme os investigadores, eram agentes públicos, inclusive políticos, e campanhas eleitorais.

Assim como os outros 18 denunciados pelo Ministério Público à Justiça na Operação Saqueador, Cachoeira, Cavendish, Assad, Abbud e Abreu se tornaram réus sob as acusações de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Falta de tornozeleiras – Apesar da decisão de Athié que beneficiara os cinco presos, eles permaneciam recolhidos no presídio Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, porque o Estado não havia lhes fornecido tornozeleiras eletrônicas para monitoramento das prisões domiciliares.

As defesas de Carlinhos Cachoeira, Fernando Cavendish e Adir Assad entraram com reclamações ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a execução imediata da decisão do desembargador.

Com a decisão de Paulo Espírito Santo, os detidos na Saqueador seguirão em Bangu 8.