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Insatisfeito, Brasil pode travar Rodada de Doha

O Brasil não permitirá avanços na próxima rodada de negociações de liberalização do comércio de Doha, no dia 21, em Genebra (Suíça), se prevalecer a proposta divulgada nesta quinta-feira pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Os representantes brasileiros, que se encontrarão com negociadores de 29 nações, não ficaram satisfeitos com a versão que trata da redução dos subsídios agrícolas dos países industrializados – principal reivindicação dos países em desenvolvimento, como o Brasil.

‘Não vamos pagar a fatura da Rodada Doha sozinhos’, afirmou o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Itamaraty, embaixador Roberto Azevedo, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta sexta-feira. ‘Se (os países desenvolvidos) chegarem com uma postura protecionista, vão contaminar o resultado da reunião’.

Na avaliação do embaixador, o Brasil já deu sinais de que está disposto a fazer aberturas importantes de seu mercado para produtos manufaturados. Porém, ainda segundo o diplomata, a proposta da OMC deixou uma margem para que os países industrializados não façam a abertura do mercado agrícola em áreas consideradas sensíveis.

Por outro lado, foi considerado uma vitória o reconhecimento, por parte da OMC, da condição especial do Mercosul. O texto que trata da abertura dos setores industrial e de serviços propõe que o Brasil determinará o limite de volume de comércio que terá regras mais flexíveis.

Esse mecanismo possibilitará que mais produtos fiquem fora da abertura total de comércio. Como os sócios do Mercosul têm comércio restrito, eles chegariam rapidamente ao limite de linhas tarifárias estabelecido pela OMC. Isso reduziria os benefícios para o Brasil, que tem o compromisso de aplicar a Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco.

A reunião em Genebra foi convocada com o objetivo de concluir as negociações de liberalização do comércio mundial da Rodada Doha, que começou em 2001 e deveria ter sido concluída em 2004. Os emergentes pedem mais acesso aos mercados agrícolas dos países desenvolvidos, que querem uma entrada maior para seus bens industriais no resto do mundo.