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Gestão das escolas tem que ser profissional, diz Cabral

Por Luciana Nunes Leal

Rio – Pouco depois de o prefeito Eduardo Paes pedir “transparência e profissionalismo” na gestão de recursos do carnaval, o governador Sérgio Cabral disse há pouco que é preciso “cada vez mais tirar os patronos” das escolas de samba, em referência a bicheiros e milicianos que ainda dominam algumas agremiações. “A gestão econômica, administrativa tem que ser profissional, para não ficar dependendo de alguém ligado a atividade ilegal ou mesmo legal. É importante que as escolas sejam auto- suficientes o ano inteiro, possam gerar recursos e sair do jugo e do controle de quem quer que seja, bicheiros, milicianos ou qualquer agente ilegal que esteja dominando uma escola de samba”, afirmou Cabral ao chegar ao sambódromo na noite de segunda-feira, para o segundo dia de desfile do Grupo Especial.

Nos últimos meses a polícia do Rio prendeu alguns importantes bicheiros e patronos de escolas de samba, como Aniz Abraão David, o Anísio, da Beija-Flor de Nilópolis, que desfilou no primeiro dia do Grupo Especial. “O jogo do bicho, como o tráfico, foi visto durante uma época de maneira romântica. Mas o bicho é uma atividade ilegal convivendo com outras atividades ilícitas, com mortes, banditismo. Não tem cabimento”, afirmou Cabral.

Antes da chegada do governador, o prefeito Eduardo Paes, sem citar bicheiros e outros patronos de escolas, fez um elogio ao “profissionalismo” da escola de samba São Clemente, acompanhado de uma crítica à Beija-Flor. Para o prefeito, os subsídios da prefeitura e da Liga Independente das Escolas da Samba (Liesa) são suficientes para bons desfiles. “A São Clemente mostra como os recursos à disposição das escolas de samba permitem um grande carnaval, se tem gente séria, profissional. A São Clemente está fazendo um carnaval que é para deixar a Beija-Flor com vergonha”, declarou Paes.