Gabeira quer criar capital do conhecimento

Quais problemas da cidade são mais urgentes e que medidas de curto prazo podem ser adotadas imediatamente para atacá-los?

A cidade viveu uma epidemia de dengue que pode se repetir. Logo as medidas mais urgentes visam a concluir a prevenção e preparar a estrutura municipal para evitar as mortes e o sofrimento registrados em 2008.

Qual é a primeira medida que o (a) senhor(a) pretende anunciar assim que assumir o cargo?

Uma redução drástica no número de secretarias e subsecretarias, assim como a devolução dos 150 soldados da PM que ficam à disposição do prefeito. Precisamos deles nas ruas.

Qual é o projeto que o (a) senhor(a) gostaria de ver implantado até o fim da sua gestão, mas admite que será muito difícil concretizá-lo?

Um sonho que ultrapassa os limites de uma gestão de quatro anos é articular um projeto de libertação de mais de 300 comunidades cariocas ocupadas militarmente por traficantes de droga ou milícias.

A Prefeitura tem verba suficiente para o (a) senhor(a) implementar seus projetos?

Não. Ao invés de aumentar impostos, vamos reduzir o ISS de empresas que trabalhem com tecnologia da comunicação, produção do conhecimento, conteúdo para os veículos de comunicação. Isto aumentará a atividade econômica. Pretendemos, também, como foi dito acima, enxugar a máquina administrativa e introduzir a nota fiscal eletrônica. A primeira medida reduz os gastos; a segunda, aumenta a arrecadação.

O Rio tem muitos problemas, mas também qualidades. O que o (a) senhor(a) considera o ponto forte da metrópole e como dar condições para que se desenvolva ainda mais?

O ponto forte da cidade é o potencial de se tornar uma capital da produção do conhecimento, assim como a beleza, que pode atrair turistas de forma mais profissional e articulada.

Quanto o (a) senhor(a) pretende gastar em sua campanha e como vai custeá-la?

O máximo estipulado na campanha é R$7 milhões. Vamos, no entanto, gastar o que foi arrecadado. O Banco do Brasil e o TSE impediram que fizéssemos a arrecadação pela internet, uma forma moderna e democrática. Mas, como quase todas as inovações, serão necessários uns dez anos para vencer as barreiras mentais e burocráticas do país. Vamos combinar doações individuais com as de empresas.

O (a) senhor(a) costuma freqüentar as praias do Rio? Se sente seguro contra a ação de ladrões e tranqüilo quanto à qualidade da água?

A qualidade da água não é boa. A segurança ainda é precária. Este último tópico pode ser atenuado com mais rapidez. A qualidade das águas depende de uma ação integrada com os governos estadual e federal.

Como a violência tem afetado sua rotina na cidade? Já evitou algum evento ou mudou algum caminho no trânsito por precaução? O que pretende implementar nessa área na sua gestão?

A violência mudou a rotina de todos nós. Evitamos lugares perigosos em certas horas do dia. Estamos fazendo a campanha nos lugares mais distantes com muito cuidado. Pretendo reformular a guarda municipal, dotando seus componentes de instrumentos modernos de comunicação. Não serão mais guardas atomizados, mas estarão dentro de uma rede. As políticas deverão sempre levar em conta a prioridade da segurança. Um exemplo: os lugares mais inseguros costumam ser os piores iluminados. A Prefeitura pode intervir nisso, além de produzir inteligência para ajudar a polícia e trabalhar na prevenção em certas áreas da cidade.

O salário de prefeito do Rio é de pouco mais de R$ 11 mil, provavelmente menos do que o (a) senhor(a) receberia exercendo sua profissão na iniciativa privada, mas com muito mais cobranças. Por que o (a) senhor(a) quer ser prefeito do Rio?

Quero ser prefeito do Rio para recuperar a cidade que amo. A consciência de ter uma importante missão histórica compensa desniveis salariais e também as inevitáveis e, quase sempre, justificadas cobranças.

A crise na área de saúde foi evidenciada com a epidemia de dengue no Rio. O que o (a) senhor(a) pretende fazer para equipar hospitais e postos

municipais?

Um grande problema da saúde no Rio é o fato de termos poucos postos de saúde e baixa cobertura do programa Saúde da Família. Os hospitais ficam congestionados de pacientes que poderiam ser tratados perto de sua casa. Aumentar o número de postos e seu horário de funcionamento, ampliar a cobertura do programa Saúde da Familia são medidas necessárias, assim como informatizar as unidades existentes e fazer com que trabalhem em rede.

O que é preciso para que o Rio possa ser – de fato – uma cidade maravilhosa para se morar?

As duas primeiras frases de meu programa referem-se a isso. Todo o programa de governo destina-se a tornar o Rio uma cidade maravilhosa para o maior número possível de pessoas e para que deixe de ser uma cidade-pesadelo para muitos de nossos habitantes. Há três linhas no programa: impulsionar o crescimento econômico, atenuar os problemas sociais e reduzir os níveis de violência, entendido nesse último esforço também uma grande campanha para que a ordem urbana e as posturas municipais sejam respeitadas. O Rio nesse contexto seria uma cidade maravilhosa para os turistas – e também para quem mora nela.

Descreva como o (a) senhor(a) acha que será o Rio de 2028.

O Rio de 2028 dependerá de um plano de sustentabilidade de 20 anos, como os que foram feitos por cidades como Seattle. Precisa ser simultaneamente uma cidade bem iluminada e econômica em gastos de energia, uma cidade limpa, onde predominem os princípios de reparar, reusar e reciclar, uma cidade com transportes coletivos confortáveis, baratos e pontuais, e uma capital do conhecimento, produzindo inovações e conteúdo.

Como o (a) senhor(a) gostaria de ser lembrado pelas futuras gerações de cariocas?

Aquele que conseguiu estimular a recuperação da cidade, colocando-a nos trilhos do crescimento sustentável. É uma ilusão pensar que esta tarefa gigantesca seja feita apenas pelo prefeito e num espaço de quatro anos. Ser lembrado como um animador do processo já justifica toda a luta.