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Exame confirma sinais de embriaguez em motorista que atropelou ciclista

Motorista se recusou a fazer o bafômetro e não permitiu coleta de sangue

O exame clínico realizado em Alex Siwek, de 21 anos, que atropelou um ciclista na avenida Paulista e depois jogou o braço da vítima num córrego apontou que ele apresentava sinais de embriaguez quando passou pelo procedimento. Esse tipo de exame, realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), foi instituído pela nova Lei Seca, que entrou em vigor em dezembro, e considera sinais externos – olhos vermelhos, odor de álcool e reflexos lentos, por exemplo. Siwek não autorizou o teste do bafômetro nem permitiu que fosse colhida uma amostra de sangue.

Os policiais do batalhão onde Siwek se entregou após jogar o braço de David Santos Souza num córrego também afirmaram que o motorista estava aparentemente bêbado. O exame no IML, realizado seis horas depois do acidente, indica sinais de embriaguez, mas não é capaz de apontar o grau de embriaguez – o que só seria possível por meio do bafômetro ou de teste sanguíneo. “O importante é que mostra que ele consumiu bebida alcoólica”, disse o delegado Carlos Eduardo Silveira Martins, titular do 5º Departamento de Polícia. De acordo com os resultados, o hálito de Siwek estava “acentuadamente etílico”.

Na segunda-feira, a polícia já havia afirmado que a casa noturna, onde Siwek esteve antes do atropelamento, informou que na comanda do estudante constavam a compra de três doses de vodca e de uma lata de energético. O amigo de Siwek, que estava no banco do passageito no momento do acidente, disse em depoimento que eles tomaram três ou quatro latas de cerveja na noite anterior.

Atropelamento – A vítima, o limpador de janelas David Santos de Souza, de 21 anos, continua internado no Hospital das Clínicas de São Paulo. Na tarde de segunda-feira, ele deixou a Unidade de Terapia Intensiva do hospital e foi transferido para um quarto. Seu estado de saúde é estável, segundo o hospital. Ele ainda deve passar por uma cirurgia que vai retirar um enxerto de pele da perna para preencher o local da amputação. Além de perder o braço direito, David sofreu ferimentos na perna esquerda e hematomas pelo corpo.

Na manhã desta terça, a delegada Priscila de Oliveira Rodrigues, esteve no hospital para ouvir David Souza. Ao deixar o local, cerca de uma hora depois, ela disse que o limpador contou que estava trafegando na contramão no momento do acidente, por volta de 5h30, indo para o sentido Consolação na faixa sentido Paraíso. A faixa, no entanto, já estava com os cones de sinalização da ciclofaixa que seria aberta às 7h. “Ele disse que sentiu mais seguro na contramão, já que os cones no sentido Consolação já estavam colocados. Ele disse ainda que mudou de faixa uma quadra antes do acidente”, disse a delegada Rodrigues.

Segundo a delegada, David contou que lembra quando o carro conduzido por Siwek invadiu o espaço destinado às bicicletas, derrubando vários cones. O motorista disse não se lembrar do choque com o carro. A polícia não disse se o fato de David estar trafegando na contramão, uma infração segundo o Código de Trânsito, deve causar alguma alteração nas investigações.

David, que é destro, teve que assinar o depoimento com uma digital do dedo esquerdo. “Ele me mostrou desenhos que ele costumava fazer, e disse que agora nunca mais vai conseguir desenhar”, disse a delegada Rodrigues.

A polícia ainda busca imagens de câmeras instaladas na Avenida Paulista e em locais por onde Siwek tenha passado após deixar a casa noturna. “Ainda não temos nenhuma imagem que mostra a conduta do motorista. Também queremos saber se ele levou alguma multa no percurso”, disse o delegado Martins.

Alex Siwek continua detido no Centro de Detenção Provisória 2, na Zona Leste da Capital. Nesta terça-feira, o Ministério Público se manifestou pelo indeferimento do pedido de liberdade do motorista, feito pela defesa de Siwek, e pediu que sua prisão em flagrante fosse transformada em prisão preventiva. O pedido ainda está sendo analisado pela Justiça.