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Em Teresópolis, enfim, terreno para construção de casas populares é liberado

Um ano e três meses após a tragédia de 2011, governo do estado pagará 11 milhões de reais pela Fazenda Ermitage, onde serão erguidas 1.600 moradias

Só agora, um ano e três meses após da tragédia que matou mais de 900 pessoas na região serrana, o governo do estado do Rio e o município de Teresópolis conseguiram resolver o impasse para liberar o terreno onde serão construídas casas para os desabrigados. Nos próximos dias, o governo estadual fará um depósito de 11 milhões de reais referente à desapropriação da Fazenda Ermitage. É o fim de uma longa negociação. A área de 190 hectares dará lugar a um bairro com 1.600 moradias, construídas pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida.

A vitória na Justiça não deve ter o mesmo alarde dos anúncios de liberação de verba para os desassistidos. Afinal, não foram poucas as promessas que envolveram representantes do governo federal, o próprio governador Sérgio Cabral e seus secretários – todos cúmplices no descaso com alertas feitos pelo Ministério Público e por especialistas em geologia que alertavam para o risco de tragédia nas encostas da região serrana.

As obras devem durar 18 meses. A previsão é de que 300 unidades sejam entregues até o fim do ano, e as restantes ao longo de 2013. O governo federal doará as moradias às vítimas das chuvas, enquanto o governo estadual custeará as obras de infraestrutura, como drenagem, pavimentação, iluminação, rede de esgosto e aguá, além da construçãop de lojas comerciais e equipamentos sociais. O projeto inclui ainda uma escola estadual, uma creche e um parque público com cerca de 50 mil metros quadrados.

No último fim de semana, Teresópolis voltou a ser castigada pelo excesso de chuva. Em apenas quatro horas, a força das águas deixou cinco mortos, uma pessoas desaparecida e quase mil novos desalojados.

Em Nova Friburgo, foi dado início ao processo de construção de 2.166 unidades habitacionais na localidade de Caminho do Céu. Na próxima semana, começará o processo de desapropriação de um terreno no bairro da Posse, também em Friburgo, onde estão previstas 500 moradias. Para justificar a demora, o governo do estado alega que tem enfrentado dificuldade para encontrar terrenos disponíveis, áreas planas e adequadas à construção, além de problemas na desapropriação e aquisição de terrenos.

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