Dobradinhas e falsos confrontos: o debate que você não viu

Candidatos trocam acusações em segundo debate pela prefeitura de Belo Horizonte. Confira

O segundo debate televisivo com candidatos à prefeitura de Belo Horizonte, transmitido pela RedeTV em parceria com a VEJA, o portal UOL e o Facebook, foi marcado por acusações e confrontos entre os candidatos. Com pouco espaço para as propostas, o clima de vale tudo contagiou o auditório e reflete a briga política pela gestão municipal. Confira os bastidores da transmissão.
Briga pelo segundo lugar
Não é à toa que Alexandre Kalil (PHS) foi o candidato que mais apanhou nesse segundo debate televisivo. Corre entre as candidaturas o sentimento de que a eleição está cristalizada, com o ex-dirigente e o tucano João Leite praticamente consolidados para um segundo turno. Por isso, a estratégia dos candidatos embolados em terceiro lugar nas pesquisas é derrubar a popularidade do cartola para tentar garantir uma vaga no próximo dia 2 de outubro. Os mais focados em minar a campanha de Kalil são Délio Malheiros (PSD), candidato do prefeito Marcio Lacerda, Luis Tibé (PT do B) e Sargento Rodrigues (PDT).
Preocupado?
Duramente criticado por uma dívida de R$ 100 mil em IPTU com a prefeitura de Belo Horizonte, o ex-dirigente Alexandre Kalil (PHS) quis mostrar para o espectador que ficou ofendido com as acusações. Enquanto filmado, ele chegou a afirmar que se sentia “triste” com as agressões. Mas nos bastidores não foi bem assim. Sempre que um candidato voltava ao assunto, Kalil cruzava os braços e brincava com os operadores de câmeras como quem diz “lá vem eles com essa história”. Em alguns momentos, a maior preocupação de Kalil pareceu ser o que fazer com as garrafas de água vazias em suas mãos.
 
Inimigos, mas nem tanto
Engana-se quem acha que o confronto entre Rodrigo Pacheco (PMDB) e Reginaldo Lopes (PT) seja motivo de hostilidade entres os rivais. Poucos minutos depois de travarem uma discussão sobre o assunto, os dois cochichavam, riam e trocavam olhares.
Dobradinha
João Leite (PSDB) e Sargento Rodrigues (PDT) parecem ter ficado satisfeitos com a dobradinha que questionou Kalil sobre a dívida com o município. No restante do debate, os dois candidatos riam, conversavam e trocavam piscadelas.
 
Diferenças no apoio
Chamou atenção a quantidade de assessores e conselheiros que orientavam os candidatos durante os intervalos. Os únicos que contavam com um apoio mais modesto, com um ou dois assessores, eram Rodrigo Pacheco (PMDB), Sargento Rodrigues (PDT) e Marcelo Álvaro (PR).
 
Plateia reativa
A plateia ficou bastante animada com o clima de vale tudo que tomou conta do primeiro bloco do debate. Praticamente todas as falas dos candidatos eram acompanhadas de gritos e aplausos. O clima só esfriou depois que a segurança foi acionada e os militantes mais animados ameaçados de expulsão.
 
O último recado
A partir desse momento, o silêncio imperou no auditório. A última manifestação ficou por conta de um grupo de militantes do PT, que, ao final do debate, gritava “Fora Temer”.
Esquenta
Mas o clima esquentou bem antes de os candidatos chegarem ao local do debate. Por volta das 17h (a transmissão começou apenas às 22h15), militantes de Luis Tibé (PT do B) já se concentravam na frente do hotel. Eles cantavam e gritavam todo o tipo de ofensas, maior parte direcionada aos defensores de João Leite (PSDB), que, por sua vez, eram acompanhados por um carro de som que tocava o jingle do tucano. Pouco antes do debate começar, grupos ligados a Délio Malheiros (PSD) e Rodrigo Pacheco (PMDB) se somaram à manifestação.