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Desembargador cassa quebra de sigilo telefônico de jornalista

Jornalista da revista Época foi alvo de um pedido de quebra de sigilo telefônico por causa de uma matéria divulgada em fevereiro do ano passado

O desembargador federal Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), cassou nesta quarta-feira a decisão que quebrava o sigilo telefônico do jornalista Murilo Ramos, da revista Época. O magistrado também determinou a suspensão de todas as investigações policiais que tenham como objetivo a descoberta da fonte do jornalista na apuração de uma reportagem que revelou o conteúdo de um relatório do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf).

O documento listava brasileiros suspeitos de manter contas secretas na filial suíça do HSBC, no escândalo SwissLeaks. A investigação do Coaf e o relatório foram revelados pela revista Época. O desembargador deferiu o pedido de medida liminar requerido pela Associação Nacional de Editores de Revista (Aner), que recorreu de decisão da juíza Pollyanna Kelly Alves, da 12ª Vara Federal de Brasília, que havia ordenado a quebra do sigilo telefônico do jornalista.

“O profissional da imprensa possui direito subjetivo de matriz constitucional ao sigilo da fonte e não é juridicamente possível utilizar-se de métodos investigativos sobre o detentor do direito ao sigilo para obter a identidade de quem lhe entregou a notícia, salvo quando houver um bem jurídico maior que exija proteção e seja mais importante do que o direito à privacidade do jornalista, derivado da liberdade de imprensa”, argumentou o desembargador em sua decisão.

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“Se é certo que a sociedade precisa de segurança jurídica, também é certo que precisa de uma imprensa sem medo e sem amarras, para que persiga o seu desiderato republicano e democrático”, ressaltou Bello.

Na avaliação do desembargador, a quebra do sigilo do jornalista foi determinada exclusivamente com a finalidade de se identificar a fonte da reportagem. “O sigilo da fonte deve prevalecer sobre o dever de investigar por ser, no caso concreto, valor e direito de peso maior que o dever estatal de investigar o delito do artigo 325 do Código Penal, praticado por servidor público desconhecido que deu à imprensa livre acesso a dados bancários sigilosos”, argumentou.

Para o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, a decisão do desembargador “está de acordo com os princípios estabelecidos na Constituição Federal, com a liberdade de imprensa e com o direito de informação inerente à cidadania”.

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

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  1. Jornalista não está acima das leis.

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  2. Neste caso, a quebra de sigilo nao pode/deve ser considerada como invasao de privacidade. O Jornalista tem o direito de receber denuncias e de nao revelar a origem de tais denuncias, mas o governo(policia) tem o direito de tentar descobrir o responsavel pelas informacoes sigilosas. E uma pena que no Brasil se confundem as coisas. Nos EUA, os jornalistas tem o mesmo direito, mas, a policia tem o direito de usar os meios necessarios para tentar descobrir o responsavel. Porque esse jornalista nao fez os contatos em segredo? No caso do Watergate () mais famoso caso de informacao sigilosa ser passaa a jornalistas) o governo tentou de todas as maneiras descobrir o responsavel pelo e nao descobriu. Isso e o que deveria ser aqui!.

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  3. Rubens Gonzaga Jaime

    Essa é uma verdadeira “juizeca”, e o delegado que criou a celeuma um mero “chefete de polícia”, para se usar expressões muito em voga atualmente na República de Banânia. O viés esquerdoso de ambos salta à vista!

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