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Carnaval 2012: Problemas podem prejudicar Imperatriz

Por Clarissa Thomé

Rio – Problemas em carros alegóricos fizeram a Imperatriz Leopoldinense atravessar a avenida em ritmo lento, o que pode comprometer o bonito desfile sobre Jorge Amado preparado pelo carnavalesco Max Lopes. A apresentação foi tensa. Max já enfrentava o desafio de se apresentar depois da Portela, que cantou a Bahia. Em muitos momentos, os temas se repetiram: a lavagem da Igreja do Senhor do Bonfim, orixás, baianas, o Pelourinho. “A diferença é que a minha Bahia tem Jorge Amado”, irritou-se o carnavalesco, ainda na concentração.

O problema maior foi enfrentado pelo carro da Igreja do Bonfim, que teve pane elétrica e teve dificuldades para manobrar. A alegoria ficou parada em frente ao setor 10 por alguns minutos. O carro do Pelourinho também apresentou defeito e parte afundou. Ali desfilaram filhos e netos de Jorge Amado e o cantor Elymar Santos. “Foi um desfile tenso. Nosso carro teve muitos problemas, mas ele tinha que desfilar assim mesmo porque só havia sete carros. Confesso que nem vi muita coisa”, afirmou Elymar.

O diretor de carnaval, Wagner Araújo, negou as falhas. “Não tem nada a ver com ritmo baiano. A escola tem duas paradas, para a apresentação da comissão de frente e a do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Os jurados já sabem disso e vão avaliar levando isso em consideração”, afirmou.

A apresentação da comissão de frente foi o ponto alto da agremiação. Quinze bailarinos, atores e capoeiristas representavam os meninos do livro “Capitães de Areia”. Ao longo da avenida, simularam roda de capoeira e “voaram” presos a um carrossel. “O livro, da década de 1930, fala de meninos ladrões. É uma realidade que persiste até hoje. O carrossel é uma maneira de lembrar que não são bandidos, são crianças, com esperanças e alguma inocência”, afirmou o coreógrafo Alex Neoral. Outro destaque ficou para o carro que trazia personagens de Amado, como Gabriela e Dona Flor e os dois maridos.

Fantasias pesadas e o calor fizeram componentes sentirem-se mal. Cinco baianas tiveram de ser socorridas para o posto médico. A madrinha Luiza Brunet também sofreu uma queda de pressão, antes do desfile, mas não teve problemas para se apresentar. Ela disse que sonha entrar para o livro dos recordes como a madrinha com mais tempo à frente de uma bateria – 17 anos. “Eu me sinto privilegiada por ter 30 anos de avenida e hoje ser uma referência para o carnaval, para as mulheres”.