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Cármen Lúcia sobre presos: ‘Ser humano é maior do que seu erro’

Em conferência, a ministra defendeu melhores condições carcerárias. ‘Não se aboletam nem bichos do jeito que tenho visto por onde eu tenho passado’

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, fez palestra nesta segunda-feira no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e defendeu melhores condições carcerárias. Segundo ela, a situação do sistema penitenciário brasileiro é “desoladora”. A ministra participou da conferência Brasil para a Paz e disse que é errada a expressão frequentemente repetida de que “a polícia prende, e a Justiça solta”.

“Qualquer prisão é determinada por um juiz, e a soltura, igualmente. A responsabilidade pelo preso é nossa [do Judiciário]. Isso tem tudo a ver conosco. Temos que saber quem está preso, por que está preso, por quanto tempo está preso e em que condições está preso. Isso é um problema do Poder Judiciário, que por muito tempo que não assumiu plenamente que ele precisa, tem de verificar essa situação”, disse a ministra.

À frente do Conselho Nacional de Justiça e com experiência na Pastoral Carcerária, a ministra afirma que tem se deparado com situações desumanas no sistema prisional. “Não são condições de degradação, são de não humanidade. Não se aboletam nem bichos do jeito que tenho visto por onde eu tenho passado”, afirmou, destacando que os presidiários não perdem os direitos humanos durante o cumprimento de suas penas. “Todo ser humano é maior do que o seu erro”, disse.

Para a ministra, a Justiça tem um “enorme déficit” com as famílias das vítimas da violência, ao não dar a opção de acompanhar os trâmites jurídicos contra os réus que respondem por esses crimes. “A família tem o direito de saber e de receber uma resposta sobre a situação em que está esse processo”, afirmou.

Protesto

Durante a fala da ministra, manifestantes ergueram cartazes pedindo que o STF anule o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ainda no início da conferência, Cármen Lúcia disse que protestos são próprios da democracia e garantidos pelo Poder Judiciário.

“Fui estudante em uma época em que era proibida de falar, de dizer alguma coisa, proibida até de pensar”, disse a presidente do STF. “Não me apavora nem um pouco a palavra crise. Até porque precisamos discutir o que é crise”.

Cármen Lúcia defendeu que a crise pode ser vista como um momento ou como a ruptura que vem ao final de um processo evolutivo. “Acaba-se um modelo e vem um outro modelo. E nesse momento em que já acabou o velho e não começou o novo, a ideia é saber o que fazer, que crise é essa. Vivemos em um mundo em crise, o Brasil em crise.”

O evento contou com a participação da Arquidiocese do Rio de Janeiro, da Associação Jurídico Espírita do Estado do Rio de Janeiro e da União de Juristas Católicos. Na mesa de abertura, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Milton Fernandes, destacou que a mensagem de paz deve reunir os segmentos religiosos em harmonia. Para o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, todas as religiões e posições políticas devem se unir em prol da paz. “Sabemos que a solução é para todos. Ou construímos para todos ou estamos fadados ao fracasso”, disse o arcebispo.

(Com Agência Brasil)

Comentários

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  1. Ministra Carmen Lucia, estes bandidos não cometem “erros”. Eles simplesmente acabam com a vida de famílias inteiras. Crime não pode ser considerado “erro”.

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  2. Mais uma defensora de bandidos.

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  3. E QUEM DISSE QUE BANDIDO É SER HUMANO. LEVE-OS PARA TUA CASA .

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  4. que horror—TEMOS POR OBRIGAÇÃO MORAL .TIRAR ESSES CRIMINOSOS DOS TRIBUNAIS DE BRASÍLIA—

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  5. Ricardo Andreucci

    Pera aí, Dra. Carmem faz parte do Conselho de Justiça, orgao ligado justamente a esta indignaçao que ela aponta. Porque entao nao faz nada a respeito ?

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