Calculadora do aquecimento: controle suas emissões de CO2

Muito se fala da necessidade inevitável de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), causadores do aquecimento global e das suas catastróficas consequências para o mundo. Na última tentativa de se chegar a um consenso sobre o assunto, 192 países se reuniram em Copenhague, em dezembro do ano passado, na 15ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP15). O Brasil se comprometeu com um corte entre 36,1% e 38,9% até 2020. O impasse, no entanto, só deverá ser resolvido no fim deste ano na COP16, no México. E você, já resolveu em quanto poderá cortar suas emissões?

Para ajudar nessa tarefa, VEJA.com criou a Calculadora do Aquecimento, em parceria com a ONG Iniciativa Verde, que mostra o volume de gás carbônico (CO2) produzido individualmente em tarefas cotidianas e gastos como eletricidade, gás, transporte, viagens aéreas, papel, CDs, DVDs e latas de alumínio. “Nós consideramos esses itens básicos e que correspondem por uma boa parte da emissão total de um indíduo”, afirma Francisco Maciel, presidente da Iniciativa Verde. “Para construí-la, nós compilamos os fatores de emissão de CO2, disponibilizados por órgãos como o Ministério de Ciência e Tecnologia, e valores de referências usados em projetos nossos”, explica.

A partir desses itens é possível descobrir, por exemplo, que aquela latinha de cerveja, refrigerante ou suco também tem sua parcela de poluição. Para chegar a esse número, a calculadora leva em consideração todo o processo, desde a extração da matéria-prima, da fabricação, transporte e armazenamento da latinha. “Todo esse processo tem sua cota de emissão”, acrescenta.

Segundo dados divulgados pela Agência Internacional de Energia (AIE) em 2009, a emissão per capita do Brasil é considerada baixa, de 1,8 tonelada de CO2; bem abaixo da americana, com 19,1 toneladas; da Argentina, com 4,12 toneladas e China, 3,52 toneladas. “Na verdade, esses números não refletem a realidade”, avisa Maciel. “A China é o país que mais polui no mundo, mas ao se dividir a poluição deles entre a sua população, que é a maior do planeta, esse número cai consideravelmente”, afirma.

Planejamento – Para ele, o objetivo de calculadoras de emissão é evitar erros desse tipo e retratar com maior fidelidade o padrão de consumo de uma população. A partir do momento que uma pessoa sabe quanto polui, fica mais fácil para ela planejar sua redução. Seguir o exemplo brasileiro ou cortar entre 10% e 20% de suas emissões até 2020 vai requerer um esforço de mudança de padrão de consumo. Entre os sacrifícios em prol do planeta estão: eliminar viagens desnecessárias, optar por transporte público ou veículos que poluam menos e diminuir o banho de chuveiro elétrico. Aqui vão algumas dicas de substituição.

Por motivos óbvios, essa capacidade de redução é maior entre as classes média e alta, que são as que mais consomem. A calculadora também traz o total de árvores necessárias para anular as emissões. “Quem se sentir compelido à fazê-lo, fique à vontade”, incentiva Maciel. Quem preferir pode pagar instituições, como a Iniciativa Verde, pelo plantio, manutenção e monitoramento da área florestal a ser restaurada e conservada. “Precisamos lembrar que as conseqüências das ações de quem consome muito são divididas por todos.”

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