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Cabo que liderou greve volta ao palanque para eleger bombeiros

Expulso da corporação, Benevenuto Daciolo fará campanha para militares escolhidos pelos colegas no estado. Objetivo é usar eleições municipais para fortalecer movimento 'adormecido'

Cada município terá apenas um candidato do movimento dos bombeiros, para não haver divisão de votos. No total, serão cerca de 20 postulantes ao cargo de vereador espalhados pelo estado

O líder da greve dos bombeiros no Rio de Janeiro, Benevenuto Daciolo, está de volta aos palanques. Expulso da corporação, o ex-cabo entrará de cabeça nas eleições para vereador deste ano com a missão de arregimentar votos para os candidatos do movimento SOS Bombeiros, que fez uma série de protestos no estado, entre eles a invasão ao Quartel General. Daciolo foi o bombeiro flagrado em escutas telefônicas combinando a nacionalização do movimento da categoria, no começo deste ano, com Marco Prisco, líder da Associação dos Policiais, Bombeiros e dos seus Familiares da Bahia. Ele chegou a pedir a continuação do movimento grevista baiano para fortalecer a paralisação no Rio. Agora, o pedido é outro: votos.

Para a prefeitura, Daciolo apoia o candidato do PSTU, Cyro Garcia. Ele aparece em um vídeo ao lado de Garcia, no qual afirma que o movimento dos bombeiros não acabou. “Essa luta que tivemos não terminou. Ela permanece. Nós, bombeiros, não desistimos e nem recuamos. Estamos apenas curando as feridas”, afirmou Daciolo, referindo-se aos 13 bombeiros expulsos da corporação durante as reivindicações- inclusive ele. “Nós queríamos e lutamos para que o nosso candidato representante dos bombeiros viesse pelo PSTU”, disse.

Os militares candidatos à vereança estão espalhados por partidos que apoiaram o movimento durante a greve, como o PSOL, o PR e o PSTU. Os candidatos dos bombeiros em Niterói e São Gonçalo, por exemplo, tentarão uma vaga pelo PSOL. Para agradar a todas as siglas, na cidade do Rio, o militar que concorrerá se filiou ao PR.

Cada município terá apenas um candidato do movimento dos bombeiros, para não haver divisão de votos. No total, serão cerca de 20 postulantes ao cargo de vereador espalhados pelo estado. A escolha do nome do major Márcio Garcia para o Rio foi definida depois de uma prévia com um trâmite particular. Os militares do movimento interessados no pleito se manifestaram. A partir daí, uma lista foi feita com os pretendentes e levada a cada quartel. Unidade por unidade decidiu o bombeiro que deveria concorrer para representá-los na Câmara Municipal. O vencedor foi Garcia.

A ideia é fortalecer a corporação e suas reivindicações, mirando nas eleições de 2014, quando abrirão vagas para os legislativos estaduais e federal. “É uma plataforma para lançarmos um candidato a deputado estadual e outro a federal”, explica Garcia. A candidatura de bombeiros não é uma novidade. Mas, antes, cada um defendia projetos individuais. Desde a greve da corporação, quando Daciolo chegou a ir para a Bahia durante as manifestações no nordeste, os militares fluminenses entraram em contato com bombeiros de outros estados e disseram ter aprendido algumas lições para o fortalecimento da categoria.

“A aproximação com os bombeiros da Bahia, Brasília e Sergipe nos fez perceber que a solução encontrada por eles para resistir à pressão do estado foi elegendo representante político. Há 10 anos, bombeiros de Brasília tinham salários iguais ao nosso. Hoje, o valor de lá é quatro vezes maior”, afirma Garcia. O principal eleitorado do candidato será a corporação. “O ponto de partida será os sete mil bombeiros da capital. Queremos atingir os parentes deles também e fazer uma campanha para que cada militar consiga mais três votos. Aí haverá voto suficiente para nos elegermos. Vamos buscar amigos e vizinhos. Também irei a bairros da zona oeste, principalmente Campo Grande, onde moram muitos bombeiros”, afirma.

A imagem de Daciolo, figura principal durante todo o processo de reivindicações da categoria, estará disponível para aparecer com qualquer bombeiro do movimento. Integrantes do SOS Bombeiros acreditam que, se Daciolo conseguir anular a exclusão da corporação, provavelmente será candidato a deputado em 2014. O grupo deu entrada na Justiça para tentar a reintegração.

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