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Butaneses vivem há dias em Cumbica

Por Nataly Costa

São Paulo – Dois estrangeiros estão “presos” há quase duas semanas no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, sem poder entrar no Brasil nem conseguir voltar para casa. Ganesh Raj, de 32 anos, e o sobrinho Bishwas Raj, de 21, afirmam ser butaneses e morar no Nepal. Fizeram uma conexão em São Paulo e seguiriam para os Estados Unidos. Mas, ao chegar ao País, um terceiro homem que viajava com eles teria roubado o dinheiro e todos os documentos dos dois.

Eles não conseguiram passar pela imigração, porque não tinham passaporte. A Polícia Federal não acredita em Ganesh e Bishwas. Segundo o delegado Antonio Wagner Castilho, o nome deles não consta na lista de passageiros de nenhuma companhia aérea e eles não sabem dizer qual delas os trouxe até o Brasil nem qual os levaria para os Estados Unidos.

Se ficar confirmado que são passageiros em conexão, seria da empresa a responsabilidade de mandá-los de volta para o país de origem. É o mesmo que acontece quando um brasileiro não é aceito em terras estrangeiras.

Agora, os butaneses estão na área de desembarque internacional de Cumbica, circulando pelo espaço que antecede os balcões de imigração. Dormem nos bancos do terminal, se alimentam com a ajuda do posto de atendimento ao migrante de Cumbica e, segundo a PF, “com o próprio dinheiro”. Em uma revista, a polícia encontrou US$ 123 com os butaneses.

Os dois são hinduístas e vieram de uma família de agricultores no Nepal. Bishwas fala inglês e, em depoimento, afirmou que o tio pagou a passagem dos dois e eles não querem voltar para o Nepal porque o país “não oferece oportunidades de trabalho”. Não procuraram ajuda diplomática nem solicitaram visto de entrada no Brasil porque não sabiam que era necessário.

Dizem querer ficar aqui como refugiados – o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), vinculado ao Ministério da Justiça, não recebeu nenhum pedido da Polícia Federal de São Paulo para interceder pelo butaneses. “Eles demoraram para se manifestar. No contato com a imigração, não solicitaram refúgio imediatamente. Não é só chegar e dizer �queremos trabalhar aqui�. É preciso averiguar se essas pessoas não representam risco para o País”, diz o delegado Antonio Wagner Castilho.

ONU

Como não existe embaixada no Brasil, a PF diz estar em contato com a missão do Nepal na Organização das Nações Unidas (ONU) para tentar checar se Bishwas e Ganesh são mesmo os nomes verdadeiros dos dois homens e qual a situação deles no país natal – os dois dizem sofrer perseguição étnica por serem butaneses. “Isso só está acontecendo porque o Brasil não exige visto de trânsito para passageiros em conexão, como fazem os Estados Unidos, por exemplo”, diz o delegado Castilho. Não há prazo para resolver a situação.