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Black Bloc manifesta ‘condolências’ e convoca novo protesto na Central do Brasil

Página do grupo no Facebook ignora relação entre rojão lançado por mascarado e a morte do cinegrafista Santiago Andrade

Para o Black Bloc, a morte do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, causada por um rojão lançado por um mascarado na última quinta-feira, é tratada como um acidente de percurso, ou mero efeito colateral da “causa”. Em uma nota de condolências publicada no fim da manhã, um integrante do grupo, na página “Black Bloc RJ”, manifesta solidariedade à família de Andrade, em uma frase. Em seguida, cita “dois protestantes” (sic) mortos pela polícia e “milhares de famílias de mortos pela polícia”.

Sem assumir ou citar a ação que vitimou o cinegrafista – apesar da confissão de um dos envolvidos, o tatuador Fábio Raposo, que entregou o artefato explosivo ao homem que o detonou – o comunicado do Black Bloc critica a atenção dada ao caso. “Quero deixar minhas condolências a este país, por seu povo ignorante e alienado que agora discute um caso isolado como se fosse o todo desta questão”, conclui o texto, que ignora um aspecto da morte de um inocente: para a família de Andrade, e de cada vítima de qualquer guerra, cada caso isolado é também toda a questão.

Os mascarados estão empenhados no momento na convocação de uma nova manifestação, programada para as 18h desta segunda-feira, com concentração no Largo ao Lado do Panteão Duque de Caxias, junto à Central do Brasil – local onde o cinegrafista foi atingido na cabeça por um rojão adaptado, segundo indicam as investigações da Polícia Civil.

Na página do grupo “Anonymous Rio”, na qual foi publicado um manual de guerrilha no ano passado, também há uma nota na qual os participantes dizem estar “muito chateados” com a morte de Santiago Andrade – também em uma linha. A frase seguinte cobra explicações sobre a morte de um homem, por atropelamento, no mesmo dia da explosão que feriu gravemente o cinegrafista na cabeça.

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