Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Bebê baleado no útero da mãe já respira sem aparelhos

Arthur segue com quadro de paraplegia, mas os médicos dizem que ainda há chance de recuperação do movimento das pernas

O bebê Arthur, que foi atingido por um tiro quando ainda estava no útero da mãe, Claudineia dos Santos Melo, respira sem a ajuda de aparelhos. A equipe médica do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, disse nesta sexta-feira que o recém-nascido está com paraplegia, mas que ele poderá recuperar o movimento das pernas. O estado de saúde da criança ainda é considerado grave.

O projétil, que perfurou a pelve de Claudineia, passou de raspão pelo crânio do bebê, entrou pelo ombro direito, atingiu a coluna e cruzou o pulmão. Eduardo de Macedo Soares, coordenador médico da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do hospital, disse que, caso o bebê não regenere os movimentos, essa poderá ser a sequela mais grave que a criança levará para vida.

“Ainda há risco à vida, mas é menor do que na última sexta-feira, quando ele deu entrada no hospital. Ainda é muito cedo para fazer qualquer prognóstico e dizer qual é chance para ele se recuperar totalmente e reverter o quadro de paraplegia, mas os bebês surpreendem a gente”, disse o médico.

Segundo o coordenador médico de neurocirurgia do hospital, Vinicius Mansur Zogbi, a criança sofreu uma lesão pulmonar, mas respira sem ajuda de aparelhos e só precisa do auxílio de uma ventilação para dar suporte. Ele ainda se alimenta por sondas e não tem previsão de alta hospitalar.

O quadro de Arthur é monitorado por 30 médicos. Ele já recebe visitas da mãe, que teve alta na quinta-feira do hospital Moacyr do Carmo, também localizado em Duque de Caxias. Claudineia, que trabalha como operadora de caixa e tem 29 anos, foi baleada durante um confronto entre traficantes e policiais na Favela do Lixão. Ela estava grávida de 39 semanas e deu à luz ao bebê após os médicos realizarem uma cesariana de emergência.

(Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)