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Associação diz que regularização deve encarecer serviço

Por Artur Rodrigues e Diego Zanchetta

São Paulo – O cliente de bar e restaurante que já se incomoda em pagar até R$ 20 para um funcionário de valet estacionar seu carro pode preparar o bolso. Para a Associação Brasileira de Bares, Restaurantes e Similares (Abrasel), a formalização do serviço de manobristas terá custo adicional, imediatamente repassado aos consumidores.

“A distribuição dos cupons nada mais é do que uma medida arrecadatória, que vai ajudar a colocar os valets na formalidade. A Prefeitura não tem nenhuma política pública para fomentar o transporte urbano coletivo durante a noite. E o valet acabou virando um mal necessário para os restaurantes”, avalia o diretor-jurídico da Abrasel, Percival Maricato.

A estimativa do governo é de que 90% dos cerca de 600 serviços de valets em São Paulo estejam irregulares. Sem nenhuma fiscalização policial ou da Prefeitura, as empresas de manobristas se multiplicaram na capital. E os carros dos clientes continuam sendo estacionados nas ruas e até em locais proibidos.

O diretor da Abrasel lembra que os estabelecimentos comerciais já são penalizados pela precariedade do serviço dos valets. “É sempre o restaurante o acionado nos processos movidos por proprietários que reclamam de danos ou furtos em seus veículos”, afirma.

Diretor da Associação de Empresas de Valets de São Paulo, o advogado Syrius Lotti Junior afirma que a nova regra não resolverá problemas relacionados ao mau serviço. “Quem garante que quem comprou o tíquete não vai parar o carro na rua?”, questiona o advogado. De acordo com ele, cerca de 70% das empresas de valets atuam na total ilegalidade. “As irregularidades vão de deixar de ter apólice de seguro a contratar manobristas sem carteira de habilitação”, explica. O advogado explica que a burocracia para obter alvará de funcionamento ainda faz com que muitas empresas idôneas atuem na informalidade.