Alvará da boate Kiss estava vencido, afirmam bombeiros

Coronel Guido Pedroso de Melo confirma que maioria das vítimas morreu por asfixia, porque não conseguiu sair da casa de show. Há suspeitas de superlotação

O alvará do Plano de Prevenção de Combate a Incêndio da boate Kiss – local da tragédia que deixou pelo menos 231 mortos na madrugada deste domingo – estava vencido desde agosto de 2012, afirma o comandante geral do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, coronel Guido Pedroso de Melo.

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Segundo ele, o fato de a boate ter a liberação anterior significa que havia extintores de incêndio, sinalização indicando as saídas e iluminação de emergência. Relatos de sobreviventes, no entanto, apontam que muitos jovens morreram por terem se dirigido ao banheiro da boate, acreditando tratar-se de uma das saídas de emergência.

O próprio coronel confirmou que a maioria das vítimas morreu por asfixia, porque não conseguiu sair da casa rapidamente. Ainda de acordo com ele, há indícios de superlotação. “Temos a informação de que seguranças da boate teriam barrado a saída das pessoas e que teria mais pessoas do que a capacidade do local.”

O fogo – No momento do incêndio, por volta das 2h deste domingo, havia entre 1.000 e 2.000 pessoas na casa noturna, segundo relatos, a maioria jovens, reunidos em uma festa dos cursos de Agronomia, Veterinária, Zootecnia, Pedagogia e Tecnologia dos Alimentos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). As primeiras informações são de que o cantor da banda que se apresentava na boate acendeu um sinalizador que atingiu o teto. A partir daí, o fogo se espalhou rapidamente.

Em entrevista à TV Globo, um segurança da casa disse que tentou resgatar alguns jovens. “Pedimos para que as pessoas saíssem. No meio do tumulto, alguns foram pisoteados. Houve gente que não teve tempo de sair. Chegamos a conseguir levar alguns às unidades de saúde. Algumas estavam com 80% do corpo queimado e não resistiram. Um colega nosso também morreu. Foi um filme de terror”, contou.

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