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Água do sistema Cantareira pode acabar em agosto

Nível do sistema caiu para 17,9% nesta quinta-feira; racionamento continua descartado, mas reservatório emergencial pode ser usado

O volume útil de água do Sistema Cantareira está diminuindo rapidamente e, segundo relatório do comitê anticrise, o manancial que abastece a capital e dez municípios da Grande São Paulo pode secar no fim de agosto, informa reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

O nível do sistema, que registrou 18,2% da capacidade total na quarta-feira, caiu mais uma vez nesta quinta, atingindo 17,9%. Dessa forma, o grupo recomendou à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) que defina um plano emergencial caso seja necessário recorrer ao “volume morto” – parcela das represas utilizada somente em situações de crise – durante o período comum de estiagem, no meio do ano.

Responsável pelo monitoramento da estiagem no sistema, o comitê é Coordenado pela Agência Nacional de Águas (ANA), do governo federal, e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (Daee), do governo paulista. O grupo tem também participação da Sabesp e dos comitês de bacias do Alto Tietê, que abastece a Grande São Paulo, e dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que abastece a região de Campinas.

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Cenários – O relatório traça três cenários possíveis para o Sistema Cantareira com base em simulações de quantidade de chuva e captação da água do manancial. Foram considerados diferentes índices dentro da série histórica de precipitações entre os anos de 1930 e 2013 e retiradas mensais entre 2012 e 2013 para a Grande São Paulo. Nas três hipóteses, o nível do Cantareira já estará em 16,4% no dia 1º de março.

Os resultados das simulações indicam que no cenário um, o volume útil atingido será de 17% em novembro de 2014, encerrando o ano com 21%. Já no cenário dois, o mês de novembro de 2014 apresentará o volume útil de 3%, chegando ao final de dezembro com 5%. Por fim, no terceiro cenário, o volume útil se esgota ao final de agosto de deste ano. Consequentemente, seria necessário, nesse último caso, o uso do reservatório emergencial.

Na pior das situações, o grupo considerou as médias mensais de chuva do pior ano da história, 1953. “Em razão das incertezas inerentes aos cenários futuros e da avaliação apresentada sobre a severidade da atual escassez hídrica, o GTAG-Cantareira recomenda à Sabesp que defina um plano emergencial de intervenções para o eventual aproveitamento de volumes disponíveis nos reservatórios Jacareí e Atibainha, situados abaixo dos níveis mínimos operacionais (volume morto)”, diz o relatório.