‘Abdelmassih tem expectativa de vida muito curta’, diz advogado

TJ-SP concedeu prisão domiciliar ao ex-médico neste domingo. Advogado Antonio Fraga divulgou fotos em que Abdelmassih aparece com tornozeleira eletrônica

Depois de um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinar a volta do ex-médico Roger Abdelmassih à prisão domiciliar, neste domingo, o advogado dele, Antonio Celso Galdino Fraga, afirma que Abdelmassih tem “expectativa de vida muito curta” e que é “imprescindível” a continuidade de sua internação no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Condenado a 181 anos de prisão por ter estuprado 37 mulheres, o ex-médico deu entrada no hospital na semana passada para tratar de uma infecção bacteriana no sistema urinário.

“É só ver as taxas de mortalidade do Ministério da Saúde. Pessoas com esse quadro estão suscetíveis a frequentes internações e de o quadro se agravar de maneira a chegar a óbito. Ele já teve diagnóstico de ‘difícil chance de recuperação’, então a expectativa de vida dele é muito curta, mesmo fazendo de forma correta o tratamento”, diz Fraga.

Na última sexta-feira, a juíza Sueli Zeraik Armani, da 1ª Vara de Execuções Penais, de Taubaté (SP), determinou que Roger Abdelmassih perdesse o direito à prisão domiciliar devido à falta de tornozeleiras eletrônicas no estado de São Paulo. Dois dias antes, o governo paulista havia rompido o contrato com a empresa que fornece o equipamento.

Neste domingo, no entanto, o desembargador Ronaldo Sérgio Moreira da Silva, do TJ-SP, concedeu liminar à defesa do ex-médico e reverteu a decisão de Sueli Armani. Segundo o magistrado, Abdelmassih não pode ser “penalizado” por “deficiência ou falha estrutural do Estado de São Paulo”.

“Os fatos indicam que não houve descumprimento por parte do paciente das condições estabelecidas na decisão que lhe concedeu prisão domiciliar, em virtude do seu grave estado de saúde – daí o caráter humanitário da medida -, de modo que, ao menos à primeira vista, parece constituir contrassenso ser penalizado em defluência de situação não criada por ele”, escreveu o desembargador na ordem que favorece Roger Abdelmassih.

Com a decisão, o ex-médico só poderá sair de casa para realizar tratamento médico e hospitalar ou com prévia autorização judicial.

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“A existência de monitoramento com a utilização de tornozeleira não poderia ser tida como uma condição inexorável para o cumprimento de um direito ao qual meu cliente preenche os requisitos legais. O Estado falha, mas os cidadãos não podem ser responsabilizados”, diz o advogado Antonio Fraga, que no pedido ao TJ-SP citou os casos em que o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o empresário Fernando Cavendish foram soltos pela Justiça mesmo sem tornozeleiras eletrônicas disponíveis nos estados da Bahia e do Rio de Janeiro.

 

Ontem, antes da liminar concedida por Ronaldo Moreira da Silva, Fraga divulgou fotos em que Abdelmassih aparece com uma tornozeleira durante sua internação no Albert Einstein. O defensor diz ter informações de que o monitoramento eletrônico ao ex-médico e a outros onze presos do sistema carcerário paulista continua, apesar da quebra de contrato entre o governo e a fornecedora de tornozeleiras.

VEJA tentou confirmar a informação com a Secretaria de Administração Penitenciária, mas não conseguiu contato neste domingo.

Roger Abdelmassih com tornozeleira no Hospital Albert Eistein, em São Paulo (Antonio Carlos Fraga/Divulgação)

Comentários

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  1. Angela Santavenere

    Sabemos que ele errou e não queremos ser suas vítimas, mas que possamos levar o amor de Deus a ele e a salvação em Jesus. O céu se alegra pela conversão de um pecador e todos nós somos chamados a salvação.

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  2. hildo molina

    ja passou da hora, demorou!

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  3. rogerio lopes calças

    Se tem pouco tempo de vida estimado, que passe enjaulado, refletindo sobre os males que causou e que ficarão nas memorias de suas vitimas

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  4. Cristina Costa

    Quando olho o estado patético deste individuo, gostaria de ter a oportunidade de lhe perguntar: Valeu a pena? Por um prazer mórbido e estúpido, este homem afetou a vida de centenas de mulheres – que por ele hoje nutrem repulsa e ódio. Além de desgraçar a vida dos outros enterrou a sua própria. Prestigio, fama, poder… e agora… enfiado no fundo da cama de um hospital, desprezado até por Deus que talvez demore mais um pouco a lhe chamar. É isso aí. A quem ainda pensa que o crime compensa é só mirar neste triste exemplo.

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  5. José Smigle

    Se vê pelo aspecto de sua canela, que goza de boa saúde. Quanto a enganar outros médicos, dizendo que está passando mal, deve ser mestre e conhece tudo do assunto. Já foi noticiado que ele deixa de tomar remédios por livre iniciativa, gerando crises em seu corpo, de propósito. Se nossa justiça prestasse, ficaria encarceirado, onde poderia meditar sobre os crimes que praticou. Infelizmente, nossos juízes são coniventes com os bandidos, principalmente os ricos,sabe-se lá por que motivos e deixam esse cara ficar em casa, rindo das mulheres que violentou.

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