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Abbas e Mechaal tentam selar reconciliação palestina

O presidente Mahmud Abbas e o chefe do Hamas, Khaled Mechaal, vão se reunir na quinta-feira, no Cairo, para tentar finalizar a reconciliação palestina, paralisada há seis meses.

Após meses de ceticismo suscitado pelo esmagamento das negociações entre o movimento Fatah de Abbas e os islamitas do Hamas, uma onda de otimismo surgiu nesta última semana.

“A agenda da reunião foi definida e acordada sem limite de tempo entre o presidente Abbas e Khaled Mechaal. Este não é um encontro da última chance”, declarou à AFP Azzam al-Ahmad, responsável pelo caso da reconciliação no Fatah.

“Serão discutidos os aspectos políticos, o programa político e as perspectivas para o futuro palestino, após a paralisação do processo de paz por causa da intransigência israelense”, acrescentou.

“A reunião tratará igualmente de todas as outras questões: a Organização de Libertação da Palestina (OLP), o governo e a superação dos obstáculos que impedem a aplicação do acordo de reconciliação”, segundo ele.

Após o encontro será anunciada “uma data para uma reunião entre todos os movimentos palestinos no Cairo, onde tudo será discutido, incluindo o governo”, afirmou.

O Fatah e o Hamas, que controlam respectivamente as zonas autônomas da Cisjordânia e a Faixa de Gaza, concluíram no dia 27 de abril um acordo surpresa, rubricado em 03 de maio pelo conjunto de grupos palestinos. O acordo prevê a formação de um governo encarregado de organizar as eleições em maio de 2012.

Um dos principais pontos de desacordo é a escolha do chefe de Governo, Abbas deseja que seu primeiro-ministro, Salam Fayyad, ocupe o cargo, enquanto o Hamas rejeita esta nomeação.

Sobre Salam Fayyad, “o problema foi resolvido e agora discutiremos os critérios gerais para a escolha de um chefe de governo em conformidade com o acordo de reconciliação”, afirmou à AFP Ismail Radwane, um dos líderes do Hamas em Gaza.

Radwane não quis se pronunciar sobre a informação de que o Hamas estaria disposto a parar com os ataques contra Israel por um ano.

Uma fonte palestina independente disse à AFP que o Hamas está pronto para uma “resistência popular pacífica”.

Esta possibilidade foi transmitida para Abbas e favoreceu a realização da nova reunião, explicou a fonte sob anonimato.

“O problema para o Hamas é que caso haja um acordo sobre a aplicação da reconciliação, o Fatah vai ter liberdade em Gaza, enquanto o Hamas estará preso na Cisjordânia por conta da ocupação israelense”, afirmou.

“A questão da segurança é complexa e delicada, pois diz respeito ao principal meio que o Hamas possui para assegurar o controle de Gaza e, portanto, não é fácil fazer com que renuncie às armas”, acredita Ahmad Majdalani, membro do Conselho central da OLP.

“O Hamas parou com a ação militar há três anos, desde então, tenta impor sua autoridade na segurança interditando, por exemplo, os foguetes”, acrescentou.

Para o cientista político palestino, Hani al-Masri, Abbas “e o Fatah precisam desistir de exigir que o próximo governo adote as pré-condições estabelecidas pelo Quarteto (Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia)” ao Hamas: reconhecimento de Israel, respeito dos acordos passados e abandono de toda violência.

“Por sua parte, o Hamas deve desistir de controlar sozinho a Faixa de Gaza e de insistir verbalmente na escolha da resistência, que de fato foi suspensa”, escreveu em uma análise publicada nesta terça-feira.