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| Sábado, Março 24, 2007 |
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Amores Expressos: o cinismo com mão de veludo da intelligentsia brasileira
Vocês já devem ter ouvido falar de um projeto chamado "Amores Expressos". Na Veja desta semana, Jerônimo Teixeira escreve um texto exemplar a respeito, de que segue um trecho: “Na semana passada, o anúncio de um projeto chamado Amores Expressos causou rebuliço nos meios literários brasileiros. Os blogues de escritores não falaram de outro tema: dezesseis autores brasileiros vão viajar cada um para uma cidade diferente do mundo, de Nova York a Xangai, em busca de inspiração para – vejam que coisa mais singela – uma história de amor. Os dezesseis romances resultantes serão publicados pela Companhia das Letras. O produtor Rodrigo Teixeira, criador do projeto, espera que os livros se prestem a adaptações cinematográficas. Cada autor, além do passeio com estadia de um mês e uma ajudinha de custo média de 100 euros por dia, receberá 10.000 reais pelos direitos audiovisuais de seus livros. A grita contra a iniciativa centrou-se em dois pontos: o critério de seleção dos autores e a notícia de que o projeto contaria com aporte de dinheiro público, via Lei Rouanet. Incapazes de produzir uma polêmica propriamente literária, os escritores brasileiros agora brigam por passagens aéreas. Pagas por você, contribuinte.” Assinante lê íntegra aqui. Não descarto que os escritores possam produzir boas histórias. Há, entre os agraciados, gente boa. E há também os marqueteiros da esquisitice. Incapazes de se impor pelo talento, fazem praça de um modo de vida. Isso não é novo. Artistas gostam de afetar uma vida interessante. No ensaio que escrevi sobre Mário Faustino, que está neste Avesso do Avesso, falo que a literatura brasileira, em particular a poesia, se dividia em partidos políticos. Bons tempos aqueles em que os concretistas acusavam os poetas-em-prosa de ignorar a base material do verso. Bons tempos aqueles em que os poetas-em-prosa acusavam os concretistas de produzir explicações para seus trocadilhos superiores a seus não-versos. Uau! Ainda era uma polêmica, vejam só!, literária. A reportagem sobre "Amores Expressos" deveria estar no caderno de economia ou de polícia. Ou se noticia a coisa junto, sei lá, com as linhas de financiamento que o BNDES vai abrir para os usineiros ou nas páginas destinadas a estelionatos e golpes na praça. A história da produção artística se confunde com a história do mecenato. O substantivo, sabem disso, vem de Mecenas (69 a.C. – 3 a.C), um cavaleiro romano rico que serviu como uma espécie de ministro da Cultura do imperador Otávio Augusto. Patrocinava escritores com seu próprio dinheiro — os gigantes Virgílio e Horácio estavam entre eles — e também convencia o amigo ainda mais poderoso a agraciá-los com algumas prebendas oficiais. O nome virou sinônimo da generosidade dos ricos com as artes. Artistas os mais diversos sonham encontrar um “Mecenas” para chamar de seu. Talvez haja um Virgílio ou Horácio entre os viajantes, coisa de que duvido um pouco... As leis de incentivo à cultura — seja a Rouanet, seja o do audiovisual — são um capítulo do farisaísmo das, como é mesmo?, “elites conscientes” do Brasil. Na maioria das vezes identificadas com teses consideradas “progressistas”, assaltam os cofres públicos com mãos de veludo e, não raro, dizem fazê-lo para o bem dos brasileiros. Por que escritores querem escrever histórias? Boa parte deles diria que é para nos salvar. Por que um cineasta quer fazer um filme? Alguns seriam capazes de jurar que, sem eles, a identidade do Brasil se perderia. As explicações são as mais diversas, mas jamais se assume o óbvio: nada é mais egoísta, pessoal e privado do que a relação do artista com a sua obra. “Arte social” é um capítulo da política (às vezes, da polícia), não da estética. Quem tem de financiar os artistas, suas escolhas e os filmes, livros, CDs, peças de teatro ou exposições de artes plásticas? Os pagantes. Ou um Mecenas. Fazê-lo por meio da renúncia fiscal corresponde a eleger os agraciados representantes de aspirações coletivas, coisa que se viu de modo organizado apenas nos regimes comunistas, que produziram uma cultura sabidamente vagabunda. Quais são os grandes escritores, dramaturgos ou artistas plásticos que marcaram o auge do poder soviético? Inexistem. A arte é uma atividade da vida privada, não do Estado. Editora, produtor e escritores querem histórias de amor inspiradas em várias cidades do mundo? Que o façam. Com os recursos que conseguirem amealhar na iniciativa privada. Por que um romance inspirado em Xangai ou em Paris é mais importante para a sociedade do que parafuso? Por que os brasileiros têm de arcar com os custos de um e não de outro? Escritores podem até se achar superiores a gente que faz parafuso, mas o que pensa quem paga a conta? Na Folha deste sábado, alguns escritores estão chiando. Ricardo (Nunca Li Nada Dele) Lísias indaga: “Por que ninguém vai para a África Negra? Não há amor na Faixa de Gaza? Nem na favela cite Soleil, no Haiti?” É... O Brasil está caminhando para um buraco intelectual, político e moral. Lísias acha que o erro do projeto não está em dividir a conta da iniciativa com os brazucas desavisados. Houvesse na proposta a marca legitimadora da miséria, entende-se, ele seria favorável. Muito ético, exige uma contrapartida para a prebenda: que pelo menos o escritor sofra um pouco. Defende o turismo engajado. Ademir Assunção, por sua vez, acha que não haveria problema se a grana fosse empregada para enviar escritores a feiras de livros e debates em universidades no exterior. Pergunta: por que eu tenho de pagar a ida de um Ademir Assunção a um debate no exterior? Quem responde às críticas? Sérgio Sant’Anna, com aquela sua linguagem deixa-que-eu-chuto: “As pessoas só aceitam o escritor se ele estiver fodido. Parece que só isso legitima o que ele faz. Se essa grana fosse para um cineasta, ninguém ia falar nada”. Entenderam? O “outro” de Sant’Anna são os cineastas. Ele está defendendo o “direito” de os escritores entrarem também na corrida para tomar o dinheiro do Seu Zé. E tem mais: eu não tou nem aí se Sant'Anna vive como mendigo ou nababo. Se ele é escritor, só seus livros interessam. Ah, não. Os jornalistas não estão fora dessa, não. Alguns vagabundos deram agora para defender o que chamam de ”jornalismo público” — mas não estatal, eles advertem. Consiste, do mesmo modo, em enfiar a mão no bolso da sociedade para, por exemplo, criar TVs que ficarão fora de qualquer controle, seja o do Estado (gerenciado, afinal, por um governo eleito), seja o do público propriamente dito, que diz se gosta ou desgosta do que lhe é apresentado sintonizando ou não o canal. Os “coleguinhas” querem algo menos comercial, na suposição de que “esses brasileiros”, deixados à própria sorte, só vêem bobagem. Eles querem assaltar os telespectadores para lhes oferecer “jornalismo de qualidade”, ainda que ninguém veja. De resto, notem: é mentira que a população tem especial predileção pela baixaria. A Globo, líder de audiência, tem uma programação média de qualidade — educar é tarefa da escola, não da TV. A Record, para ser a segunda, teve de deixar seus demônios de brinquedo de lado e imitar a líder. Silvio Santos, com sua opção preferencial pelo popularesco, está naufragando. O que isso quer dizer? Que os bacanas brasileiros resistem bravamente a uma evidência que chega a ser escandalosa: o mercado educa e civiliza muito mais do que qualquer intervenção estatal. Financiar cultura, universidade ou jornalismo com dinheiro público, seja por meio de verba do orçamento, seja por meio da renúncia fiscal, é só uma forma de assaltar os brasileiros. Em nome dos oprimidos, da arte e do saber, é claro. |
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Por Reinaldo Azevedo | 4:17 PM
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Comentários: Por sinal, o nível da discussão é muito mais baixo. Ou melhor, é no mesmo nível do talento desta gentinha. Dá uma olhada nisso: http://hellhotel.blogger.com.br/2007_03_01_archive.html#39495065 abs 4:49 PM Aloha, Rei, Por motivos profissionais já tive a infeliz oportunidade de acompanhar uma produção teatral, daquelas em que o grupo corre para baixo da saia do governo (só estatal pra patrocinar aquilo) visando 'apoio cultural'. Era evidente que o textinho cabeça, o amadorismo nos negócios, a falta de visão levaria o espetáculo a sucumbir (sucumbiu... na primeira semana). Mas isso não era problema. Adaptando seu pensamento publicado a alguns posts atrás: quem precisa de público quando se tem dinheiro público? O fato que não me esqueço foi uma reunião de parte do elenco (destaque para os líderes... gente 'conhecida') com a produção e as discussões ferozes sobre a conta de celular da atriz principal. "Tem que pagar, tem que pagar"... ô coitada. Não entendo porque ela teria tanta ligação para fazer... era uma infeliz em fim de carreira, arrogante e esquecida. O fato é que cada vez que leio sobre protestos dessa vagabundagem sobre apoio a este ou aquele projeto fico com azia. É nítida a sensação que deve passar na cabeça dos dependentes do dinheiro público: "tira a mão daqui... este espaço é reservado a incompetente que, por razões corporativistas, esse Estado incompetente tem o dever de proteger" Abraços, 5:00 PM Paulo X Et tu, Luiz Schwarcz? E eu, mui ingênuo, pensava que a Companhia das Letras não era uma Boitempo da vida -- editora dedicada à picaretagem às custas do Erário... 5:12 PM não que eu seja entusiasta de baudrillard (mediano), mas achei nele o que seria um retrato (um instantâneo, vá lá) da espécie de gente que pulula neste tempo de petismo dominante: "Todos os males da classe política falsamente intelectualizada infectaram em contrapartida uma classe intelectual dissimuladamente politizada: cinismo, integrismo, oportunismo, chantagem, corrupção" (Cool Memories IV) 5:50 PM Concordamos em gênero, número e grau. Essa dinheiro deveria ser gasto com bibliotecas, assinaturas de revistas e jornais, computadores com internet, para o povo. Mas não poderiam ser SÓ aquelas publicações. 6:14 PM Off Topic. Caro Reinaldo. Sei que este cidadão tem processos contra vc e o Mainardi. Mas veja só o que está num outro blog como "frase da semana" Ou era a "frase do Dia"? Sei lá, num caso ou no outro, a hipocrisia, e a mania de "aparecer bem" perante o leitor desavisado é a mesma. E é o ministro,hein? -Eu espero que critiquem. O trabalho da imprensa não é ficar batendo palma para o governo. ” Franklin Martins, novo ministro da Comunicação Social 6:35 PM Ronald Pinheiro Caro Reinaldo: Você já foi 'trosco', então deve ter passado por aquela fase adolescente de se sonhar libertador do povo, herói da classe operária e novo redentor da humanidade, certo? Ou só eu tive estas idéias quando era militante comunista? Bem, esta catapora passou, felizmente. Para nós. Nestes 'artistas' engajados, virou bexiga, encheu-lhes a consciência de cicatrizes e cacoetes. Professam fazer 'arte para conscientizar o povo', o que quer que isto signifique. Usam esta escusa para viver às nossas custas. E nem se dignam a produzir Arte, só a repetição do mesmo lixo reciclado centenas de vezes. Um exemplo de artista que considero ruim é o Jackson Pollock. Só que ele fazia lá os troços dele sem que o "John Doe" pagasse um mísero cent de impostos para sustentá-lo. Ele achou quem gostasse do seu trabalho (ignoro por que razões, mas cada qual tem seu gosto), vendeu suas telas e fez seu nome. Drummond (consta) creditava à estabilidade e tranqüilidade de seu emprego público o tempo que tinha para pensar, organizar seus textos e poemas. Seu salário não era de escritor, mas pelo trabalho que exercia com denodo (até excessivo: ver "O Senhor Diretor" e "Redator de Plantão", de "Esquecer para Lembrar”). Não por acaso é um dos gênios da literatura brasileira (que, coitada, virou mato de que só sai coelho...). Os ditos "artistas" querem as liberdades burguesas para acusar a decadência da democracia...burguesa. Mas tudo pago com o dinheiro de burgueses e operários, através do Governo, que exerce mecenato com o dinheiro dos outros. Há exemplos recentes de "artistas plásticos" que fazem exposições no CCBB, ou nos Correios, ou no Centro Cultural da Caixa (todos aqui, no RJ), que são de uma banalidade, uma irrelevância indescritível, uma gratuidade incomparável. Fora, claro, o "novo conceito artístico": não basta fazer "arte engajada" para denunciar as mazelas sociais: para fazê-lo com "legitimidade" é preciso ser oficialmente "oprimido". É preciso fazer da abominação chamada de "funk carioca" um "estilo musical"; é preciso promover a noção nefelibata (ou farisaica, escolha aí) de que é preciso comnater o crime, não o criminoso - como se um existisse sem o outro... É preciso, como diria a demagoga midiática Regina Casé, "mostrar que a periferia é o novo 'centro', e que o Centro, agora, é a periferia". Enfim: é preciso jogar fora a cultura realmente libertadora - porque ensina a pensar ou, ao menos, a viver de maneira realista - em favor de um delírio niilista, que prega como expressão do "bom, belo e justo" os valores de escravos morais e intelectuais. Pode-se discordar de Nietzsche, por diversas razões. Mas é inegável que sua mira foi certeira no Brasil, país onde se entroniza a genuflexão como método e mérito, onde é louvado exibir joelhos calejados pelo hábito e a pele marcada pela ponteira do chicote: Tô fora. Não beijo os pés de barro deste ídolo chamado “povo”. Não carregarei o jugo de ser “politicamente correto” para benefício dos inimigos da minha inteligência e do meu trabalho. Fosse Eu Zaratustra, buscaria as ermidas distantes, só para ver estropiar-se este povinho medíocre. Não sou, então tenho que pôr a minha mediocridade a meu serviço, contra a Legião e contra o Estado. Forte Abraço, e não abriremos mão de nossas prerrogativas. 6:37 PM Produção média de qualidade, na PlimPlim, hummmm Vejamos: novelas? Faustão? xuxa? Didi Mocó? Zorra? Vale a pena ver de novo? Luciano Hulk? Malhação( é novela?) BBB? Sobrou o q? Jornalismo? das Cruvinels da vida, dos Vianas? dos Bonners e seus simpsons? Fantástico da regina casé, do Bial com mais BBB? Casseta e planeta? perdeu pique já. Globo Esporte/Esporte Espetacular, quem assiste? Globo Rural, se salva, vale a pena. Globo Ciência, se salvava, foi melhor. Globo Repórter, mais conhecido como Bicho Repórter?Vá lá, ainda passa. Jô, q faz convidados de palhaços? Se esta média é pra cima, melhor nem comentar os demais canais, só sobram mesmo os filmes, estrangeiros claro, q os daqui... t 9:02 PM AC É mais uma piada. O grande perigo na America Latina é o avanço do humorismo. Lula (Zé Trindade), Chavez (Chaves), Morales (Zacarias), Kirchner (Martin Feldman). Por falar em cara, vc está a cara do Béria nessa foto. Que tal uma solução administrativa pra essa gente? 9:05 PM Ronald Pinheiro Em tempo (?) "(...)é preciso promover a noção nefelibata (ou farisaica, escolha aí) de que é preciso "comnater" o crime(...) Quis dizer "combater". Erro de digitação... Forte Abraço. 9:09 PM José Luis Bomfim A lei Rouanet é uma praga. 9:39 PM O cinismo desse povo é mesmo inacreditável. Escritor não precisa viajar para escrever historinha nenhuma. Mário Quintana morava dentro dele mesmo e Fernando Pessoa dizia que a melhor maneira de viajar é sentir. Nem a desculpa da "cor local" justifica tamanho absurdo depois da Internet e do Google Earth. Mas enfim, queriam dezesseis cidades para passar um mês às custas do alheio? Aí vão minhas sugestões: Pyongyang, Coréia do Norte Guaña, Venezuela Najaf, Iraque Tarinkot, Afeganistão Zahidan, Irã Bushehr, também no Irã Quetta, Paquistão Almaty, Casaquistão Otash, Sudão Merca, Somália Sidiquine, Líbano Kraste, Albânia Birgunj, Nepal Murzuq, Líbia Yakutsk, Rússia Fongafale, Atol de Funafuti 9:41 PM Reinaldo, eu vinha aqui justamente dizer que essa história do "Amores Expressos" estava de colher para o seu blogue -mas, claro, vim com o milho e você já estava voltando com o fubá. :) É um caso tão espetacular de pouca-vergonha que eu, que não tenho escrito por pura falta de tempo, ando pensando em ressuscitar meu blogue com um post sobre ela. Abraços do Ruy Goiaba. 9:51 PM Persegonha Todo mundo esperando a Embralivro, Reinaldo! Todo mundo querendo morar de frente pro mar na Barra! 10:01 PM Reinaldo, Sinceramente, não entendi o que a universidade veio fazer neste post. Como se sabe, em nenhum lugar do mundo o mercado resolve a questão do ensino superior e, sobretudo, da produção de ciência, sozinho. Não se trata, para mim, de também afirmar que só o Estado pode cuidar dela. Há casos e casos, realidade nacionais distintas. O argumento de que sua intervenção é o mesmo que colocar a mão no bolso do trabalhador me parece falacioso. O peso que proporcionalmente o "imposto" representa para ele é pequeno frente a oportunidade que lhe é aberta. Não à toa, onde o Estado mais está presente no ensino superior, como na Europa, mais pobres tem acesso a ele. Por outro lado, a produção científica americana supera a Européia, em boa medida pela grana investida por mãos privadas. Creio, portanto, que um modelo de meio termo, é o melhor. Sem fundamentalismo de mercado ou estatal. Um abraço. PS: sim, sou professor de universidade federal. E sim, sou a favor da cobrança, limitada, de anuidade para quem pode pagar. 10:58 PM Caro Reinaldo Parece que essa idéia já foi usada em um filme, onde um diretor brasileiro dirigiu uma ou duas histórias do filme. Olhando por um lado, a viagem representa um prêmio antecipado pela escolha (espero com mérito) do escritor, num concurso promovido pelo governo, digamos, como incentivo à arte da literatura. Por isso a viagem não pode ser para a África ou para a Faixa de Gaza. Por outro lado, num país com tantas necessidades mais prioritárias, gastar-se tanto dinheiro com cultura, quase sempre de qualidade medíocre, é realmente lamentável. Eu não me importaria de ser um “Mecenas”, mas teria de ser de um artista de qualidade comprovada, não desses que se vêem por aí. Você não pode dizer que inexistem artistas soviéticos porque pouco se sabe sobre o período do comunismo, uma vez que os soviéticos viviam isolados. Mas havia arte cultural, sim. Eu já lhe falei sobre as estações do Metrô de Moscou. As artes coletivas, como os balés, os circos, a música instrumental, eram mais incentivadas que as individuais. Jornalismo de qualidade para TV custa muito caro. A TV Cultura que já é antiga e governamental não consegue competir com a Globo ou Bandeirantes, imagina então mais outras TVs públicas. Você tem razão, é dinheiro jogado fora. Pensando bem, caro Reinaldo, você, que escreve tão bem, por que não concorreu a esse “Amores Expressos”? Você deveria pensar no assunto e se preparar para outros prêmios como esse. Fico torcendo por você. Talento é o que não lhe falta. 11:19 PM teste 11:41 PM samuel Reinaldo, imagino que este meu comentário lhe pareça chato, e, na verdade, deve ser mesmo. Afinal, trata-se de um pedido de opinião, o lhe tomaria, se atendido, tempo. Percebe-se que você opta por escolher sobre o que escrever. Não escreve sobre encomenda, ao menos no que diz respeito ao assunto. É que gosto de saber o que você pensa, sobretudo porque você pensa, ao contrário de ordinários que aparecem em seus textos. Por isso leio o seu blog. Bem, depois desse puxassaquismo, de quem pretende ser atendido, sei, o pedido. Quero que você fale sobre as estratégias do marketing que, não sei, supõem-se são utilizadas para "prender" o telespectador, o que, segundo certo discurso, tornaria falsa a tese (já que não é consenso - ou não precisa ser pra deixar de ser tese?) da liberdade de escolha. Elas são legítimas? Como você acha, se acha, que o Estado deveria interferir, por meio de lei, na questão? Como você vê o discurso antimarketing e seu uso (do discurso) na política? Se não quiser me atender, pode ao menos escrever sobre leitores que lhe fazem perguntas. Um abraço - desconhecidos se abraçam? Eu acho que você tem opinião sobre tudo... Pois é, sou jovem (21) e cheio de dúvidas. Acho que nessa fase (da juventude) há mais dúvidas rondando a cabeça do que em qualquer outra. Ah, mas não é que poderia parecer, não - que eu tenho você como uma espécie de guru pra toda ocasião. Nem poderia ser. Quando se trata de política, é outra história, aí você quer mais é ser ouvido, e não faz questão de esconder isso. E nem eu de escutá-lo. Um abraço? 1:47 PM Diz a Folha que a única obrigação dos escolhidos é retornar com uma história de amor "na cabeça". Entenderam bem, né. 3:04 PM E por que não enviá-los para aquele perfeito lugar imaginário, o "outro mundo possível", para escrever uma obra coletiva, de preferência engajada? 3:32 PM Blogildo O dinheiro público é mais ou menos como naquela canção dos tribalistas: É de ninguém e é de todo mundo. Em vez de combaterem a gastança desenfreada e a má destinação do dinheiro público, os artistas querem que o Estado banque o Mecenas. Daqui a pouco vai ter blogueiro querendo financiamento público! Opa! Primeirão! 4:42 PM Sei que aqui não é o espaço, mas gostaria de ler algo do autor relacionado às faculdades públicas federais. Por que existem? A quem atendem e interessa, etc. Aguardo. 4:38 PM Esse papo de que o estado deve financiar cultura é coisa de gente mimada. O que eles fazem, a priori é de qualidade e, portanto, devem ser bancados pelo estado. Pura conversa fiada. 6:46 PM Pedro Reinaldo, aguardo atualizações!!! Grande abraço!! Pedro 10:42 PM Pedro Reinaldo, quando vai pintar um novo texto no AVESSO??? Abraço!!! 10:28 AM Reinaldo, devo cumprimentar o nosso anônimo das 09.41PM. Gostei muito de seu comentário e principalmente no que diz respeito aos admiráveis Mário Quintana e Fernando Pessoa. Resta-nos a indignação e repúdio a atos tão vergonhosos!Como dizia Monteiro Lobato, " Um país se faz com homens e livros"; mas não com "Amores Expressos..patrocinados pelo Estado. Rosemary 9:23 PM Uma colega de trabalho aqui pergunta: como?! e a população que não tem grana para assisir a uma apresentação teatral, dança, musical ou exposição de artes plásticas etc, como fica?! Faz sentido... Acabar com o incentivo cultural, não é a mesma coisa que jogar fora a criança junto com a água da banheira?! Abraço de um admirador! 6:46 PM Que qüiprocó mais imbecil... Num país em que se gasta 1/3 do que se ganha com impostos, é claro que o governo tem que bancar a cultura sim. Cultura e educação não são supérfluos, mas essenciais à formação. Quem tem algo de mais útil à oferecer, que inscreva o próprio projeto e convença quem escolhe. Se a grana é usada para financiar bingo, verbas de gabinete de deputado e o escambau, todo mundo acaba acomodando e aceitando. Mas se é para financiar escritor, todo mundo mete pau. Num país em que puta de luxo bate recorde de vendas pseudo-literárias, só mesmo apelando para lei de incentivo para conseguir bancar algo. Quanto ao destino, que seja Roma ou o Oiapoque. Isso não interessa. É muita picuinha meter pau só porque se trata de cultura. 8:07 PM Reinaldo, Concordo em termos com você. Acho também um exagero essa idéia de se financiar com dinheiro público esse tal projeto. É "forçar a barra". Em todos os sentidos. "Vamos mandar um escritor para cada canto do mundo (com tudo pago) para que escrevam histórias de amor". É muito pra cabeça!! Tem muita porcaria, mesmo, nas prateleiras das grandes livrarias. É modismo. As pessoas compram o livro de tal escritor porque fulano foi naquele famoso "talk show" e o apresentador falou bem do livro e pronto. A maioria nunca leu um clássico, mas faz questão de ler os P. Cs. e J. Ss. da vida. Não é por aí. Esse projeto vai para o mesmo caminho: muito marketing pra pouca qualidade. Hoje em dia parece que tudo funciona assim. Só discordo, quando você generaliza sobre o emprego do dinheiro público nas Universidades e nas TVs estatais. Não podemos negar a qualidade de uma TV cultura, por exemplo. 4:17 PM Ao Anônimo das 6:46, Se vocês são de São Paulo (capital) informo-lhes que existe muita programação cultural de graça, ou muito barata, e de qualidade. Quanto a isso a cidade melhorou bastante. Basta se informar. Algumas dicas: Pinacoteca do estado, Centro Cultural Vergueiro, Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro Municipal, Estação da Luz, Pátio do Colégio, Masp, Mam, Oca e etc. É por isso que discordo do Reinaldo, quando ele generaliza e critica o incentivo cultural financiado, em parte, pelo governo. Não é bem assim, professor! 4:32 PM Reinaldo, Se me permite um off-topic: Não sei se gosta de quadrinhos transformados em filme. Eu sou fã dos dois gêneros e, por isso, talvez, tenha sido maior o meu desapontamento com o "Homem-Aranha 3". Aos desavisados eu faço o favor: Não vejam!!! O filme é péssimo. SIM, os efeitos são os melhores, com sói ocorrer com tanto dinheiro e tecnologia disponíveis, mas o resto é completamente irrelevante. É como se o consagrado diretor de zumbis, Sam Reimi, levasse a metáfora às últimas conseqüências e resolvesse deixar o roteiro e direção a cargo de um estagiário qualquer... O filme todo não passa de um dramalhão digno do Sílvio (aquele mesmo, do SBT)... O vilão somente é "mau e ladrão porque tem uma filhinha doente em casa". O Duende Macabro fica "bonzinho" no final. O Peter Parker sob a influência do Venon passa longe do que há mais sombrio da alma humana e mais parece um pateta bêbado, com visual emo e comportamento adolescente reta. O filme todo é um Zumbi cambeleando à procura de um cérebro: petralharam o Homem-Aranha!!! 6:56 PM Reinaldo: Esta é para lembrar-te de que estás nos devendo um comentário do filme BORAT. Um abraço! Ricardo 11:26 AM Vai ficar só nisso??? MArcos Moraes 10:52 PM Isso tudo é falta de responsabilidade, de moral e de respeito com os cidadãos desse país. Sou músico, faço falculdade de usica e tenho dicussoes por ser contra essa roubalheira. Muitos artistas pensam que tem o direito de impor a populaçao o que consideram cultura. É uma posição confortavel, desde que ele receba uma grana para trabalhar sem ter nenuma preucupáçao em produzir lgo que agade alguem. No Brasil todos querem fugir das responsabilidades, existem professores que nao trabalham em escolas particulares pois acham que nao poderiam falar o que pnsam. é incrivel, pois é confortavel receber um salario todos o meses para fazer apenas o qe deseja. A mesma coisa ocorre com musicos, cineastas, jornalistas e agora escritores. Não sou ontra um artist desejar tocr apenas a musica que gosta, eu emso sou assim, mas entao o correto é lutar e conseguir m espaço e um publico, ou se esconder e produzir pensando em deixar uma obra. Obrigar toda a populaça a financiar projeto pessoais, argumentando que é social beira o paético, e principalmente expoe a arrogancia desses artistas que acham ter o direito de IMPOR o que ele acha q é bom ou ruim. Se alguem deseja falar apenas o que pens busque pessoas que pensem de forma semehante e transforme essa arte em algo que tenha publico. 12:55 PM Poxa! não atualiza aqui mais não? Que tal colocar algo sobre romances policiais? E romances policiais não são os que estão na outra seção do seu blog, onde todos já sabemos quem são os bandidos. Mas algo um pouco mais difícil de se descobrir. 11:49 PM É bem estranho você criticar com tanta voracidade os profissionais da USP, sendo você formado por ela. 4:30 PM Você não vai colocar mais artigos no "Avesso do Avesso "? 3:20 PM Reinaldo, O avesso do avesso está do avesso. Atualiza o blog, please! 9:23 PM Querido Reinaldo A seção Avesso do Avesso não vai ser atualizada não? Nunca mais? Mesmo? Tá juntando poeira desde março! Curuz... 8:49 PM |
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