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| Segunda-feira, Janeiro 22, 2007 |
Antiamericanismo: o recalque do oprimido*
Edward Gibbon: ele entendeu o Império Romano. E pode nos tirar da ignorânciaA invasão do Iraque evidenciou que o antiamericanismo pulsa no mundo como um recalque do oprimido. À menor possibilidade, aflora, exacerba-se, ganha as ruas, os sites, a mÃdia. A “velha Europaâ€, na expressão de Donald Rumsfeld (a terceira das Parcas), limpa o sangue derramado nos últimos dois séculos para entoar uma cantilena que faz a mÃmica do pacifismo. As ditaduras muçulmanas ameaçam alçar Samuel Huntington ao panteão de segundo profeta e acenam para o Ocidente com um choque de civilizações. No Brasil, até a CUT esconde sua vergonhosa e pusilânime subserviência ao governo Lula com um grito de guerra: “Imperialistas, fora do Iraque! Não se troca sangue por petróleoâ€. Tais reações têm um pretexto bastante verossÃmil: cada um dos motivos alegados por George W. Bush para empreender a sua expedição punitiva a Bagdá foi desmoralizado pelos fatos. Restou a obviedade de que Saddam Hussein era um ditador. Ok, mas, como ele, quantos há? E a grande maioria formada por aliados de Washington. É preciso, para que se possa avançar, fazer a distinção entre a razão prática dos Estados e governos e a voz rouca das ruas, eventualmente irmanadas no mesmo antiamericanismo. A Jacques Chirac, por exemplo, pouco importa a moralidade do ato americano — e a melhor prova é a lei de imigração que ele defende para a França. Não é um humanista; quer-se estrategista. Seu interesse objetivo é organizar um pólo europeu de resistência a uma bipolaridade que os estudiosos americanos já dão como certa. Em trinta anos, restará um adversário dos Estados Unidos no planeta: a China, que cresce a uma taxa entre 7% e 9% ao ano e poderá concentrar, no prazo dado, 25% do PIB mundial. Chirac e alguns outros lÃderes forçam para que se crie um triângulo e querem atrair a Rússia — que passaria a ser européia pela primeira vez em sua história — para esse terceiro vértice europeu. As ditaduras muçulmanas, especialmente as árabes, cobram a ajuda do “porco imperialista†para conter seus fundamentalistas, mas rejeitam os “valores decadentes†do Ocidente, como a democracia. Até o governo brasileiro tirou uma casquinha. Num discurso contra a guerra, o presidente Lula conjugou o verbo quatorze vezes na primeira pessoa. Duda Mendonça não teve dúvida: “A nossa guerra é contra a fomeâ€. Os Estados Unidos, ao menos, venceram a deles... Já a reação das ruas, essa foi pautada, claro!, por bons sentimentos, mas também por recalque e ignorância, compartilhados, muitas vezes, por todos nós — a menos que estivéssemos ideologicamente convencidos de que se travava no Iraque um dos prenúncios do Armagedon. A verdade é que, cidadãos comuns, repugna-nos a constatação de que os impérios têm uma essência amoral. Tendemos a reagir mal à obviedade de que, não impusessem a sua vontade, seriam outra coisa. O nosso primeiro impulso, anterior à compreensão, é o furor judicioso, a sentença moral. Cada bomba que caÃa sobre Bagdá parecia querer confirmar a impressão de que os Estados Unidos só chegaram a ser a maior potência da Terra porque se impuseram pelo terror, pela guerra, pela morte, pela violência, pelo assassinato, pela força, pelas armas. E tudo isso é mentira! ReagÃamos como tolos, embora as nossas motivações fossem boas e justas — tolice e boas intenções não se excluem e costumam arder juntas no inferno. Aqui, é forçoso lembrar Edward Gibbon (1737-1794) e de sua magnÃfica obra DeclÃnio e Queda do Império Romano. Num dado momento, o autor aborda o que chama “trÃplice aspecto†sob o qual “o progresso das sociedades†pode ser avaliado: 1) o talento extraordinário e individual; 2) a formação de indivÃduos ou pequenos grupos voltada para a conhecimento; e, finalmente, o terceiro aspecto, de que reproduzo alguns trechos: “(...) Felizmente para a humanidade, as artes mais úteis (...) podem ser exercidas sem a necessidade de talentos extraordinários (...), sem os poderes de um só ou a união de muitos. (...) Desde a descoberta primeva das artes, a guerra, o comércio e o ardor religioso difundiram entre os selvagens do Velho e do Novo Mundo esses dons inestimáveis. Eles se propagam aos poucos e jamais poderão perder-se. Podemos, portanto, chegar todos à aprazÃvel conclusão de que cada época da história do mundo aumentou e continua a aumentar efetivamente a riqueza, a felicidade, o saber e quiçá a virtude da raça humanaâ€. O autor se debruçou sobre treze séculos de um império que conjugou domÃnio territorial e inquestionável poder de impor uma visão de mundo, o que se estendeu das artes à religião, passando pelo direito. Nem guerras amorais nem imperativos éticos o impediram de reconhecer que, com ou sem gênios individuais, o sumo das conquistas dos impérios restou para a espécie humana. Quantos de nós, os humanistas de pé quebrado, temos claro que a tecnologia de guerra serviu — e serve ainda, a exemplo da Internet — para prolongar e tornar ainda mais venturosa a trajetória humana na Terra? Quantas foram as conquistas cientÃficas que o capital americano (ou a concupiscência da indústria farmacêutica) gerou neste tempo e quanto isso contribuiu para elevar a expectativa de vida mesmo em paÃses pobres como o Brasil? Uma nação que se negasse a pressionar Kruchev com o fim do mundo, na chamada crise dos mÃsseis cubanos, ou que se abstivesse de impor sua vontade a Bagdá teria feito o primeiro transplante de coração ou reproduzido, desta feita no éter, as grandes navegações do século XVI? Um Portugal ou uma Espanha que reconhecessem os valores dos “povos da floresta†teriam se lançado ao mar? Um lÃder que tivesse obedecido ao princÃpio senatorial e se deixado intimidar pelo Rubicão teria nos legado o direito romano como herança? A única nação com poder de dissuasão e de ataque forte o bastante para impor sua vontade deveria se eximir de fazê-lo como se o que existe — o seu poderio — devesse ainda reivindicar o estatuto de realidade de fato? Reparem, leitores, não estou aqui a defender os Estados Unidos, muito menos o horror da guerra. Se tenho de matar uma barata, luto entre minha hesitação e sua repugnante rapidez. Ocorre que faz crer o antiamericanismo de ocasião, formado por verdadeiros “anticândidos†consumidos pela ignorância e pelos bons sentimentos, que rumamos para o pior dos mundos, para o abismo. Junto com Gibbon, apesar de tudo, convido-os a distinguir uma linha inextinguÃvel de contÃnuo aprimoramento da civilização humana. Quando foi mesmo que a espécie viveu dias melhores? A saudade do que não tivemos, o Eldorado perdido, nem mesmo reacionária é. É só uma bobagem. Sim, o mundo parece ser maior e mais complexo do que pode alcançar a compreensão de George W. Bush. O ataque ao Iraque, sem a clara concordância do Conselho de Segurança da ONU e por motivos comprovadamente mentirosos, jogou as nações num vazio jurÃdico. É tudo verdade. Mas Gibbon nos socorre e nos faz lembrar que a tragédia da vez pode ser uma quase aborrecida repetição de circunstâncias, preenchida com atores novos. É claro que isso não absolve os Estados Unidos de um ato imoral. Mas nem a guerra nem seus desdobramentos são julgados por tribunais morais, ainda que assim eles se queiram. Considero um imperativo ético que todos prefiramos a paz à guerra, desde que a primeira não seja a qualquer preço. Ameaças finalistas sempre semelham o apocalipse brandido por profetas de si mesmos. Temos muito a aprender com aquela mesma América onde Tocqueville concluiu que os males da democracia se curavam com ainda mais democracia — e, quem sabe?, algo a ensinar. Sobre o antiamericanismo, crescente também por aqui, talvez nos cumprisse responder por que, tendo tão poucos motivos para nos identificar tanto com o “agressor†como com o “agredidoâ€, escolhemos logo a “vÃtimaâ€. Mas isso fica para outra hora. * Originalmente publicado na revista BRAVO! nº 69, de junho de 2003. Integra o livro Contra o Consenso (Editora Barracuda) |
| Por Reinaldo Azevedo | 6:33 AM |
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Comentários: Reinaldo bravo ! com a alma leve, agradeço :) 7:40 AM Reinaldo ah..a resolução da ONU 1441 foi violada por Saddam. ele sabia das consequências. e estava comprando urânio na Nigéria. seria bom atualizar que toda a inteligência ao redor do globo teve as mesmas informações que haviam armas de destruição em massa. afinal,Saddam já as havia utilizado contra os curdos. e teve tempo p/ sumir c/ elas através da Siria depois. 7:50 AM Olá Rei, vc. falou tudo que sempre pensei sobre o antiamericanismo e não tinha competência para expor. Esse espaço é precioso pra quem não concorda com o pensamento de manada. Grande abraço, Sonia 10:26 AM -Reinaldo, eu gostaria de fazer um comentário, mas por falta de um fórum mais apropriado, e para não perder a atualidade, vou inserÃ-lo aqui mesmo. Afinal, os USA sempre foi mostrado ao mundo como um exemplo de paÃs racista e o objeto do meu comentário é justamento o tal "racismo" e o "polÃticamente (e hipocritamente) correto", sempre usados por todos os desonestos intelectuais e seus exércitos de "idiotas-úteis". a) Os jornais estão mostrando notÃcias sobre um caso de racismo contra uma mulher de origem indiana, acontecido no programa "Big Brother" da Inglaterra. b) Todos, "polÃticamente corretos" é claro, saÃram condenando os "racistas". Até os patrocinadores do tal programa ameaçaram cortar o seu patrocÃnio. c) Acontece que ao se ver a foto daquela que mais agredia à indiana com ofensas racistas, percebe-se claramente, tanto pela sua cor como por suas feições, que esta espécie de chefe dos racistas é uma, digamos, afro-descendente. Que estranho, não? O que será que os "esquerdóides" e certas ongs têm a dizer sobre isso? d) Ao mesmo tempo no Big Brother" brasileiro da TV Globo, um personagem é chamado de Alemão por todo mundo. Porém, nem ele e nem ninguém se escandaliza, protesta ou sente-se ofendido por isso, no que fazem muito bem. Porém, qual seria a reação de todos, se alguém fosse chamado de africano neste programa? Com a palavra os "cientistas sociais" pra explicarem estes extremos. 10:44 AM Fosse o Brasil hoje por força histórica de eventos que não ocorreram um império como o americano, penso que não farÃamos nossas geopolÃticas de modo muito diferente. Quem se quer manter império age como um. 10:58 AM Caro Azevedo, Ainda não li os artigos, mas dei uma leve corrida d' olhos e fiquei encantado. Há tempos, quero lhe fazer uma pergunta. Li num de seus textos um certo elogio a obra de Suassuna, salvo engano. Bem, do Ariano conheço apenas O alto da compadecida. Este tem uma mensagem ideológica completamente avessa ao que você pensa. Este senhor escreveu alguma coisa boa? Outro dia vi num programa da TV Cãmara uma entrevista deste senhor, e ele não desmentiu a ideologia do tal Alto: elogio a assassino, vitimismo, elites más, povo sofrido, ranço das vÃtimas do racismo... Grato pelos textos que irei ler com prazer e pela oportunidade de perguntar sobre Ariano. Ernane de BH 12:01 PM Reinaldo, para com a sua fixação anti petista, isso é o seu lado burro. fique com as cronicas belissimas e requintadas, e por falar nisso, vc mudou a foto, iluminando o seu lado esquerdo ((he he he ) bem melhor.E até os eus escritos estão bem mais iluminados. 12:46 PM Benedictus Blackwhite Eu não sou, mas o que há de errado em ser antiamericano? Eu não sou, mas o que há de errado em ser pró-americano? Eu não sou, mas o que há de errado em ser americano? E o que há de mal em defender Fidel ou Pinochet? Bin Laden ou Bush? Há causas para todos e simpatizantes para todas elas. 12:57 PM REi, Legal, a foto muda. Abraços, Rone 1:04 PM Blá-blá-blá interessante, mas inóquo. Pura retórica e exercÃcio de palavras. Antiamericanismo, antisionista, anticomunista ... há para todos os gostos. Falta na sua pretensa análise histórica uma constatação geral: há resistências em todas partes, onde quer que haja (ou, no passado, houve) impérios, havia e há rejeição e resistência. Foi assim com o Império Romano, que no final de 13 séculos caiu e feio ... foi assim com a China, com os Incas, os Aztecas, em todas partes houve resistência a impérios, estejam fundamentadas em filosofias "certas" ou mesmo "erradas". Tais coisas vão além desse modismo inútil e idiota que você compartilha, de anunciar a "resistência ao americanismo" a partir como recalque de oprimidos, como rebeldia sem causa, etc. Rapaz, você a cada dia é uma decepção como analista. Péssimo!! Outro metido a escritor que distorce os fatos, não analisa e vem com enxurradas de valores idiotas, o similar oposto dos esquerdinhas nojentos. Mas será possÃvel que não tenhamos opção!?! Sempre entre as corjas que disputam a verdade, por meio das mentiras reiteradas e dos vôos verbais alucinados, cada um querendo provar que o outro é mais mentiroso, mentindo igual. Você é simplesmente decepcionante. 1:42 PM Frases inteligentes e erudição. Mas o resumo é perturbador: ora, que importam os crimes, se a civilização progride? Ainda mais porque absolve o totalitarismo stalinista! Afinal, tava "tudo" no processo que nos trouxe até aqui. 3:11 PM Entendo que seria mais proveitoso a Bush "caçar" terroristas, vingando-se do 11 de setembro, encontrar Bin Laden e acabar com ele do que optar pelo ódio a Saddam e o apelo do petróleo que orientou Bush pai. O erro foi flagrante. 4:56 PM Reinaldo, Adorei as novidades. Estou esperando pela entrevista com o Contardo Calligaris, publicada numa edição da Primeira Leitura. Quando é que ela vem para o site? Um abraço, Mário 6:52 PM anônimo das 1:42 pelos seus comentários nota-se que você se considera muito melhor do que o blogista mas acho uma covardia da sua parte pois nós não precisamos nos identificar... e fazer as crÃticas que você fez a uma iniciativa louvável destas é no mÃnimo muita ignorância de sua parte! acompanho os textos deste senhor a pouco tempo mas me considero um admirador da sua capacidade de se expressar de forma tão clara, direta, objetiva e sem perder a classe... ao menos quando ele não fala em canhões... concorde-se com ele ou não, uma coisa certamente ele merece: respeito! respeito pela sua coerência e sobretudo coragem! se você anônimo, se considera tão melhor do que ele, por favor, brinde-nos com suas idéias e pensamentos... estamos precisando de cabeças pensantes que possam ajudar a melhorar este mundo! coragem anônimo! PARABÉNS pelo AVESSO DO AVESSO! 7:14 PM Orfeu Lima Esta postagem foi removida pelo administrador do blog. 8:39 PM Orfeu Lima Esta postagem foi removida pelo administrador do blog. 8:54 PM Orfeu Lima Tinha postado no lugar errado. Desculpe-me Reinaldo. Marina Deviam estar juntas naqueles comboios que contrabandeavam petróleo. Os satélites americanos os detectariam caso tentassem ocultá-los em território Iraquiano. 10:01 PM 1)Ô Anônimo das 1:42PM, não é por nada não, mas é "inócuo" e não "inóquo". Até parece que você cursou a escola dos Emirados Sáderes.Hihihi! 2)E a grande diferença entre os que tentavam resistir aos impérios de antigamente e os anti-americanistas atuais, é que aqueles lutavam só para livrar-se do jugo dos seus reais opressores, e os idiotas de hoje desejam apenas -- em nome do seu ódio cego e gratuito, do seu beócio fanatismo e da sua inveja mesquinha -- trocar um império por outro muito pior, mais opressor e infinitamente mais sanguinário, seja ele o tal de comunismo, seja ele o tal de islamismo. -Entendeu agora ou quer um desenho? 10:05 PM armas de destruição em massa, que os juÃzes do "antiamericanismo" juravam existir, até agora nada. ô povinho sem sal. coitados... 11:37 PM Anônimo 1:42 !!! O que vc faz nesse blog?!? Larga mão de ser ridÃculo e vai catar coquinho nos blog's com o qual tens afinidades. 12:27 AM Otimo, excelente texto. Concordo com o Edgar Zacchi: se fossemos alguma coisa, agiriamos do mesmo jeito. Mas realmente eh muito mais honroso lamber as botas do Chavez, o coronel fanfarrao, do que apoiar qualquer medida americana. Da mais ibope!!! 3:00 AM Orfeu Lima Rapaz. Como diria o molusco. "Chutei a grama, ui." Desculpe-me Rei. Tô na maior confusão com as janelas dos comentários. Ao anônimo das 1:42 Com licença, Reinaldo. Não gaste um post para responder a este idiota com esta lábia velha manjada. Deixa de ser grosso e hipócrita. Não venha ofender as opiniões dos outros; porque o que estais a comprovar não passa é da própria afirmação da análise do Reinaldo. Não compare imperialismos de outras épocas, pois foram construÃdos, e ruÃram por razões totalmente diferentes das do seu querido ex-império do terror da opressão e da morte. com o qual estamos a nos deparar hoje. 4:01 AM Caro Reinaldo, Permita-me achar que sua análise de Gibbon é um pouco confusa. Ok, entendi que seu ponto é que a guerra pode, e na história o fez, levar à civilização, ao aprimoramento da tecnologia e das artes. Concordo, mesmo achando que, nessa parte, o comércio é mais eficiente, porque não conduz matanças. Acho que você sabe disso e não apóia matnças, mas acho que faltou lembrar que nem sempre os dominadores são mais civilizados (basta lembrar dos soviéticos) e nem sempre espalham conhecimento (basta lembrar da dominação européia na Ãfrica). E quando falo que o texto ficou confuso é que você demonstra ficar entre apoiar as guerras e sem contra as matanças, sem delinear a linha divisória. No caso, do Iraque foi um erro grande demais a invasão sem um mÃnimo de apoio internacional. Tenho a impressão que a saÃda será catastrófica. E tenho medo dos efeitos. Abraço Pedro 9:59 AM Agradeço, muito legal o novo Blog. Só falta uma poesia. Essa é minha pra você. poetry.com Cinara Na verdade é só um exercÃcio com rimas, mas é bem otimista. Esta foto "de esquerda" está com ar triste. rs Abraço 1:00 PM Sou-lhe grato, Reinaldo. Apresentou-me à obra de Gibbon e ela será um considerável apoio em minhas braçadas contra a maré dos que fazem de tudo para manter os próprios neurônios em "estado de zero Km". 10:32 PM Caro Sr. Reinaldo Azevedo, Eu realmente gostaria de entender o que você pensa a respeito da relação entre a eticidade e a história. Confesso que sou de esquerda (neste espaço isto é, de fato, uma confissão). Porém vivo lendo o seu blog, o podcast do Diogo Mainardi e outros textos de orientação direitista-liberal. Procuro não me esconder de idéias que possam me levar a questionar minha visão de mundo. Procuro também refletir sobre tudo o que leio com o máximo de vigor e clareza que possuo. Valorizo os seus textos, principalmente os que alertam para o perigo da patologia totalitarista do PT, mas acho que, em alguns pontos, você exagera o tom crÃtico ao governo atual chegando ao ponto em que se justificam as acusações de ódio de classe que lhe são feitas, acusações que lhe atribuem até um ambÃguo papel marxista no difamado finalismo histórico do marxismo ortodoxo. Minha orientação esquerdista assenta-se na desconfiança em relação a este "mundo ao nosso redor" e sua capacidade de nos assegurar sustentabilidade social e ecológica, mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é a questão da ética. Sempre percebi em seus escritos polÃticos um certo kantismo moral (se não me engano já houve até referências explÃcitas ao pensamento moral de Kant em seus textos). Bom, se sua referência moral é realmente Kant, gostaria de saber qual o impacto sofrido pelo seu pensamento com o abandono do utilitarismo pragmático, moralidade que "casava" perfeitamente com o liberalismo clássico. Creio que há um lapso em seus textos em relação a tal questão. Explico: Em recente artigo na Veja, você acusou a objetividade histórica do esquerdismo. Tal acusão foi feita com toda a razão do mundo, talentosa eloquência e muita inteligência. Foi algo como "Na esquerda, a história é sujeito e o sujeito é objeto". Lindo. Porém, no mesmo texto, você entrava em contradição ao aceitar o imperialismo norte-americano. E, agora, neste texto, você sacramenta tal contradição. Sem uma explicação mais contundente de sua parte, parece-me que, na sua opinião, os fins justificam os meios, desde que os fins estejam relacionados à manutenção do status quo. Pois, ao final, não consigo enxergar nenhuma única diferença entre os crimes praticados em nome de uma ideologia de esquerda e os crimes praticados para a defesa e evolução da sociedade global de mercado. Portanto, a mim, sua credibilidade ao acusar o finalismo da esquerda perde-se totalmente quando você defende e aceita o finalismo de direita, simplesmente alegando que este é o fato consumado de nossa história, o produto dos processos civilizatórios até o momento, aliás, tudo isso soa meio marxista. Por fim, assusta-me as reiteradas referências nietzchinianas em seus textos. O tÃtulo deste chega a doer um pouco: "O recalque do oprimido"!!??? Você já afirmou que Nietzche não é o seu norte moral, tem certeza ? Muito Obrigado Ps: Ficaria muito feliz com uma resposta, mas sei que você é um homem ocupado. 12:49 AM magnifico, concordo com texto. 1:14 AM Orfeu Lima Preocupado em chutar petralhas, esqueci do principal. Minha opinião sobre o assunto. O tÃtulo diz tudo. Pena que usam o recalque do oprimido para serem os próximos da lista a arranjar seus próprios anti-alguma coisa. No fundo não passa de arma polÃtica em certos casos como também pura ignorância. Os “Estates†como dizem aqui; não são lá santinhos, mais estão centenas de encarnações para também serem taxados de diabinhos. Acho, que devemos muito a eles; como a outros paÃses também, pelo nÃvel tecnológico da humanidade hoje em dia. Que proporciona avanços, que são benéficos e compartilhados por muitos entre nós. Se uma parte da civilização ainda não compartilha de todos estes avanços e benefÃcios. Que corram atrás. Da mesma forma que todos eles correram ora. Faz parte da História, e é dado o direito a todos fazer. 2:54 AM Blogildo É um livro e tanto. Tá baratinho por sinal. A Companhia das letras lançou uma versão de bolso de "DeclÃnio e queda do Império Romano". Apesar de se mostrar bastante irônico quanto ao cristianismo, Gibbon vê com clareza a quesão do "Imperialismo!. Abraço! 9:14 AM Fábio Lucas das 12:49. Bela crÃtica. Assino embaixo também dos elogios. Já fiz o mesmo reparo ao Reinaldo antes. Ele é o espelho do espelho. Seu presentismo (que ele defendeu em uma crônica) é paralelo ao finalismo da esquerda. Ele, muitas vezes, apenas troca o sinal daquilo que critica. Duvido, contudo, que ele vá responder. Ao menos aqui, neste espaço. 9:47 AM Reinaldo Não consigo enxergar um Mundo estático, sem revolucionar a sà mesmo! Os arqueologistas mostram, ascensão e queda de várias dinastias, reinados e fases da humanidade! Quando a humanidade entra numa certa estagnação, novas gerações surgem tateando mudanças! É atávico! Infelizmente, muitos desaparecem, antes que o novo aconteça! E não precisaria ser assim se a humanidade aprendesse a respeitar as individualidades, perdendo a necessidade doentia de alguns pelo PODER! PEna que não vejo para as próximas décadas uma melhora, a não ser que a "nova energia" fosse retirada daquilo que temos de graça, O SOL! Aà sim, ninguém seria melhor que ninguém e nenhum PaÃs poderia se proclamar DONO DO SOL ! Os conflitos estão entre aqueles que mantêm o "poder da Energia"! É aà que estão florescendo hoje os piores instintos da humanidade! Por causa do Petróleo, cada PaÃs a seu modo está vivendo seus dias de CONSTANTINOPLA! Betina 3:50 PM Orfeu Lima Mandou muito bem Betina. Liberdade, igualdade e fraternidade ao sol. Será que o ser humano conseguiria chegar a este patamar espiritual? Só faltaria as drogas e o sexo, como relata Aldous Huskley em Admirável Mundo Novo. Mas, eu ainda acho que estamos na faze Eu Robo. Heh... 3:00 AM Prezado Reinaldo. Li os textos e reconheço que tenho muito a aprender e a apreciar.... Mas uma coisa conheço acerca de 40 anos: "Pensar é um dos maiores prazeres da humanidade" (desconheço o autor). Sobre IMPÉRIOS...Arte da Guerra...apenas alguns tópicos para nossa avaliação, questionando: onde estavam os americanos? - 1870: guerra iniciada na Europa e ... - 1914-17: guerra iniciada na Europa e... - 1939-45: guerra iniciada na Europa e... - 1946...: Guerra Fria ("centro nervoso na Europa - OTAN,Pacto de Varsóvia)... Lembram do "Tratado de Tordesilhas" ? - o Papa de então dividiu o mundo para dois Impérios Coloniais emergentes... "Os povos lembram de Deus, e de seus soldados, nas horas da desgraça" (perdoem, não lembro do autor - mas a idéia é esta). Abçs. 6:29 PM Reinaldo, Vale a pena dar uma olhada na reportagem da BBC "Internationalist manifesto causes a stir" http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/4973584.stm O Euston Manifesto (http://eustonmanifesto.org/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=12&Itemid=38), produzido por algumas estrelas do assim chamado "socialimo democrático" pretende ser uma defesa de valores que vêem sendo sistematica e convenientemente abandonados por grande parte da esquerda. Muito "progressista" brasileiro vai chiar... Veja alguns trechos do documento: (6) OPPOSING ANTI-AMERICANISM. We reject without qualification the anti-Americanism now infecting so much left-liberal (and some conservative) thinking. This is not a case of seeing the US as a model society. We are aware of its problems and failings. But these are shared in some degree with all of the developed world.(....) 9) UNITED AGAINST TERROR. We are opposed to all forms of terrorism. The deliberate targeting of civilians is a crime under international law and all recognized codes of warfare, and it cannot be justified by the argument that it is done in a cause that is just. Terrorism inspired by Islamist ideology is widespread today. It threatens democratic values and the lives and freedoms of people in many countries. (....) 11) A CRITICAL OPENNESS. Drawing the lesson of the disastrous history of left apologetics over the crimes of Stalinism and Maoism, as well as more recent exercises in the same vein (some of the reaction to the crimes of 9/11, the excuse-making for suicide-terrorism, the disgraceful alliances lately set up inside the "anti-war" movement with illiberal theocrats), (....) Ricardo Coqueiro - Rio 1:53 PM tacilimasemproblemas.com.br Reinaldo, se os EUA desse um basta no Lulismo,no Chavismo e no Evomoralismo eu até iria concordar com o monte de asneira que o Bush tem feito! Pelo menos estaria o Brasil e estes pobres e indefesos latinos, livres destas pragas que infestam a nação, travestidos de esquerda! Taciana Lima 5:12 PM |
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