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"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem"
Robert Musil em O Homem sem Qualidades

Sábado, Outubro 07, 2006

Tio Rei e Dona Reinalda estão saindo para jantar

Estou saindo com Dona Reinalda para jantar na casa do maior advogado do Brasil na sua área. Eu e Lula só aceitamos o melhor, rá, rá, rá. Vou ficar sem postar mensagens e comentários por algum tempo. Mas vocês mandem brasa aí, que a noite é longa. Breve é a vida...

Assim não, Mônica Bergamo!

Volta e meia, Tio Rei brinca aqui com vocês de entender os bastidores do jornalismo e de desconstruir certas versões que não passam de plantação a serviço de políticos — ou da pura e simples fantasia de grupinhos de jornalistas.

Na Folha de amanhã, domingo, Mônica Bergamo assina uma reportagem cujo título é “Êxito de Alckmin azeda plano do tucanato”. Vocês lerão. Segundo o texto, havia um acordo firmado entre PSDB e PT, e a possibilidade de Alckmin vencer a disputa atrapalha tudo. Em que consistia esse acordo? Simples: Lula venceria agora, em 2006, e, em 2010, Aécio Neves ou José Serra levaria a Presidência da República, com o provável apoio do PT. Para que a teoria conspiratória se sustente, uma primeira precondição se faz necessária:

- Alckmin foi feito candidato do PSDB, mas, na verdade, era só um bobalhão escolhido pela cúpula para perder. Já que seria impossível ganhar de Lula, então decidiram não queimar a ficha de Serra.

Ora, o juízo despreza o fato elementar de que Alckmin impôs a sua candidatura e ponto final. O preço para que não fosse candidato seria a derrota numa convenção. E os tucanos certamente marchariam rachados para a disputa. Imaginem um Serra deixando a Prefeitura de São Paulo para ser o candidato de um partido dividido. Mônica Bergamo despreza o fato óbvio de que não foi a cúpula do tucanato que bateu no ombro de Alckmin e disse: “Vá lá, você pode”. Foi ele quem disse: “Vou porque posso”.

Mas vamos dar seqüência à coisa. Como já estava tudo acertado para Lula ganhar agora — lembrem-se: Mônica fala de “um acordo informal que estava sendo firmado entre lideranças do PSDB e o presidente Lula” —, para celebrá-lo e lhe dar substância, os petistas fazem o quê? Ora, armam a trama do dossiê para destruir a candidatura Serra. Entenderam? Não faz todo sentido???

É impressionante. A teoria não pára de pé cinco minutos. Todos sabem que o dossiê nem buscava alvejar Alckmin. A idéia era transformar Serra no chefe dos sanguessugas, com a ajuda da revista IstoÉ. Participaram da tramóia todos os homens do presidente. Não sei se vocês notam a sutileza: SEGUNDO A VERSÃO DE MÔNICA BÉRGAMO, O PRESIDENTE LULA NÃO SABIA DE NADA, CERTO?

Sim, se soubesse, teria impedido. Tanto que ela reproduz supostas aspas de Lula, contra, aliás, o que recomenda o Manual da Folha: “As pessoas vêm me falar de Serra e de Aécio. Quem disse que um deles não pode estar no nosso palanque em 2010. Ou que eu não posso estar no palanque de um deles?” Lula disse isso à jornalista? Não! Há o nome de quem disse isso à jornalista? Também não. E como se justificam essas aspas abonadoras da veracidade da frase? Como é que Mônica junta o dossiê nesse sopão de suposições sem que a receita desande?

Eu já havia desancado aqui um historinha que Mônica Bergamo havia narrado em sua coluna social. Segundo ela, um deputado petista, muito bem votado, num jantar com empresários, relatou o tal pacto, que agora foi rompido. O autor do relato tem o mesmo nome do dono das aspas; nenhum. Ela requenta a informação, publica de novo. Quando Mônica Bergamo quer provar que está certa, recorre às matérias com fontes secretas de... Mônica Bergamo.

É claro que ela não vai querer elucidar o enigma neste espaço. Se quiser, está aberto. Mas não precisa dele. Tem seu jornal. Tem sua coluna social. Vamos ver:
1) Até explodir o caso do dossiê, Lula vencia a eleição no primeiro turno;
2) Se vencia a eleição no primeiro turno, então aquele suposto pacto entre PT e PSDB estava valendo;
3) Se estava valendo, por que o PT armou a história do dossiê?:
4) E por que o dossiê era contra Serra, não contra Alckmin?;
5) O PT fez algumas dessas perguntas, inicialmente, para tentar provar que não tinha motivos para se meter na sujeira. Mas tinha, claro: a idéia era liquidar aquele que era candidato a liderar a oposição: Serra;
6) Mas o combinado não era justamente fazer um pacto Serra-Lula e/ou Serra-Aécio?

Mônica se abraçou à sua tese conspiratória. Para quem entra nessa, tanto os indícios como a sua inexistência são provas cabais da conspiração. Ora, se Aécio e Serra não querem Alckmin eleito, o normal é que fizessem, agora, corpo mole, certo? Certo. Ah, mas a jornalista é muito mais esperta. Provando que a conspiração sempre existiu, ela escreve: “O mais irônico é que tanto Serra quanto Aécio , pressionados por Alckmin e sobretudo pelos eleitores tucanos que querem Lula fora do Planalto, devem se engajar agora na campanha”. Entenderam? Tanto uma coisa como o seu exato oposto provam a mesma teoria.

Sempre falo tudo
Você sabe, né, leitor? Sempre falo tudo. Sei bem como surgem certas matérias. Bati o olho nesta da Folha e estou vendo aí o trabalho, nada limpo, de certos assessores de Alckmin, que, a exemplo do “meninos” de Lula, querem prestar serviços ao chefe. Mais uma vez, um bando de idiotas, para se fazer passar por influente junto a jornalistas, exerce suas rivalidades ridículas contra a questão principal: tirar Lula do Planalto.

Mas não é só: a exemplo do tal “deputado petista de muitos votos”, há aí o PT trabalhando firmemente. A “reportagem” de Mônica Bergamo isenta Lula de qualquer responsabilidade pelo dossiê. Na verdade, ele teria existido contra os interesses estratégicos do próprio presidente. Mais: ainda agora, como Lula não quer Serra engajado na campanha de Alckmin, como aposta no seu corpo mole, faz o quê? Liga para Aécio e sugere que ele tire férias em Paris e desce o sarrafo, em Caruaru, no governador eleito de São Paulo.

Leiam direito jornais, blogs e colunas. Há um grupo de jornalistas que, com Mônica, repete as sandices que vão acima. É a mesma matéria e a mesma tese. Não porque se sustentem em fatos. Mas porque seus autores pertencem à mesma, como direi? grei. A melhor forma de impedir a eleição de Alckmin é deixar essa besteira prosperar. Não que os jornalistas tenham de torcer pela vitória do tucano (eu torço, mas conto isso; o problema está nos covardes que torcem pela de Lula e se fingem de neutros). Basta que torçam pela verdade.

Pois eu sustento e dou fé: a versão de Mônica Bergamo e amigos de que havia um pacto entre PSDB e PT é mentirosa. É uma versão petista, elaborada para livrar a cara de Lula no caso do dossiê. E, infelizmente, alimentada por alguns imbecis que se acreditam a serviço de Alckmin. E acabam se esforçando para eleger... Lula.

PSDB, a privatização da Petrobras, o terrorismo dos petistas, mussarela, presunto e carne de porco

Marta Suplicy, coordenadora da campanha de Lula em São Paulo, saiu pregando aos quatro ventos que o PSDB quer voltar à política de privatizações. No caso do Estado de São Paulo, lembrou o Banespa... Ai, ai. Marta gosta de debater assuntos sobre os quais não entende nada. O PT não sabe distinguir uma nota fiscal de uma duplicada. Nota fiscal eles não conhecem porque gostam é de caixa dois. E duplicata também não porque não pagam dívidas. Marta deixou R$ 2 bilhões para Serra pagar na Prefeitura de São Paulo. O neopetista Orestes Quércia quebrou o Banespa. Por isso ele foi vendido.

Esse discurso faz parte da militância delinqüente do PT. Como já escrevi, o partido perdeu a vergonha de não ter vergonha. A onda começou por causa de uma entrevista concedida pelo economista Luiz Carlos Mendonça de Barros à revista Exame em junho de 2005. Indagado sobre privatizações, Mendonça fez uma reflexão, nada além disso, sobre o caso da Petrobras. Observou que foi uma decisão estrategicamente correta a empresa investir na extração de petróleo em alto mar, mesmo sendo uma operação antieconômica, porque isso possibilitou ao país chegar ao estágio atual. Não se trata exatamente de autonomia — essa conversa é um pouco mais complexa —, mas é claro que o país não está mais sujeito a choques de petróleo como antes.

Ora, à época, o capital privado não encararia a tarefa. Mundo afora, essas decisões são tomadas por empresas estatais. Hoje, dada a situação de mercado, desapareceram as razões para que a Petrobras seja uma estatal. Tanto a exploração do petróleo em terra como a em águas profundas tornaram-se economicamente viáveis. Assim, as razões que obrigavam a Petrobras a ser estatal desapareceram. Uma coisa é Mendonça achar que há condições técnicas para a Petrobras ser privatizada, outra é apontar as condições políticas. Uma coisa é ele se dizer favorável à privatização; outra, bem diferente, é isso ser um plano do PSDB. Podem espalhar: INFELIZMENTE, ISSO NÃO FAZ PARTE DO PROGRAMA DE NENHUM PARTIDO POLÍTICO. TAMPOUCO DO PSDB.
Fazer o que não está no programa é um privilégio do PT: por exemplo, pagar os juros reais mais altos do mundo.

Mendonça é meu amigo pessoal. Trabalhei com ele durante quatro anos. Temos divergências. Uma delas é esta: eu quero vender a Petrobrás, o Banco do Brasil e qualquer escolinha de jardim da infância. Ele pode até ser favorável em tese, mas não identifica condições para tanto. Todos os que disseram que a revista Primeira Leitura ficou mais “conservadora” depois que ele deixou de ser dono (ou mais “direitista”, como dizem os petistas, na sua lógica perturbada) estão certos. Sempre estive à direita dos meus patrões — e, com freqüência, dos meus amigos, hehe. É uma sina.

Infelizmente, se Alckmin indagasse Luiz Carlos a respeito da privatização da Petrobras — não indaga porque isso não está na pauta de Alckmin ou do PSDB —, seria desaconselhado a tanto. Porque, obviamente, não existe debate suficiente na sociedade para isso. E nenhum partido político tem coragem de defender essa medida.

Os petistas são ruins de lógica. Confundem tudo. Se você disser a elas que um avião avariado cai por causa da Lei da Gravidade, eles logo dirão que você é um defensor da queda de aviões e que, entre vidas humanas e a Física, escolheu a física. Se você disser a um petista que a mussarela é feita de leite, e o presunto, de carne de porco, eles indagarão: “Queijo prato é mussarela?” Você responderá, obviamente, que não é. E eles concluirão: “Então é feito de carne de porco”.

Eu sei que é chato. Mas espalhem: É MENTIRA QUE O PSDB, ALCKMIN OU QUALQUER OUTRO TUCANO ESTEJAM PENSANDO EM PRIVATIZAR A PETROBRÁS SE CHEGAREM AO PODER. E podem repetir assim mesmo: “Infelizmente, é mentira”. Essas empresas continuarão estatais qualquer seja o governo. A meu juízo, continuarão privatizadas pelo PT, qualquer que seja o governo também. E a financiar filmes vagabundos, que garantem a boa vida dos cineastas, mesmo sem bilheteria.

Também nesse caso, quem paga a conta do estatismo é você, seu trouxa.

O rastro do dinheiro do dossiê fajuto

O rastro da dinheirama que iria pagar o dossiê fajuto leva às portas de dois tubarões do empresariado brasileiro. Um do setor primário. E outro mais conhecido por suas atividades no setor secundário. Com um pouco de pensamento se chega lá. Basta que se investiguem as, como vou chamar?, afinidades eletivas. Um tira onda de civilizado, mas é conhecido no meio por seus métodos, digamos, um tanto truculentos de negociar. O outro é dono de uma extensíssima folha corrida. E, pois, não menos bruto.

Veja 10 - Meu artigo desta semana: "Governante bom é governante chato"

Getúlio Vargas: na carta-testamento e da carta de despedida, a miséria da razão
Meu artigo na Veja desta semana chama-se “Governante bom é governante chato”. Seguem alguns trechos: “Em política, como na vida, o irracionalismo, o discurso emocional, é a ante-sala do crime e da tragédia. Faça-se a leitura que se quiser de Hamlet, de Shakespeare, por exemplo, e uma constatação é inescapável: o príncipe era um idiota dado a faniquitos. (...) Hamlet se deixava envenenar pelas palavras, pela imaginação, pela alegoria: quando quer denunciar o tio, recorre a uma peça de teatro. Consumada a desgraça, a Dinamarca será governada por Fortimbrás, o príncipe norueguês, avesso ao temperamento do primo doidivanas: é resoluto, maduro, realista e objetivo. Seu reinado não renderia tragédias. É provável que obedecesse a uma rotina burocrática, pastosa e quase cartorial. Precisamos de governantes chatos como Fortimbrás, não de cretinos animados como Hamlet. Precisamos de despachantes das instituições que façam prevalecer a lei a despeito de suas inclinações emocionais, não de quem sacrifique a legalidade sob o pretexto de praticar a igualdade. (...) A política feita no Brasil como razão da miséria não poderia dar em outra coisa que não na miséria da razão. Há dois textos que servem de ‘Evangelho’ a essa patacoada: a Carta-Testamento e a Carta de Despedida de Getúlio Vargas.Assinante clica aqui. Para assinar a revista, clique aqui

Veja 9 - Diogo: "O lulismo está indo para a cadeia. Na Itália"

O faro investigativo de Diogo Mainardi atravessou a fronteira e foi bater lá na Itália. A história, para variar, é escabrosa. E parece que o jornalismo investigativo tem um belo filão a explorar. O Ministério Público também pode — e, mais do que tudo, deve — se interessar pelo caso. Que fale o próprio Diogo: “O lulismo está indo para a cadeia. Na Itália. (...) Os promotores públicos milaneses descobriram que a Telecom Italia tinha um esquema de pagamentos ilegais a autoridades brasileiras. (...) A Telecom Italia do Brasil remetia dinheiro a empresas de fachada sediadas nos Estados Unidos e na Inglaterra. A dos Estados Unidos era a Global Security Services. A da Inglaterra era a Business Security Agency. O dinheiro depositado nas contas dessas duas empresas era imediatamente repassado a intermediários brasileiros, que o distribuíam a terceiros. A Business Security Agency era administrada por Marco Bernardini, consultor da Pirelli e da Telecom Italia. (...) Há uma série de pagamentos em favor do advogado Marcelo Ellias: 50.000 dólares em 13 de julho de 2005, 200.000 em 5 de janeiro de 2006, 50.000 em 2 de fevereiro de 2006. De acordo com Angelo Jannone, outro funcionário da Telecom Italia, Marcelo Ellias era o canal usado pela empresa para pagar Luiz Roberto Demarco, aliado da Telecom Italia na batalha contra Daniel Dantas, e parceiro dos petistas que controlavam os fundos de pensão estatais. (...) Em seu depoimento aos promotores públicos, Marco Bernardini disse que esses pagamentos eram redirecionados à cúpula da Polícia Federal.” Clique aqui para ler mais. Leia também reportagem a respeito publicada no jornal italiano Corriere della Sera clicando aqui. Para assinar a revista, clique aqui

Veja 8 - Aécio: "Com sinceridade, não tenho planos de ser presidente da República"

O tucano Aécio Neves, o segundo governado mais votado do país em números proporcionais (em absolutos, é José Serra, de São Paulo), concede entrevista à. Leia alguns trechos de sua conversa com Otavio Cabral:

"O SENHOR FOI REELEITO COM 77% DOS VOTOS EM MINAS GERAIS, MAS GERALDO ALCKMIN, SEU CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, TEVE SÓ 40% DOS VOTOS DOS MINEIROS. O SENHOR NÃO CONSEGUIU TRANSFERIR VOTOS?
O resultado de Geraldo em Minas foi excepcional. Há cinqüenta dias, a distância dele para Lula era de 50 pontos porcentuais. Com o trabalho intenso que fizemos na campanha, a diferença nas urnas caiu para 10 pontos porcentuais. (...)

A ELEIÇÃO DE ALCKMIN ATRAPALHARIA SEUS PLANOS PRESIDENCIAIS PARA 2010. POR ISSO, DIZ-SE QUE, PARA EMPENHAR-SE NA CAMPANHA, O SENHOR TERIA NEGOCIADO COM ELE O FIM DA REELEIÇÃO. É FATO?
Geraldo não precisa disso, e isso seria subestimar o meu compromisso. Como Geraldo, acho a reeleição ruim para o país. Pode ser que alguém que tenha compromisso com as instituições democráticas aja dentro de determinado limite, mas amanhã pode haver alguém que ultrapasse o limite. Sou defensor de mandato de cinco anos sem reeleição. (...)

O SENHOR É CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA EM 2010?
Temos de superar essa visão, dos políticos e dos jornalistas, de que quem está na política é obrigado a ter um projeto maior. Digo, com sinceridade, que não tenho. (...)"
Assinante lê íntegra aqui. Para assinar a revista, clique aqui

Veja 7 - A volta da turma do mal

Por Heloisa Joly e Victor Martino: “Não há modelos perfeitos no campo da política, mas certamente há melhores do que o brasileiro. Ele permite que participantes de crimes se elejam e reelejam, assim como não impõe dificuldade para que figuras folclóricas, como o costureiro Clodovil, tomem assento no Congresso. Entre os eleitos, há sete mensaleiros, cinco sanguessugas e envolvidos em escândalos diversos, como o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, acusado de corrupção e de quebrar o sigilo bancário do caseiro que o denunciou. Eles voltam ao Congresso porque a legislação é indulgente com os ilícitos cometidos por políticos, conferindo-lhes foro privilegiado e saídas para escapar à punição. Para não falar do espírito corporativo dos parlamentares. Na última legislatura, a Câmara absolveu onze deputados flagrados no mensalão. Os analistas recomendam que se endureça a legislação eleitoral, para que os envolvidos em crimes sejam proibidos de se candidatar. Defendem, ainda, a adoção do voto distrital, em que as listas de postulantes são circunscritas a pequenas regiões, o que diminui a chance de candidatura de figuras suspeitas e bizarras e estreita o vínculo do eleitor com o político eleito. Seja qual for a fórmula, é preciso encontrar alguma para impedir que senhores como os destas páginas integrem o Congresso.” Clique aqui para ler mais se for assinante. Para assinar a revista, clique aqui

Veja 6 - Que Congresso vem aí?

Por Diego Escosteguy: "A reeleição de deputados mensaleiros, aliada à vitória nas urnas de políticos que já chegaram a ser presos no curso do processo, por corrupção, como Paulo Maluf e Neudo Campos, produziu a sensação de que o eleitorado sofreu um apagão ético. Mas, analisando-se a nova composição do Congresso Nacional de forma mais minuciosa, percebe-se que a significativa maioria do eleitorado mandou um recado claro: quer mudanças e não aceita a bandalheira que se viu na atual legislatura. O repúdio das urnas aos desmandos éticos talvez não tenha acontecido com a intensidade que muitos desejavam, embora tenha sido expressivo. O índice de renovação da Câmara dos Deputados, por exemplo, chegou a 46%. É a maior taxa de renovação desde 1994, quando, sintomaticamente, o eleitor foi às urnas ainda sob o impacto do impeachment de Fernando Collor e do escândalo dos anões do Orçamento. A história eleitoral recente parece indicar que os escândalos costumam ter repercussão no eleitorado, que amplia a lista dos políticos encaminhados à aposentadoria. Infelizmente, porém, não é capaz de promover mudanças saneadoras que façam efetiva diferença para melhor na qualidade do Parlamento."Assinante clica aqui. Veja aqui quadro com a configuração do Congresso. Para assinar a revista, clique aqui

Veja 5 - O partido dos grotões

Por Alexandre Oltramari : “Examinando-se os números brutos, ficou a impressão de que o PT, mesmo depois de um escândalo atrás do outro, surpreendeu nas urnas. Embora as projeções dos analistas variassem, ninguém acreditava que o partido seria capaz de eleger mais do que 75 deputados. Pois o PT extrapolou essa marca, elegendo 83 deputados federais, e ainda cravou um recorde: obteve 13,9 milhões de votos para a Câmara dos Deputados, a maior votação de um partido nestas eleições. Outro dado que lustrou o desempenho do PT nas urnas foi a eleição para governador. Antes, o partido tinha apenas três governos estaduais. Agora, conseguiu quatro. Conquistou, já em primeiro turno, o governo da Bahia, o quarto maior eleitorado do país, onde o senador Antonio Carlos Magalhães reinava há dezesseis anos ininterruptos. Ainda está na disputa em dois estados, o Rio Grande do Sul e o Pará. Analisado sob esse ângulo, o desempenho eleitoral do PT soa luminoso e faz parecer que o eleitorado não deu a mínima para o mensalão, os dólares na cueca, a Land Rover, a mala de dinheiro sujo... Mas é um engano. Debulhando-se os números, descobre-se que, em comparação com a eleição realizada em 2002, o PT perdeu 2,1 milhões de votos, numa proporção parecida com as perdas do PFL (veja o gráfico). O dado mais significativo do desempenho eleitoral do PT, no entanto, talvez esteja na distribuição do seu novo eleitorado: sua popularidade despencou nos estados do Sul e Sudeste e disparou no Norte e Nordeste, acompanhando a divisão geográfica da votação do presidente Lula. Ou seja: o partido que nasceu urbano, fruto da confluência do movimento sindical e da intelectualidade acadêmica, está caminhando no rumo dos grotões.” Clique aqui para ler mais. Para assinar a revista, clique aqui

Veja 4 - Os tucanos e a economia

Por Giuliano Guandalini e Julia Duailibi: “Há pouca dúvida de que a maioria absoluta dos empresários torce pelo tucano Geraldo Alckmin na disputa presidencial. Ele coordenou em São Paulo o programa de privatizações e uma das mais ousadas reformas administrativas do país. Apesar disso, os próprios empresários não sabem ao certo quem seriam afinal seus mentores econômicos e quais as suas idéias sobre questões federais que não fazem parte do cotidiano de um governador – como câmbio, abertura comercial e juros. Volta e meia essas incertezas se convertem em preocupações, quando Alckmin critica os "juros altos" do Banco Central e a valorização "excessiva do câmbio". O ex-governador entrou na disputa presidencial sem convicções claras sobre esses temas e, justamente para formá-las, manteve nos últimos meses encontros com economistas de várias tendências. VEJA apurou o que foi falado em parte desses encontros e entrevistou assessores responsáveis pelo programa econômico do candidato. Disso tudo surge a imagem de um político muito mais pragmático e menos voluntarista em questões cambiais e monetárias do que seus discursos eleitorais iniciais podem sugerir. Seu projeto de crescimento econômico não contempla intervenções em juros ou câmbio e se concentra hoje em duas medidas. A primeira é um choque regulatório emergencial para enterrar as aberrações ideológicas do PT de modo a dar segurança de longo prazo e atrair investimentos privados. A segunda é colocar em prática um programa para zerar o déficit público em quatro anos.” A Veja diz ainda o que é mentira, verdade e meia verdade na pregação petista sobre os seguintes temas:
- Miséria
- Energia
- Macroeconomia
- Juros
- Impostos
- Inflação
- Emprego
- Reforma agrária
- Agricultura familiar
- Salário mínimo
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Veja 3 - As duas faces de Lula

Montagem sobre ilustrações de Orlando e fotos de Mônica Zarattini/AE e Marcello Casal Jr/ABR

A Veja faz um levantamento das contradições de Lula: as muitas vezes em que ele diz uma coisa e também o seu contrário. O titulo do texto é “As duas fazes de Lula”. Seguem abaixo dois exemplos de alguns colhidos pela revista:

As fotos do dinheiro
ANTES
"Ou ele (Edmilson Bruno, delegado da Polícia Federal que divulgou as fotos do dinheiro do dossiêgate) fez de má-fé ou está mancomunado com alguém." Dia 30 de setembro, em entrevista a jornalistas em São Bernardo do Campo
DEPOIS
"Se o fato (o dossiêgate) aconteceu, ele tem de ser mostrado. O fato concreto é que tinha o dinheiro, tinha a fotografia. Poderia ter sido mostrada no dia, poderia ter sido mostrada quando bem entendesse." Dia 2 de outubro, na entrevista coletiva
Imprensa
ANTES
"Se a nossa querida imprensa brasileira tivesse tido comigo 10% da condescendência que teve com o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, hoje eu teria 70% dos votos nestas eleições. Poucas vezes na história do país um presidente foi tão massacrado como eu fui."Dia 25 de setembro, em comício em Porto Alegre
DEPOIS
"Todo mundo se queixa da imprensa. Mais dia, menos dia o político tem uma queixa. A imprensa tem um papel muito importante na conquista da democracia." Dia 2 de outubro, na entrevista coletiva." Clique aqui para ler mais, Para assinar a revista, clique aqui

Veja 2 - Pânico no PT

Lula: com medo do futuro, volta a ser "paz e amor" (Paulo Whitaker/Reuters)

Por Otávio Cabral: “A festa estava pronta. No comitê reeleitoral do presidente Lula em Brasília, os organizadores prepararam a comemoração da vitória – e não esqueceram de encomendar cinco caixas de champanhe. O presidente, depois de votar em São Bernardo do Campo, tomou o avião para Brasília e instalou-se no Palácio da Alvorada, onde recebeu aliados e ocupou-se até mesmo em estudar os principais pontos que deveria abordar no "discurso da vitória". Ainda que as pesquisas realizadas na véspera e no dia da eleição já não oferecessem segurança sobre o resultado final, Lula estava certo de que venceria a eleição no primeiro turno. Na noite de domingo, quando ficou claro que haveria mesmo uma segunda votação, o presidente recebeu o telefonema de um interlocutor e manifestou sua perplexidade. "Por essa eu não esperava. Tinha certeza de que liquidava tudo hoje", disse o presidente, conforme o relato do autor do telefonema. No dia seguinte, a primeira mudança provocada pelo segundo turno estava materializada: o presidente Lula, que quase ignorou sua agenda presidencial, fora engolido pelo candidato Lula – e o governo, com dezessete ministros arregaçando as mangas, fora engolido pela campanha. Em sua primeira aparição pública depois do resultado oficial, o presidente já dera lugar ao candidato. Concedeu sua segunda entrevista coletiva em 45 meses de governo. Na entrevista, mostrou-se gentil e afável, voltando subitamente a vestir o figurino do "Lulinha paz e amor", que lhe rendeu a vitória em 2002. Com um semblante amistoso e gestos de humildade, Lula elogiou o povo brasileiro pelo "comportamento exemplar" nas eleições e, sem traço da arrogância de dias antes, quando chegou a garantir para a platéia num comício que estava eleito no primeiro turno, disse que não venceu porque lhe faltaram votos”. Assinante da revista clica aqui. Para assinar a revista, clique aqui

Veja 1 - Como Alckmin chegou ao segundo turno


A revista Veja que chega às bancas traz uma série de reportagens sobre as eleições do dia 1º de outubro e o segundo turno do próximo dia 29. O primeiro texto, “O Fenômeno Alckmin” busca entender como ele chegou ao segundo turno, embora as pesquisas da reta final dissessem o contrário. Por Marcelo Carneiro e Camila Pereira: “Ao acordar no domingo da votação de primeiro turno, o candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, tinha diante de si uma desvantagem nas pesquisas de 12 pontos em relação ao seu adversário, imensa probabilidade de sofrer uma derrota acachapante e – em caso de confirmação dessa hipótese – a ameaça de ter o futuro político reduzido a pouco mais do que pó dentro do seu partido, o PSDB. Ao deitar-se naquela noite, porém, o tucano viu no espelho uma imagem que era bem diferente. (...). Na largada da segunda fase, uma pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira, mostra que a distância entre Alckmin e Lula no segundo turno pouco mudou em relação ao último levantamento. Uma confluência de fatores explica o vôo alto do tucano. Sua candidatura vinha experimentando um crescimento lento, mas robusto, havia alguns meses, graças a uma campanha que, se não primou pela empatia, enfatizou a necessidade de uma agenda positiva para o Brasil. Com a eclosão do dossiêgate e, em grau menor, as demonstrações de arrogância de Lula, cuja condição de favorito o fez fugir dos debates televisivos, esse crescimento ganhou, pouco antes da votação, uma velocidade vertiginosa, não captada pelas pesquisas. No entanto, é consenso entre os especialistas que, no caso do escândalo do dossiê, ele só adquiriu alta combustão porque o PT e Lula já haviam levado a proporções épicas a corrupção governamental. Se não fossem o mensalão, os dólares na cueca, o caixa dois, o valerioduto e o escândalo do caseiro, para ficar apenas nas histórias mais marcantes, a tentativa de compra de documentos anti-PSDB por parte de petistas certamente teria tido menos impacto.” Assinante da Veja clica aqui. Para assinar a revista, clique aqui

PFL ameaça Roseana com expulsão e perda da candidatura

Por João Domingos, do Estadão: “A senadora Roseana Sarney pode nem disputar o segundo turno da eleição para o governo do Maranhão. O PFL abrirá no dia 17 o processo de expulsão da senadora porque ela anunciou oficialmente que apoiará a reeleição do presidente Lula (PT). A intenção é resolver tudo até o dia 29, para que, decidida a punição, seja cassado o registro de Roseana e ela, sem partido, fique impedida de disputar a eleição com Jackson Lago (PDT). O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), disse que a decisão de Roseana de dar apoio a Lula é muito grave. E que isso motivou a convocação de uma reunião da Executiva especialmente para decidir sobre os casos de infidelidade partidária no Maranhão. 'Vamos instaurar o processo.' Como a infidelidade é a falta mais grave, com a pena mais severa - principalmente porque o PFL está coligado com o PSDB e forneceu o senador José Jorge (PE) para a vice na chapa de Geraldo Alckmin -, a alternativa é a expulsão. O próprio Bornhausen explicou que a pena pode ser a expulsão sumária ou a abertura de processo com prazo para a defesa. 'Em qualquer dos casos, tudo terá de ser resolvido até o dia 29', disse.” Clique aqui para ler mais

Alckmin vai a Minas: em questão, a postura ambígua de Aécio Neves

Por Ana Paula Scinocca e Elizabeth Lopes no Estadão: “Preocupado com o assédio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao governador reeleito de Minas, Aécio Neves - principal liderança tucana e figura-chave no segundo maior colégio eleitoral do País -, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, desembarcou ontem pela manhã no Estado para uma conversa tête-à-tête com Aécio na tentativa de pedir total engajamento e empenho em sua campanha para o Palácio do Planalto. O presidente Lula, segundo o Estado apurou, determinou a seus emissários - uma tropa de choque encabeçada pelo vice-presidente José Alencar (PL-MG) - a missão de convencer Aécio a não trabalhar 100% para Alckmin. O próprio presidente teria sugerido ao governador mineiro 'merecidas férias' fora do País para descansar da campanha que o levou a ser reeleito com 77,03% dos votos válidos. A postura dúbia de Aécio já havia sido posta em xeque no primeiro turno quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgou uma carta aberta criticando o governo Lula e fazendo um alerta sobre os riscos de Aécio ser seduzido pela disputa presidencial de 2010 e, assim sendo, não trabalhar efetivamente pela eleição de Alckmin.” Clique aqui para ler mais

FHC: Lula tem características de caudilho

Por Ariel Palácios, no Estadão deste sábado: “O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é 'um pouco caudilho'. Além disso, para defini-lo dentro do amplo espectro do caudilhismo latino-americano, FHC, em entrevista ao jornal argentino La Nación, disse que seu sucessor 'tem algumas características mais do peronismo do que do chavismo'. Os analistas definem o peronismo, criado em 1945 pelo general argentino Juan Domingo Perón, como uma forma de governar com tons mais pragmáticos, capaz de adaptar sua ideologia a qualquer circunstância. O chavismo, referência ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tem toque ideológico mais persistente, menos poroso a mutações, temperado com generosas doses de autoritarismo. Na entrevista, FHC afirmou que Lula 'não tem herdeiros políticos porque tem algo de caudilho'. 'E um caudilho sempre acha que ele próprio é único. E aqueles que o rodeiam pensam o mesmo.'” Clique aqui para ler mais

Mais Datafolha

Mais informações do Datafolha na Folha deste sábado: “As intenções de voto para o segundo turno confirmaram a divisão do eleitorado brasileiro. Entre os eleitores com renda até dois salários mínimos, 59% votam em Lula e 34%, em Alckmin. Entre os que ganham mais de dez mínimos, Alckmin tem 69% e Lula, 24%. Entre os com ensino fundamental, 57% estão com Lula e 36%, com o tucano -contra 56% para Alckmin e 35% para Lula entre os que têm o ensino superior. Entre os que se declaram brancos, 51% votam em Alckmin; 42%, em Lula. Entre os negros, 63% preferem Lula e 29%, Alckmin. Regionalmente, a pesquisa, feita em parceria com a TV Globo, mostra que as maiores divisões no eleitorado permanecem no Sul (pró-Alckmin) e Nordeste e Norte/Centro-Oeste (Lula). Na região Sudeste, Lula (45%) e Alckmin (47%) estão empatados dentro da margem de erro.Clique aqui para ler mais

A PF vai chamar Berzoini para depor

Por Hudson Corrêa e Leonardo Souza na Folha:A Polícia Federal decidiu ontem que ouvirá o presidente licenciado do PT, Ricardo Berzoini, sobre o caso do dossiê contra tucanos. Não foi definida a data do depoimento. Deputado federal, Berzoini tem prerrogativa para decidir em que local será ouvido. Berzoini se afastou ontem do cargo de presidente do partido. Em nota, negou envolvimento com o dossiê oferecido a petistas pelo empresário Luiz Antonio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas. A reportagem deixou recado no celular e fez contato com o gabinete da Câmara para falar com Berzoini sobre a decisão da PF, mas não obteve retorno do deputado. No inquérito aberto para apurar a montagem do dossiê, a PF suspeita de participação de Berzoini no episódio e analisa ligações telefônicas entre ele e envolvidos com a negociação de compra do material.” Clique aqui para ler mais

Alckmin: desespero leva Lula a mentir

Por José Alberto Bombig na Folha: “Pelo segundo dia consecutivo, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, acusou o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de baixarem o nível da disputa espalhando ‘mentiras’ contra sua candidatura ao Planalto. Segundo o tucano, ‘o outro candidato [Lula] não tem compromisso com a verdade’. ‘Isso mostra o nível de desespero dos nossos adversários em levar essas mentiras [aos eleitores].’ Alckmin se referia às declarações dos petistas de que, se eleito, ele irá acabar com programas sociais, especialmente o Bolsa Família, carro-chefe do governo federal na área. ‘Eu até não acreditei, quando me falaram que o próprio presidente [Lula] estava falando essas coisas’, disse o tucano, em entrevista em São Paulo. ‘Onde fica a credibilidade do presidente, que não sabia [dos escândalos] e agora fala coisas inverídicas? No fundo, é o medo de perder as eleições’, disse ele, após ter afirmado que ampliará o programa e não privatizará órgãos do governo.” Clique aqui para ler mais

Cabral 19 pontos à frente de Frossard

Na Folha deste sábado: “A 22 dias do segundo turno, o candidato do PMDB ao governo do Estado do Rio, Sérgio Cabral, está com 19 pontos de vantagem sobre Denise Frossard, do PPS. Pesquisa Datafolha realizada ontem e anteontem mostra Cabral com 53% contra 34% de Frossard. Dos entrevistados, 7% pretendem anular ou votar em branco e 5% se dizem indecisos. Levando-se em conta apenas os votos válidos, quando são retirados os votos em branco e nulos, o peemedebista atinge 61%, e a candidata do PPS, 39%. Cabral terminou o primeiro turno com 3,42 milhões de votos (41,42% dos válidos), e Frossard com 1,96 milhão (23,78%) -uma diferença de 1,46 milhão de votos em favor do peemedebista. Entre os eleitores que disseram ter votado para presidente em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) -que obteve no Rio no primeiro turno 4,09 milhões de votos-, 63% pretendem votar em Cabral e 27% em Frossard. Entre os eleitores de Geraldo Alckmin (PSDB) para a Presidência -que atingiu no Rio no primeiro turno 2,4 milhões de votos-, 50% afirmam votar no candidato do PMDB, e 41%, na candidata do PPS.” Clique aqui para ler mais

No Paraná, empate entre Requião e Osmar Dias

Na Folha deste sábado: “Um empate em 45% das intenções de voto para cada candidato foi o que detectou a primeira pesquisa Datafolha na disputa de segundo turno ao governo do Paraná, entre o governador Roberto Requião (PMDB) e o senador Osmar Dias (PDT). Considerando-se os votos válidos, os dois também largam em igualdade numérica de condições: 50% para um e para outro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Levando-se em conta que na eleição de 1º de outubro Requião fez 42,81% dos votos e Osmar, 38,6%, é possível dizer que o pedetista atraiu o maior número de eleitores de outros candidatos até agora. A pesquisa foi respondida por 1.683 eleitores de 69 cidades, ontem e anteontem. Dos entrevistados, 7% disseram não saber em quem dos dois votar e 3% afirmaram que votarão em branco ou anularão o voto. O governador -que tenta a reeleição licenciado do cargo- chegou à eleição de domingo em queda nas pesquisas, depois de os índices lhe conferirem percentual suficiente para ganhar no primeiro turno. Ele mantém suspense sobre apoiar ou não um dos candidatos a presidente, mas namora com o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Osmar Dias já anunciou apoio a Alckmin.” Clique aqui para ler mais. Para sua informação: no Paraná, Alckmin obteve 53,01% dos votos, contra 37,9% de Lula.

Sexta-feira, Outubro 06, 2006

Sobre os números do Datafolha, possibilidades, dificuldades e áreas preferenciais

A Folha On Line faz um detalhamento dos números do Datafolha, que segue em itálico, interrompido por comentários meus, em azul.

(...)
O Datafolha também apurou que entre os eleitores que declaram ter votado em Heloísa Helena (PSOL) no primeiro turno, 48% dizem que pretendem votar em Alckmin no próximo dia 29. Lula é o preferido de 32% dos eleitores da candidata do PSOL, que não vai apoiar nenhum candidato no 2º turno.

Isso demonstra que o eleitorado de Heloísa Helena, na grande maioria, não é de esquerda. Ou fecharia com Lula. Ela obteve o seu melhor resultado no Rio, 17,13%. E tinha o apoio explícito de Garotinho. Não sei se o Datafolha tem este cruzamento, mas seria interessante saber: destes 48% de eleitores da senadora que migraram para Alckmin, quanto são do Rio? Estou dizendo que, do ponto de vista puramente matemático, o apoio de Garotinho pode ser relevante, sim.

Já os eleitores de Cristovam Buarque (PDT), estão divididos: 39% dizem que vão votar no petista à reeleição e percentual idêntico afirma que vai votar no tucano.

Reparem que o eleitorado de Cristovam já é um pouco mais ideológico, um pouco mais à esquerda.

Entre os eleitores do Nordeste, Lula tem 67% das intenções de voto, 39 pontos à frente de Geraldo Alckmin, que obtém 28%. Nas regiões Norte e Centro-Oeste o resultado é similar. O candidato petista tem 50% e o tucano 44%.

Bem, é a região, junto com Minas e com o Rio, que está elegendo Lula. A diferença é brutal. E, sinceramente, não acho que haja muito a fazer, com algumas exceções. O único que chegou a empatar com Lula no Nordeste foi Serra — chegou até a ficar na frente. Há um bom trabalho a fazer na Bahia e no Ceará.

No Sul, Alckmin está 24 pontos à frente de Lula (57% a 33%). Já no Sudeste ocorre um empate dentro da margem de erro --47% para o peessedebista, 45% o petista.

Eu acho que Lula terá sempre um terço do eleitorado pelo menos. Assim, o Sul, para Alckmin, está perto do teto. Pode-se ganhar alguma coisa, mas pouco. O que conta é o empate técnico da Região Sudeste. São Paulo está majoritariamente com Alckmin (54,2% a 36,77% no primeiro turno), mas o desempenho no Rio (49,18% a 28,86% para Lula) é trágico e, em Minas, é ruim (50,8% a 40,62% para o Apedeuta).

A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela TV Globo, e divulgada pelo "Jornal Nacional". A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 5.811 eleitores em 368 cidades entre ontem e hoje. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Tendo como referência os 95.996.733 de votos válidos no primeiro turno, Lula, com 54%, teria 51.838.235, e Alckmin, 44.158.497. A se repetirem as abstenções e brancos, a diferença entre eles seria de 7.679.737. Vá lá: arredondemos para 8 milhões. Alckmin precisa pegar para si 4 milhões de votos que estão com Lula. As sobras de Bahia, São Paulo e Minas podem dar esperanças. E também é preciso ganhar votos no Rio. O que chamo de "sobras"? A diferença, nesses Estados, entre os votos dados a Lula e a adversários do PT para o governo do Estado. Rememorando:

Bahia
Lula – 4.293.200
Alckmin – 1.676.484
Paulo Souto – 2.638.215
Sobra: 961.731

São Paulo
Lula – 8.091.867
Alckmin – 11.927.802
Serra – 12.381.038
Sobra – 453.236

Minas
Lula – 5.192.439
Alckmin – 4.151.507
Aécio – 7.482.809
Sobra – 3.331.302

Cito os casos mais evidentes. Mas é claro que há outros Estados em que adversários do PT ao governo conseguiram somas bem mais expressivas do que Alckmin. Vejam o caso do Ceará:
Lula – 2.852.895
Alckmin – 912.726
Lúcio Alcântara (PSDB) – 1.309.277
Sobra – 396.551

Só nesses quatro Estados, temos uma “sobra”, como chamo, de 5.148.820. Se vocês fizerem essa conta no Brasil inteiro, verão que a tarefa de tirar 4 milhões de votos de Lula (na verdade, menos) é absolutamente factível. Lúcio Alcântara, no Ceará, e ACM, na Bahia, só têm a ganhar — uma vez que já perderam tudo mesmo. Aécio Neves, com a eleição assegurada, pode entrar fundo se quiser. E até em São Paulo é possível ganhar alguma coisa. É difícil? É claro que é. Mas a esperança, nesse caso, não tem nada de vã ou de estúpida.

Leitores

CASO UM
Ai, ai, hoje é o dia. Disse que Lula é o chefe “inconteste” do PT. Ai, um leitor resolveu me dar uma aulinha. E ainda diz que está testando a minha humildade. Aí escreve:

"O comment dependerá de sua humildade. O signatário não é "espanador da língua portuguesa", mas para evitar incorrer na ignorância de muitos, urge corrigir um erro interessante. Veja o seguinte: ...chefe inconteste de um partido... Está falho. Conteste, o que está de acordo, confimado. Inconteste (adjetivo de uso equivocado), é incrível, é o que pode ser contestado. Não é incontestável. Veja como a "Flor do Lácio" tem suas sutilezas. Para dizer que é incontestável (adjetivo), tem que usar conteste. Exemplos: Fulano tem conduta inconteste (é duvidosa). Fulano tem conduta conteste (é adjetivo; eis o acerto, significa que é incontestável). Entenda-se: incontestável é algo certo, induvidoso, incontroverso e diversamente, inconteste é algo discorde, que não pode ser abonado. Seja desculpado, mas esse vício pede eliminação, o seu texto está acima da mediocridade parcial. Que língua difícil! "

Agora o Houaiss:

Conteste
■ adjetivo de dois gêneros
1 cujo depoimento ou afirmação é igual a de outrem; concorde
Ex.:
2 que contém as mesmas afirmações ou dados de outro
Ex.:

Inconteste
Acepções
■ adjetivo de dois gêneros
1 que não se contestou; que não se põe em dúvida ou em questão; incontestado
2 que não é conteste, que não está em harmonia ou de acordo com outras afirmações, testemunhos ou atestações

Amiguinho, um conselho: a, como vou dizer?, falta de humildade requer certas precondições. Esse tonzinho arrogante, com laivos de gracejos e ironia, não pode cair na esparrela em que você caiu. Deixe de ser abestado
.

CASO DOIS
Usei o verbo “implicar” (no sentido de “acarretar”, “originar”) como transitivo direto: “Cada escolha minha implica um imperativo moral”. E alguém me manda uma mensagem: “O verbo implicar é transitivo direto, Reinaldo”. Eu sei. E “um” é artigo indefinido, não preposição. Logo...

CASO TRÊS
Escrevi: “Só há dois grupos que têm tanto dinheiro vivo: o narcotráfico, o PCC, e a máfia”. Estão me sacaneando: "Falou dois e citou três". Usei PCC como sinônimo de “narcotráfico”, já que ele tomou conta do setor.

Lula: um discurso delinqüente

Vocês viram Lula no comício de Petrolina? Aquele que não “tem nada com isso”, que não pode responder por aquilo que fizeram os “meninos”, chefe inconteste de um partido que acaba de expulsar cinco “bandidos” — segundo sua própria classificação — e de afastar seu presidente, este mesmo presidente tem a coragem de, sobre o palanque, afirmar que o escândalo dos sanguessugas começou na gestão de José Serra quando no ministério da Saúde. Isso vale por uma confissão. Afinal, o objetivo do dossiê sempre foi este: desmoralizar aquele que, no cenário anterior — quando a vitória de Lula era certa — iria chefiar a oposição. Há uma investigação em curso na PF contra os petistas — mesmo sendo a PF de Márcio Thomaz Bastos —, o país quer saber a origem do dinheiro, certamente sujo. Toda a tramóia foi feita para ligar os tucanos ao sanguessugas. Fracassada a operação, o Apedeuta leva a questão para o comício. Lula adere à delinqüência política sem receios. É por isso que devemos recorrer a todos os meios legais que estiverem a nosso alcance para que não governe, mesmo que vença. Já disse aqui: a lei é o povo por extenso. Se passar pelas urnas, que fique na peneira da Constituição. Seu discurso de hoje foi o mais indecente destes quase quatro anos.

Bingo!

Bingo! Oito pontos nos votos válidos, 54% a 46% para Lula, como vocês viram. E sete considerando os brancos e nulos: 50% a 43%. A primeira pesquisa a que tive acesso ontem estava de acordo com a do Datafolha, na margem de erro. A tarefa é hercúlea, quase milagrosa, mas possível. O índice de aprovação do governo Lula é formidável: 49% de ótimo e bom. Nunca ninguém perdeu uma eleição com esse índice, é bom que vocês saibam disso. Por isso, pra cima com a viga, moçada!

Oito pontos

Anotem aí: oito!

Corrijo a pergunta: oito pontos?

Oito pontos, é o meu palpite. Que tal 54 a 46? Sendo assim, aquele primeiro passarinho que cantou ontem — a que Noblat teve acesso hoje — estava mais certo do que o segundo. Naquele caso, a diferença era de 10 pontos; neste, de 8. A variação está dentro da margem de erro. Se for isso mesmo, está excelente. A diferença, na verdade, seria de 4 pontos. Vejam post abaixo que publiquei sobre Minas e Bahia. Perfeitamente trabalhável. A campanha nem começou. E Alckmin mais colecionou desgastes nos dois últimos dias do que sucessos. Vamos ver. Oito pontos, segundo a minha avaliação, é uma diferença boa. O jogo nem começou.

Educação moral, cívica e sentimental

Vejam esta, que me manda um anônimo:

“Uma pergunta objetiva: você é gay?”

Não é o máximo? Sou contra a pena de morte, por exemplo, pouco importa o crime que a pessoa tenha cometido. Uma pergunta objetiva: “Seria eu um assassino?” Sou contra a perseguição, muitas vezes de caráter moral, de que os fumantes estão sendo vítimas. Uma pergunta objetiva: “Seria eu um defensor do câncer?”. Acho que as pessoas não devem consumir muito bacon porque faz mal à saúde, mas sou contra a proibição do bacon. Uma pergunta objetiva: “Você defende o colesterol?” Acho que os presídios devem oferecer condições dignas de vida aos presos, sem perder seu caráter punitivo. Uma pergunta objetiva: “Você é favorável a bandido?”

Uma constatação objetiva: o obscurantismo não tem ideologia.

Não sou o Caetano Veloso...

Tão me confundindo com o Caetano Veloso. Querem agora que eu opine sobre tudo:
- Drogas;
- Adoção de crianças por casais homossexuais;
- Dieta alimentar;
- Aborto;
- Pena de morte;
- Piscina, gasolina, margarina...
Não fujo de nada, não. Só acho que temos prioridades. Mas dou uma resposta geral. Sou kantiano. Cada escolha minha implica um imperativo moral — de moral individual com desdobramentos coletivos, éticos. Ninguém se torna gay. Nasce-se heterossexual ou gay, independentemente dos pais. Ou não haveria homossexuais entre humanos ou entre macacos. Num país com a quantidade de menores abandonados que temos, arbitrar sobre isso me parece quase uma estupidez. Quem está certo de que a adoção de filhos por um casal homossexual é um malefício à criança e à humanidade está moralmente obrigado a escolher o benefício para a criança e a humanidade: adotar uma criança abandonada. Ou basta dizer um não, feliz com seu princípio, e fechar a janela?

Foro de São Paulo continua a dar as cartas nas relações entre Brasil e Bolívia

E o Foro de São Paulo, aquela entidade fundada por Lula e por Marco Aurélio Garcia, novo presidente do PT, que reúne os esquerdistas da América Latina, continua gerenciando as relações entre Brasil e Bolívia. Vocês se lembram que o “meu querido Evo” (como Lula chama o índio de araque) havia expropriado as receitas da Petrobrás, com o apoio de Chávez. Quando a eleição do Apedeuta no primeiro turno começou a entrar na zona de risco, o boliviano suspendeu o efeito prático da medida. E se agendou uma reunião para esta próxima terca. Pois é. Foi adiada de novo. Agora, vão esperar o segundo turno. Se Lula vencer, com o seu consentimento, o governo da Bolívia toma a Petrobras do Brasil. Se Alckmin vencer, aí vamos ver: é provável que o Foro de São Paulo mantenha a agenda e queira o confronto. Sei o tamanho da atrapalhação que seria. Mas como “o meu querido Evo” não pode vender gás para mais ninguém a não ser ao Brasil — já que ele não pode abrir rombo no gasoduto para oferecer gás ao mundo, hehe —, quebrava a espinha desse maloqueiro. Alckmin pode ir para a televisão, explicar o que está em disputa e denunciar a farsa que estava em curso. Muito complicado. Mas muito simples. "Meu querido Evo" não resistiria três dias.

A farsa das expulsões

Do mesmo modo, não caiam na conversa da expulsão. Osvaldo Bargas, Jorge Lorenzetti e Expedito Veloso, três dos cinco expulsos, pertencem à casta sindical. É um ato de “moralização” para Lula exibir no debate de domingo. Hamilton Lacerda, por enquanto, vai topando segurar a onda. E Valdebran Padilha é um tipinho comum na política. Era caixa de campanha do PT. Pode ser de qualquer um outro. No debate, o Apedeuta vai dizer que teve a coragem de cortar na própria carne. É preciso que o tucano deixe claro que todos eles continuam no poder e que nada disso resolve o essencial: de onde veio o dinheiro? A linha é a conversa de Diogo Mainardi — ouça no Podcast — com Tarso Genro. Antes de botar Lorenzetti pra fora, Lula deveria telefonar para ele e perguntar quem deu a grana...

A queda mandraque de Berzoniev. E uma fala para Alckmin

Queimou o primeiro fusível do circuito que joga o dossiê no Palácio do Planalto. Ricardo Berzoniev, o meu soviético predileto, caiu. Ao menos oficialmente, pediu licença da direção do partido. Isso quer dizer que não volta mais ao posto. Assume em seu lugar Marco Aurélio Garcia. Ninguém como ele consegue juntar extravagância teórica com inoperância prática. É claro que o burocrata sindical, oficialmente afastado, continuará a dar as cartas. É a máquina sindical que manda no PT. É ela que lhe garante poder, dinheiro, influência. Sargento Garcia é só um intelectual do regime. Não conseguiria juntar dez pessoas para a guerra. Não caiam, pois, na conversa de achar que Berzoniev está fora. Continuará a ser um manda-chuva da nova classe social. Com o seu afastamento oficial, também se está tentando proteger Aloizio Mercadante. E o que disse o Apedeuta? Ah, achou a coisa exagerada. O PT é realmente um caso extremo de má consciência. Foi o Babalorixá que exigiu o afastamento, ao menos oficial, de Berzoniev. Mas sabe como é um pai complacente... E sobre a origem do dinheiro? Até agora, nada. Alckmin chega ao debate de domingo com um diferencial e tanto. Pode encarar a câmera, olho no olho do eleitor, e falar tanto ao pobrezinho como ao empresário: “Você que está em casa me ouça: tente arrumar um milhão e setecentos mil para ver se é fácil; tente conseguir essa montanha de dinheiro para ver se alguém lhe dá. Mas ao PT eles dão. Só há dois grupos que têm tanto dinheiro vivo: o narcotráfico, o PCC, e a máfia”.

Um decálogo do Reinaldão

O post sobre a união civil de homossexuais e a trinca de moralistas — Lula, Crivella e Sérgio Cabral — está rendendo. Fico impressionado que o comportamento sexual ainda seja considerado uma questão relevante. O tema acabou se misturando com religião também, e há gente fazendo uma lambança danada.

1) O indivíduo, para mim, é “A” instância superior. Não aceito que ninguém, Estado ou comunidade, venha me dizer o que posso ou não pensar; o que posso ou não fazer;

2) Acima vai a questão geral. Mas a convivência social impõe, naturalmente, limites. O primado do indivíduo é o “habeas corpus”. No caso em particular, cada um faça na cama, entre quatro paredes, o que bem entender, desde que seja uma relação consensual que exclua crianças e, bem, animais... Por que temos de nos meter na vida do outro?

3) Sou católico. Prefiro seguir as regras que estão definidas naqueles códigos. Mas eu sigo Paulo — prefiro pregar aos gentios — e não Torquemada. Um liberal não se mete na vida alheia. Se dois homossexuais querem celebrar um contrato, por que não podem? O que temos com isso?

4) Se vivem em pecado — os que cremos nisso —, eles têm o direito de arcar com as conseqüências de seus atos e de ambicionar o perdão. Ou vamos fazer como certos radicais islâmicos que decidem proteger o pecador de si mesmo, apedrejando-o?

5) Quando digo que reconheço “algumas” Igrejas — estou, nesse caso, tratando do cristianismo —, estou reconhecendo a importância que o protestantismo teve e tem no mundo. Ou o catolicismo oriental. É claro que considero a Igreja de Roma teologicamente superior, ou escolheria outra religião. Mas acho, junto com Bento 16, que é preciso buscar o diálogo, não a imposição. E isso sem prejuízo de, nas fileiras internas, a Igreja Católica enquadrar alguns celerados que se dizem da Teologia (ou Escatologia) da Libertação. A Igreja Católica pode e deve impor a seus fiéis um código de conduta. Quem não aceitar pode escolher outra religião. Ou nenhuma.

6) É claro que a militância gay tenta impor um padrão de comportamento. Suas “paradas”, não raro, são espetáculos grotescos. Mas prefiro uma sociedade onde eles possam se manifestar, ainda que eu censure aquele “espetáculo”. Gays se agarrando e dando beijo de língua sobre carros alegóricos é antes manifestação de uma escravidão moral. Tentam se impor pelo choque. Mas também acho patético que heterossexuais se agarrem em público;

7) Acho bom todos nós nos livrarmos da tentação autoritária de dizer o que o outro pode ou não fazer. Com a mesma clareza com que advogo essa liberdade, tenho claro que ninguém é heterossexual ou homossexual porque quer. Essa conversa de “escolha” é uma besteira. É claro que qualquer homossexual “escolheria”, se pudesse, ser heterossexual. A larga maioria de nós sabe que é muito mais fácil;

8) E isso não quer dizer que ignore o fato de que os meios de comunicação de massa, televisão em especial, ou fazem caricatura de gays para consumo do espectador menos informado ou transformam o que chamam de “opção” (e não é ) sexual num valor. Ninguém é mais maltratado nas novelas do que um pobre pai heterossexual. Homer Simpson é um bom exemplo. Isso faz parte do poderoso lobby gay. Combatê-lo, criticá-lo, não pode se confundir com intolerância;

9) Já escrevi e sustento o que segue em palestras, para escândalo de alguns presentes: o verdadeiro “negro” do mundo hoje é o macho, branco, pobre, heterossexual e católico. Ele é um zero à esquerda, ninguém quer saber dele. Nenhuma ONG se ocupa de seus problemas;

10) Mas deixo claro: não me convoquem para uma cruzada contra comportamentos considerados de exceção, que eu não aceitarei. Ao contrário: vou combater quem o fizer. Se eu pudesse e fosse possível, recomendaria a todos os homens que tivessem uma família como a minha, uma mulher igual à minha, filhas como as que tenho. Sei bem o que me faz feliz e lutarei para preservar o que conquistei. Mas não me confundam: entre Oscar Wilde e os que o meteram em cana, defendo o direito que ele tinha de dar o que só a ele pertencia e escrever livros que engrandeceram o pensamento. Nem tudo o que não é petralha me serve.

Deixei passar alguns petralhas

Deixei passar alguns petralhas de propósito. Os que não escrevem palavrões. Só para vocês sentirem o grau de nervosismo da turma, hehe. Não percam tempo respondendo. É só pra animar.

Lula, Alckmin, os debates e o que pode fazer a diferença

Fernando Henrique Cardoso afirmou que o debate comporta riscos tanto para Lula como para Geraldo Alckmin. O petista tende a falar o que dá na veneta, o que é sempre um problema. E ao tucano pode faltar a devida veemência. Concordo com o ex-presidente. Mas quero avançar um pouco. Acho que os debates, ao fim e ao cabo, terão soma zero. Lula tem lá seus números a oferecer. São um tanto perturbados, mas destrinchá-los, aí, sim, é operação delicada porque foge do alcance da maioria dos telespectadores.

Como é que Alckmin vai demonstrar que o modelo Lula consome qualquer chance de poupança interna e que os investimentos baixos condenam o Brasil ao stop and go, em ciclos cada vez mais curtos? Espero que Alckmin não caia na tentação de ser muito didático a respeito disso. Lula fala barbaridades sobre o emprego, usando números do Caged e, agora, da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais). Nenhum dos dois serve para monitorar o desemprego. Entrar numa tecnicalidade como essa é caminho da perdição. É melhor ser sintético. Ao público que assiste a debates, Alckmin pode afirmar sem erro que o desemprego e o subemprego são gigantescos no país: acima de 10% no Brasil como um todo; na casa dos 17% na Grande São Paulo. Mais: pode afirmar sem susto que a classe média está muito apertada, contando os caraminguás. O discurso de Lula se tornou tecnocrático. Quem tem de buscar a intimidade com o telespectador, a cumplicidade, é Alckmin. Vai conseguir? Vamos ver. E, claro, o debate ético está a favor do tucano desde que se saiba fazer a coisa.

Lula tem o Bolsa Família, o risco país, o discurso triunfalista, o fato de o Brasil não ter entrado em crise com a sua eleição etc, etc, etc. Bem pensado, para a grande maioria, as suas “conquistas” são, digamos, quase imateriais. Pelo menos num debate de TV. Mas ele é bom de discurso, tem intimidade com a câmera, é um bom ator. No melhor da forma de cada um, haverá empate. O país que chega rachado ao segundo turno também vai rachar na avaliação dos debates. Os eleitores de Lula dirão que ele foi melhor; os de Alckmin, o contrário. E sic transit...

O que pode fazer a diferença? Eu não tenho dúvida de que a diferença estará em Minas, na Bahia e até em São Paulo. Serra teve mais votos do que Alckmin: 12.381.038 contra 11.927.802: 453.236 a mais. Pode não parecer, mas é bastante. Não existe transferência automática. Existe predisposição. Em Minas, o espaço de trabalho é gigantesco. Aécio Neves obteve 7.482.809, contra apenas 4.151.507 dados ao presidenciável tucano. Estamos falando de um universo de 3.331.302 eleitores. Compareceram às urnas 104.820.145 pessoas. A diferença em Minas a favor de Aécio corresponde a 3,17% do eleitorado que votou no primeiro turno. Numa disputa de segundo, cada voto vale dois (o que se ganha e o que se tira do outro). Na Bahia, o desempenho de Alckmin foi pífio: 1.676.484 (26,03% apenas). O candidato pefelista ao governo, Paulo Souto, derrotado por Jaques Wagner, ficou com 2.638.215. Ou 961.731 de diferença: quase 1% do eleitorado.

Se os debates tendem a uma soma zero para ambos, os programas de televisão podem fazer a diferença. O interesse por eles cresce no segundo turno. A Bahia segue o padrão do Nordeste pró-Lula, mas há lá uma liderança hoje ferida, interessada em aplicar uma derrota ao petismo. O carlismo tem de botar a faca na boca e ir para a guerra. Alckmin precisa aumentar mais a vantagem que obteve no Sul — que votou majoritariamente com ele — e melhorar muito a performance no Sudeste populoso, especialmente em Minas. É isso que vai fazer a diferença. Para as populações dessas regiões, o discurso ético é, sim, fundamental. Foi ele que tirou de Lula a eleição no primeiro turno. A questão tem de ser radicalizada, extremada. É preciso chamar bandido pelo nome que tem: “bandido”.

À diferença da pregação oficial, em vez de unir os extremos do país, Lula rachou o Brasil. Metade dá de ombros para a corrupção e a incorpora como prática corriqueira do poder desde que “o governo faça”. O “rouba, mas faz”, antes uma marca desabonadora de certos políticos, corre o risco de se tornar uma ética, um norte coletivo. Outra metade não aceita o primado. É preciso trazer apenas uma pequena fatia do eleitorado que está do lado de lá do imperativo moral para o lado de cá. Minas, Bahia e São Paulo: eis o nome de uma muito possível derrota de Lula. Ainda que a primeira pesquisa possa ser favorável ao petista. Estamos só no começo. Vinte e três dias, dada a configuração do confronto, é uma eternidade.

O PT tem de acabar

A hipocrisia continua com a novela Ricardo Berzoini. O homem vai ou não se afastar? Está se tentando encontrar um peixe graúdo para dar uma satisfação à sociedade e ao processo político. Mas parece que Berzoniev está resistindo em ser um bom soviético, o que me decepciona um pouco. Qual é, camarada? Você está ai para proteger o Guia Genial dos Povos. Não tem essa de querer. A sua vontade é a vontade do partido. A graça é que Hamilton Lacerda e Jorge Lorenzetti pediram desligamento. É uma injustiça obviamente. Eles e o PT se merecem . Por que os dois não podem pertencer ao mesmo clube de Ideli Salvati? Por que não podem habitar a mesma casa de Lula? Agora já sabemos que essa história do dossiê era um golpe de grande alcance. Visava a destruir a oposição, garantindo ao Apedeuta o poder absoluto. Imaginem só: reeleito no primeiro turno, com um Congresso desmoralizado e uma oposição na defensiva. É o sonho de qualquer ditador bananeiro. Vai demorar, eu sei. Mas o fato é que a democracia brasileira tem de expelir o PT de suas fileiras. Como? Na urna e, se for o caso, na Justiça. As franquias da democracia não podem ser oferecidas a quem quer destruí-la.

PT: dossiês eram uma decisão do partido, que tem de ser cassado

O senador Aloizio Mercadante até pode ter posto os seus soldados na trama do dossiê, mas uma coisa resta evidente: NÃO SE TRATA DE UMA ARMAÇÃO DO PT PAULISTA COISA NENHUMA. Não é loucura dos “aloprados”. É um método. Eles foram pegos tentando ferrar a candidatura de José Serra em São Paulo. Mas também queriam pegar ACM na Bahia. E há indícios de que andaram passando por Minas. Fica a cada dia mais evidente que se tratava de uma decisão do PARTIDO DOS TRABALHADORES, do seu comando, numa esfera de decisão da qual não há como Lula não participar. O ministro Tarso Genro pode espernear o quanto quiser. O PT é isso aí: tentam ganhar nas urnas e na trapaça. É por isso que chamam decisão judicial de “tapetão”, de “golpe”. Chegou a hora de pedir a cassação do registro do que se mostra mais organização criminosa do que partido político.