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O MRI (Movimento de Reparação aos Indiodescendentes) vai fazer a sua primeira ocupação. Nossa pauta, vocês sabem, é expulsar do Brasil os eurodescendentes e os afrodescendentes. Onde vocês querem instalar a nossa primeira “aldeola” (versão indígena do "quilombola")?



a – na Vieira Souto, no Rio (no Country Clube, é claro);



b – na Praia do Forte, na Bahia (no resort, é claro);



c – nos Jardins, em São Paulo (no Hotel Fasano, é claro);



d – Nos Lençóis maranhenses (sem o Sarney, é claro);



e – Lá na divisa do Acre com o Peru (Tupã nos livre, é claro)
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Reinaldo Azevedo

Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas – Tradução de Mário Faustino)

Sábado, Março 22, 2008

Os números são estes mesmo

Um leitor me pergunta se os dados sobre os homicídios por 100 mil habitantes da capital mineira não se referem à grande Belo Horizonte. Não. São dados oficiais relativos apenas à capital. Das 27 capitais, a mineira é a segunda em número de mortes violentas, à frente, acreditem, do Rio, que está em oitavo lugar — São Paulo está em 22º.

Sim, dados os limites geográficos, é mais fácil ser assassinado em Belo Horizonte do que no Rio.

No ranking geral das cidades, os dados são estes:

- 9º lugar – Recife
- 99º lugar – Belo Horizonte
- 205º lugar – Rio de Janeiro
- 281º lugar – Porto Alegre
- 342º lugar – Salvador
- 409º lugar – Brasília
- 422º lugar – Florianópolis
- 430º lugar – Fortaleza
- 492º lugar – São Paulo


Como se vê, o tal clima de conflagração política de São Paulo, tão satanizado pela turma da “Nova Hegemonia Moral e Intelectual”, pode fazer mais bem do que mal às cidades e a seus cidadãos. Fez São Paulo, por exemplo, mais segura do que a Belo Horizonte de Aécio ou a Fortaleza de Ciro Gomes. Sem contar que talvez seja um pouco mais complexo administrar uma capital de 11 milhões de habitantes do que uma outra de 1,5 milhão ou 2,5 milhões, não é?

A imprensa paulista ajuda. Não larga do pé de sucessivos governos do Estado. É pauleira todo dia. E é assim que deve ser. Ou então não é imprensa, mas loja de secos & molhados (by Millôr).

Por Reinaldo Azevedo | 19:36 | comentários (40)

Os novos aloprados 4 – Dossiê é método, não loucura

Uso o termo “aloprados” porque acabou virando quase um jargão, um clichê. Serve para identificar a gangue. Mas não gosto muito dele, não. Foi cravado por Lula. Faz supor que o crime cometido pelos seus amigos era uma exceção, não a regra; era uma loucura, não um método. E, agora, está provado de forma cabal e definitiva que se trata de um jeito de fazer política. Tanto é assim, que as mais altas autoridades da República, sob a coordenação do partido, respondem por esta nova lambança. E desde a origem; desde quando meteram como objeto da CPI — e com a concordância parva, estúpida, de tucanos — a investigação de um governo, não de um fato determinado.

Os partidários dos aloprados, com a moral típica dos petralhas, sai dizendo por aí: “Quem não deve não teme”. Atenção: nestes dias, mais deve temer quem não deve nada. Sobretudo quem nada deve ao petismo e não tem, portanto, motivos para lhe puxar o saco.

Por Reinaldo Azevedo | 18:18 | comentários (35)

Os novos aloprados 3 – É com essa gente que se vai fazer a nova hegemonia?

Eis aí. É com essa gente que o governador Aécio Neves quer formar uma nova frente de entendimento. Ou os petistas de Minas não são tão petistas assim? Vale para os tucanos do lugar? Também não seriam tão tucanos assim? Estariam todos eles fora do lugar?

Seria, também o dossiê, coisa das divergências paulistas? Serão estes os homens — como é mesmo, Ciro Gomes? — a constituir a “nova hegemonia moral e intelectual” do país?

Por Reinaldo Azevedo | 18:11 | comentários (9)

Os novos aloprados 2 – Leia a nota do líder tucano no Senado

NOTA DA LIDERANÇA DO PSDB

"Recusam-se a abrir as contas do Gabinete Pessoal do Presidente da República, mas sordidamente abrem contas do Governo Fernando Henrique.

É procedimento típico do Governo Lula e de integrantes do seu partido. Dossiês são especialização sua. E desta vez não são os "aloprados".

São do Palácio do Planalto as informações que foram parar nas páginas da Veja. Somente lá existem os dados.

As contas deles são "secretas", as do Governo anterior, não.

Não vão, porém, intimidar o PSDB. O PSDB não se dobra a chantagens. Não tem nada a esconder. Que se abram todas as contas, as deste Governo e as do Governo anterior. Tudo às claras. O contribuinte tem o direito de saber o que fazem com o seu dinheiro.

Mas a sordidez não passará em branco. Vamos exigir do Ministério Público que apure e puna a divulgação de dossiês com fins de chantagem política. E vamos cobrar do Presidente da República, agora com mais razão, a abertura de suas contas.

Que a transparência seja total!"

Brasília, 22 de março de 2008

Arthur Virgílio
Líder do PSDB no Senado

Por Reinaldo Azevedo | 18:07 | comentários (38)

Os novos aloprados 1 – Governo nega dossiê NOTICIADO pela VEJA. E, no entanto, ele existe!!!

Da Agência Brasil. Volto depois:
A Casa Civil da Presidência da República divulgou nota neste sábado negando a existência de qualquer dossiê sobre gastos com suprimentos de fundos do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, conforme publicou a revista "Veja" desta semana. Segundo a Casa Civil, uma sindicância vai apurar a responsabilidade pelo vazamento de informações do Suprim (Sistema de Suprimento de Fundos).

Na reportagem que deu origem à nota, a revista semanal afirma que uma equipe do Palácio do Planalto teria preparado um dossiê sobre gastos efetuados nos anos de 1998, 2000 e 2001 pelo então presidente, sua esposa, Ruth Cardoso e assessores nas chamadas contas tipo B, usadas para saque em dinheiro em conta administrada pelo servidor. O documento, de acordo com a revista, seria usado para chantagear parlamentares da oposição, a fim de evitar que as contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fossem investigadas na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) dos Cartões Corporativos.

De acordo com a Casa Civil, "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)". O sistema foi criado por orientação do TCU (Tribunal de Contas da União) para que fossem estabelecidos mecanismos que dessem maior transparência ao acompanhamento dos gastos. O Suprim começou a ser alimentado em 2005. O processo de alimentação retroagiu para 2004 e 2003 e agora estariam sendo digitalizados os documentos dos três anos citados na reportagem da Veja.

A Casa Civil também contesta os valores de gastos apresentados pela revista: "Nos três anos referidos pela matéria, o gasto médio anual em suprimento de fundos da Presidência da República não ultrapassa a R$ 3,6 milhões de reais em valores nominais."

Voltei

O governo nega. E, no entanto, o dossiê existe. Trata-se de um fato, não de uma opinião. Parte dele foi lido pela reportagem de VEJA. Em nota, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, afirmou que isso não vai intimidar o partido, que não cederá à chantagem. Tomara que não. Mas o fato é que o método escolhido pelo Planalto já toca nas franjas do absurdo. Isso é coisa de estado policial, não de uma democracia.

Atenção! Pesquisem o noticiário. Falas de Jorge Hage (CGU), Tarso Genro (Justiça) e Paulo Bernardo (Planejamento) têm o inegável tempero da ameaça quando se referem, de forma oblíqua, a gastos do governo passado. Ora, então que se exponha tudo. Limitar-se à sugestão de irregularidades, sem falar com clareza, é coisa típica de quem quer negociar. Mais: como os dados estão de posse do governo, não se sabe o que há lá, nem mesmo se foram manipulados ou não.

É o fim da picada. Reitero: os aloprados, agora, estão enfiados no Planalto. A Controladoria e a Casa Civil agiram com o mesmo ânimo da gangue que tentou fraudar a eleição de 2006 em São Paulo. A diferença, grave, é que, agora, mobilizou-se mesmo a máquina do estado. Eles não têm limites.

Por Reinaldo Azevedo | 18:02 | comentários (33)

Rasgando a fantasia: sobre alckmistas, aecistas, serristas...
É claro que estou publicando comentários de alckmistas também. Desde que não venham com teses furadas. Uma delas é esta: “Os tucanos que defendem Kassab querem apenas manter o emprego”. É? Não é o mesmo que dizer que “os que defendem Alckmin estão em busca de emprego?” Repararam? Se a tese vale para uns, por que não vale para outros? Não! Por aí, não vai funcionar. A emenda sai pior do que o soneto.

Ademais, Alckmin deveria informar a seus distintos militantes que foi ele próprio quem costurou o acordo com o então PFL, que resultou na indicação do nome de Gilberto Kassab. E isso é fato, não é chute.

Também os partidários de Aécio Neves estão excitados. E continuo impressionado com a facilidade com que os fanáticos aderem ao padrão petralha de argumentação e desqualificação. É evidente que reprovo essa aliança “ônibus” PSDB-PT e, quem sabe, PMDB em Minas — junto com ela, vem toda a renque: os muitos arranjos que se fingem legendas, todas iniciadas com a letra “p”, de “partido”. Quer dizer que não posso me opor a essa conversa mole? Acho o Partido Único, o PUN, uma deformidade da democracia.

Já vivi o bastante, embora tenha apenas 46, para saber que isso não dá em boa coisa. A história dos “interesses superiores da população” é uma das maiores empulhações ideológicas da história política. Não raro, são interesses pessoais ou de grupos vestidos com as rendas e os babados dos “interesses populares”.

“Ah, mas a população de Belo Horizonte quer”. Então tá bom. Mas eu, por exemplo, não queria o padrão belo-horizontinho reproduzido em São Paulo. Expliquei por que num post de 30 de janeiro, conforme segue. Retomo depois:

Em Belo Horizonte, mata-se 81,88% mais do que em SP e 26.33% mais do que no Rio. Lendo os jornais mineiros, ninguém diria

Confesso que fiquei um tanto surpreso ao saber que Belo Horizonte, capital de Minas, na lista das cidades com mais de um milhão de habitantes, está em segundo lugar na lista dos homicídios por 100 mil (56,6). Só perde para Recife, que está em primeiro (90,5). Na capital mineira, mata-se 81,99% mais do que em São Paulo (31,1), segundo o relatório divulgado ontem. Ouço tanto falar do milagre mineiro, especialmente das “políticas sociais inclusivas” do PT, que completará 16 anos de poder na cidade, que imaginei, sinceramente, que os índices fossem bem menores. Afinal, como é mesmo a cantilena esquerdopata? “Mais incruzão çoçial, menas violência”. Ou será que o PT não "incrui" nada?

E voltamos àquela questão da eficiência da polícia e de prender mais ou de prender menos. Os esquerdiotas estão dizendo por aí que a queda de homicídios em São Paulo se deve ao aumento do emprego (em Belo Horizonte não aumentou?), à atuação das ONGs (as há em Minas, certo?), à organização da comunidade, sei lá o quê... Por que, então, isso tudo teria um efeito positivo em São Paulo, mas não em Belo Horizonte?

Por incrível que pareça, mata-se na capital mineira 26,33% mais do que no Rio de Janeiro (44,8). Na lista das capitais (que inclui cidades com menos de 1 milhão de habitantes), o Rio está em 9º lugar, superado pelas seguintes capitais:
- Recife (90,5)
- Vitória (87)
- Maceió (80,9)
- Porto Velho (68,4)
- Palmas (65,8)
- Belo Horizonte (56,6)
- João Pessoa (46,7)
- Cuiabá (45,2)
- Rio de Janeiro (44,8)
São Paulo está em 22º na lista das capitais. No ranking geral, eis o lugar ocupado pelas principais capitais:
- 9º lugar – Recife
- 99º lugar – Belo Horizonte
- 205º lugar – Rio de Janeiro
- 281º lugar – Porto Alegre
- 342º lugar – Salvador
- 409º lugar – Brasília
- 422º lugar – Florianópolis
- 430º lugar – Fortaleza
- 492º lugar – São Paulo

E, no entanto, ao se ler um jornal de Belo Horizonte, será inescapável a impressão de que é bem mais fácil morrer no Rio. E não é. Acho que as imprensas carioca e paulista fazem muito bem em ser tão severas na cobertura da segurança pública. Como a gente vê, ajuda a fazer as escolhas certas. Esconder a notícia só eterniza o problema, não é?

Voltei
“Ah, está falando em nome de Serra”. Estou? E quem afirma o contrário do que afirmo está falando em nome de quem? Quer dizer que eu, porque não concordo com o cruzamento de jacaré com pato, sou serrista, enquanto os criadores de jacaratos estão apenas defendendo o bem da humanidade?Ah, qual é?

O que fiz foi romper o cerco da hipocrisia e chamar as coisas pelo nome. Aécio Neves está apenas mexendo peças com vistas a 2010 e conta com um peão em São Paulo chamado Geraldo Alckmin. Posso apostar que Serra, se ler isto, vai detestar. E a razão é simples: comete o erro básico de acreditar que, se ficar parado, o jogo também pára, o que não é verdade. A verdade exposta o obrigaria a agir.

Alckmin fala a verdade quando diz que sua determinação de ser candidato não é uma ambição pessoal. Ou melhor: é ambição pessoal, mas ambição pessoal dos outros, a que ele serve com dedicação quase religiosa. Fazer de conta que a disputa é meramente municipal é enganar o eleitor. E há quem engane muito melhor do que eu. Sou ruim nessa arte.
Por Reinaldo Azevedo | 17:24 | comentários (30)

LEIAM ABAIXO

- Sobre ontem à tarde;
- No caso do dossiê, a VEJA não “afirma”, mas informa;
- Prévias no PSDB? Pensei em chamar Gerald Thomas. Mas desisti. Teatro é coisa séria;
- Alckmin e as prévias no PSDB;
- Tom Jobim para ministro da Defesa!!!;
- Os sucessos de Nelson Jobim segundo Nelson Jobim;
- A resposta de Gabeira ao ataque energúmeno de Crivella;
- Congresso pra quê? Governo manobrou 10,4% do Orçamento por intermédio de MP;
- Oposição quer pacto para mudar tramitação de MPs;
- Rio deve ter hospitais militares contra a dengue;
- Contenção de crédito pode chegar aos veículos;
- Medida provoca ataques, elogios e ressalvas
Por Reinaldo Azevedo | 08:37

Sobre ontem à tarde

Ontem à tarde, cuidei O País dos Petralhas, o livro. E fiz o mesmo nesta madrugada. Não é fácil assoviar e chupar cana ao mesmo tempo, como se diz lá nas paragens dois-correguenses. Agora vou dormir um pouco. Até mais.

Por Reinaldo Azevedo | 08:33 | comentários (40)

No caso do dossiê, a VEJA não “afirma”, mas informa

Leio aqui e ali que a VEJA "afirma" existir um dossiê montado pelo Palácio do Planalto para intimidar a oposição no caso dos cartões corporativos. Epa!!! A VEJA não “AFIRMA” nada. A VEJA INFORMA que o dossiê existe. Mais do que isso. O repórter botou as mãos da papelada.

Escrever que a VEJA “afirma” abre a possibilidade de que se diga: “Ah, mas fulano diz que o dossiê não existe”. E ele existe. O que só expõe os métodos a que recorre o governo para fazer política: mobilizou-se a máquina do Estado para atingir adversários. Funcionários da Controladoria Geral da União, do ministro Jorge Hage, e da Casa Civil, da ministra Dilma Rousseff, a Miss PACderme, se mobilizaram para produzir o papelório. É coisa de gente chinfrim e perigosa. Traços que o petismo herdou do estado policial, que está na origem de sua ideologia — no momento, esse misto de bolchevismo tardio com negociata.

Ademais, ninguém precisa especular sobre a sua existência. O próprio governo confessa. Afinal, como comentou o ministro Hage, sua pasta colhe dados sobre o governo FHC para fornecer à CPI. Quais dados? Uma CPI investiga fato determinado. Como ele ainda não existe, o Planalto dá um jeito de produzi-lo. A VEJA pode afirmar o que bem entender, a exemplo de qualquer veículo. Mas, nesse caso, ela informa apenas.

Por Reinaldo Azevedo | 08:27 | comentários (39)

Prévias no PSDB? Pensei em chamar Gerald Thomas. Mas desisti. Teatro é coisa séria!
(Sugiro que leiam antes o post abaixo deste)
Alckmin quer mesmo prévias para indicar candidato à Prefeitura no PSDB de São Paulo? Vou chamar meu amigo Gerald Thomas para melhorar esse teatro aí. Acho que ele não vai topar, hehe. Afinal, teatro é coisa séria, e essa proposta é uma brincadeira estúpida. Digamos que se realizassem. Os problemas estariam resolvidos ou só estariam se extremando? Não sei exatamente — e nem os tucanos sabem — qual seria o colégio eleitoral. Digamos que fossem todos os filiados do partido (com ou sem superdelegados?). Acho que Alckmin ganharia. E o PSDB, obviamente, sairia derrotado porque irremediavelmente dividido. Um candidato deve procurar unir, não fracionar.

Raramente, aliás, ouvi coisa tão esdrúxula, idiota mesmo. Nos EUA, para ficar no exemplo mais evidente, as prévias fazem parte do processo político. Aqui, ainda não. Elas são usadas como remendo ou como instrumento para soldar fraturas.

Alckmin será o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo. Ponto final. O que mais ele quer agora? Entusiasmo? Vibração? Beijo na boca?

Quem tem, agora, de ganhar a confiança do partido é ele. Foi-lhe oferecida uma estratégia que vislumbrava a manutenção do poder na Prefeitura e a forte possibilidade de o partido manter o Palácio dos Bandeirantes em 2010. Ele preferiu outro caminho, que passa, é óbvio, por Belo Horizonte — lá onde o seu partido está se juntando com o PT — e pela precoce hostilização da pré-candidatura de José Serra à Presidência. Hora de chamar as coisas pelos nome.

O corolário é este: na trilha escolhida pelo ex-governador, o seu aliado da hora, Aécio, está se juntando com o adversário histórico (o PT), e o aliado histórico em São Paulo, o DEM, está levando um pé no traseiro. Foi Alckmin que fez essa opção, e ela tem conseqüências.

O ex-governador precisa saber que ganhar uma prévia — ou mesmo um "caucus" de cardeais, como em 2006 — é bem mais fácil do que ganhar uma eleição. Ele é favorito? Claro que sim. Mas sabe que precisa do partido. Não será se impondo candidato por força da vontade, como fez no passado, ou por meio de prévias que vai inspirar o ânimo militante na turma.

Ao prefeito Gilberto Kassab, do DEM, dados os números e a dinâmica do processo político, não resta outro caminho: terá de ser candidato. Seu discurso é fácil, tranqüilo mesmo: deve prometer a manutenção do que é bom e a correção dos problemas, como de hábito nas tentativas de segundo mandato. E não terá como negar que trabalhou em parceria com o governador de São Paulo e com... o PSDB, que detém 70% dos cargos! Qual será o de Alckmin?

A história de que é candidato porque as bases querem, ele sabe, tem alcance limitado entre as lideranças. Ninguém é ingênuo. As tais “bases” querem porque ele se ofereceu, não é mesmo? Tivesse respeitado a fila — aquela de que falava Sérgio Motta —, a realidade seria outra. É claro que não haverá prévias coisa nenhuma. Isso é só um tour de force para se impor. É uma desnecessidade. E só evidencia, diga-se, que a Prefeitura de São Paulo, nessa história toda, não passa de pretexto.

PS: A reportagem da Folha, abaixo, informa que os “líderes” do partido também influirão. Entre eles, Aécio Neves. Terei de perguntar: Aécio consultou Serra sobre a sua união com o PT, ou Belo Horizonte reivindica a interferência em São Paulo ainda por conta da Revolução de 1932? Aceito boas respostas.
Por Reinaldo Azevedo | 08:15 | comentários (40)

Alckmin e as prévias no PSDB

Por José Alberto Bombig, na Folha. Comento no post acima.
Acuado após a recente ofensiva do grupo pró-Gilberto Kassab (DEM), mas amparado pela liderança nas pesquisas, o ex-governador Geraldo Alckmin quer usar a realização de prévias no PSDB para encerrar a disputa em torno de quem o partido apoiará para a disputa da Prefeitura de São Paulo.
Anteontem, Alckmin reuniu seu grupo na capital paulista e avaliou que está "espremido e isolado entre as máquinas da prefeitura e do governo estadual" e que só uma "consulta" ao partido, aliada ao resultado das pesquisas, poderá mantê-lo vivo na disputa.
A consulta, prevista em estatuto e considerada uma saída extrema até pelos seus aliados, será utilizada se fracassarem a manifestação prevista para o próximo dia 27, convocada por apoiadores do ex-governador, e a busca de consenso entre os líderes do partido -Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aécio Neves, Sérgio Guerra e o próprio Alckmin.
"O movimento que nasceu nas bases do partido fará mais um ato pró-candidatura própria do PSDB em São Paulo na próxima quinta-feira. Venha e convide os amigos para mais uma noite histórica em defesa do PSDB", diz texto que está sendo distribuído pelo grupo a filiados e simpatizantes.
Alckmin, pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, planeja com isso neutralizar o discurso de que sua intenção de concorrer nas urnas leva em consideração apenas aspectos pessoais em detrimento dos interesses partidários, já que o PSDB faz parte da atual administração da capital.
Na terça-feira passada, a maioria dos vereadores tucanos apoiou um manifesto, assinado pelo líder da bancada, Gilberto Natalini, afirmando que "a cidade é nossa há 40 meses", já que Kassab era vice de José Serra (PSDB), empossado em 2005 na prefeitura.
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Leiam análise no post acima

Por Reinaldo Azevedo | 08:13 | comentários (14)

Tom Jobim para ministro da Defesa!!!
(sugiro que leiam antes o post abaixo e depois voltem aqui)
Como é mesmo, Macunaíma?
Ai, que preguiça!

Vocês lerão no post abaixo que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, está nos EUA para vender a idéia de um Conselho Sul-Americano de Defesa. Falou com autoridades do país, incluindo Condoleezza Rice, que teria achado a idéia bem interessante. Quem reportou aos jornalistas o resultado dos encontros foi o próprio ministro, numa reunião do CSIS, um centro de estudos estratégicos internacionais. E que homem altaneiro!

Resolvemos adaptar a doutrina Monroe ao nosso sarapatel, ao nosso tacacá, ao nosso bundalelê. Os americanos teriam indagado como poderiam ajudar o Brasil, ao que Jobim teria respondido de pronto, quem sabe um pouco grosseiro até: “Ficando longe”. Seria um jeito suave de dizer “Tirem as patas da América do Sul”. “Yankees go home”, “A América do Sul para os sul-americanos”. Ai, que vergonha!!!

Deus meu! Que perigo! Já imaginaram onde estariam as Farc sem os EUA? Em Bogotá, com certeza. Em Brasília, talvez. De fato, a América do Sul precisa ficar entregue apenas à ponderação de pessoas distintas como Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e, por que não?, o Babalorixá de Banânia, o dom Giovanni do continente, o Apedeuta, que tem como Leporello Marco Aurélio Top Top Garcia.

Não há nada mais constrangedor do que ver um pequenino roncando papo. É o caso de Jobim. As Forças Armadas Brasileiras estão, para ser singelo, sucateadas. Anotem aí: o Brasil não consegue controlar as suas fronteiras. O país não produz, por exemplo, cocaína nem armas de grosso calibre, essas com que os “filhos do baixo crescimento econômico”, segundo Lula, assombram as capitais, o Rio em especial. Entram no país como? Mas Jobim disse a Candoleezza: “Fiquem longe”.

Sinto, à distância, uma certa vergonha só de imaginar o que não deve ter pensado a mulher: “Quem é esse?”. Ok. Talvez o Brasil leve adiante essa idéia. O meu conforto é saber que os EUA, se preciso, farão o necessário. Como fizeram quando a hidrofobia esquerdopata latino-americana tentou atacar Álvaro Uribe.

Tom Jobim para ministro da Defesa!!!

PS: Ah, sim. Falando no tal seminário, ao negar pretensões políticas, Jobim afirmou que “já rodou muito a bolsinha por aí”. Os tradutores tiveram dificuldade de encontrar a expressão em inglês. Resistiram à palavra “whore”. Vocês sabem como são aqueles puritanos. Normal! Lula já quis encontrar o “Ponto G” das relações internacionais no encontro com Bush. Em breve, não nos deixarão entrar com passaporte brasileiro nem em Darfur, de onde todo mundo quer fugir.
Por Reinaldo Azevedo | 08:07 | comentários (56)

Os sucessos de Nelson Jobim segundo Nelson Jobim
Por Eliane Cantanhêde, na Folha:
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, explicou ontem o projeto do Conselho Sul-Americano de Defesa em encontros separados com a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, e com o assessor do Conselho de Segurança Nacional, Stephen Hadley, dizendo a ambos que a melhor forma de os Estados Unidos ajudarem seria "assistindo de fora, ficando à distância".
O relato foi feito pelo próprio Jobim no CSIS (centro para estudos estratégicos internacionais), com uma explicação um tanto ácida: "Eu não estava pedindo licença [para eles aprovarem o futuro conselho], apenas dando ciência a um parceiro internacional e mostrando que se trata de um assunto claramente da América do Sul".
Depois, a jornalistas, ele disse que a conversa com Condoleezza Rice demorou 40 minutos e "foi ótima": "Conversamos muito sobre a posição brasileira nas questões da América Latina, mostrando que nós temos capacidade de resolver nossos problemas", relatou, citando que o conselho poderia ser útil, por exemplo, em casos como o recente conflito na região, quando tropas colombianas bombardearam guerrilheiros em solo equatoriano.
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No post acima, o que penso dessa história.
Por Reinaldo Azevedo | 08:05 | comentários (19)

A resposta de Gabeira ao ataque energúmeno de Crivella
Na Folha. Volto depois:
O deputado federal e pré-candidato à Prefeitura do Rio Fernando Gabeira (PV) rebateu ontem críticas do senador Marcelo Crivella (PRB) de que "defende aborto, homem com homem e maconha". Gabeira afirmou que o adversário se desvia do principal problema da capital -o surto de dengue.
"O Rio vive o auge da epidemia de dengue. O problema central de minha atividade e a discussão central nesses dias não é a relação homem com homem, mas mosquito com homem, mulher e criança. Nossa luta é exatamente acompanhando essa epidemia e o que é possível fazer", disse Gabeira. A afirmação de Crivella foi feita ao jornal "O Globo". O senador não quis manifestar ontem.
O deputado chamou Crivella de "bispo da Igreja Universal", o que contraria o senador por reforçar a resistência em setores não-evangélicos: "Ele, como bispo da Igreja Universal, perdeu um pouco o foco. Voltou para um tipo de relação que não é o nosso problema no momento. Nosso problema no momento é a relação do mosquito com seres humanos".

Voltei

Fiz aqui restrições à forma como Gabeira apresentou seu pleito. Afirmei não acreditar na idéia de uma política acima dos políticos. Nada a ver com esse ataque energúmeno, bucéfalo, que lhe dirigiu o tal “bispo” Crivella. Ademais, há tempos Gabeira deixou a camisa de força da militância em nome de minorias apenas. É hoje um dos homens públicos mais respeitáveis e decentes do Brasil. Mesmo quando discordo dele, reconheço a sua honestidade intelectual.

A fala de Crivella é dessas coisas asquerosas que a política produz de vez em quando, em que a demagogia é só o menor dos pecados. Não! Ele não é um conservador que estaria interessado em combater, sei lá, as tolices politicamente corretas. Ao contrário: em vez da liberdade, ele açula o preconceito; em vez da tolerância, ele estimula a discriminação.

Faz tempo que não vejo Gabeira falar sobre aborto. Mas o chefe de Crivella fala. Edir Macedo se disse favorável à prática e ainda tentou se ancorar no Eclesiastes. O dono da Igreja Universal tem o direito de ter a opinião que quiser, mas está fazendo uma interpretação porca da Bíblia.

Se prefeito, Gabeira não terá poder para mudar leis que regulem o consumo de drogas, as relações amorosas ou a interrupção da gravidez. E creio que podemos estar seguros de que não vai bater a carteira de ninguém.

As candidaturas no Rio ainda não estão todas decididas. Quando estiverem, sugiro aos cariocas que este seja o primeiro critério de seleção: de um lado os batedores de carteira; do outro, os que não roubam. Aí deixem que as demais diferenças determinem a escolha.
Por Reinaldo Azevedo | 07:59 | comentários (38)

Congresso pra quê? Governo manobrou 10,4% do Orçamento por intermédio de MP

Por Ribamar Oliveira, no Estadão:
Além de obstruir a pauta de votação do Congresso, as medidas provisórias estão modificando substancialmente o Orçamento da União. No ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou 20 medidas provisórias que abriram créditos extraordinários de R$ 48,2 bilhões, o que representa 10,4% das despesas totais previstas na lei orçamentária de 2007 - que foram de R$ 463,5 bilhões. Apenas neste ano, Lula já abriu crédito extraordinário, por meio de MP, de R$ 12,5 bilhões.
Os líderes partidários, principalmente da oposição, queixam-se de que, por meio dos créditos extraordinários, Lula está alterando fortemente as prioridades estabelecidas na lei orçamentária anual e neutralizando os mecanismos de discussão do Orçamento dentro do Congresso. Com a possibilidade de abrir crédito extraordinário por MP, o Executivo passa a concentrar ainda mais poder e reduz a necessidade de negociações políticas em torno do Orçamento.
A Constituição diz que o presidente pode abrir créditos extraordinários no Orçamento, por meio de MP, apenas para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública. O que era para ser extraordinário, no entanto, virou prática comum, segundo levantamento feito pela Comissão de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara.
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Por Reinaldo Azevedo | 07:39 | comentários (8)

Oposição quer pacto para mudar tramitação de MPs

Por Christiane Samarco, no Estadão:
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de congelar o envio de novas medidas provisórias ao Congresso, enquanto seus líderes negociam as mudanças no rito de tramitação das MPs, foi bem recebida pela oposição, mas nem por isso o DEM e o PSDB vão suspender a obstrução da pauta.
“É um bom sinal e um bom começo, mas não muda nada porque gato escaldado tem medo de água fria”, diz o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).
A intenção de limitar a assinatura de MPs foi anunciada anteontem pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, que acompanhou Lula em viagem ao Paraná e a Santa Catarina.
Para voltar à mesa de negociações e pôr fim à paralisação, partidários do DEM e tucanos querem não só o compromisso do presidente Lula de congelar as MPs, mas também dos líderes governistas e aliados de votar novas regras para a tramitação dessas medidas. E tudo isto dentro de um prazo que considerem razoável, de uns 30 dias.
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Por Reinaldo Azevedo | 07:37 |