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a – na Vieira Souto, no Rio (no Country Clube, é claro);



b – na Praia do Forte, na Bahia (no resort, é claro);



c – nos Jardins, em São Paulo (no Hotel Fasano, é claro);



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e – Lá na divisa do Acre com o Peru (Tupã nos livre, é claro)
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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas – Tradução de Mário Faustino)

Terça-feira, Janeiro 01, 2008

Eliot
No post sobre o Ano Novo, escrevi “Como já se disse muito bem, sem cuidado, algumas das coisas que mais amamos e que garantem a nossa sanidade podem PADECER num simples suspiro, sem estrondo.” O certo é “Como já se disse muito bem, sem cuidado, algumas das coisas que mais amamos e que garantem a nossa sanidade podem PERECER num simples suspiro, sem estrondo.”

Alguns leitores perceberam o erro. É uma referência a “Os Homens Ocos”, de TS Eliot:

Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro
.

Prefiro “estrondo” a explosão.

Segue a tradução de Ivan Junqueira

OS HOMENS OCOS

"A penny for the Old Guy"
(Um pêni para o Velho Guy)


Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada
Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;
Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam - se o fazem - não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.

II
Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.
Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo
- Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular

III
Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.
E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.

IV
Os olhos não estão aqui
Aqui os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos
Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio
Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.

V
Aqui rondamos a figueira-brava
Figueira-brava figueira-brava
Aqui rondamos a figueira-brava
Às cinco em ponto da madrugada
Entre a idéia
E a realidade
Entre o movimento
E a ação
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino

Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Tomba a Sombra
A vida é muito longa
Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é o
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro.
Por Reinaldo Azevedo | 17:05

Comentários:

Anonymous Anônimo
Caríssimo.
...
9:47 PM  

Anonymous Anônimo
Sabe, quando li o post com a frase sobre o mundo acabar sem estrondo, mas com um suspiro, minha mente identificou T. S. Eliot, mas eu não sabia qual era o poema. Pensava que fosse uma citação de "The Waste Land". Nesses tempos modernos, não é mais preciso ficar com esses pontos de interrogação na cabeça. Corri ao Google, e procurei "T. S. Eliot sigh". Levou algum tempo, mas finalmente encontrei o poema de "The Hollow Men" (com artigo ou sem artigo, não me lembro). Mas aí descobri por que tive dificuldade na pesquisa - a palavra inglesa não é "sigh" mas "whimper", que o dicionário dá como "lamúria". E a explosão - estrondo é "bang". Tradução não é ciência exata: para os otimistas é um conhecimento aproximado, e para os pessimistas faz parte da entropia do mundo.
9:49 PM  

Anonymous Anônimo
Que belo presente, Reinaldo. Ler Eliot logo no primeiro dia do ano faz um bem danado. Janice
11:51 PM  

Anonymous Anônimo
Por quê você não troca o "pêni" por "centavo"?
12:37 AM  

Anonymous Anônimo
Valeu, Reinaldo !

Por essa e outras parecidas é que este blog é tão estimado. Poesia, a boa poesia, é essencial.

Um grande abraço -
Bobby
9:59 AM  

Anonymous Anônimo
Ainda de TS Eliot

How much knowledge
have we lost in information?
How much wisdom
have we lost in knowledge?


[Estes versos estão citados no final de um livro de ENGENHARIA de Telecomunicações, escrito por um engenheiro francês, que certamente não é adepto do cientificismo]
10:08 AM  

Anonymous Anônimo
Grande Reinaldo,
Belíssimo.
Roger
3:59 PM  

Anonymous Anônimo
Complementando a citação feita pelo engenheiro anônimo

[Opening Stanza of T. S. Eliot's Choruses from the Rock]

The Eagle soars in the summit of Heaven,
The Hunter with his dogs pursues his circuit.
o perpetual revolution of configured stars,
o perpetual recurrence of determined seasons,
o world of spring and autumn, birth and dying
The endless cycle of idea and action,
Endless invention, endless experiment,
Brings knowledge of motion, but not of stillness;
Knowledge of speech, but not of silence;
Knowledge of words, and ignorance of the Word.
All our knowledge brings us nearer to our ignorance,
All our ignorance brings us nearer to death,
But nearness to death no nearer to GOD.
Where is the Life we have lost in living?
Where is the wisdom we have lost in knowledge?
Where is the knowledge we have lost in information?

The cycles of Heaven in twenty centuries
Bring us farther from GOD and nearer to the Dust.

7:43 PM  

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