
|
VÍDEOS
![]() Reinaldo Azevedo fala sobre: Ofensas • 56k | 128k | 256k Humor • 56k | 128k | 256k Verdade universal • 56k | 128k | 256k Otimismo • 56k | 128k | 256k |
SEÇÕES
• Avesso do Avesso
|
ARQUIVO ESPECIAL
• Nos Emirados Sáderes |
| Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas – Tradução de Mário Faustino) |
| Terça-feira, Janeiro 01, 2008 |
|
Eliot
No post sobre o Ano Novo, escrevi “Como já se disse muito bem, sem cuidado, algumas das coisas que mais amamos e que garantem a nossa sanidade podem PADECER num simples suspiro, sem estrondo.” O certo é “Como já se disse muito bem, sem cuidado, algumas das coisas que mais amamos e que garantem a nossa sanidade podem PERECER num simples suspiro, sem estrondo.” Alguns leitores perceberam o erro. É uma referência a “Os Homens Ocos”, de TS Eliot: Assim expira o mundo Assim expira o mundo Assim expira o mundo Não com uma explosão, mas com um suspiro. Prefiro “estrondo” a explosão. Segue a tradução de Ivan Junqueira OS HOMENS OCOS "A penny for the Old Guy" (Um pêni para o Velho Guy) Nós somos os homens ocos Os homens empalhados Uns nos outros amparados O elmo cheio de nada. Ai de nós! Nossas vozes dessecadas, Quando juntos sussurramos, São quietas e inexpressas Como o vento na relva seca Ou pés de ratos sobre cacos Em nossa adega evaporada Fôrma sem forma, sombra sem cor Força paralisada, gesto sem vigor; Aqueles que atravessaram De olhos retos, para o outro reino da morte Nos recordam - se o fazem - não como violentas Almas danadas, mas apenas Como os homens ocos Os homens empalhados. II Os olhos que temo encontrar em sonhos No reino de sonho da morte Estes não aparecem: Lá, os olhos são como a lâmina Do sol nos ossos de uma coluna Lá, uma árvore brande os ramos E as vozes estão no frêmito Do vento que está cantando Mais distantes e solenes Que uma estrela agonizante. Que eu demais não me aproxime Do reino de sonho da morte Que eu possa trajar ainda Esses tácitos disfarces Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas E comportar-me num campo Como o vento se comporta Nem mais um passo - Não este encontro derradeiro No reino crepuscular III Esta é a terra morta Esta é a terra do cacto Aqui as imagens de pedra Estão eretas, aqui recebem elas A súplica da mão de um morto Sob o lampejo de uma estrela agonizante. E nisto consiste O outro reino da morte: Despertando sozinhos À hora em que estamos Trêmulos de ternura Os lábios que beijariam Rezam as pedras quebradas. IV Os olhos não estão aqui Aqui os olhos não brilham Neste vale de estrelas tíbias Neste vale desvalido Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos Neste último sítio de encontros Juntos tateamos Todos à fala esquivos Reunidos na praia do túrgido rio Sem nada ver, a não ser Que os olhos reapareçam Como a estrela perpétua Rosa multifoliada Do reino em sombras da morte A única esperança De homens vazios. V Aqui rondamos a figueira-brava Figueira-brava figueira-brava Aqui rondamos a figueira-brava Às cinco em ponto da madrugada Entre a idéia E a realidade Entre o movimento E a ação Tomba a Sombra Porque Teu é o Reino Entre a concepção E a criação Entre a emoção E a reação Tomba a Sombra A vida é muito longa Entre o desejo E o espasmo Entre a potência E a existência Entre a essência E a descendência Tomba a Sombra Porque Teu é o Reino Porque Teu é A vida é Porque Teu é o Assim expira o mundo Assim expira o mundo Assim expira o mundo Não com uma explosão, mas com um suspiro. |
|
Por Reinaldo Azevedo | 17:05
|
|
Comentários: Caríssimo. ... 9:47 PM Sabe, quando li o post com a frase sobre o mundo acabar sem estrondo, mas com um suspiro, minha mente identificou T. S. Eliot, mas eu não sabia qual era o poema. Pensava que fosse uma citação de "The Waste Land". Nesses tempos modernos, não é mais preciso ficar com esses pontos de interrogação na cabeça. Corri ao Google, e procurei "T. S. Eliot sigh". Levou algum tempo, mas finalmente encontrei o poema de "The Hollow Men" (com artigo ou sem artigo, não me lembro). Mas aí descobri por que tive dificuldade na pesquisa - a palavra inglesa não é "sigh" mas "whimper", que o dicionário dá como "lamúria". E a explosão - estrondo é "bang". Tradução não é ciência exata: para os otimistas é um conhecimento aproximado, e para os pessimistas faz parte da entropia do mundo. 9:49 PM Que belo presente, Reinaldo. Ler Eliot logo no primeiro dia do ano faz um bem danado. Janice 11:51 PM Por quê você não troca o "pêni" por "centavo"? 12:37 AM Valeu, Reinaldo ! Por essa e outras parecidas é que este blog é tão estimado. Poesia, a boa poesia, é essencial. Um grande abraço - Bobby 9:59 AM Ainda de TS Eliot How much knowledge have we lost in information? How much wisdom have we lost in knowledge? [Estes versos estão citados no final de um livro de ENGENHARIA de Telecomunicações, escrito por um engenheiro francês, que certamente não é adepto do cientificismo] 10:08 AM Grande Reinaldo, Belíssimo. Roger 3:59 PM Complementando a citação feita pelo engenheiro anônimo [Opening Stanza of T. S. Eliot's Choruses from the Rock] The Eagle soars in the summit of Heaven, The Hunter with his dogs pursues his circuit. o perpetual revolution of configured stars, o perpetual recurrence of determined seasons, o world of spring and autumn, birth and dying The endless cycle of idea and action, Endless invention, endless experiment, Brings knowledge of motion, but not of stillness; Knowledge of speech, but not of silence; Knowledge of words, and ignorance of the Word. All our knowledge brings us nearer to our ignorance, All our ignorance brings us nearer to death, But nearness to death no nearer to GOD. Where is the Life we have lost in living? Where is the wisdom we have lost in knowledge? Where is the knowledge we have lost in information? The cycles of Heaven in twenty centuries Bring us farther from GOD and nearer to the Dust. 7:43 PM |
VEJA |
Veja São Paulo |
Veja Rio |
Expediente |
Fale conosco |
Anuncie |
Newsletter |
![]() |
|