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Avesso do Avesso

ENQUETE
Barack Obama éo franco favorito à Presidência dos EUA. Caso não se eleja, qual deve ser o seu destino?



Converter-se ao catolicismo, tornar-se padre em duas semanas, bispo em dois meses e se candidatar a papa;



Candidatar-se a secretário-geral da ONU e dar início, então, ao movimento para criar o governo mundial;



Mudar-se para o Brasil e disputar a presidência da Fundação Cacique Cobra Coral;



Mudar-se para o Brasil, filiar-se ao PT e disputar com Lula a condição de maior milagreiro do Ocidente;



Continuar a fazer discursos que já nascem históricos e a fazer uma história que já nasce póstuma.
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Governante bom é governante chato - 11/10/2006
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Urna não é tribunal. Não absolve ninguém - 06/09/2006

  

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Reinaldo Azevedo

Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas – Tradução de Mário Faustino)

Sábado, Outubro 28, 2006

Ibope e Datafolha: tudo dentro do esperado
Considero o resultado da pesquisa Ibope e Datafolha, com 22 pontos de diferença pró-Lula nos votos válidos, absolutamente dentro do esperado. Os dois institutos apontam 61% a 39%. Faz tempo que acho a virada impossível, e meu artigo na Veja desta semana, que está nas bancas, dá Lula como vitorioso. Já comecei a pensar essa realidade no blog há alguns dias, tentando entender como e por que chegamos aqui. Alguns até disseram que eu havia jogado a toalha. Não é nada disso. É preciso ver a realidade com clareza. Programas na TV e mesmo debates não conseguiriam mudar uma realidade que foi se construindo ao longo do ano, especialmente porque a campanha tucana nada mais fez do que dar continuidade a uma impressionante seqüência de erros que teve início no fim do ano passado. E, claro, do ponto de vista do resultado que eles colheram, louve-se a capacidade dos petistas de mentir e de corromper a verdade.

Mas Alckmin não massacrou Lula na Globo. Sim. E daí? A avaliação de debates, repito, tendem a coincidir com a preferência já expressa pelo eleitorado. Em 2002, Serra deu de dez a zero em Lula em todos os encontros. Os levantamentos sempre apontavam o contrário. Esses embates podem ter algum efeito quando há, de fato, um número grande de indecisos — nunca foi o caso nessa disputa — ou quando os candidatos são de tal sorte parecidos, que um detalhe pode fazer diferença. Ainda que Lula e Alckmin falem quase as mesmas coisas, obedecem a simbologias muito distintas. E o petismo ganhou a guerra de opinião pública.

Há uma diferença desta vez, em relação a 2002, sobre a qual haveremos de pensar mais tarde, com vagar e cuidado. Naquele ano, a onda de “esperança” (como foi chamada) que se seguiu à eleição de Lula durou um bom tempo. Agora, a impressão que tenho é que o júbilo (dos petistas) vai-se misturar a uma enorme vaga de frustração. O segundo mandato de Lula, se não for interrompido pela lei, parecerá interminável, ainda que o presidente e o partido tentem animar a política com factóides. E eles vão tentar. Preparem-se para fortes emoções.
Por Reinaldo Azevedo | 21:24 | comentários (182)

O dossiegate é o Riocentro do PT, e Lula é o general Marcondes dessa tramóia
Puma destruído por uma das bombas do Riocentro

No dia 30 de abril de 1981, duas bombas explodiram no Pavilhão do Riocentro, no Rio. Uma delas matou o sargento do Exército Guilherme Pereira do Rosário e feriu gravemente o capitão Wilson Luiz Chaves, que servia no DOI-CODI do 1º Exército. A outra explodiu na caixa de força do local, sem maiores conseqüências. Acontecia lá um show em homenagem ao Dia do Trabalho, promovido pelo Centro Brasil Democrático (Cebrade), entidade então Ligada ao Partido Comunista Brasileiro. Tratava-se da 74ª ação terrorista desde 1980, incluindo explosões de bancas de jornal e um atentado a bomba na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Vamos fazer um corte nesta cena. Voltaremos a ela.

A 10 de fevereiro de 1980, exatamente um ano, dois meses e 20 dias antes, no Colégio Sion, em São Paulo, cerca de 1.200 pessoas se reuniam, incluindo intelectuais do porte de Sérgio Buarque de Holanda e Antonio Candido, para fundar o Partido dos Trabalhadores. Seu comandante inconteste era o sindicalista muito cedo — cedo demais! — tornado um mito das esquerdas: Luiz Inácio da Silva, o Lula. O apelido seria incorporado depois ao nome. A sigla não deixava dúvidas: patrão não entrava. Os princípios da legenda celebravam um oxímoro: ela lutaria pelo “socialismo democrático”. Margareth Thatcher havia iniciado na Europa, no ano anterior, uma verdadeira revolução ultraliberal. Os intelectuais e a própria imprensa brasileira anteviam, com a decadência da ditadura, o surgimento de um socialismo à moda da casa. Parece que andar na contramão da história é mesmo a nossa especialidade.

Voltemos à cena do primeiro parágrafo. Dois aloprados, a serviço dos porões da ditadura, iriam explodir uma bomba onde se encontravam nada menos de 20 mil pessoas. A idéia era mandar aos ares a abertura política que estava em curso, lenta e gradualíssima. Ninguém tinha dúvida do que tinha acontecido ali. Mas a versão da ditadura, naturalmente, era outra. Tratava-se, e foi a conclusão a que chegou um Inquérito Policial-Militar fajuto, de um atentado das esquerdas para gerar um clima de instabilidade no país.

O então comandante do 1º Exército, general Gentil Marcondes Filho, não precisou de IPM nenhum. Mandou brasa em cima do fato: “Eles foram vítimas de um atentado, é óbvio. O capitão estava no local cumprindo minhas ordens, em missão de informação". Foi a versão que prevaleceu. Estavam ali os dois patriotas para proteger a nação da sabotagem de cantores subversivos, e um terrorista de esquerda jogou no Puma cinza, placa OT 0297, a bomba que feriu gravemente o capitão Wilson e matou, deixando o corpo dilacerado, o sargento Guilherme, que levava o artefato no colo.

Lula é o general Gentil
Vinte e cinco anos depois daquele episódio, o PT que nascia para combater aquela ditadura também tem seus problemas para admitir a verdade. E protege, com igual denodo, seus terroristas. Se o general Gentil fingia a convicção de que as potenciais vítimas eram as responsáveis pela bomba, Luiz Inácio Lula da Silva, agora presidente da República, faz o mesmo em relação ao dossiê fajuto que os seus aloprados tentaram comprar. Disse o candidato do PT à reeleição neste sábado: “Quero saber quem foi o arquiteto desse negócio. Não era eu que precisava de dossiê”. Praticamente com as mesmas palavras, acusou, no debate de ontem com o tucano Geraldo Alckmin — em que foi esmagado —, os tucanos de serem responsáveis pelo dossiê contra José Serra. A bomba, como se sabe, explodiu no colo de Ricardo Berzoini, Jorge Lorenzetti, Osvaldo Bargas, Hamilton Lacerda, Gedimar Passos, Valdebran Padilha, Freud Godoy... Todos eles ligados ao PT, e a larga maioria gente da intimidade de Lula. A exemplo do general Gentil, que segurou a alça do caixão do sargento Guilherme, Lula adula os seus radicais. E se faz de vítima.

Sim, havia comunistas no Riocentro naquela noite. Ditaduras não precisam de motivos, só de pretextos. Para aqueles gorilas, essa evidência tornava verossímil a mentira. Assim como, para Lula, o fato de aparecer um falso laranja, levado à luz por uma pessoa filiada ao PSDB de uma cidade do interior de Minas, basta para que se invista na confusão: tudo não teria passado de uma trama dos adversários.

Na época, Márcio Thomaz Bastos era um advogado que militava nas hostes da oposição. Entre 1983 e 1985, foi presidente da Seccional da OAB São Paulo. Integrou o movimento das Diretas-Já e o Conselho Federal da Ordem entre 1987 e 1989, com atuação destacada durante a Constituinte. Foi um dos redatores do pedido de impeachment do presidente Collor. Hoje ministro da Justiça, atua como um verdadeiro criminalista do governo. É o pai da tese de que o mensalão não passou de mera caixa dois. Foi ele que impediu a divulgação das fotos da dinheirama do dossiê, contrariando portaria da própria Polícia Federal.

Cobrado a dar uma resposta mais rápida ao caso, afirmou: “Existe um tempo para a investigação séria e um tempo eleitoral.". Seu congênere à época do Riocentro, Ibrahim Abi-Ackel, afirmou então: “Reconheço que existe uma ânsia nacional para saber quem pratica atos como este. Por essa mesma razão, não me cabe inventar culpados. O que é procedente é agilizar providências para apurar tudo, e isso já fizemos". Não chegou a lugar nenhum. Ackel é hoje deputado do PP de MG, aliado de Lula.

Desdobramentos
O episódio do Riocentro fragilizou a ditadura, não o contrário. Embora as eleições diretas para a Presidência fossem chegar longos oito anos depois. Ocorre que havia naquilo tudo uma particularidade: vivia-se um regime discricionário. Hoje em dia, felizmente, vivemos em plena democracia. Esconder a verdade, num regime de força, não corrompe a sua natureza; antes, serve para desnudá-la. Já a mentira tornada oficial, na democracia, corrói a sua própria razão de ser.

Lula, aquele santo das massas parido por intelectuais supostamente iluministas no Colégio Sion, naquele 10 de fevereiro de 1980, não tem nenhum receio de se comportar como um generaleco de uma república bananeira. Joga no colo do adversário a bomba montada pelos seus aloprados. Aqueles tinham os seus motivos para ter horror à democracia. Estes também. São motivos diferentes. Até opostos, mas, sem dúvida, combinados. É mais uma razão por que ele não pode ser reeleito. Ainda que seja.
Leia aqui o texto da edição 661 de Veja, de 6 de maio de maio de 1981, sobre as explosões das bombas no Riocentro

Por Reinaldo Azevedo | 18:22 | comentários (140)

Sumiço
O Blogger deu sumiço num lote de 98 comentários. Assim, se você não vir o seu publicado, envie de novo...
Por Reinaldo Azevedo | 06:36 | comentários (117)

ENTRE OUTROS DESTAQUES, LEIA

- O DIA EM QUE O “POVO” DERROTOU LULA;
- O MELHOR DEBATE DE ALCKMIN E O PIOR DE LULA;
- OS DESTAQUES DA VEJA
- Lobby – O filho e o irmão de Lula
- O Brasil está melhor, mas na rabeira
- Por que privatizar
- Lula, a urna e a lei
- O choque entre dois Brasis
- O vermelho e o azul
- Diogo Mainardi lê Thoreau
- Eu digo por que civilizar os tupinambás
Por Reinaldo Azevedo | 06:10 | comentários (32)

Veja 8 - Catequizando os tupinambás e os caetés
Meu artigo nesta edição de Veja chama-se: “É preciso civilizar os bárbaros do PT”. Seguem alguns trechos: “Faz 26 anos que os democratas se ocupam de atrair o PT para a civilização. Os tupinambás e os caetés, no entanto, resistem e tentam impor o canibalismo como algo doce e decoroso. Antes, tingiam a cara para a guerra e nos propunham o dilema: 'Socialismo ou barbárie'. Com o tempo, eles mesmos fizeram a opção sem nem nos dar a chance de escolher: barbárie! Institucional, quando menos. Mas continuamos aqui, firmes no nosso papel de jesuítas, crentes na nossa missão civilizadora, esforçando-nos para catequizá-los, fingindo que são tupis amistosos – tentando, enfim, emprestar-lhes alguma metafísica. Mas quê... Tenho cá as minhas dúvidas se os aborígines não estão vencendo. Em vez de o primitivismo ser domado, o que vejo é muita gente a flertar com Guaixará, Aimbirê e Saravaia, invertendo o fluxo histórico da civilização.

Os três acima eram os demônios da peça Auto de São Lourenço, do padre Anchieta (1534-1597), representada para os índios e para os primeiros colonos. Lembro-me de um livro que ganhei quando criança. Havia uma ilustração do jesuíta fazendo um poema na areia com um galho ou cajado. A catequese é mais do que um confronto de culturas. É um choque entre tempos. Trata-se do encontro de homens que estão em estágios diversos de domínio da natureza. Um trazia a escrita, a abstração, a realidade como conceito; outros viviam imersos no gozo, no terror e na ignorância. Antropólogos vão protestar. Para eles, pouco importa por que cai a maçã. Qualquer explicação "cultural" vale a pena. Continuo a achar libertadora a lei da gravidade...
(...)
No debate da Rede Record,
[Lula] deixou entrever a disposição de estudar o que eles chamam de 'controle social dos meios de comunicação'. Trata-se de um eufemismo e de uma perífrase para 'censura'. O PT vê em cada veículo – ou, vá lá, em boa parte deles – um bispo Sardinha dando sopa. Sabe que a imprensa livre é o Evangelho da democracia; que ela guarda seus segredos e seus fundamentos.

Estamos vivendo os nossos dias de Hans Staden (1525-1579), o aventureiro alemão que caiu presa dos tupinambás. Deu sorte: conseguiu sair vivo. No cativeiro, observou os costumes dos antropófagos e depois redigiu um relato de viagem que fez grande sucesso na Europa. Ajudou a espalhar a lenda de que, por estas plagas, comer gente era prática corriqueira – os tupis, coitados, gostavam mesmo era de uma capivara e de um macaco. Alguns acreditam de tal modo na superioridade de sua teologia e de seus hábitos alimentares que observam os seus raptores com interesse antropológico, mal disfarçando certa simpatia por aqueles que os ameaçam.

Estou fora dessa. Quero os tupinambás e os caetés ajoelhados. Sob o signo da Cruz da civilização. Os petistas devem acionar a tecla SAP para metáforas e metonímias neste último parágrafo
.”
Por Reinaldo Azevedo | 05:45 | comentários (60)

Veja 7 - Diogo, Thoreau e o lulismo
A coluna de Diogo Mainardi chama-se “Thoreau contra o Lulismo”. O colunista recomenda o abolicionista americano “para todos aqueles que foram atropelados pelo lulismo”. E explica: “Ele rejeitava a escravidão embora a maioria dos eleitores de seu tempo a apoiasse. Em seu principal ensaio, Sobre o Dever da Desobediência Civil, ele argumentou que há algo superior à vontade da maioria: é a moral de cada um. ‘Minha única obrigação é fazer em todos os momentos o que considero certo.’

Mas recomendo Thoreau por outro motivo. Um motivo menor. Um motivo mais mesquinho. Recomendo-o apenas porque ele permite insultar pesadamente o eleitor mantendo uma certa pompa, um certo brilho. Thoreau disse: o eleitor é um cavalo. Ele disse também: o eleitor é um cachorro. Eu repito, citando Thoreau: o eleitor é um cavalo, o eleitor é um cachorro, o eleitor é um cavalo, o eleitor é um cachorro, o eleitor é um cavalo, o eleitor é um cachorro. Insulte o eleitor. Sem perder a pompa, sem perder o brilho.

Thoreau: Cavalo. Cachorro.”
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Por Reinaldo Azevedo | 05:27 | comentários (26)

Veja 6 - O vermelho e o azul

Por Marcelo Carneiro, Camila Pereira e Rafael Corrê: “Daqui a pouco mais de dois meses, o Brasil assistirá à posse do sétimo presidente da República desde o fim do regime militar, em 1985. Nesse período, o país modernizou suas leis, livrou-se de parte do peso do Estado, domou a inflação, criou mecanismos para impedir a gastança irresponsável de governantes e tornou-se líder mundial de exportações em setores como agropecuária e mineração. Poderia ter ido muito além – não tivesse uma bola de ferro atada aos pés. O Brasil que busca a riqueza e o crescimento, habitado por famílias que desejam preparar seus filhos para um mundo mais complexo e dar a eles uma educação livre de ranços ideológicos, encontra-se encapsulado por um outro Brasil: um país arcaico, clientelista, resignado às práticas de corrupção e habitado por uma população que, premida pela miséria, tem como única perspectiva de vida usufruir os benefícios imediatos proporcionados por projetos assistencialistas. É o Brasil em que vicejam o patrimonialismo, o corporativismo, o populismo e outras velhas práticas de efeito paralisante. O presidente eleito tem a tarefa urgente de unir o país em torno de objetivos que permitam vencer a pobreza não só material como de mentalidade. A história das nações desenvolvidas ensina que os dois aspectos estão indissociavelmente ligados. É preciso convencer – para usar um verbo caro a Lula – os brasileiros de que a construção de uma nação justa e moderna passa necessariamente pelo enxugamento do Estado, pelo investimento pesado em educação de base e pela constatação de que não existe governo capaz de salvar a pátria, pelo simples fato de que ele não produz riqueza. Quem o faz é a sociedade. A campanha presidencial, nesse sentido, não poderia ter sido mais decepcionante.” Assinante clica aqui
Por Reinaldo Azevedo | 05:12 | comentários (13)

Veja 5 - Como unir os dois Brasis?
Por Diego Escosteguy “(...) como construir no Brasil uma democracia de massas com uma sociedade tão desigual? Nas campanhas de Lula ou Alckmin, essa questão fundamental não foi sequer mencionada. Lula consumiu o tempo esquivando-se de dar explicações sobre os escândalos no governo e no PT e desfilou todas as comparações imagináveis – as corretas e as falsas – com os oito anos do governo de Fernando Henrique para tentar mostrar a superioridade de sua gestão. Alckmin, por sua vez, vacilou sobre os assuntos que a campanha trouxe. Não soube defender as privatizações, nem mesmo na semana em que a Companhia Vale do Rio Doce, evidenciando o sucesso de sua privatização em 1997, virou a segunda maior mineradora do mundo. Alckmin fez a denúncia sistemática da podridão do governo Lula, mas falhou miseravelmente ao não conseguir estabelecer a diferença essencial entre a corrupção que acontece por falhas do sistema (e que pode aparecer em qualquer governo de qualquer país) e a corrupção endêmica (que virou marca registrada do governo petista).” Assinante clica aqui
Por Reinaldo Azevedo | 05:06 | comentários (2)

Veja 4 - Lula, a vontade das urnas e a lei
O triunfo eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva em outubro de 2002 foi celebrado como um exemplo edificante do que a democracia é capaz de proporcionar – a possibilidade de um brasileiro de origem humilde chegar ao poder sem nenhum sobressalto nas instituições. Agora, se confirmadas as previsões dos institutos de pesquisa, Lula será reeleito para um segundo mandato com uma votação que pode superar a de 2002. A diferença entre uma eleição e a outra é que a biografia de Lula encolheu com a erosão do seu pilar ético. Com isso, Lula chega ao segundo mandato como uma potência, mas frágil do ponto de vista político. Para conseguir governar, Lula vai precisar do auxílio da turma da pesada com que se aliou no passado recente em troca de malas de dinheiro. Na economia, alguns movimentos sociais já anunciam pressões para relaxar o rigor fiscal e aumentar gastos. Na área jurídica, há nuvens carregadas no horizonte. Há contra o presidente um processo que investiga a participação de assessores e membros do comitê de reeleição na compra do dossiê contra os tucanos. Embora o caso ainda não esteja esclarecido, as evidências contra o PT são eloqüentes. Tecnicamente, um crime eleitoral como esse pode custar a cassação do mandato de Lula. Politicamente, é outra história.” Clique aqui para ler mais
Por Reinaldo Azevedo | 04:44 | comentários (9)

Veja 3 - Vale: por que privatizar
Por Lucila Soares: “Ao comprar a canadense Inco, na semana passada, a brasileira Companhia Vale do Rio Doce tornou-se a segunda maior mineradora do planeta. O fechamento do negócio na reta final de um processo eleitoral em que a privatização esteve na berlinda é uma feliz coincidência. A aquisição bilionária – 13,3 bilhões de dólares – é a mais candente prova de que a privatização, levada a cabo em 1997, só trouxe benefícios à empresa, a seus acionistas, a seus empregados e ao Brasil. Nas mãos do Estado, a Vale não teria condições de se consolidar como empresa global, presente em dezoito países. Desde que passou às mãos da iniciativa privada, a Vale teve seu lucro multiplicado por 13, as vendas por 2,5, o valor de mercado por mais de 8. Ao contrário do que se alardeia como uma desvantagem das privatizações, o espetacular crescimento da mineradora fez com que, hoje, o grupo empregue diretamente 39.000 pessoas, contra 11.000 em 1997. A Vale, criada em 1942, constituía uma exceção à ineficiência reinante nas estatais. Desde 1974 era a maior exportadora de minério de ferro do mundo. Mas o Estado funcionava como um freio que impedia seu pleno desenvolvimento. A companhia era competitiva internacionalmente. No Brasil, entretanto, submetia-se aos órgãos de controle de preço do governo. E, a partir de 1979, quando foi criada a Secretaria de Controle das Empresas Estatais (Sest), perdeu completamente a autonomia. Não podia gastar, ainda que fosse para gerar mais receita. Estava, portanto, condenada ao sucateamento, num processo estimulado também por focos de ineficiência típicos de empresas estatais. Os processos de licitação eram burocratizados, havia restrições à contratação de pessoal e limites a reajustes salariais, sem falar na nefasta ingerência política na nomeação de diretores. Hoje a companhia tem uma política de incentivos que permite a contratação de profissionais de primeira linha, o que contribui para aumentar sua eficiência. "A privatização deu à Vale liberdade de gestão, e isso é o que está por trás do desempenho atual", resume Tito Martins, diretor de Assuntos Corporativos da empresa.Clique aqui para ler mais
Por Reinaldo Azevedo | 04:40 | comentários (14)

Veja 2 - Melhorou, mas ainda é pior
Por Giuliano Guandalini: "Foram muitos os avanços da economia brasileira nos últimos anos. As exportações dobraram, as reservas internacionais nunca foram tão altas, a dívida externa deixou de ser motivo para dor de cabeça e a inflação recuou a níveis civilizados. Esses avanços afastaram o risco de colapso financeiro criado pelo debate eleitoral de 2002 e hoje permitem ao presidente Lula dizer, com razão, que o país apresenta uma combinação rara de fatores econômicos positivos. O país está melhor. Mas só se o compararmos a ele mesmo – espartilho característico do debate econômico brasileiro. No cotejo internacional, o Brasil está ficando para trás. Nos últimos quatro anos, os países em desenvolvimento progrediram em um ritmo superior a 7% ao ano, enquanto, no Brasil, o PIB não avançou mais do que 3%. O país caminha ainda mais lentamente em questões essenciais a seu desenvolvimento: produtividade, competição e conhecimento. O Brasil perdeu posições nos rankings de competitividade e liberdade econômica (veja quadro), o que se traduz em perspectivas piores para o investimento e o crescimento. A economia brasileira permanece uma das mais fechadas do planeta: sua participação no comércio internacional segue ínfima, em torno de 1% das transações. " Assinante clica aqui
Por Reinaldo Azevedo | 04:34 | comentários (3)

Veja 1 - Família é destino?
Vavá, irmão de Lula (foto de Marcos Fernandes)
Por Alexandre Oltramari: “Em sua edição passada, VEJA trouxe uma reportagem revelando que o biólogo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, atuou como lobista no governo de seu pai. Em parceria com o sócio e velho amigo Kalil Bittar, Lulinha, como é conhecido, empenhou-se em favor da Telemar, a mesma empresa que o brindara com mais de 10 milhões de reais nos últimos dois anos. A reportagem também informou que, entre o fim de 2003 e julho de 2005, Lulinha e Kalil, sempre que desembarcavam em Brasília, tinham sala e ramal privativo no escritório do lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS, investigado pela Polícia Federal por corrupção, contrabando e tráfico de influência. Assim que as notícias vieram a público, deu-se o ritual dos desmentidos de praxe (...) Em sua negativa, APS não falou a verdade. O lobista conversou com VEJA em três oportunidades sobre o assunto. (...) Em outro trecho da conversa, convidado a aparecer na reportagem que VEJA preparava contando sobre seu relacionamento com o filho do presidente, APS disse que antes precisava consultá-los. ‘Eu tenho de combinar com o Kalil também’, disse ele, simulando a seguir a conversa: ‘Kalil, fui procurado e vou dizer que vocês vieram para cá. Não posso mentir’. Em seguida, ponderando sobre o impacto que a revelação teria sobre a dupla, APS ponderou: ‘O Kalil eu acho que é mais responsável. Mas o Fábio não agüenta a porrada, não’.” Assinante clica aqui
SÃO SEBASTIÃO –Em outubro de 2005, VEJA revelou que o irmão do presidente Lula, Genival Inácio da Silva, conhecido como Vavá, atuava como lobista em órgãos do governo federal (pois é, parece uma tendência genética). Na semana passada, um dos clientes de Vavá citados na reportagem, o empresário português Emídio Mendes, voltou ao noticiário. Dono do Riviera Group, um conglomerado que atua nos setores imobiliário, turístico e energético, Mendes está sendo investigado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e pela Polícia Federal. O empresário, apontado como pivô de um esquema de corrupção na prefeitura de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, é suspeito de ter pago propina ao prefeito Juan Pons Garcia (PPS), em troca de mudanças escusas na legislação que regulamenta o mercado imobiliário na regiãoAssinante clica aqui
Por Reinaldo Azevedo | 04:23 | comentários (4)

Foi um vexame: a "Síndrome Motorista de Táxi" derrubou Lula
Comecemos pelo fim: este foi o confronto em que o tucano Geraldo Alckmin teve o melhor desempenho, e o petista Luiz Inácio Lula da Silva, o pior. Dos quatro debates havidos neste segundo turno, o pessedebista venceu três (Band, Record e Globo), e Lula, apenas um (SBT). Evidência: Alckmin venceu quando jogou no ataque. No SBT, testou aquela linha tecnocrático-propositiva. Isso, com Lula, que é chegado a uma generalidade a um senso comum, é sempre um perigo. Mas o dia e o formato do embate da Globo foram particularmente perversos para o petista.

Síndrome Motorista de Táxi
O leitor vai entender direitinho o que é isso. A maioria dos motoristas, cansados de conduzir os passageiros pra lá e pra cá o dia inteiro, ficam tendo idéias sobre como solucionar os problemas da humanidade: do buraco de rua à crise em Bagdá, eles sempre têm uma resposta. O Casseta & Planeta até aproveitou esse furor propositivo da categoria num quadro de humor.

Reparem que, na maioria das vezes, as coisas que dizem são irrespondíveis. Não que estejam certas. Ocorre que vêm formuladas de uma maneira, digamos, impenetrável. Olham para você e mandam ver: “Esse governo dá muito mole pra bandido, não dá?”. É claro que concordamos com ele. Mas vai saber o que ele quer dizer com isso... Pena de morte? Linchamento? Regime de Segurança Máxima? Ou então: “Vou falar pro senhor: política é uma merda. Se eu não ficar aqui 15 horas dirigindo, não ponho comida em casa”. De novo, ele tem razão. Mas o que será que ele quer? Ditadura? Revolução? Só reclamar da vida? É por isso que quase sempre nos limitamos a ouvir e a anuir com o que é dito. Entrar em detalhes pareceria difícil ou pernóstico. Ou imaginem: “Sabe o que é? Na democracia, a crise da representação...” Esqueça. Ele não quer saber o que você pensa. Quer dizer o que ele pensa.

O candidato que se diz popular, “do povo”, que conhece a linguagem da ruas, deu-se mal justamente com essas obviedades que se falam na rua. A Cristiane Santana, do Rio, por exemplo, afirmou conhecer um monte de gente desempregada. Um irmão seu está sem trabalho há um ano. Eis aí: um jornalista jamais faria uma pergunta como essa. Mesmo um candidato não a formalaria com tal crueza. De que valem os 7,5 milhões de empregos que Lula diz ter criado? O irmão da Cristiane o desmente. Aí, o Dêivison fala da violência. Muitos amigos já morreram. Os problemas ganham dimensão concreta.

Realidade atrapalha. E sem ficha
A realidade tomada em sua particularidade é sempre pior para um candidato da situação. Por uma razão simples: problemas sempre existirão. Se aqueles que estão ali são indecisos, sinal de que estão, quando menos, em dúvida na avaliação das respostas até agora apresentadas pelo governo. Em tese, Lula nadaria de braçada porque saberia falar aquela linguagem. Mas esqueceu. Ele se tornou uma espécie de idiota da macroeconomia, opondo sempre números gigantescos a questões muito particulares.

Pior: como os candidatos, a exemplo dos debates que acontecem nos EUA, são obrigados a ficar transitando no palco, gesticulando, falando, o petista não pôde consultar as suas fichas. Restou-lhe o recurso de acusar todo mundo por tudo. Chegou, como costuma acontecer, às caravelas de Cabral. Também tentou ser irônico e desqualificar as respostas de Alckmin. Caiu na grosseria pura e simples. Chamou o Programa Bolsa-Cidadão do governo de São Paulo de “cheque sei lá das quantas”.

Ultrapassagem
O tucano, ao contrário, soube lidar melhor com as minudências levadas pelos indecisos porque tem grande facilidade de memorizar números. Ao contrário de Lula, gosta de detalhes. Conseguia transformar os problemas privados em questões de administração pública. E fez pelo menos três grandes ultrapassagens (fosse uma corrida): quando exigiu respeito ao programa Bolsa-Cidadão; quando, aludindo à indagação de Lula sobre “de onde iria tirar o dinheiro” para seus programas, provocou: “Pensei que ele fosse dizer de onde saiu o dinheiro do dossiê”. E quando afirmou que os líderes do PCC estão na cadeia, mas os da quadrilha que operavam no governo estão soltos.

Lula pode ter sido prejudicado também pelo salto alto. Por mais que ele mesmo tenha dito ser preciso evitá-lo, mal conseguia disfarçar a irritação. Ao ir para o debate com 20 ou mais pontos de vantagem nas pesquisas — segundo os institutos ao menos —, transpirava impaciência. Alckmin também jogou bem melhor sem a bola, quando sabia que, mesmo sendo hora da resposta do outro, estava enquadrado pela câmera: alternava sinais de negativo com a cabeça com um rosto tranqüilo, um sorriso quase sempre amistoso, raramente um tanto cínico. Lula, ao contrário, fechava a cara, olhando por baixo, como quem está sendo desafiado e se prepara para dar um pito.

A eleição é amanhã. Em que esse debate pode alterar o resultado? Talvez leve para Alckmin uns pontos a mais, evitando que Lula fique na casa dos 60% dos válidos. Mas quem vai saber. Eu já disse o que penso sobre a avaliação dos debates. Se você fizer agora uma pesquisa, o resultado óbvio será o seguinte: Lula ganhou. Afinal, ele está na frente. As coisas se confundem. Mas não ganhou. Levou uma sova feia. Estando certos os institutos, no entanto, é claro que não dá pra reverter o resultado.

Mas é fato que quem viu o debate, e isso inclui os eleitores convictos de Lula, não teve como não constatar que o tucano tem mais preparo. Em 2002, o Brasil escolheu quem tonha menos. E, agora, tudo indica, fará o mesmo. Lula, quem diria?, levou o maior tropeção nos debates justamente quando o tal “povo” entrou na conta.
Por Reinaldo Azevedo | 01:24 | comentários (147)

Aviso
Vou escrever primeiro a análise. Depois releio a (quase) transcrição e faço as correções. Aguardem um pouco aí. Já volto com o texto sobre o debate.
Por Reinaldo Azevedo | 00:23 | comentários (164)

Debate na Globo 4 - Goleada do candidato tucano
Alckmin pergunta para Lula – Eleitores indecisos falam de saúde, educação, meio ambiente, transportes, habitação... Não conseguiu fazer a pergunta...
Lula responde – O povo levou para lá os problemas que sempre houve, mas que começaram a ser resolvidos. Todo mundo sabe que é o governo federal que põe dinheiro em programas sociais, com exceção do “cheque não sei das quantas” (refere-se ao programa de renda mínima de SP). As pessoas sentem que há melhora substancial na saúde. No Rio, quem põe dinheiro na saúde é o governo federal.
Réplica de Alckmin – Pede respeito. São 170 mil pessoas que recebem o Bolsa-Cidadão; 720 mil pessoas que recebem leite; 250 mil pessoas na frente de trabalho; 170 mil jovens na bolsa-escola. Saúde não está boa, educação não está boa. Há o desemprego.
Tréplica de Lula – Qualquer brasileiro sabe que 90% dos programas sociais foram criados pelo governo federal. Foi obra dos movimentos sociais. Promete mais 300 mil jovens no ProUni.

Lula pergunta a Alckmin – Vai falar da segurança. Alckmin não disse de onde vem o dinheiro da segurança. Quando Alckmin deixou o governo, apareceu o PCC. Insiste: de onde vem o dinheiro da segurança?
Alckmin responde – Quando Lula perguntou de onde veio o dinheiro, achou que ele fosse dizer de onde veio o dinheiro do dossiê. Diz que o PCC não é ligado a seu partido, não. Diz que os homicídios caíram pela metade em SP. Mário Covas, que está lá em cima, assistindo, vai saber que seu sonho foi realizado. Não foi ele que cortou dinheiro do Fundo de Segurança, do Fundo Penitenciário.
Tréplica de Lula – Se, depois de 12 anos, Alckmin deixou o PCC, imaginem o que aconteceria com o Brasil. Diz que a Febem é uma casa da produção de crime. Diz que só Alckmin ganhou com o dossiê.
Réplica do Alckmin – A quadrilha do PCC está no Presídio. A quadrilha d