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O MRI (Movimento de Reparação aos Indiodescendentes) vai fazer a sua primeira ocupação. Nossa pauta, vocês sabem, é expulsar do Brasil os eurodescendentes e os afrodescendentes. Onde vocês querem instalar a nossa primeira “aldeola” (versão indígena do "quilombola")?



a – na Vieira Souto, no Rio (no Country Clube, é claro);



b – na Praia do Forte, na Bahia (no resort, é claro);



c – nos Jardins, em São Paulo (no Hotel Fasano, é claro);



d – Nos Lençóis maranhenses (sem o Sarney, é claro);



e – Lá na divisa do Acre com o Peru (Tupã nos livre, é claro)
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ARQUIVO ESPECIAL
Nos Emirados Sáderes

ARTIGOS EM VEJA
O DIREITO SÓ PODE SER ACHADO NA LEI - 27/8/2008
A bolacha na telinha e a nossa liberdade - 30/7/2008
As ONGs do fim do mundo - 18/6/2008
O que eles querem é imprensa nenhuma - 7/5/2008
Que falta faz um Voltaire - 2/4/2008
Fidel e o golpe da revolução operada por outros meios - 27/2/2008
O Foro de São Paulo não é uma fantasia - 30/1/2008
O pastor e o pensador - 12/12/2007
A crença na "cultura da periferia" é coisa de gente com miolo mole - 5/12/2007
Capitão Nascimento bate no Bonde do Foucault - 10/10/2007
Restaurar é preciso; reformar não é preciso - 12/9/2007
O Movimento dos Sem-Bolsa - 8/8/2007
A Al Qaeda eletrnica - 20/6/2007
Gramsci, o parasita do amarelão ideológico - 16/5/2007
Crime e castigo dentro de nós - 28/03/2007
O politeísmo de um Deus só - 28/02/2007
A seita anticapitalista e a tristeza do Jeca - 07/02/2007
Sou "doente" mas sou feliz - 27/12/2006
É preciso civilizar os bárbaros do PT - 1º/11/2006
Governante bom é governante chato - 11/10/2006
E o feio se tornou bonito... - 13/09/2006
Urna não é tribunal. Não absolve ninguém - 06/09/2006

  

BLOG
Reinaldo Azevedo

Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas – Tradução de Mário Faustino)

Sábado, Outubro 21, 2006

Fora do ar. Aviso do Blogger
"Saturday, October 21, 2006
Blogger's down. We're working hard. Sorry and all that. A critical piece of hardware and its backup have both failed."
*
E a coisa ainda está claudicante. Vamos ver.
Por Reinaldo Azevedo | 23:55 | comentários (19)

E o outro, claro, é Marcelo Coelho
A outra besteira do dia, também nada surpreendente, é de autoria de Marcelo Coelho. Como nada de extraordinário está acontecendo no Brasil ou na campanha eleitoral, dedicou sua coluna a generalidades sobre a disputa para chegar ao lugar a que sempre chega quando não está lendo Harry Potter. Coelho não gosta de FHC. Glosando Montaigne ou tentando ser o papai sabe-tudo, no fim, quem apanha é sempre o ex-presidente. Assim ele conclui sua coluna de hoje: “O rótulo [de privatista] funcionou para associar a candidatura Alckmin ao impopularíssimo governo Fernando Henrique Cardoso. O debate eleitoral tornou-se, em boa medida, um julgamento dos anos FHC; Alckmin poderia ser muito melhor candidato do que é, mas do ponto de vista eleitoral paga um preço altíssimo por essa ‘herança maldita’”. Opinião é como a parte terminal do aparelho digestivo: todo mundo tem. Que se reconstituam os números das pesquisas e a trajetória de Alckmin, e se vai verificar que o governo FHC ficou fora da disputa a maior parte do tempo. Tempo em que Alckmin perdia no primeiro turno! O episódio do dossiê levou ao segundo, e então começou a campanha terrorista do PT, à qual os tucanos não conseguiram responder. Se Alckmin perdia “sem o governo FHC” e perde agora “com o governo FHC”, tal fator é irrelevante. Mas aí Coelho fica sem assunto para suas orelhas iluministas. Herança maldita? Este senhor escreve sobre política, economia e educação sentimental. Eu duvido que ele saiba o que é ou para que serve a Taxa Selic, por exemplo. Compõe o enorme batalhão da imprensa que toca flauta para o PT. Nesse sentido, Mino Carta e Paulo Henrique Amorim são bem mais honestos: não têm nenhum pudor em exibir os joelhos escalavrados.
Por Reinaldo Azevedo | 17:49 | comentários (96)

Cony precisa voltar a ser cronista de pet shop
Muitos leitores se perguntam por que Lula está sendo reeleito, mesmo com toda a óbvia roubalheira havida nestes quatro anos. É claro que há razões de ordem econômica — ou paraeconômica. Lula transformou o assistencialismo em máquina eleitoreira. Mas não é só isso. Conta também com prosélitos na classe média, os chamados intelectuais. Dois artigos na Folha de hoje dão conta da delinqüência intelectual que toma conta do debate. Um deles é de Carlos Heitor Cony, de que falo primeiro.

Escreve o homem na página 2: “A questão das privatizações voltou ao debate político, trazida pelo PT, que encontrou em seu adversário eleitoral, o candidato Geraldo Alckmin, um único pecado realmente grave: é do PSDB, partido que no governo desastrado de FHC privatizou empresas e só não vendeu o Pão de Açúcar porque não encontrou comprador. Em principio, não sou contra as privatizações, algumas delas eram necessárias e trouxeram benefícios à economia nacional. Contudo, o processo que presidiu as privatizações foi um escândalo dos maiores de nossa história. Os intermediários, corretores, conselheiros e economistas ganharam fortunas vendendo na bacia da almas alguns nacos do patrimônio nacional.”

Cony tinha uma cadela sobre a qual costumava escrever textos líricos. Infelizmente, a bichinha morreu. Fazendo crônicas para agradar velhinhas de pet shop, ele era bem mais divertido. Chato é que lhe dêem um espaço nobre no jornal — a nobreza possível hoje em dia — para exercer a sua ignorância ligeira. O gracejo sobre o Pão de Açúcar é uma pilantragem intelectual. Isso é que ganhar dinheiro fácil (arte em que Cony é mestre) com imagem vagabunda!

Ah, mas ele não quer parecer um velhinho atrasado! Isso nunca! Não é contra as privatizações — “em princípio”, é claro. Segundo diz, “algumas” (não fala quais) eram necessárias, mas depois fala de escândalos e da venda do patrimônio público “na bacia das almas”. É mentira que as estatais brasileiras tenham sido vendidas a preço baixo. As empresas do sistema Telebrás valiam em bolsa, algum tempo depois, muito menos do que o valor pelo qual foram privatizadas. Ignora-se que, à esteira da privatização, houve investimentos de mais de R$ 100 bilhões, o que não teria acontecido se fossem estatais.

Mas é daí? A especialidade de Cony é fazer prosopopéia sobre cadelinhas. Só escreve sobre privatizações quando está sem assunto e ninguém fez xixi no tapete. Depois Cony se mete a falar de forma desastrada sobre o tamanho da dívida pública, confundindo tudo, com se a venda das estatais é que tivesse sido responsável pelo seu aumento. O raciocínio idiota, dele e de outros que pensam como ele, consiste em supor que o único objetivo da privatização era pagar a dívida. Esse era um efeito secundário. Precisávamos das privatizações para ter investimento. Acho que Cony não adotou nenhuma cadela nova. Cabeça desocupada é a morada do capeta.

Outra coisa: indecente é receber a indenização mensal que ele recebe — próxima de R$ 20 mil, se é que já não foi corrigida — por ter sido uma suposta vítima da ditadura. E não foi só, não, leitor amigo: ele levou ainda R$ 1,5 milhão numa bolada só. Por quê? Ah, porque sua carreira de jornalista teria sido interrompida pelo golpe militar. O jornal em que ele trabalhava não existe mais. Ele foi premiado como se, sem o movimento militar, pudesse ter atingido o topo da carreira: diretor de redação, suponho — duvido que os herdeiros do dono do jornal estejam tão ricos quanto ele. Ah, coitadinho! Cony foi demitido e ficou na rua da amargura, é isso? Que nada! Virou homem forte de Adolfo Bloch, no grupo Manchete, então muito forte, e jamais teve problema para comprar papa fina para suas cadelas. Escrevia crônicas lindas sobre o mármore rosa de sua sala...

referindo-se a casos como o seu, o ministro Gilmar Mendes, do STF, observou que se trata de uma "verdadeira distorção ou patologia, que muito se aproxima de um estelionato". É o que eu também acho. Cony deveria doar a dinheirama do “patrimônio público” aos desdentados e voltar a enganar velhinhas de pet shop com texto sobre cadelinhas amorosas.

Ah, sim: os que não gostarem deste texto tenham a bondade de enviar e-mails de solidariedade pra ele em vez de e-mails de protesto pra mim.
Por Reinaldo Azevedo | 17:07 | comentários (173)

ENTRE OUTROS ASSUNTOS, LEIA:
- O FILHO DE LULA EM VEJA: LOBISTA E MILIONÁRIO
- OS PETRALHAS E O ÓDIO À INDEPENDÊNCIA: VIVA A VEJA, VIVA A VAIA
- DIOGO E O GARGANTA PROFUNDA
Por Reinaldo Azevedo | 05:25 | comentários (135)

Estratégia do grupo de Alckmin: então tá...
Informa José Alberto Bombig na Folha de hoje: "Mesmo 19 pontos atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o Datafolha, o tucano Geraldo Alckmin não deve transformar o final da corrida ao Planalto em um "vale-tudo eleitoral".O "vale-tudo", avalia o grupo próximo a Alckmin, provocaria rejeição ao o ex-governador.O grupo também argumenta que Alckmin teria de mudar radicalmente o perfil de político conciliador e técnico. A guinada confundiria o eleitor.Foi essa a linha que prevaleceu no debate do SBT anteontem à noite e que será mantida na campanha da TV e no debate de segunda, na TV Record.Alckmin tentará virar o jogo com criticando o governo, o presidente e o PT, mas sem abordar assuntos familiares ou pessoais, parecendo respeitoso."
Por Reinaldo Azevedo | 05:09 | comentários (129)

Vedoim e sua propina de mãe
Não sou investigador de Polícia, repórter investigativo ou algo semelhante. Mas certas coisas chamam a atenção. Vejam o que informa Hudson Corrêa e Leonardo Souza na Folha deste sábado: “O empresário Darci José Vedoin, 60, confirmou ontem à Justiça Federal em Cuiabá que a máfia dos sanguessugas subornou Abel Pereira, amigo do ex-ministro da Saúde no governo FHC e atual prefeito de Piracicaba (SP), Barjas Negri (PSDB). (...) Luiz Antônio entregou à Justiça, no dia 14 de setembro, comprovantes de depósitos e cópia de nove cheques, totalizando cerca de R$ 600 mil. Segundo o empresário, os valores correspondiam a propina paga a Abel. Luiz Antônio disse que Abel conseguiu a liberação de R$ 3 milhões a R$ 3,5 milhões no Ministério da Saúde, no fim de 2002, devido à sua ligação com Barjas." Leia íntegra aqui. Estranho... Uma propina de nada menos do que 20% para emendas que já estavam liberadas, fora o que ainda tinha de ser pago a parlamentares e prefeitos? Huuummm. A Polícia que investigue. Mas é inverossímil. Isso não é pagamento de corruptor, é generosidade de mãe...
Por Reinaldo Azevedo | 05:00 | comentários (14)

Veja 4 - Diogo e os R$ 150 mil de Freud Godoy
A coluna de Diogo Mainardi chama-se “Lula é o PT”. Acompanhem: “Na última terça-feira, Garganta Profunda me passou os dados de um documento bancário de Freud Godoy, encaminhado pelo Coaf à Polícia Federal. Em 24 de março de 2004, ele depositou 150 000 reais na conta da empresa de sua mulher, Caso Sistemas de Segurança. Importante: 150 000 reais em moeda sonante. No documento bancário, Freud Godoy declarou que o dinheiro era fruto de ‘serviços prestados a clientes’. Isso contradiz tudo o que ele alegou até agora. Num primeiro momento, disse que sacou os 150 000 reais para comprar equipamentos. Depois, informou que pediu um empréstimo a um amigo. Mentira. Não foi saque nem empréstimo: foi um depósito. O fato é que ninguém sabe de onde saiu tanto dinheiro e por que foi parar na conta do gorila particular de Lula. (...). Em 23 de março de 2004, um dia antes de Freud Godoy depositar 150 000 reais na conta de sua mulher, foram sacados 150 000 reais da conta da SMPB, de Marcos Valério, no Banco Rural. Tudo em moeda sonante. Tudo de origem desconhecida. (...) Na época do depósito, Freud Godoy era assessor direto de Lula. (...) Lula está praticamente reeleito. Os brasileiros o perdoaram. Mas a bandidagem da qual ele se cercou continuará a rondá-lo para sempre. (...) Lula é Delúbio Soares. Lula é Marcos Valério. Lula é o golpismo do mensalão e do dossiê Vedoin. Abra a porta, Lula. Toc-toc-toc.”
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Por Reinaldo Azevedo | 04:43 | comentários (19)

Veja 3 - "Five-fingers" em Congonhas

Por Júlia Duaili: "Ao inaugurar, em dezembro do ano passado, parte das obras de ampliação e modernização do Aeroporto de Congonhas, na cidade de São Paulo, o presidente Lula elogiou o então presidente da Infraero, Carlos Wilson, pela 'dedicação' e pela 'contribuição extraordinária que fez ao Brasil'. Dez meses depois, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União começam a desvendar o lado obscuro de uma contribuição extraordinária de Wilson. Superfaturadas, as obras podem ter causado ao Erário uma perda superior a 100 milhões de reais. Com base em ampla pesquisa de mercado realizada pelo TCU, o Ministério Público constatou preços de 31% a 252% acima dos de mercado num conjunto de 29 produtos e serviços. O caso mais escandaloso é o da compra das chamadas pontes de embarque (ou fingers, em inglês), que dão ao passageiro acesso ao avião. A Infraero pagou ao consórcio vencedor a bagatela de 2,2 milhões de reais por unidade. Com base em outras compras idênticas feitas pelo poder público, o TCU constatou que cada finger não custaria mais do que 630.000 reais. Também houve superfaturamento de 226% nos serviços de fundação da obra. Cobraram-se, por exemplo, 354,15 reais por estacas que não deveriam custar mais de 108,60 reais. "
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Por Reinaldo Azevedo | 04:16 | comentários (26)

Veja 2 - O PT e o coronelismo da era digital
Por Otávio Cabral: “O PT e seus aliados de esquerda sempre amargaram um medíocre desempenho eleitoral no Nordeste. Em 2002, mesmo com Lula vencendo a eleição para presidente da República, o fiasco na região só não foi total graças à vitória de Wellington Dias para o governo do Piauí. Desde a proclamação da República, o poder na região é exercido pelos chamados coronéis – pessoas com dinheiro e influência que sempre conduziram o processo político de acordo com suas conveniências. Essa antiga máquina de produzir votos, que nas últimas três décadas esteve a serviço de partidos como PFL e PMDB, está mudando de cara. Dos cinco governadores nordestinos eleitos no primeiro turno, três são petistas: Jaques Wagner, da Bahia, Wellington Dias, do Piauí, e Marcelo Déda, de Sergipe. O governador eleito do Ceará, Cid Gomes, irmão do ex-ministro Ciro Gomes, é do PSB e tem um petista como vice. Em dois dos quatro estados onde haverá segundo turno, os candidatos apoiados pelo PT estão liderando as pesquisas: Eduardo Campos, em Pernambuco, e Wilma de Faria, no Rio Grande do Norte, ambos do PSB. Pela primeira vez na história, o PT e seus aliados tiveram mais votos no Nordeste do que os caciques tradicionais. Esses resultados poderiam ser comemorados como a correção de um vergonhoso defeito da democracia brasileira – o da compra de votos. Infelizmente, não é bem assim. A ascensão dos petistas nordestinos ao poder, ao contrário do que se imagina, não representa o fim do caciquismo político ou do voto de cabresto. Saíram de cena os velhos coronéis de revólver na cintura para dar lugar a uma liderança na aparência mais moderna, mas nem por isso menos perniciosa. ‘A vitória dos aliados de Lula no Nordeste é a vitória do coronelismo da era digital. O cartão do Bolsa Família é a institucionalização da compra de votos’, diz o deputado José Carlos Aleluia, do PFL baiano.”
Por Reinaldo Azevedo | 04:10 | comentários (20)

Veja 1 - O Estalo de Lulinha: de monitor de zoológico a milionário, o filho de Lula, os amigos, o lobby e as relações com o encrencado APS
Lulão (ao fundo) e Lulinha em montagem publicada pela Veja (fotos de Lula Marques/Folha Imagem e Luciana Prezia/AE)
Quando o debate é crescimento econômico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a estranha tese de que se deve evitar a comparação do Brasil com outros países. Diz ele que ela tem de ser dar com o nosso próprio desempenho. Talvez pense o mesmo sobre escândalos. Pois bem... Mesmo comparando o padrão de seu governo com o histórico da moralidade pátria, estamos diante de uma realidade de assustar. Alexandre Oltramari conta em detalhes a formidável ascensão de Fábio Luiz da Silva, filho do presidente Lula, na Veja desta semana.

Em entrevista à Folha, o Apedeuta afirmou que Lulinha é o seu “Ronaldinho”, atribuindo a seu garoto — nem tanto assim: já tem 31 anos — dons fenomenais. Quem leu a história da Veja e se decepcionou porque “não seria uma bomba atômica” está sob o que eu chamaria “Efeito Esculhambação”: estamos começando a perder a noção do certo e do errado, a ficar sem parâmetros. Que Lulinha era monitor de Jardim zoológico até o fim de 2003 e hoje é um milionário, disso nós já sabíamos, é fato. As oposições sempre evitaram tocar no assunto porque seria “questão pessoal”. Coisa nenhuma!

Até os 28 anos, esse rapaz ganhava R$ 600. Padre Vieira, conta a lenda, era um tanto idiota. Teria tido uma dor de cabeça, um desmaio, e acordado gênio. O episódio ficou conhecido como “O Estalo de Vieira”. Pois bem, já se pode falar de um “Estalo de Lulinha”. O cara era monitor de zebra, paca e girafa até outro dia. O pai chega à Presidência, e ele se torna um fenômeno, um Ronaldinho dos negócios. A reportagem de Veja não é repeteco de nada, não. E vai muito além do que era conhecido.

O que não é novo
Já se sabia, em síntese, que, em novembro de 2003, Lulinha havia se tornado sócio de Fernando e Kalil Bittar, filhos de Jacó Bittar, amigo de Lula, numa empresa que acabou resultando na Gamecorp. Também era sabido que a Telemar — uma concessão pública, com quase metade do capital dividido entre o BNDES e fundos de pensão — injetara nada menos de R$ 15 milhões no empreendimento, tornando-se sócia dos rapazes. Também não é novidade que esses empreendedores “alugam” hoje seis horas diárias da grade do Canal 21 (mesmo grupo da Band) e que, após o contrato, o canal até mudou de nome: PlayTV. O mercado publicitário — isso não está na Veja, estou afirmando eu, especula sobre uma eventual venda de gaveta do já antigo Canal 21 para estes empedernidos schumpeterianos.

O que não se sabia
O que é novidade — e é coisa da maior gravidade — é que Lulinha e seus amigos se tornaram, na prática, lobistas com trânsito no Palácio do Planalto. E com tal força, que a lei que regula as teles só não foi mudada porque a própria Veja noticiou a associação da Telemar com a Gamecorp em julho do ano passado.

Leiam um trecho da reportagem: “O caso de Lulinha tem uma complexidade maior. Sua relação com a Telemar não se esgota nos interesses de ambos na Gamecorp. O filho do presidente foi acionado para defender interesses maiores da Telemar junto ao governo que o pai chefia. Em especial, em setores em que se estudava uma mudança na legislação de telecomunicações que beneficiava a Telemar. VEJA descobriu agora que a mudança na lei foi tratada por Lulinha e seu sócio Kalil Bittar com altos funcionários do governo. O assunto levou a dupla a três encontros com Daniel Goldberg, titular da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE). Em um desses encontros, ocorrido no início de 2005, Lulinha e Kalil, já então sócios da Telemar, sondaram o secretário sobre a posição que a SDE tomaria caso a Telemar comprasse a concorrente Brasil Telecom – fusão que a lei proíbe ainda hoje. Goldberg, ciente do obstáculo legal, disse que o negócio só seria possível mediante mudança na lei. O estouro do escândalo Lulinha abortou os esforços para mudar a legislação e favorecer o sócio do filho do presidente.”

Seria só isso?
Mas não é só isso. Lulinha e seus amigos passaram a ter uma relação íntima com APS. Tão próxima, que ganharam uma sala exclusiva na mansão em que o homem trabalha. Ops! Quem é APS? A Veja explica:

O lobista Alexandre Paes do Santos é homem de relações perigosas e de uma vasta ficha criminal. APS, como ficou conhecido em Brasília, fez carreira – e, posteriormente, fama policial – no submundo das negociatas da Esplanada dos Ministérios, aproximando-se de raposas da política e cultivando a imagem de personagem misterioso e poderoso. As estripulias de APS nas sombras de Brasília vieram a público em 2001, quando a Polícia Federal apreendeu a agenda do lobista. Ali, escondia-se o inventário das atividades subterrâneas de APS, como pagamentos de propinas a parlamentares e funcionários do governo, histórias de chantagens e esquemas de superfaturamento em contratos com órgãos públicos. Minucioso e detalhista, o lobista anotava na agenda valores de suborno ao lado da letra "K", que os investigadores descobriram tratar-se de um código que correspondia ao acréscimo de três zeros ao valor registrado. Ao lado de nomes de deputados e servidores públicos havia, por exemplo, a inscrição "50K" (ou 50 000, reais ou dólares).”

E a Veja prossegue: “Além da sala, APS também colocou sua frota à disposição da dupla. Quando Lulinha e Kalil começaram a freqüentar o escritório do lobista, seus deslocamentos por Brasília eram feitos em Ford Fiesta. Com cerca de 1,90 metro de altura, Kalil reclamou que o Fiesta era desconfortável e disse que gostaria de um carro mais espaçoso. APS substituiu o Fiesta por um Omega. Enquanto despachavam na mansão de APS durante o dia, Kalil e Lulinha eram hospedados na Granja do Torto ou no Palácio da Alvorada, residências oficiais da Presidência da República. Quando isso não era possível, Kalil ia para o hotel Blue Tree, a menos de 1 quilômetro do Alvorada. Não se conhecem bem as razões pelas quais Lulinha e Kalil mantinham uma sala no escritório do lobista de métodos heterodoxos. O que faziam ali? Por que despachavam dali? Em busca dessas respostas, VEJA descobriu que a sala foi cedida a Lulinha e Kalil como parte de um acordo dele com a francesa Arlette Siaretta, dona do grupo Casablanca, um conglomerado de 54 empresas que, entre outras atividades, faz produção de filmes e eventos, gravação de comerciais e distribuição de DVDs.”

Bem, queridos leitores, vejam o resto na revista. Vocês gostarão de saber como foi que Siaretta foi introduzida nas altas esferas do círculo petista, como isso passou a lhe render dinheiro e o quanto isso beneficiou Kalil Bittar, o grande amigo de Lulinha. Volto à questão que muitos me fizeram: isso vira a eleição? Virar a eleição não é tarefa de revista nenhuma, mas dos eleitores e da maior ou menor importância que a moralidade pública possa ter nas suas escolhas. Uma coisa eu sei: a reportagem noticia com desassombro o que apurou. Com muito mais coragem do que as oposições tiveram até agora. E olhem que a revista não disputa o poder.
Por Reinaldo Azevedo | 02:39 | comentários (61)

Vai mudar tudo?
Vocês viram apenas a capa da revista. Seria conveniente esperar a reportagem, não? É uma bomba atômica para mudar o rumo da eleição e da história? Sei lá eu! O que vocês esperavam? Que a Veja decretasse a ilegalidade da candidatura de Lula? Isso não cabe à revista, à imprensa, ao jornalismo. Cabe-lhes relatar, como se verá logo mais, o que foi apurado. E as instituições que cumpram a sua vocação. O fato é que, até agora, a história de Fábio Luiz da Silva era inexpugnável. As próprias oposições, como sabemos, se negaram e ainda se negam a tocar no assunto. O candidato tucano Geraldo Alckmin evitou o tema em todos os debates. Os leitores têm o direito de conhecer a fantástica vocação schumpeteriana do filho do presidente que se quer simpático ao socialismo. “Vai dar para tirar a diferença até o outro domingo, tio Rei?” Há gente que faz revista para salvar candidatos e garantir os brioches e as trufas de cada dia. Veja não faz nem para salvar nem para derrubar. Apenas cumpre um compromisso com o leitor.
Por Reinaldo Azevedo | 01:15 | comentários (131)

A capa. Logo vem mais
Por Reinaldo Azevedo | 00:49 | comentários (68)

Na Veja: "Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho"
Ao tentar explicar o tremendo sucesso de seu filho Fábio Luis, cujo enriquecimento é um caso raro no mundo dos negócios, o presidente Lula disse: "Deve haver um milhão de pais reclamando: 'por que meu filho não é o Ronaldinho?' Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho." É, pois é... Nem todo mundo pode.
Por Reinaldo Azevedo | 00:24 | comentários (79)

Sexta-feira, Outubro 20, 2006

Verdades, mentiras e verossimilhanças
Por prudência, jamais afirmo que o que dizem os petistas “é verdade”. Vocês viram o que aconteceu com os que andaram dando atestado de boas maneiras a Freud Godoy, né? Então, no máximo, sustento que as coisas que dizem são verossímeis ou inverossímeis. Conforme antecipei aqui, Dirceu havia falado com Jorge Lorenzetti. Ele e seu esquema midiático se encarregaram de vazar primeiro a informação — sem citar o nome do churrasqueiro, que também falou com Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula (mais um homem do presidente no rolo).

Carvalho diz que só falou com Lorenzetti porque, quando soube das prisões, ligou para indagar que diabo havia acontecido. Querem saber? Até que acho a sua história verossímil, embora, obviamente, seja mais um dado a evidenciar a intimidade de Lula com os aloprados. Mas o que realmente torna tudo mais sério é o telefonema de Dirceu. Justamente para o chamado “chefe da inteligência” da campanha? E justamente no meio da bagunça toda?

Lembram-se aquela frase de Talleyrand sobre os Bourbons? “Não aprenderam nada. Não esqueceram nada”. São os petistas. Dirceu continua onde sempre esteve. No comando. No poder. A esquerda, historicamente — e desafio alguém a me demonstrar o contrário —, nunca viu qualquer mal em recorrer ao que estivesse ao seu alcance para executar o seu projeto. Lula está nesse meio, ainda que por oportunismo e porque, poderia dizer Cora Rónai, ele “é um bom pai”.

Uma boa pauta para os jornais: do que andam vivendo os petistas todos que, aparentemente, caíram em desgraça? Com que dinheiro vão ao supermercado e pagam água, luz, condomínio, telefone, escola das crianças? Dirceu, a minha anti-Conceição... “Estranhos caminhos pisou”, e, “ao descer, subiu”.
Por Reinaldo Azevedo | 23:34 | comentários (66)

E viva a "Veja". E viva a vaia!
Nunca, como hoje — e é a razão principal por que não estou conseguindo postar na velocidade costumeira —, recebi tantos comentários me esculhambando. Entram na lista dos petralhas, claro, a Veja, o Diogo Mainardi, e, suspeito, entraria o Espírito Santo caso a Pomba Sagrada descesse à terra para anunciar que Lula é um falso Messias. Dariam uma estilingada nela. É uma coisa impressionante.

Sabem o que acho mais chocante? Se a disputa estivesse ao menos empatada — ou se fosse pequena a distância entre Lula e Alckmin, pouco importando quem estivesse na frente —, eu até compreenderia tanta manifestação de ódio. Ou, ao menos, eu não a consideraria patológica. Mas não. Imaginem se o Ibope estiver certo: Lula dará um verdadeiro banho eleitoral. Deveriam estar comemorando, fazendo festa, dançando. Que nada! Estão em casa ou sei lá onde destilando seu ódio, sua vocação para a unanimidade, para o discurso único, para a ditadura.

É claro que isso é coisa de militância organizada. É curioso. A palavra de ordem nestas hordas é “Delenda Veja”, a revista que tomam como inimiga. E nem se sentem constrangidos em usar como exemplo de jornalismo, imaginem só, a Carta Capital. É aquela revista que teve acesso à fita em que o delegado Edmilson Bruno vaza o disquete com as fotos da dinheirama e tem o topete de cortar os trechos que não servem aos propósitos da suposta reportagem-denúncia. E corta por quê? Para fabricar uma farsa e tentar provar que TV Globo liderou um complô para levar as eleições para o segundo turno.

Ali Kamel, editor executivo de jornalismo da Globo, responde à acusação em texto publicado no site Observatório da Imprensa (clique aqui para ler). Seus argumentos são irrespondíveis. Tramóia é editar uma fala que desautoriza uma tese de gabinete, pensada na medida exata para satisfazer as vontades de um grupo político — não por acaso, daquele que costuma pagar as contas. Interessante: há certo jornalismo que ainda está por aí assombrando as consciências e que já é cadáver adiado. Continua vampirizando as boas intenções de alguns tolos, mas já não consegue produzir mais nada de útil.

A Carta Capital, por si mesma, chega a tão pouca gente, que parece perda de tempo dedicar mais do que duas linhas à sua irrelevância. Só o faço porque ela é, assim, o Pestana da tropa. “Pestana” é aquela personagem do conto Um Homem Célebre, de Machado de Assis. Seu sonho era fazer uma sinfonia, mas só conseguia fazer polca. Mino Carta, o comandante da revista, tem ambições de ser intelectual, político, artista plástico, Richelieu de Apedeuta, uma espécie de decano do “verdadeiro jornalismo”, de que Paulo Hernique Amorim, agora fora da Globo, se pretende caudatário. Este foi outro que procurou fazer estardalhaço com a tal fita-bomba do delegado.

Qual o problema dessa gente toda com as grandíssimas Veja e Globo ou com os indivíduos, homens-célula, Diogo Mainardi ou Reinaldo Azevedo? Simples: a gente publica ou leva ao ar coisas que eles não gostam de ler ou de ver e ouvir. Reparem que nunca denunciam uma “mentira”. Estão sempre tentando denunciar uma intenção. Porque assim agem os policiais de consciência. Eu digo sobre a matéria de capa de Carta Capital: é MENTIRA que tenha havido uma conspiração da Globo para empurrar a disputa para o segundo turno. Mas a Carta não poderá dizer: “É mentira que a gente tenha omitido trechos da fala do delegado”. Porque omitiu.

Nos tempos em que a palavra de ordem é “somos todos canalhas”, ou “somos todos corruptos”, ou “somos todos ladrões”. Eu digo: NÃO SOMOS, NÃO! Cada um fale por si. Há muitas diferenças entre a “nossa” moral e a “deles”, para citar um texto célebre de Trotsky, subvertendo bastante as intenções do original. A “nossa” moral não precisa da mentira e da omissão para denunciar complôs em nome do bem; a "nossa" moral não precisa condescender com “males menores” na suposta defesa do “bem maior”; a “nossa” moral não reconhece como legítimos o roubo e a ilegalidade em nome da causa.

Não posso falar em nome da Veja ou da Globo. Nem mesmo em nome de Diogo Mainardi, meu amigo. O bom de você não ser um “deles” é não ser, a exemplo dos demônios, uma legião chefiada por um diabo anão, também anão moral. Mas posso falar em meu nome: não terão descanso enquanto não se ajoelharem, lá vai, no altar da ortodoxia constitucional. Acabo de conceder uma entrevista a um dos principais jornais dos EUA — não é o NYT, Lula! A pauta deles é curiosa. Falaram comigo como um dos poucos jornalistas brasileiros que ainda não se renderam ao lulismo ou ao petismo. Nem eu sabia que cabíamos numa Kombi.

Podem continuar a patrulhar à vontade. Comentários de petralhas andaram vazando por causa do volume de comentários. Daqui a pouco, faço um serviço de desratização. Não, não vou mudar. Meu blog não é estatal. Já nasceu privatizado. Aqui, aparelhista leva pé no traseiro.

E viva a Veja! E viva a vaia!
Por Reinaldo Azevedo | 23:04 |