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| Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas – Tradução de Mário Faustino) |
| Sábado, Setembro 09, 2006 |
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Eles na TV: é só bater direito, que eles gritam
Como é mesmo? O PT não responderia a ataques? Não responde só quando não dói. Se doer, dá até resposta preventiva, a exemplo do que fez no horário eleitoral deste sábado. Sabendo que Geraldo Alckmin havia ido à BR 316, no trecho que passa pelo Maranhão, onde o Jornal Nacional havia acabado de constatar a lástima, o partido de Lula acusou a “demagogia” do adversário antes mesmo que o programa do tucano fosse ao ar. Até ali, Lula seguia o padrão “Brasil Grande” da ditadura militar. Lula não faz campanha, mas ameaça: se ele não for reeleito, nada do que está em curso continua. E isso o TSE deve achar normal e parte da liberdade de expressão. Mas não se pode dizer que os mensaleiros eram da turma de Lula... A ameaça tem como alvo os beneficiários do Bolsa Família. É uma chantagem com os miseráveis. Inventaram ainda uma outra maneira de mentir menos: jogam o número de obras do governo nas alturas e dizem que elas foram ou “estão sendo” realizadas. Bem, “estão sendo” é pau para toda obra, certo? É o caso da Universidade Federal do ABC. Passei em frente ao terreno agora há pouco. “Está sendo realizada”... Trata-se de um terreno que pertencia à Garagem Municipal, em Santo André. Sempre foi murado. A obra “está sendo” feita? Sim. Já pintaram uma placa dizendo que ali será a universidade um dia. O programa de Lula também atribui a ele a auto-suficiência de petróleo. No dia em que vem à luz a matéria da Veja que demonstra que dinheiro público imprimiu material de propaganda do partido, Lula promete “continuar o combate à corrupção”. Fazer o quê? Segundo o Datafolha, 44% dizem que ele é o mais preparado para governar o Brasil. Lula se considera ungido. Preparado? Nem ele ousaria tanto... Alckmin O PSDB soube aproveitar direito o descalabro da BR 316, uma das rodovias federais em petição de miséria. O bilionário programa tapa-buraco de Lula, obviamente, não dá conta de casos como o mostrado tanto no JN como no programa de Alckmin. Ali, não é possível maquiar a realidade. Alckmin estava na estrada, com jeans, no meio do povo. Funcionou. Aliás, sempre que o programa avança no pescoço de Lula, a coisa funciona. Houve outras críticas, aí mais genéricas e mais leves. Eu realmente tenho curiosidade de saber como o grande público, até mesmo os beneficiários do Bolsa Miséria, reagiriam ao caso Lulinha, o agora milionário dono da Gamecorp. A Telemar, de que o BNDES (banco público) é sócio, fez um negócio de pai para filho com o rapaz. Só que ele é filho de Lula, não da Telemar... Bem, de todo modo, o programa de Alckmin teve pegada, Mas poderia ter sido bem mais duro. Ademais, a gente viu: quando o soco pega no fígado, eles reagem. |
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Por Reinaldo Azevedo | 21:44
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Duas coisinhas
Duas coisas rápidas, que tenho de sair. Alguns me perguntam cadê a história do passarinho... É isso. Já não damos mais bola para escândalos de R$ 11 milhões. Ficamos muito exigentes em matéria de corrupção... Cinema – Mais violentos que os petralhas é a patrulha, como diria Cacá Diegues, do cinema nacional. Já há gente revoltadinha com o meu texto na Veja sobre O Maior Amor do Mundo. “Com tanta gente competente, foram chamar logo você?” Pois é... |
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Por Reinaldo Azevedo | 15:28
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Por que o Brasil não cresce?
Deveria ter postado antes, mas as idéias do texto não envelhecem, mesmo com atraso. Há um artigo importante hoje no Estadão assinado pelos economistas José Roberto Mendonça de Barros, Luiz Carlos Mendonça de Barros e Paulo Pereira Miguel. Eles se propõem a começar a responder a questão que está logo no título: “Por que o Brasil não cresce?” Sem dúvida, esta será a questão posta daqui para a frente para o Brasil, especialmente em face de uma provável — de fato, já em curso — mudança no cenário externo. Afinal, os únicos satisfeitos com o crescimento brasileiro parecem ser o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega. Bem, melhor ler quem entende de economia. Seguem um trecho do artigo e link: “O resultado decepcionante do produto interno bruto (PIB) do segundo trimestre plantou a semente da dúvida a respeito das condições de crescimento da economia brasileira, mesmo sob condições aparentemente favoráveis. Não apenas o Brasil está muito atrás dos outros países ‘emergentes’, mas estamos passando a vergonha de crescer menos que a Europa e o Japão. Os mais otimistas - e certamente o governo, a portas fechadas - estão tentando achar explicações para tão fraco desempenho. Afinal, estão dadas muitas das condições consideradas necessárias para um crescimento maior e mais consistente que o dos últimos anos. São elas, entre outras: um forte ajuste das contas externas, a queda do risco País, a convergência da inflação para as metas, alguma redução na taxa de juros real - embora ainda alta sob qualquer critério - e a manutenção de um superávit primário suficiente para estabilizar a relação dívida/PIB. Há ainda uma combinação de estímulos conjunturais importantes, que em outras situações seria suficiente para retirar a economia da letargia: o crescimento mundial acima de 4% ao ano e a acelerada expansão do crédito e dos gastos públicos. (...) Por que o Brasil não cresce? O ponto de partida da explicação é a simples constatação de que o País não investe o suficiente. Há problemas sérios tanto na política macroeconômica quanto nos mal compreendidos ‘fatores microeconômicos’.No que se refere à questão macroeconômica, não há dúvida que a combinação atual das políticas fiscal, monetária e cambial está errada e resulta em baixo crescimento. Os gastos públicos estão na raiz da questão: sua contínua expansão compromete a eficiência da economia, pois, financiada por uma alta e crescente carga tributária, contribui para os juros altos e o câmbio valorizado. O resultado é a crescente asfixia do investimento privado. (...) (...) O mundo certamente vai desacelerar em 2007, principalmente os Estados Unidos. A China tem galgado novos níveis de sofisticação industrial e está competindo com países intermediários, como o Brasil, em todos os mercados. Em 2007, não tenhamos dúvidas, tudo o que os chineses não venderem aos Estados Unidos será direcionado para mercados como o brasileiro. O vazamento da demanda interna para o exterior será então ainda maior.” Para ler a íntegra, clique aqui |
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Por Reinaldo Azevedo | 15:23
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Veja 5 - Escrevo sobre "O Maior Amor do Mundo"
Taís Araújo (Luciana) e José Wilker (Antônio) no filme O Maior Amor do Mundo, de Cacá DieguesNa Veja desta semana, escrevo sobre o filme O Maior Amor do Mundo, de Cacá Diegues, que estreou na quinta-feira. Seguem trechos e link: “O filme (...) prova que, ‘nestepaiz’, só o individualismo é mais pecaminoso do que o lucro. A idéia de que o indivíduo é responsável por seus atos ofende os órfãos pidões, tutelados pelo Estado. No filme, o astrofísico Antonio (José Wilker), de volta ao Brasil depois de fazer carreira nos Estados Unidos, visita o pai adotivo num asilo e obtém pistas de sua mãe verdadeira. O útero é metáfora da pátria. Ele está com câncer e quer unir as duas pontas da vida. Na busca, o racionalista e um tanto apatetado Antonio se apaixona pela suburbana sensual Luciana (Taís Araújo). O clichê celebra sua vitória (...). Não se denunciam mazelas, a exemplo do que fazia o antigo Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes. Elas são antes uma verdade afirmativa. O CPC cantava ‘feio não é bonito’, ‘o morro existe, mas pede para se acabar’. Hoje, o morro reivindica identidade. Uma certa Central Única das Favelas (Cufa) fornece mão-de-obra e metafísica a Diegues. Queremos ser conscientizados pelo oprimido. No livro Genealogia da Moral, o filósofo alemão Nietzsche vê no servo que reivindica o direito de falar como servo o fim da civilização.” Clique aqui para ler mais |
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Por Reinaldo Azevedo | 05:22
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Veja 4 - Diogo: previsões certas que deram errado
“Lula vai perder em 2006 porque o PT será identificado como o partido que desvia verbas para financiar campanhas eleitorais. Que persegue a imprensa. Que segue a tradição coronelista de distribuir esmolas em troca de votos. Que compra o apoio de outros partidos com malas cheias de dinheiro. Que se alia desavergonhadamente a políticos que sempre combateu. Que dá carta branca a seu tesoureiro em reuniões ministeriais. Que protege os amigos do presidente.” Esse era Digo Mainardi em novembro de 2004, antes de estourar o caso do mensalão. Depois Roberto Jefferson contou tudo, em junho de 2005, e Diogo virou o “Oráculo de Ipanema” . Ele continua: “No ano passado, quando Lula parecia morto, cobri-me de glória. Os devotos vinham depositar oferendas na porta de casa”. Mas Lula está de pé, e o colunista segue: “Chegou a hora das pedradas. Podem atirar. Eu fico parado. Ui! Ai!”. É... A razão por que Diogo errou acertando tanto é um relato da nossa miséria. Clique aqui para ler íntegra |
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Por Reinaldo Azevedo | 05:03
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Veja 3 - A cláusula de barreira
A Veja traz uma boa e didática reportagem sobre a cláusula de barreira e explica por que podem restar de quatro a cinco partidos no Brasil — felizmente! Por Marcelo Carneiro: “A eleição deste ano para a Câmara dos Deputados terá um impacto inédito no cenário político brasileiro. Pela primeira vez entrará em vigor a cláusula de barreira – dispositivo criado por lei em 1995 com a finalidade de garantir que os partidos que disputam as eleições tenham um mínimo de representatividade. Para isso, a nova regra estabelece, entre outras coisas, que: 1) só terão direito a representação na Câmara os partidos que conquistarem, pelo menos, 5% do total de votos válidos na eleição para deputado federal – hoje, esse índice é de 2% –; e 2) as legendas terão de eleger representantes em pelo menos nove estados, com um mínimo de 2% de votos em cada estado. Os partidos que não conseguirem cumprir essas exigências perderão o acesso a dois instrumentos fundamentais para a sua sobrevivência: tempo na propaganda gratuita de rádio e TV e dinheiro do fundo partidário, recurso que sai dos cofres públicos. Pela lei, as siglas que não obtiverem os 5% de votos exigidos terão direito a menos de 1% do dinheiro do fundo. Pelos parâmetros de hoje, isso daria algo em torno de 55.000 reais por ano para cada agremiação. Partido nenhum sobrevive com tão pouco. (...) Nas últimas eleições para a Câmara, em 2002, apenas sete dos dezenove partidos que elegeram deputados conseguiram atingir o mínimo de 5% dos votos válidos. Se a cláusula de barreira já estivesse em vigor naquela ocasião, partidos como PSB, PDT, PPS e PCdoB estariam hoje no limbo. Para as próximas eleições, analistas políticos afirmam que apenas quatro partidos – PMDB, PT, PSDB e PFL – estão, seguramente, a salvo da guilhotina da cláusula. Quanto aos outros 25 partidos com registro no Tribunal Superior Eleitoral, seu destino é incerto” Clique aqui para ler mais |
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Por Reinaldo Azevedo | 04:44
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Veja 2 - A roubada petista do fim do voto secreto
Confiem no Tio Rei, hehe. Lembram-se que, logo de cara, nos primeiros minutos, alertei aqui para o fato de que a história do fim do voto secreto — exceção feita para as cassações — era uma roubada? Não fosse, não estaria sendo patrocinado pelo PT. Acho que a ficha de todo mundo já caiu. Vejam trecho de matéria na Veja, de Otavio Cabral: “Até na hora em que tudo se encaminha para fazer o certo a Câmara dos Deputados consegue errar. Na semana passada, com um placar de maioria arrebatadora – 383 votos a favor, nenhum voto contra e 4 abstenções –, os deputados aprovaram o fim do voto secreto para qualquer votação. A idéia inicial, acertada entre os líderes de todos os partidos, era acabar com o anonimato apenas em cassações de parlamentares, pois há um consenso de que o sigilo do voto ajudou enormemente a produzir a escandalosa safra de absolvições de mensaleiros. Seria uma medida saneadora. Talvez dificultasse o festival de impunidade e teria ainda a vantagem de o eleitor ficar conhecendo o voto de seu deputado. Na última hora, porém, a bancada governista entrou em ação e conseguiu fechar um acordo para acabar com o voto secreto para toda e qualquer votação. Assim, na eleição da direção da Câmara, na apreciação de um veto presidencial, na indicação de um embaixador ou ministro do Supremo Tribunal Federal, as votações seriam abertas. Na aparência, é uma iniciativa positiva, que radicaliza a democracia no Parlamento e atende aos anseios da opinião pública, que repudia as absolvições em série. No fundo, é uma armadilha. Estabelecido na Constituição de 1824 para a análise das nomeações do imperador aos tribunais e ampliado mais tarde para uma vasta gama de matérias, o voto secreto não é um mal em si. Há situações em que está a serviço da independência e da liberdade do parlamentar. 'O voto secreto é uma garantia histórica do Parlamento ante o poder central', diz o cientista político e historiador Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília (UnB)." Clique aqui para ler mais |
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Por Reinaldo Azevedo | 04:35
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Veja 1 - Escândalo: você, leitor, pagou cartilha usada pelo PT para fazer propaganda de Lula; ministro do TCU tenta barrar divulgação do caso
![]() Escândalo não falta. Ele está aí. A questão, como diria aquele passarinho da madrugada, é o que se vai fazer com ele. Márcio Aith, da Veja, conta uma história cabelula envolvendo o governo Lula, o PT e, vá lá, modestos (para os padrões petistas) R$ 11 milhões. É de estarrecer. Para resumir, o caso é o seguinte: o TCU notou que faltava à Secretaria de Comunicação (Secom), aquela então comandada por Luiz Gushiken, comprovar ao menos R$ 11 milhões dos gastos anunciados. Havia suspeita de superfaturamento em serviço. Descobriu-se coisa pior. O governo mandou imprimir 5 milhões cartilhas sobre as maravilhas do governo Lula. Não havia prova da entrega de pelo 2 milhões delas, totalizando aquele dinheiro. A Secom, muito decente, provou que não era um caso de superfaturamento. É que o material foi parar diretamente nas mãos do PT, o que o partido admite. Sim, vocês entenderam: o governo encomendou o material, pago com o seu dinheiro, leitor, e entregou para o partido começar a fazer campanha. O que os petistas dizem? Que fizeram isso para economizar dinheiro público; assim, dizem, poupou-se o custo da distribuição. O escândalo parou aí? Não. Agora ele se volta para o próprio TCU. Leiam o que relata Márcio Aith: “O ministro Ubiratan Aguiar, relator do caso, distribuiu seu voto aos demais ministros na terça-feira passada. Nele diz, em resumo, que a explicação oficial tornou o caso ainda mais problemático. Aguiar considera que houve uma inadmissível confusão entre os interesses do governo e os de um partido político que não vem a ser uma agremiação qualquer, mas o PT, que dá sustentação política ao atual governo e por cuja legenda o presidente da República concorre a um segundo mandato. De acordo com Aguiar, o fato de o processo referir-se a material gráfico de propaganda é outra agravante, uma vez que é tênue a linha que separa a publicidade do Estado da simples propaganda eleitoral. (...) Aguiar pediu a abertura de um processo de tomada de contas especial para apurar o fato, ouvir a versão dos envolvidos e aclarar o papel que tiveram no episódio o ex-ministro Luiz Gushiken, que comandava a Secom, e os publicitários contratados pelo governo. O relatório de Aguiar não foi votado ainda pelo plenário. Outro ministro do TCU, Marcos Vilaça, pediu vistas do processo, o que atrasará o julgamento. Antes de pedir vistas, o ministro Vilaça tentou convencer seu colega Aguiar a suavizar o relatório. O pedido foi rechaçado. Vilaça pediu, então, ao ministro relator que retardasse a divulgação de seu voto e a deixasse para depois das eleições. Outra negativa. Vilaça, então, obteve a ajuda de outros ministros para barrar a publicação do voto de Ubiratan Aguiar no Diário Oficial. Pendengas entre ministros do TCU são comuns. O que é incomum, no caso, é um dos ministros, Marcos Vilaça, trabalhar não para aclarar as coisas, mas para tentar influir no voto de um colega e conseguir que seu conteúdo seja censurado.” Clique aqui para ler mais |
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Por Reinaldo Azevedo | 04:24
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Tou ficando bom nisso...
Viram só? Lancei aqui a candidatura de FHC à Presidência do PSDB (nota postada às 15h54 de ontem), e não é que existe mesmo uma movimentação política neste sentido? Tanto melhor assim. Vejam a nota que abre o Painel da Folha neste sábado: “Sob a espuma criada pelo manifesto de Fernando Henrique Cardoso aos eleitores do PSDB existe um movimento para transformá-lo em presidente do partido no período que, a julgar pelo previsto nas pesquisas, deverá coincidir com o início do segundo mandato de Lula. A solução FHC é vista como resposta ao medo de desagregação da sigla pós-derrota eleitoral e da exploração a ser feita, por Lula e pelo PMDB, da disputa anunciada entre Aécio Neves e José Serra pela vaga tucana na sucessão de 2010.Geraldo Alckmin gostaria de ficar com a presidência do PSDB caso não consiga conquistar a da República. Mas os prováveis vitoriosos deste ano não têm nenhum motivo para lhe dar tamanho presente.” Clique aqui para ler íntegra do Painel |
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Por Reinaldo Azevedo | 03:47
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Escrevendo com as orelhas
Vai voar, coelhinho?Não há mais dúvida: FHC marcou um golaço ao escrever a tal carta. Tanto que o articulista Marcelo Coelho, da Folha, não gostou. Sempre que ele deixa de lado suas atividades de babá para pensar política, o céu da razão obscurece. As pessoas são livres para opinar, felizmente. Até Coelho. Pode-se fazê-lo com ou sem inteligência. O articulista começa falando uma inverdade ao dizer que FHC, dia desses, lamentou a falta de Carlos Lacerda. Não lamentou. O ex-presidente usou o político como exemplo de crispação retórica. Aliás, a Folha fica devendo um “erramos”. Basta ler o jornal do dia para ver que o contexto não era de endosso a Lacerda. Coelho diz que a carta é constrangedora. Constrangedora é a mentira. O pior é que, me contam, ele não cuida de criança melhor do que pensa. Depois, evoca a famosa frase que o tucano nunca disse: “Esqueçam o que eu escrevi” e afirma que, talvez, fosse boa idéia. Ele não conhece a obra de FHC. Se conhecesse, saberia que não há motivo para esquecer nada. A sua obra intelectual é compatível com sua obra política. Eu topo provar isso para Coelho num debate livro sobre livro. Mas ele não vai porque estará lendo Harry Potter para seu filhinho de 4 anos, conforme, me dizem, tem narrado em seu blog. O garoto ainda não lê sozinho? Desse jeito, não será o primeiro de Hogwarts. Outros vão aprender a voar primeiro. E, claro, o texto não faria jus às orelhas se não terminasse afirmando que todo mundo é igual. É claro que nada do que vem dessa pena me estranha. Esse é o rapaz que disse, certa feita, que Anatole France escreveu que o direito de dormir debaixo da ponte era o único que igualava ricos e pobres. Anatole France, é claro, nunca escreveu isso. Quer ler a íntegra, leia |
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Por Reinaldo Azevedo | 03:29
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TSE proíbe campanha da Petrobras
Por Silvana de Freitas, na Folha deste sábado: “Uma liminar do ministro do Tribunal Superior Eleitoral Cesar Asfor Rocha proibiu a veiculação da campanha da Petrobras sobre o biodiesel, que estava no ar desde o dia 2 deste mês. Corregedor-geral eleitoral, o ministro também mandou notificar Luiz Inácio Lula da Silva para que ele apresente defesa sobre um pedido de abertura de investigação contra ele por abuso de poder político (uso da máquina administrativa). Relator de uma representação de Geraldo Alckmin, contra a propaganda da Petrobras, o ministro considerou que a estatal promovia de forma indevida a candidatura de Lula. O próprio presidente explorou o tema do biodiesel no seu horário eleitoral nos dias 29 e 30 de agosto e 5 de setembro.Em tese, a investigação judicial por abuso de poder político, se aberta, pode resultar na condenação de Lula à perda de novo mandato se ficar comprovado que a publicidade teve o potencial de garantir sua vitória." Clique aqui para ler mais |
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Por Reinaldo Azevedo | 03:10
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Jornalismo busca crise, e Alckmin, estrada
Onde há solução, uma parte do jornalismo está querendo ver problema. Ontem, a ordem do dia era decretar uma crise na campanha de Geraldo Alckmin por causa da carta de FHC (ver abaixo). O candidato tucano à Presidência tinha agendado uma visita a cidades do ABC paulista em companhia de José Serra, candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB. Cancelou. Logo surgiram as especulações. A crise era tão grave, tão grave, que ele tinha até suspendido a sua agenda. Bobagem. Ele estava metido numa complicada operação para tentar chegar junto com a caravana da TV Globo um trecho intransitável da BR 316, no interior do Maranhão. José Alberto Bombig conta a história na Folha de hoje. Clique aqui para ler mais |
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Por Reinaldo Azevedo | 03:06
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| Sexta-feira, Setembro 08, 2006 |
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Lula no RS e um pouco de Latim para ele
Depois de ter comparado a oposição aos nazistas na conversa com evangélicos, o Apedeuta afirmou, em comício em Santa Maria (RS), que os seus adversários só ganham as eleições se mudarem o povo. Segundo ele, está faltando pouco para que isso seja dito. Huuummm... Não seria assim uma idéia tão má. É uma pena que não seja possível, hehe. Mas eis aí o Lulinha Paz e Amor que planta aqui e ali que pretende fazer um governo de conciliação nacional. A cada vez que Lula abre a boca, a carta de FHC mais e mais se justifica. Como também se evidencia a covardia de setores de oposição. Lula sataniza um dos primados básicos da democracia: quem se opõe a ele não pensa diferente dele: é contra o povo. E, claro, “nazistas” são os outros. Disse ainda ser uma “pedra no sapato deles”. “Deles” quem, cara pálida? Com certeza não é daqueles que lucram com os juros reais mais altos do mundo, não é mesmo? Em parte, é verdade, esses juros são pagos com a sua ignorância de causa. Qualquer conversa com alguma tecnicalidade dá um beiço no homem. “Pedra no sapato”, aliás, é uma expressão bem interessante. Vamos brincar de etimologia, leitor amigo? Vocês sabiam que a palavra “escrúpulo” deriva da palavra latina “scrupulum” (ou “scripulum” ou, ainda, “scrupulus”)? Sabe o que era? Uma pedra pequena. Era a pedra pequena que entrava na sandália do romano e ficava incomodando. Tio Rei está lembrando das aulas de Latim... Os substantivos abstratos do Latim têm quase sempre uma origem bem material. Por metáfora, o “escrúpulo” é, então, algo que incomoda, um impedimento, um limite. É verdade: a origem de Lula fez com que as oposições o vissem com “scrupulum”, uma pedrinha na sandália. Foi uma bobagem, claro. Já disse que ele toma Black Label desde 1980. Tanto escrúpulo com Lula fez com que ele próprio não tivesse escrúpulo nenhum. |
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Por Reinaldo Azevedo | 23:57
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Documento histórico. Magister dixit
Há mais ainda sobre a carta. Justamente porque dá um caminho para o principal partido de oposição — ou a briga será dura —, o texto tem importância histórica. Em primeiro lugar, porque é o mais duro, contundente e lúcido texto a descrever o que é o governo Lula; em segundo lugar, mas não menos importante, porque não teme ferir suscetibilidades e chamar de diferença o que, vejam só..., é diferente. Tenho alguns queridos amigos, que prezo demais, que acham psicanálise uma besteira, um truque, quase uma feitiçaria. Eu não acho. Hoje menos, mas já fui um leitor aplicado, compulsivo até, do velho do charuto. O que vou falar a seguir pode parecer banal, mas quem passou pela experiência sabe. Há coisas que nos cercam que conhecemos plenamente, que fazem parte até da nossa rotina, que têm importância basilar nas nossas vidas, mas para as quais não damos a mínima. No processo analítico, devidamente contextualizadas e a depender da cadeia de eventos em que se inserem, iluminam o nosso entendimento sobre o conjunto da obra (no caso, a nossa vida privada). O que faço acima é tentar traduzir o sentido da palavra “insight” no processo analítico. Não se trata de nenhuma grande revelação, de nenhum achado extraordinário, de nenhuma lembrança ou descoberta que nos deixa estupidificados, nada disso. Isso, que é tão pessoal, que se estabelece na relação do indivíduo com o seu analista, pode ser percebido também nos processos sociais. Porra, amiguinhos! O PSDB consegue ver o governo FHC — que é o governo do partido — ser satanizado e se mostra incapaz de defendê-lo!? Os tucanos não conseguem demonstrar, por exemplo, o bem que a privatização da Telebrás fez a todos nós? Permite que continue essa pregação botocuda, ordinária, indigna, contra as privatizações? Não houve no mundo expansão dos serviços de telefonia — e isso é cidadania — na dimensão em que houve no Brasil. E, no entanto, esses pterodáctilos vão à televisão exercitar a sua glossolalia vagabunda. O que é que há? Tem de cair a ficha. Hora do insight. Ou essa gente que vá plantar batatas. Se for assim, antes de voltar ao Planalto, que o PSDB se descubra — ou redescubra — na planície. FHC chamou para si a responsabilidade. E fez muito bem. Estava começando a haver pusilanimidade de sobra à volta. Fez mal para Alckmin? Muito ao contrário. Fez um bem enorme. Quando menos, lembrou a ele e aos demais que há uma história nisso tudo a ser respeitada. Magister dixit. |
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Por Reinaldo Azevedo | 23:27
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FHC blinda PSDB de cooptação. Ou haverá racha
Os petistas estão dizendo por aí que a carta de FHC acabou sendo um tiro no pé porque ruim para o próprio Alckmin. É uma besteira. Seu efeito eleitoral é praticamente igual a zero. O candidato tucano precisa é do grande eleitorado, aquele que nem jornal lê. Não vai nem ficar sabendo desta carta. Diante dela, não a leria inteira. A questão é outra. Reitero: o alvo é muito mais o público interno. Sim, dá um puxão de orelha nos tucanos que se mostram incapazes de defender a herança virtuosa de seu mandato — e ela existe —, mas isso é o de menos. A indagação que ele faz é outra: “Afinal de contas, vocês querem o quê? Qual Brasil?” Isso, sim, é relevante. E se apresenta para a briga. Poderia tê-lo feito antes? Talvez. Mas antes agora do que mais tarde. O que ele está fazendo é demarcando terreno. Nenhum aventureiro vai enfiar a mão do partido e levá-lo para uma linha de apoio branco ao governo Lula caso este seja mesmo reeleito, como tudo indica. Depois dessa carta — e é preciso entender isto —, o ex-presidente acena, quando menos, com um racha. Entenderam o peso do negócio? A carta cria uma impossibilidade prática de apoio do PSDB a Lula, ainda que informal. Porque ela irá reverberar sempre. E quem quiser apoiar terá de a) deixar o partido; b) abrir uma frente interna de disputa e medir forças. O texto também tem peso histórico. (ver nota acima). Tiro no pé, nada. É um compromisso com o futuro. |
| Por Reinaldo Azevedo | 23:03 | |