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Avesso do Avesso

ENQUETE
Barack Obama éo franco favorito à Presidência dos EUA. Caso não se eleja, qual deve ser o seu destino?



Converter-se ao catolicismo, tornar-se padre em duas semanas, bispo em dois meses e se candidatar a papa;



Candidatar-se a secretário-geral da ONU e dar início, então, ao movimento para criar o governo mundial;



Mudar-se para o Brasil e disputar a presidência da Fundação Cacique Cobra Coral;



Mudar-se para o Brasil, filiar-se ao PT e disputar com Lula a condição de maior milagreiro do Ocidente;



Continuar a fazer discursos que já nascem históricos e a fazer uma história que já nasce póstuma.
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Governante bom é governante chato - 11/10/2006
E o feio se tornou bonito... - 13/09/2006
Urna não é tribunal. Não absolve ninguém - 06/09/2006

  

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Reinaldo Azevedo

Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas – Tradução de Mário Faustino)

Sábado, Agosto 05, 2006

Lula, o Riobaldo do sertão mental
Lula fez seu primeiro comício em São Paulo. Foi em São Mateus, um bairro pobre da Zona Leste, vizinho a Santo André. Ele agrediu os fatos, os adversários, a lógica e, como sempre, qualquer manejo sustentável da língua portuguesa. Mandou bala, Riobaldo de São Bernardo, jagunço-filósofo para encantar deslumbrados. Vejam o que disse: “Aqueles que me agridem mais é nos Estados deles que vou ter mais voto". Os doutores da chamada Comunicação e Expressão, que repudiam a gramática, diriam que o enunciado é perfeito. Afinal, entendemos o que ele quis dizer, certo? O objetivo da comunicação é ser eficiente. E ele continuou: “Eles estão nervosos porque imaginavam que eu ia ganhar a eleição, ia tomar posse, e, em três meses, a coisa tinha acabado, mas não acabou, como melhorou. Eles ficam pensando ‘agora vem um metalúrgico metido a besta que quer saber mais que nós´. Eu não sei mais do que eles. Eu não sei mais do que eles. Eles estudaram mais do que eu, mas não é só com racionalidade que se governa". E agora Riobaldo: “O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo... Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.” A diferença é que Lula não tem poesia — na suposição de que o outro tenha, o que nunca achei; não é do meu agrado. Essa abordagem é pistolagem gramatical e ideológica. Lula só não tem diploma porque tem preguiça; porque sempre escolheu o caminho mais fácil. Estudar dá trabalho. Quanto a governar sem racionalidade, bem, vá lá, faz sentido.
Por Reinaldo Azevedo | 17:22 | comentários (32)

Cristovam alerta para tese golpista. E está certo
O candidato do PDT à Presidência da República, Cristovam Buarque, voltou a alertar para o risco de o PT tentar alguma saída autoritária, especialmente se Lula vencer as eleições no primeiro turno. Não há nada de exótico na tese. Cristovam se referia especificamente à proposta de se fazer uma Constituinte para encaminhar a reforma política: “Imagine um presidente sair com cerca de 50 milhões de votos e com um congresso constituinte. Ele vai ditar a Constituição porque tem o poder de liderança e tem o poder executivo que pode corromper através das práticas mensaleiras que já se viram no passado". Segundo ele, caso se realize a tal constituinte, trata-se de “uma polegada antes do golpe”. Cristovam sabe o que diz. Era um deles até anteontem e conhece por dentro a "cultura democrática" do PT.
Por Reinaldo Azevedo | 17:02 | comentários (16)

A enquete

Vocês não podem passar sem uma enquete, já percebi. “Você acha que Lula fez bem em mandar uma carta à ONU apoiando o cessar-fogo?” Quem se importa com essas imaterialidades?. Vamos ao que tem peso:

Na Crítica da Razão Pura, Kant observa que a palavra “mundo”, “no sentido transcendental de totalidade absoluta do conjunto das coisas existentes”, indica uma totalidade incondicionada porque deve incluir todas as condições da série dos finitos reais.

a) Isso supõe que o regresso do condicionado à condição, que pode prosseguir infinitamente, seja esgotado e cumprido até compreender todas as condições;
b) Se é pra complicar, eu chamo o Paulo Arantes;
c) Perguntarei a Marisa Letícia, agora que ela deu início a sua “inserção internacional”;
d) Isso tá mais complicado que a tradução que o Houaiss fez do
Ulisses;
e) Tomara que você sonhe com o Emir Sader
Por Reinaldo Azevedo | 05:31 | comentários (79)

"Vão bater lata" — meu texto no Globo de hoje
Trechos do meu texto no Globo deste sábado: “Vou voltar ao tempo da minha catapora trotskista — todos temos direito a uma bobagem na vida. Eu me curei cedo. A crise no Brasil é de liderança. Só que não da classe operária, mas das elites, estejam onde estiverem: na academia, nos partidos, no jornalismo ou numa casinha de sapé. A capacidade de se dizer bobagem no país é superior à multiplicação de malabaristas em sinal de trânsito e de funkeiros e moleques que batem lata instruídos por ONGs. Se burrice fosse poesia, John Donne e Yeats seriam lidos nas esquinas. Se fosse música, nasceria um Mozart por dia; se fosse prosa, Machado de Assis seria o nosso escritor de segundo time. A esta altura, a esquerda, que agora aprendeu a ser otimista (ela era mais interessante quando odiava o capitalismo), já se pergunta: “Mas por que este reaça está tão pessimista? Confesso que fiquei um tanto chocado, constrangido até — é quando fico sem fala, o que é raro — com o debate lançado pelo Babalorixá de Banânia sobre uma Constituinte ad hoc para fazer a reforma política. A idéia, que classifiquei de “Golpe dos Juristas”, ganhou o assentimento de alguns luminares do direito e da universidade porque, vejam só, disse um deles: “Esse Congresso não faz nada mesmo.” Um dos medalhões do colunismo político saudou em seu jornal: ‘Finalmente, Lula teve uma boa idéia.’ Ives Gandra, com quem concordo em muita coisa, disse “sim”, mas fez uma exigência: ‘Há de ser uma Constituinte sem políticos.’ Pensei em subir algum morro no Rio ou ir para a periferia de São Paulo para me juntar a Regina Casé e também bater lata.” Clique aqui para ler mais
Por Reinaldo Azevedo | 04:59 | comentários (16)

Água no feijão, que chegou mais um...
No Painel de hoje da Folha:
"Mais um.
Tanto no depoimento de quinta quanto na nova conversa com membros da CPI, ontem, Luiz Antonio Vedoin disse que o petista José Airton Cirilo contatou o prefeito de Campinas, Doutor Hélio (PDT), para montar um esquema de fornecimento de ambulâncias ao município.
Pistas.
De forma cifrada, Vedoin filho sugeriu aos membros da CPI investigar emendas no Ministério do Turismo e máfias que atuariam na venda de medicamentos para o governo com notas frias
." Para ler todo o Painel, clique aqui
Por Reinaldo Azevedo | 04:52 | comentários (9)

E Dunga é a Supernanny da Seleção...
E por falar em Supernanny (ver nota abaixo sobre a coluna de Diogo Mainardi), é o que Dunga promete ser na Seleção Brasileira em entrevista nas páginas amarelas da Veja. Huuummm, não sei, não... Leia pergunta e resposta.
"Veja Você andou dizendo que vai se inspirar na lição das mães para esse trabalho na seleção. O que significa isso exatamente?
Dunga – Costumo falar nas minhas palestras que a gente sempre busca um líder na política, na guerra, nas batalhas, mas no fundo o maior líder que a gente pode encontrar é a nossa mãe. Porque quem tem mais paciência nos momentos mais turbulentos de uma família? É a mãe, a mulher. Quem mais quer que seu marido, seus filhos, se dêem bem na vida? É a mãe. Quem tem mais paciência do que uma mãe? Nos momentos mais difíceis da vida, a mãe sabe usar sua autoridade. E sempre na hora certa." Íntegra da entrevista para assinantes
Por Reinaldo Azevedo | 04:43 | comentários (15)

Diogo de volta ao jornalismo cultural? Será?
“Agora que Lula acabou”, Diogo Mainardi se vê algo tentado a voltar para o jornalismo cultural. Será que ele suporta? Afinal, “Cultura é o tema mais rasteiro que há. Entretenimento vem em segundo lugar. Passei os últimos quatro anos simulando interesse pela bestialidade lulista, engolindo minha repulsa por ele. Foi só por isso: para me afastar temporariamente da cultura.” Mas ele faz uma primeira (re)incursão e esbarra no jornalista Marcelo Coelho, no “cineasta petista Jorge Furtado” e no cantor e compositor Caetano Veloso. Alguns trechos:
“Posso garantir que Marcelo Coelho tem infinitamente mais a dizer sobre filhos malcriados do que sobre Stendhal. Com admirável habilidade, ele soube dar um novo rumo à sua carreira. Marcelo Coelho virou a Supernanny da imprensa
“Na matéria do Globo, Furtado diz que fez cinco campanhas para o PT. Depois se desiludiu com a política. (...) O Globo é como eu. Fala sobre Lula só para tentar escapar das estreitezas da cultura. Se cultura é Furtado, melhor falar sobre Lula.
“Tenho medo de Caetano Veloso. Ele cisma comigo. Vai acabar me dedicando uma música. Quando isso acontecer, todo mundo vai me apontar na rua e dizer: "Olha lá o novo Menino do Rio, olha lá o novo Leãozinho, olha lá a nova Tigresa". Assinante de Veja lê mais aqui
Por Reinaldo Azevedo | 04:31 | comentários (15)

Lula sobre Fidel: "Parece que vamos perder nosso amigo". "Nosso" quer dizer "dele", é claro...
Por Kennedy Alencar, na Folha deste sábado: “Autoridades cubanas transmitiram nesta semana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a membros da cúpula do PT a informação de que o estado de saúde de Fidel Castro, 79, submetido a uma cirurgia na segunda-feira, é pior do que admitem publicamente. Mais: disseram que o ditador pode ficar inabilitado para retomar o poder real, ainda que se recupere da doença -um tumor maligno no abdômen, segundo a versão com a qual o governo brasileiro trabalha. Desde a noite de segunda-feira, quando a cirurgia provocada por um sangramento no intestino foi anunciada em nota assinada por Fidel e lida no rádio e na TV oficiais da ilha, o governo cubano não divulgou informações detalhadas sobre o estado de saúde dele.A falta de informação foi justificada pelo próprio Fidel, numa segunda nota atribuída a ele e divulgada na terça, pela necessidade de o país proteger-se do inimigo externo (os EUA). ‘Parece que vamos perder o nosso amigo’, disse Lula a um auxiliar, depois de ser informado da gravidade do estado de saúde do ditador, segundo a Folha apurou.” Clique aqui para ler mais
Por Reinaldo Azevedo | 03:59 | comentários (39)

Relator diz que pedirá quebra de sigilo de 90
Por Expedito Filho e Eugênia Lopes no Estadão deste sábado: “O relator da CPI dos Sanguessugas, senador Amir Lando (PMDB-RO), informou que pedirá a quebra do sigilo de 90 deputados e de todos os assessores que foram acusados de receber depósitos em dinheiro dos empresários Luiz Antônio e Darci Vedoin no escândalo dos sanguessugas. O pedido será apresentado pelo próprio senador no início da próxima semana, durante reunião administrativa da CPI. Será uma maneira de tentar provas mais robustas contra os envolvidos. No momento, 15 dos notificados pela CPI devem ser poupados no relatório preliminar que será apresentado na próxima quinta. Em novo depoimento à comissão ontem, Luiz Antônio Vedoin reiterou acusações contra 75 parlamentares e comprometeu-se a entregar, na terça-feira, novas provas contra ‘dois ou três’ dos congressistas já citados nas investigações. No caso de mais de uma dezena de parlamentares, só novas diligências poderiam gerar provas. ‘Infelizmente é uma minoria que, neste momento, está inocentada’, disse o sub-relator de sistematização, Carlos Sampaio (PSDB-SP). O relator Amir Lando acredita que a quebra de sigilo também é a única forma de coletar dados para a elaboração de um relatório consistente.” Clique aqui para ler mais
Por Reinaldo Azevedo | 03:53 | comentários (4)

Mais um mafioso acusa governador do PT
Por Fausto Macedo e Sônia Filgueiras no Estadão deste sábado: “Mais um membro da máfia das ambulâncias detalhou à Justiça Federal encontros que a quadrilha manteve com o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), para tratar de licitação destinada à compra de carros e equipamentos hospitalares no valor de R$ 14 milhões. O empresário Darci Vedoin confirmou os relatos de Ronildo Pereira de Medeiros e Luiz Antônio Vedoin à Justiça, contestando o governador, que nega ter havido reuniões com a cúpula da Planam. O acesso a Dias - segundo os empresários, ouvidos em julho pela Justiça de Cuiabá - foi facilitado pelo ex-presidente do PT no Ceará José Airton Cirilo. Investigações da PF e da CPI dos Sanguessugas atribuem a Cirilo o papel de braço da máfia no Ministério da Saúde, prefeituras e governos estaduais. Segundo Darci, Dias ‘tinha conhecimento de que a licitação era dirigida’. Ronildo disse que esteve no gabinete do governador ‘duas ou três vezes para tratar dos projetos e licitações’ e na primeira reunião ‘pôde perceber a facilidade com que chegaram’ a ele. E anotou que ‘José Caubi Diniz e Raimundo Lacerda (lobistas parceiros de Cirilo)tinham trânsito no gabinete’.” Clique aqui para ler mais
Por Reinaldo Azevedo | 03:49 | comentários (3)

Bens de petista crescem quase cinco vezes
Há petista mais eficiente do que Lula para multiplicar os bens. Por Carmen Pompeu no Estadão deste sábado: “Oficialmente, o patrimônio do membro do Diretório Nacional do PT José Airton Cirilo, apontado como o intermediário no esquema dos sanguessugas - que comprava ambulâncias superfaturadas com recursos do orçamento da União - cresceu quase cinco vezes desde 2002, quando disputou o governo cearense, até agora, quando tenta uma vaga de deputado federal. Em 2002, a Justiça Eleitoral não cobrava os valores dos bens dos candidatos. Contudo, apesar de ele ter se desfeito apenas de um terreno em Icapuí, sua cidade natal, no limite do Ceará com o Rio Grande do Norte, e de uma Hilux ano 2001, os bens declarados por ele só cresceram.” Clique aqui para ler mais
Por Reinaldo Azevedo | 03:44 | comentários (8)

Na agenda de governador do PT, chefe da máfia
Por Chico de Gois,no Estadão de hoje: “A agenda do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), registra uma audiência, no dia 9 de junho de 2003, com o proprietário da Planam, Darci Vedoin. De acordo com o documento, disponível no site do governo do Piauí, a reunião com o homem acusado de participação em um esquema de venda superfaturada de ambulâncias, por meio de emendas parlamentares e licitações dirigidas, estava marcada para as 12 horas daquele dia. O governador, no entanto, disse em entrevista ao Estado que o encontro entre eles não ocorreu. "O pessoal da minha agenda lembrou que teria sido marcada uma audiência, que teria sido solicitada em determinado momento e depois teria sido desmarcada", afirmou Dias. Em depoimento à CPI dos Sanguessugas, anteontem, Luiz Antônio Vedoin, filho de Darci, declarou que teve três encontros com o governador do Piauí para tratar de um suposto direcionamento em processo de licitação. Segundo Luiz Antônio, os encontros teriam ocorrido no gabinete da Casa Civil do governo do Estado, em 2003 e 2004. O empresário não falou em dinheiro.” Clique aqui para ler mais
Por Reinaldo Azevedo | 03:38 | comentários (1)

Brasileiros no Hezbollah: a impressionante e apavorante apologia dos que morrem com um sorriso no rosto...
A reportagem mais impressionante sobre a guerra no Oriente Médio está na Folha deste sábado. Ibrahim Saleh, 17 anos, filho de mãe brasileira e pai libanês, com dupla nacionalidade, morreu nas fileiras do Hezbollah. Um míssil atingiu o carro em que ele estava. A família está triste? Não! A mãe se confessa feliz porque disse que o filho queria morrer lutando. Zeina Kourani, paulista de Itapevi, tia do rapaz, que agora vive na cidade de Tiro, repete um velho mito do terrorismo islâmico: "Disseram-nos que ele tinha um sorriso nos lábios quando foi encontrado morto". Vai ver já havia se encontrando com as 70 virgens na barranca do rio de leite e mel... Como se vê, está todo mundo feliz, e há mais gente da família nas fileiras terroristas. Leia um trecho da reportagem de Marcelo Ninio: “Embora tivesse passaporte brasileiro, Ibrahim jamais foi ao país natal da mãe. Foi criado em Tiro, cidade dominada pelo Hizbollah -como todo o sul do Líbano. Nunca teve dúvidas do que queria. Segundo a família, ele não chegou nem a fazer planos para quando terminasse os estudos. Não pensava em faculdade ou profissão. Sua idéia fixa era juntar-se ao Hizbollah. Mais que isso: sonhava em morrer no campo de batalha. ‘Ele sabia que ia morrer assim, por isso nunca fez planos para quando crescesse’, diz a tia, com voz calma.” Para ler a reportagem, clique aqui. Para ler depoimento de sua mãe dizendo por que está tão satisfeita, clique aqui. Pô, esse pessoal do Hezbollah, sem qualquer trocadilho, é fogo. Acho que essa gente não leu a Epístola de São Lula aos Corintianos (ver abaixo) afirmando que esse papo de guerra não tá com nada. Estou começando a achar que esse negócio de que o Islã é pacífico, mas os islâmicos é que não são é menas verdade..
Por Reinaldo Azevedo | 03:30 | comentários (17)

CPI deve pedir a cassação de 50 parlamentares
Por Ranier Bragon e Adriano Ceolin na Folha deste sábado: “Após ouvir pelo segundo dia consecutivo o sócio da Planam Luiz Antonio Vedoin, a CPI dos Sanguessugas sinalizou ontem que, ao apresentar seu relatório, na próxima quinta-feira, dividirá os cerca de 90 parlamentares acusados em três grupos: os que têm contra si "provas robustas", os que são alvos de provas ainda inconclusas e aqueles contra os quais não há evidências de participação. A Folha apurou que a tendência hoje é reunir cerca de 50 parlamentares no grupo das ‘provas robustas’, outros 25 na categoria dos que exigiriam aprofundamento das investigações e 15 na dos inocentados. ‘Há uma variação, há aqueles contra os quais há provas exuberantes, provas suficientes, e há aqueles com provas ainda claudicantes de participação no esquema’, disse o relator Amir Lando (PMDB-RO). ‘Vedoin trouxe provas robustas e consistentes contra a maioria deles; infelizmente, somente uma minoria será inocentada nesse episódio’, afirmou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), responsável por esquematizar as provas contra os acusados. Em relação aos 50 parlamentares com situação mais complicada, há provas documentais (depósitos da quadrilha na conta pessoal, de parente ou de assessor) e testemunhais "contundentes". Para esse grupo, será pedida a cassação." Clique aqui para ler mais
Por Reinaldo Azevedo | 03:07 | comentários (5)

Tucanos arrecadam mais que PT. Será mesmo?
Na Folha deste sábado, há uma reportagem de Rogério Pagnan e Catia Seabra sobre arrecadação de fundos de campanha. Consta que os tucanos arrecadaram mais dinheiro do que os petistas. Tá bom. Acredito na reportagem. Mas me reservo o direito de duvidar das declarações de arrecadação que os petistas fazem. Vocês querem que eu diga por quê ou não precisa?. Um trecho da reportagem e o link: “Com uma captação de recursos para a campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva abaixo do esperado, o PT anunciou ontem uma série de medidas para ‘massificar’ as formas de doações, incluindo um 0800, similar ao ‘Criança Esperança’ da Rede Globo, pelo qual o simpatizante poderá doar entre R$ 5, R$ 10 e R$ 20. Enquanto isso, no PSDB, o comando da campanha de Geraldo Alckmin comemora a arrecadação de R$ 15 milhões até o dia 10, segundo compromissos de doadores. Essa era a expectativa de receita para todo o mês de agosto." Clique aqui para ler mais
Por Reinaldo Azevedo | 03:00 | comentários (9)

Para impugnar a eleição de suspeitos
Por Isabel Braga, no Globo deste sábado: “O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, enviou ontem a todos os procuradores regionais eleitorais petição do líder do PDT, deputado Miro Teixeira (RJ), alertando para a necessidade de colher provas que permitam ajuizar ações de impugnação de mandato de eleitos envolvidos em escândalos de corrupção. Com provas irrefutáveis de corrupção, o Ministério Público pode entrar com uma ação para tentar impedir a posse dos eleitos. Segundo a assessoria de Antonio Fernando, o procurador não tratou do mérito da petição de Miro, que ainda aguarda julgamento do Tribunal Superior Eleitoral. Apenas distribuiu o assunto para que cada procurador tome as providências que considerar cabíveis nos estados.” Clique aqui para ler mais
Por Reinaldo Azevedo | 01:20 | comentários (5)

Sexta-feira, Agosto 04, 2006

Serra, agricultura, câmbio e frufru
"Pratica-se uma política cambial suicida para o setor, que faz com que, para boa parte das atividades, o custo de produção seja maior do que o preço. Isso vai provocar uma contração da oferta no ano que vem na agricultura. Nesse momento, o governo federal fatura eleitoralmente a desgraça da agricultura, com os preços para baixo. No ano que vem, o país inteiro vai pagar o preço dessa fatura.” Foi o que afirmou o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, durante um encontro em Campinas com 200 empresários do setor rural. Se eleito, disse ele, vai “amolar a paciência da máquina federal se ela não cumprir com suas obrigações". Como o PT gosta de comparações, Serra fez uma que talvez seja incômoda, sobretudo porque verdadeira. No governo FHC, a área plantada cresceu 33%; na gestão Lula, caiu 7,7%. O setor agrícola foi o que mais sofreu no governo do PT. De principal responsável pelo superávit na balança comercial, chegou, em quatro anos, perto da insolvência.
FRUFRU — Antes, numa caminhada pela cidade de Sumaré, Serra desdenhou da proposta de uma constituinte para fazer a reforma política, idéia que Lula classificou de genial: “É frufru para ocupar o noticiário”.
Por Reinaldo Azevedo | 22:42 | comentários (12)

A Parte e O Todo - A pesquisa e o que fazer
Fiquei devendo, conforme o prometido, uma análise mais cuidadosa dos números da pesquisa CNI-Ibope. Certos ou não — há no mercado um excesso de pesquisas para muitas margens de erro... —, a verdade é que, no atacado, eles apontam o que todos já sabemos. Houvesse um corte regional ali, constataríamos que Lula continua na liderança disparada no Nordeste e vai perdendo votos à medida que caminha para o Sul. As urnas refletem as escolhas que ele fez. Escolheu os pobres? Não. Escolheu, para voltar a um termo que cravei faz tempo em Primeira Leitura, o pobrismo — que é coisa muito diferente.

Escolher os pobres implicaria fazer opções econômicas e macroeconômicas que 1) levassem ao crescimento sustentado da economia; 2) criassem as devidas condições para que cidadãos livres fizessem escolhas livres, o que se consegue com a expansão do mercado de emprego e do consumo e com a ampliação das liberdades públicas. Brasileiros se tornando indivíduos, eis a saída. É claro que não basta bater a varinha de condão e decretar: “Cresce, economia”. São necessárias algumas condições objetivas para tanto.

Estão dadas no Brasil? Em parte, sim; em parte, não. O país poderia estar crescendo mais fosse outro o arranjo a que Lula teve de se atrelar para vencer o déficit de confiança com que chegou ao poder. Optou por uma ortodoxia pobre, desprezou alguns fatores indutores do crescimento — na suposição até realista — de que não seriam bem vistos pelo mercado e conseguiu, em 2006, pagar os juros reais que eram pagos em 2002, quando o risco país será 7 vezes maior, se exportava a metade do que se exporta hoje e se devia muito mais. O crescimento não é sustentado porque o investimento é baixo e porque há uma certa lógica fetichista segundo a qual a economia não pode operar com juros abaixo de dois dígitos. Ou vem a inflação. A última ata do Copom já deu um aviso.

Lula fez o quê? Optou por se abraçar à boa reputação que essa ortodoxia heterodoxa lhe rende junto a alguns setores, enquanto investiu pesadamente numa política assistencialista, que transformou a miséria extrema do país em clientela. Sua ampla vantagem no Nordeste, entre os que ganham até um mínimo e entre os menos escolarizados também se traduz pela dianteira entre aqueles que não têm informação. A miséria produz ignorância e serve à mistificação.

Nessas horas, os que teorizam malandramente sobre a democracia costumam indagar: “Ah, então você sugere uma democracia sem maiorias?” Não. A democracia é o regime sustentado pelas maiorias, mas há sempre uma minoria — sim, isso mesmo — que vela por ela. Quem duvidar disso que vá fazer uma pesquisa de opinião pública para saber como o povo gostaria de ver tratados os criminosos. Ou qual foi o destino da República de Weimar. Não, o povo não precisa de guias, mas de instituições sólidas.

O programa Bolsa Família de Lula — olhem eu e Heloísa Helena juntos! — o que faz é eternizar a miséria, uma vez que se estabelecem as portas de entrada, mas não as de saída. O dinheiro consumido na sua manutenção, com um desemprego mantido acima dos 10% — 17% na Grande São Paulo —, se transforma numa máquina eleitoreira muito difícil de ser vencida. Somam-se a isso políticas que concorrem para desistitucionalizar o país, como as cotas raciais nas universidades ou o ProUni (injeção de populismo na veia), e temos o resultado eleitoral que ora se apresenta. Boa parte dos formadores de opinião, rudimentarmente esquerdistas, concordam com esse assistencialismo bocó. Sentem aplacadas as suas culpas.

É nesse sentido que Lula “chavizou” o Brasil, para felicidade e gáudio dos petistas, que podem olhar para os números e se orgulhar: “Lula está com os pobres; Alckmin, com os ricos”. Mas Lula está também, e ele o confessou, com o mercado financeiro. Na sua glossalalia, diz que não precisou de Proer. Era só o que faltava: com os juros reais que ele paga, há vários “Proers” aplicados ao mesmo tempo. Lula oferece a oportunidade fantástica do capitalismo sem risco.
Enquanto isso, os setores médios da sociedade vão tendo seus salários esmagados, e a diminuição da distância entre os mais e os menos aquinhoados — estamos falando de estratos da classe média — diminui. Redistribuição de renda? Não. Diminuição da renda de quem ganha mais. Os empregos que o governo Lula gerou, ficará claro em algum momento, derivam da demissão de quem ganhava mais para a contratação de gente recebendo menos.

O marketing social do governo, no entanto, tem-se mostrado muito competente até aqui, ainda que o país assista a uma corrupção inédita, seja na variedade, seja na intensidade. Isso quer dizer que Lula já venceu o pleito e que nada há a fazer? Não. Não quer dizer. Mas está claro que vencê-lo é tarefa das mais difíceis. Sobretudo porque o PT, ao longo dos anos, em particular dos últimos quatro, aparelhou o Estado como nunca se viu. É uma experiência inédita no país. Faltam-nos história e aporte teórico para avaliá-la.

Estou absolutamente convencido de que a disputa com Lula e com o PT tem de se dar no terreno da política. Identificar as razões de sua força não basta para apontar o seu ponto mais vulnerável. E ele está justamente na questão ética. Pouco adianta que Alckmin ou qualquer outro oposicionista evidenciem que o modelo de “bem-estar” de Lula tem pés de barro. Trata-se, para a larga maioria das pessoas, de uma abstração. Um candidato de oposição terá, sim, de apontar as falhas do governo; terá, sim, de se identificar com esses setores médios que estão vendo esmagado o seu poder de compra ou que estão, efetivamente, perdendo salário; terá, sim, de demonstrar que o PT, do ponto de vista administrativo, produz ruína. Mas, acima de tudo, é forçoso que se apele à vergonha na cara.

Os mais céticos, lulistas e antilulistas, dirão que isso é bobagem: afinal, ninguém votaria contra a sua situação objetiva, já que a vida teria melhorado para essa maioria que ainda está com Lula. Em alguns casos, é verdade. Mas melhorou muito menos do que poderia se o governo soubesse para onde vai e se não tivesse o permanente déficit de credibilidade. Mas, ainda aqui, estamos tratando de prefigurações, de futuros e prognósticos que são pura imaterialidade.
Já a corrupção, o desmando, a violência crescente a perda de perspectiva de futuro de amplas camadas, bem, isso tudo é verdade fácil de evidenciar. Tanto é que, onde a economia é mais dinâmica e onde se exige um pouco além do simplesmente “ir vivendo” — como uma germinação espontânea —, Lula é derrotado. Perde para o que não fez, mas perde também para o que fez: o governo mais corrupto de nossa história.

Pobre também tem vergonha na cara, nunca será demais lembrar. É preciso que se evidencie que não há Bolsa Família que justifique tanta lambança. É preciso que se explicitem os reais ganhadores — econômicos e morais — das opções feitas por Lula até aqui. As urnas que estão aí, na configuração atual, são tudo aquilo com o que o PT sempre sonhou; era essa gente que o partido queria conquistar quando se dizia “de massas”. Para ganhar ou para perder as eleições, as oposições têm de ser implacáveis. O Brasil precisa de um novo gerenciamento e de m