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O MRI (Movimento de Reparação aos Indiodescendentes) vai fazer a sua primeira ocupação. Nossa pauta, vocês sabem, é expulsar do Brasil os eurodescendentes e os afrodescendentes. Onde vocês querem instalar a nossa primeira “aldeola” (versão indígena do "quilombola")?



a – na Vieira Souto, no Rio (no Country Clube, é claro);



b – na Praia do Forte, na Bahia (no resort, é claro);



c – nos Jardins, em São Paulo (no Hotel Fasano, é claro);



d – Nos Lençóis maranhenses (sem o Sarney, é claro);



e – Lá na divisa do Acre com o Peru (Tupã nos livre, é claro)
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ARQUIVO ESPECIAL
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O DIREITO SÓ PODE SER ACHADO NA LEI - 27/8/2008
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As ONGs do fim do mundo - 18/6/2008
O que eles querem é imprensa nenhuma - 7/5/2008
Que falta faz um Voltaire - 2/4/2008
Fidel e o golpe da revolução operada por outros meios - 27/2/2008
O Foro de São Paulo não é uma fantasia - 30/1/2008
O pastor e o pensador - 12/12/2007
A crença na "cultura da periferia" é coisa de gente com miolo mole - 5/12/2007
Capitão Nascimento bate no Bonde do Foucault - 10/10/2007
Restaurar é preciso; reformar não é preciso - 12/9/2007
O Movimento dos Sem-Bolsa - 8/8/2007
A Al Qaeda eletrnica - 20/6/2007
Gramsci, o parasita do amarelão ideológico - 16/5/2007
Crime e castigo dentro de nós - 28/03/2007
O politeísmo de um Deus só - 28/02/2007
A seita anticapitalista e a tristeza do Jeca - 07/02/2007
Sou "doente" mas sou feliz - 27/12/2006
É preciso civilizar os bárbaros do PT - 1º/11/2006
Governante bom é governante chato - 11/10/2006
E o feio se tornou bonito... - 13/09/2006
Urna não é tribunal. Não absolve ninguém - 06/09/2006

  

BLOG
Reinaldo Azevedo

Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas – Tradução de Mário Faustino)

Sábado, Julho 15, 2006

Humberto Costa: este blog apurou que existe lógica
Humberto Costa, ex-ministro da Saúde e atual candidato do PT ao governo de Pernambuco, negou qualquer colaboração com o esquema dos sanguessugas (ver nota abaixo). Mas, vejam só: ele diz não se lembrar se recebeu ou não o empresário Darci Vedoin, a fonte pagadora da propina. Entendo... Este site apurou que, segundo reza a lógica, Vedoin era uma pessoa, como dizer?, notória demais para Costa se lembrar se o recebeu ou não. Ele também nega que José Airton Cirilo, que teria levado a grana, falasse em seu nome. E explica: “Ele [Cirilo] veio tratar comigo sobre emendas de prefeituras do PT que haviam apoiado a candidatura dele ao governo. Nunca falou sobre empresas". Ah, bom... Vocês já repararam como ministros petistas nunca estão cuidando do seu ministério? Um dos principais auxiliares de Lula, homem do núcleo dirigente do PT, Costa não tinha um miserável assessor parlamentar para tratar desses assuntos. Tinha de ser ele próprio. Este blog apurou, com base no bom senso, que suas negativas são muito fracas. E este blog apurou mais coisa — agora sem ironia: a turma que andou fazendo negócio com Vedoin pode estar lascada. O homem tem memória de elefante. Inclusive para detalhes. Sabiam que ele traz na ponta da língua a lista dos parlamentares que levaram bola, partido, como foi o encontro, tudo mesmo? Este blog apurou que há muita gente tomando Lexotan para ver se estanca a diarréia (ver nota de ontem a respeito). Este blog apurou também que Humberto Costa tende a ter mais problemas.
Por Reinaldo Azevedo | 13:04 | comentários (15)

Um poema de Maiakóvski

A FLAUTA-VÉRTEBRA

A todas vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e
[ celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.

1915

(Tradução: Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman)
Por Reinaldo Azevedo | 04:41 | comentários (20)

Fenaj e a estupidez corporativista
Marlon Brando em "On the Waterfront", do grande Eliza Kazan. Eita! Tive de voltar a este filme, é?
A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), aquele aparelho do PT que já tentou criar o Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), um órgão de censura, está dando pleno apoio a um projeto idiota, aprovado no Senado, que amplia de 11 para 23 as carreiras que seriam típicas de jornalistas diplomados. Até um chargista terá de fazer faculdade. Para virar lei, a estrovenga depende da sanção do presidente Lula. Ah, sim, a Fenaj também retomou a “luta” pela criação do CFJ. No Estadão de hoje, matéria de José Maria Mayrink : “Ugo Giorgetti é cineasta, mas tem uma coluna de futebol. Chico e Paulo Caruso, formados em arquitetura, fazem caricaturas e charges sobre gente e situações que viram notícia. A mesma arte de Cássio Loredano, que não passou do ginásio, mas percorreu todas as mesas de redação de jornal até encontrar a sua vocação. José Ferreira Neto - o Neto de oito clubes, do Ponte Preta ao Santos, passando pelo São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Atlético Mineiro - é comentarista esportivo. Nenhum deles tem diploma de jornalista, mas todos trabalham na imprensa. Até agora tranqüilos no exercício de uma atividade que lhes deu projeção nacional, esses comentaristas e ilustradores correm o risco de perder o emprego, se o presidente Lula sancionar o projeto de lei, já aprovado pelo Congresso, que atualiza a regulamentação da profissão de jornalista. De acordo com o novo texto, eles não poderão fazer comentários e ilustrações, se seu trabalho for considerado de conteúdo jornalístico - interpretação que, em casos polêmicos, será resolvida na Justiça.Íntegra aqui
Por Reinaldo Azevedo | 03:37 | comentários (24)

Chegou: empresários da máfia dos sanguessugas acusam petista; propina teria sido repassada na gestão de Humberto Costa
Como dizia o filósofo popular Tião Schopenhauer Macalé: "Nojeeeennnnto"
Lembram-se que se informou aqui que o governo queria, digamos, “sugar” a CPI dos Sanguessugas. Aldo Rebelo até alegou razões de Estado. Pois então... Leia reportagem de Adriano Ceolin e Hudson Corrêa na Folha deste sábado: “Apontados como líderes da quadrilha dos sanguessugas, os empresários Darci Vedoin e Luiz Antonio Trevisan Vedoin, donos da Planam, disseram em depoimento à CPI que investiga o caso que pagaram propina para a liberação de recursos do Ministério da Saúde para a compra de 130 ambulâncias. O dinheiro, segundo eles, teria sido repassado na gestão do ex-ministro da Saúde Humberto Costa por meio de "pedágio" de 5% a 10% do valor dos veículos. O beneficiário da propina seria José Airton Cirilo, que foi candidato derrotado do PT ao governo do Ceará em 2002, foi diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), e é atualmente candidato a deputado federal. No depoimento, Darci disse que o dinheiro foi pago a duas pessoas identificadas só como Diniz e Lacerda. Eles seriam interlocutores de Cirilo na negociação. A promessa que teria sido repassada aos Vedoin é que Cirilo intermediaria a liberação dos recursos com o ministro Humberto Costa. Cirilo e Costa negam participação na fraude.” Clique aqui para ler mais
Por Reinaldo Azevedo | 03:16 | comentários (12)

Mercadante pede voto até a manequim de loja
Um comício pró-mercadante...
Comentei aqui ontem que Mercadante precisa descobrir uma razão para ser candidato além de dizer que Serra não pode ser eleito. E também sugeri que ele pode ter dificuldades com o eleitor. A nota na Folha deste sábado diz tudo: "Na segunda parte de sua agenda de ontem pelo interior, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, protagonizou um episódio engraçado durante a caminhada pelas ruas do centro de Atibaia.O petista caminhava na calçada de uma rua dominada pelo comércio, onde cumprimentava pedestres e vendedores das lojas. Entrava e saía dos prédios.Após terminar uma das visitas e se preparar para adentrar em outro comércio, Mercadante estendeu a mão para cumprimentar uma suposta vendedora plantada na porta da loja, quando percebeu estar de frente a um manequim.Ele riu do equívoco, emendou com a brincadeira de segurar a mão do boneco e fez poses para fotos. "Candidato cumprimenta até manequim", brincou ele, ao continuar o passeio."
Por Reinaldo Azevedo | 03:07 | comentários (14)

Minha coluna no Globo deste sábado
A Conversão de São Paulo, de Fra Angelico
Dois parágrafos da minha coluna no Globo deste sábado:
"Por mais que você se dedique a um estudo profundo da moral e da ética, duvido que chegue a uma formulação mais precisa e enxuta do que a de São Paulo na I Epístola aos Coríntios: 'Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém' (ICor 6,12). É dessas frases-emblema cuja compreensão distingue a civilização da barbárie. A essência da formulação kantiana está aí embutida: só posso praticar atos que, se generalizados, concorreriam para o bem. “Ah, mas o que é o bem?”, pergunta o demônio do relativismo. Para os nossos propósitos, chamemo-lo um pacto que garanta os direitos individuais e que estabeleça normas gerais de conduta que concorram para a liberdade.
Há dias, li neste GLOBO uma afirmação de Marco Aurélio Garcia, assessor especial de Lula, que me deixou estarrecido. Indagado se o chefe teria algum constrangimento em dividir palanque com mensaleiros, o nosso pensador deu um pé no traseiro de São Paulo e metralhou: “Constrangimento nenhum. Constrangimento seria não ter voto.” Entendo. Marco Aurélio, em suas reflexões, fazia uma escolha. E, ao fazê-lo, indicava o mundo em que prefere viver e em que pretende que todos vivamos. Tudo lhe convém, menos não ter votos
." Clique aqui para ler íntegra
Por Reinaldo Azevedo | 02:42 | comentários (12)

Saulo nega que tenha subestimado o PCC e diz ter havido certa "leniência" no trato com presos
Saulo Abreu, secretário da Segurança Pública do Estado e alvo predileto do PT, concede uma entrevista exclusiva à Veja. Ele nega que o governo tenha subestimado o PCC e admite erro no trato com os presos. "Houve uma certa leniência". No depoimento prestado à CPI das Armas, cujos trechos este blog publicou, Marcola diz que um assessor de Nagashi Furukawa, ex-secretário de Administração Penitenciária, até lhe pediu um "projeto" para ajudar a reestruturar o sistema. Abaixo, trecho da entrevista. A íntegra está aqui para assinantes.

ATÉ 2000, O GOVERNO DIZIA QUE O PCC NÃO EXISTIA – EM 2001, A ORGANIZAÇÃO DEFLAGROU UMA PARALISAÇÃO SIMULTÂNEA EM 29 PRESÍDIOS DE SÃO PAULO. EM 2002, A POLÍCIA PRENDEU ALGUNS LÍDERES E DECLAROU QUE O PCC ESTAVA "FALIDO E DESMANTELADO" – SÓ NESTE ANO, EM DOIS ATAQUES NUM INTERVALO DE DOIS MESES, FORAM MORTOS QUASE CINQÜENTA POLICIAIS E AGENTES PENITENCIÁRIOS. O GOVERNO NÃO SUBESTIMOU E CONTINUA SUBESTIMANDO O PCC?
Não. O PCC é real, existe, mas não tem o potencial que estão lhe emprestando. Esses ataques não aconteceram porque o PCC tem uma enorme capilaridade ou um exército organizado nas ruas. Aconteceram porque eles pegaram aí um pessoal dependente de drogas para sair tresloucadamente dando tiros pela cidade. É muito diferente de um exército organizado. Agora, teve muito show, muita histeria, muita gente querendo tirar casquinha da situação. O problema de São Paulo é: ladrão que quer pegar seu relógio para gastar em tênis de marca. Mais nada.

O FATO É QUE, EM DEZ ANOS, O PCC CRESCEU MAIS DO QUE SE ESPERAVA. EM QUE O GOVERNO FALHOU?
Houve dois erros. O primeiro foi não ter definido presídios diferentes para diferentes tipos de preso. O segundo foi uma certa leniência no trato interno dos presos, com relação à disciplina. Havia um pacto, não formal, de que, desde que não se fizesse rebelião, valia qualquer coisa intramuros.
Por Reinaldo Azevedo | 02:19 | comentários (6)

O custo do banditismo para o país
Trecho de reportagem da revista Veja desta semana sobre o custo da bandidagem: “É relativamente fácil calcular prejuízos materiais como os da foto que ilustra esta matéria. Esse é o custo econômico mais visível do banditismo. Também é possível quantificar os recursos que empresas, pessoas e o Estado gastam sendo vítimas de criminosos ou defendendo-se deles todo ano – cifra que, no Brasil, chega a 10% do PIB, ou 200 bilhões de reais, segundo levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Mais complicado – e certamente mais dramático – é descobrir quanta riqueza a sociedade deixa de produzir exposta à sanha dos bandidos que tiram vidas, estraçalham poupança, patrimônio e trabalho e minam a capacidade criativa das pessoas. Os economistas chamam isso de ‘custo de oportunidade’.” Assinantes lêem mais aqui
Por Reinaldo Azevedo | 02:17 | comentários (0)

Diogo Mainardi na Veja: "Voto de nariz tapado"
"Se Materazzi, o jogador da seleção italiana de futebol, aparecesse por aqui, esse é o método que ele usaria para enfurecer os petistas. Ele diria: vote em Geraldo Alckmin. Ou: sua irmã vota em Geraldo Alckmin. Basta pronunciar essas palavras que os petistas saem distribuindo testadas" É um trecho da coluna de Diogo Mainardi na Veja, cujo título é “Voto de nariz tapado”. Adiante, escreve ainda: “Em tempos normais, eu argumentaria que é melhor se abster do que votar. É melhor ir à praia do que votar. É melhor ficar cochilando no sofá do que votar. Só que este é um momento particular. Os petistas precisam ser punidos pelo mensalão. E sobrou apenas uma maneira de puni-los: tirá-los do poder votando em Geraldo Alckmin. É pouco? Claro que é pouco. É um amesquinhamento? Claro que é um amesquinhamento. Mas agora é tarde demais. Todos os mecanismos democráticos falharam, e restou somente essa saída plebiscitária, essa saída bolivariana, essa saída bananeira. Com os petistas ou sem os petistas. Com Lula ou sem ele.” Assinantes clicam aqui
Por Reinaldo Azevedo | 02:07 | comentários (9)

Sexta-feira, Julho 14, 2006

A Parte e O Todo - "Nunca fui de esquerda", diz Lula. E a imagem da semana
"O Mágico", de Bosch: reparem na pinta do picareta, embora a elite esteja de coluna dobrada
Marilena Chaui e Emir Sader, a esta hora, ou estão encharcados de lágrimas, sentindo-se traídos pelo Tiranete de Siracusa, ou estão comemorando o que consideram mais um truque do Babalorixá de Banânia. Em entrevista à Agência Reuters, Lula não teve dúvida e mandou ver: “Nunca fui de esquerda”. Em certo sentido, ele tem razão. Começou a sua carreira sindical combatendo uma chapa infiltrada pelo antigo partidão. E a dele era infiltrada pelo SNI. Lula achava política meio nojenta e queria era brigar por colônia de férias em sindicato. De certo modo, realizou seu desejo. Até seu guri usa avião da FAB para levar os amigos para nadar na piscina do Palácio da Alvorada.

Ele nunca foi mesmo de esquerda porque isso requer certa complexidade mental, que ele não tem. O que não quer dizer que tal complexidade seja sinônimo de coisa boa. Lula é muito preguiçoso e indisciplinado para ser comunista. Também lhe falta aquele sentido de lealdade à causa. Podem ver: é só a chapa ficar quente, ele vai se livrando dos “companheiros”. Uma boa prova de seu êxito no mundo do individualismo é seu patrimônio — sonho de todo “operário” do ABC, que é o que ele ainda se diz.

Imagine Lula lendo aqueles textos intermináveis de Lênin. Cai no ronco antes da terceira linha. Não consigo vê-lo de posse dos discursos mais complexos de Trotsky, juntando variáveis culturais à luta política cotidiana. No terceiro paradoxo, começa a ter coceira no dedão e se distrai. Gramsci, então, Jesus! Tudo muito assistemático, às vezes quase cifrado. As análises políticas de dona Marisa Letícia, como ele já confessou outro dia, são muito mais eficientes. “Lula, tem muito buraco na estrada”. E ele manda tapar.

Lula não deve entender por que tantos se angustiam por bobagem. Seu mundo é simples. Diogo Mainardi revelou na sua coluna da Veja desta semana como ele foi escolhido para integrar a chapa do sindicato. Teve um psicodrama. Eles teriam de representar o que entendiam da luta. O seu concorrente montou nas costas de um colega. Era uma alegoria do capital e do trabalho. Lula fez uma roda, com todo mundo de mãos dadas. Lênin ou Trotsky o teriam fuzilado ali mesmo. Stálin talvez não. Sempre poderia ser útil para a causa. O cara do SNI que estava presente deve ter pensado: “achei”.

O Babalorixá não é de esquerda, é certo. Mas o PT é. E não vou agora fazer aqui a genealogia do partido. Do bolchevismo, herdou os métodos, o pensamento, o desprezo pela democracia, pela pluralidade. Ele não é um mero instrumento do partido. Ele sabe muito bem o nome do que pratica. Mas, com efeito, vem de uma outra vertente: representa a nova classe social que se foi incrustando na máquina do Estado da redemocratização a esta data. Trata-se de uma casta sindical, em busca de privilégios, que se espalha por todos os cantos. A velha gesta esquerdista é feita pelo partido nas políticas que os sindicalistas consideram periféricas: educação, cultura e assistência social.

No essencial, como Lula repete à Reuters, ele, com efeito, não quer papo com a esquerda e diz que vai manter a política econômica, que tanto encanta os mercados. Nem por isso é menos doloso para o país. Para que Lula mantenha essa disjuntiva — economia ortodoxa com populismo esquerdopático —, é preciso agredir firmemente as instituições. E isso ele também faz sem receio. Lula não é de esquerda, mas parte de seu governo é. De todo modo, a questão mais geral é outra: nem tudo o que não é de esquerda é bom para o Brasil. Lula é, antes de tudo, um ilusioniosta. Do ponto de vista da teoria política, é só um trapaceiro.
Por Reinaldo Azevedo | 23:59 | comentários (16)

Eduardo Jorge: de volta. E limpo, como antes
Eduardo Jorge Caldas Pereira, ex-secretário-geral do governo FHC, é o coordenador adjunto da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência. Ele resumiu por que aceitou o encargo: "É essencial que o PT seja posto para fora. Os petistas fazem mal para o Brasil". É mais um que vai ser acusado de excesso de dureza. No governo FHC, ele foi transformado em saco de pancadas do PT. Tudo o que o procurador Luiz (cadê ele?) Francisco dizia ia parar nos jornais. Ele esta sendo processado por Eduardo Jorge em companhia de seu colega Guilherme Schelb. Todas as provas que ambos diziam ter jamais foram apresentadas. O ex-secretário-geral ganhou rigorosamente todos os processos que moveu contra veículos de comunicação que publicaram as suposições, sem evidências, da dupla. O seu talvez seja o caso mais esplendoroso do que a máquina petista de moer reputações pode fazer com adversários. Até José Dirceu, num depoimento na Câmara, reconheceu a sua inocência e o "erro" do PT. É bem verdade que falou quando ele próprio estava na berlinda e tentava, assim, por analogia, deixar-se contaminar pela inocência do outro. Eduardo Jorge é um caso raro de quem, diante das piores adversidades, não baixou a cabeça e perseguiu a confirmação de sua inocência. Em setembro de 2002, a revista Primeira Leitura já sabia disso. Clique na imagem e leia a matéria. Clique aqui para ler a matéria
Por Reinaldo Azevedo | 23:16 | comentários (7)

PSDB e PFL na mira do PCC e o sigilo
Detalhe de "O Pensador", de Rodin: o que fazer?
Ajude-me a pensar, leitor amigo. Sabe como é: amiúde, tenho sido acusado de ter muitas certezas e nenhuma dúvida; de fazer a apologia daqueles que não têm medo de se dizer 100% certos; de não ser obsequioso com as razões dos meus adversários para, assim, demonstrar que sou uma pessoa tolerante e um grande caráter. Digamos, por hipótese, que a Polícia de São Paulo tenha transcrições de conversas do PCC recomendando a eliminação de políticos do PSDB e do PFL; digamos, sempre por hipótese, que esses bandidos, malgrado até a vontade dos partidos — quem sou eu para fazer ilações? — tenham as suas preferências. Sabem como é... Marcola, como vocês viram ontem, é leitor de Nietzsche e de Santo Agostinho, um homem preparado... Isso deve ou não deve ser do conhecimento do público — que, por acaso, está prestes a ser também eleitor? Seria isso um golpe baixo? Uma irresponsabilidade? Uma radicalização? Acho que se pode afirmar sem chance de errar que tudo o que é ruim para o PCC é bom para o Brasil. Ou não?
Por Reinaldo Azevedo | 22:52 | comentários (26)

O blog pergunta, e Heloisa Helena responde
Este blog perguntou há pouco por que o governo quer paralisar a CPI dos Sangressugas. Parece que a presidenciável Heloisa Helena (PSOL) ainda vai dar muito trabalho ao PT. Ela disse não descartar a participação de ministros do governo Lula no escândalo. A senadora pode ser um tanto, como vou dizer?, assoberbada, mas é muito bem informada sobre os bastidores do Congresso e do poder. Isso é uma informação, não um juízo de valor. Começo a achar que, também nesse caso, há quem possa ter perdido o senso de limites no petismo. Lá de Macapá, ela metralhou: “É fato que a liberação das emendas, que viraram negócio sujo na compra de ambulâncias, transporte escolar e programas de inclusão digital, tem a participação direta de pessoas poderosas na Casa Civil e nos Ministérios da Saúde, Educação e Ciência e Tecnologia".
Por Reinaldo Azevedo | 22:38 | comentários (4)

Um alerta: espalhe

Este é um daqueles textos que eu pretendo que o leitor, caso ache conveniente, leia e divulgue entre os que compõem a sua rede pessoal. Lula perdeu um mindinho por distração, mas eu aposto os dois, por excesso de atenção, que, neste sábado e neste domingo, Jorge Bornhausen será o saco de pancadas de todo colunista “neutro”, “isento” e “frio” da mídia brasileira. Dirão que exagerou; que ressuscita os velhos fantasmas da ditadura (o maior beneficiário pessoal da ditadura que conheço é Lula, com sua aposentadoria vergonhosa); que está tentando espalhar um clima inquisitorial no país; que está dando a senha para um caça às bruxas; que falou sem ter provas; que está tentando satanizar o partido que ainda tem o apoio de parcela expressiva da sociedade; que, se não sabe distinguir o bom petismo (?) do mau petismo, então iguala ambos pelo pior; que também o seu PFL tem elementos que não são flor que se cheire e que, nem por isso, se diz que todos são bandidos etc etc etc. Os mais ousados falarão até em "golpe". Vale dizer: nem é necessário que o PT se defenda. Seus advogados putativos, demonstrando que se identificam apenas com as estrelas (?), pedirão calma a todo mundo e farão aquelas perorações insossas em favor da civilidade na política. Se der, ainda falam mal das privatizações... Muito bem: qual é o risco? A oposição se intimidar com o colunismo da madrassa e mudar a estratégia, que está dando resultado. E que estratégia mirabolante é esta? Nada de especial. Falar o que pensa e tratar Lula e o PT como adversários. Até agora, Lula, Tarso Genro, José Dirceu, Aloizio Mercadante e Márcio Thomaz Bastos elegeram como alvo principal de ataque na crise da segurança pública o governo de São Paulo — este ou o anterior. O que dizer de um candidato que pede a cabeça do secretário de Segurança quando alvos públicos estão sendo alvejados pelo crime organizado? E o faz sem criticar os bandoleiros. As oposições não têm de dar bola para a minoria barulhenta do colunismo e sim para a maioria silenciosa que quer democracia, paz, ordem, sossego. A patrulha virá. Quem não quer se confundir com o PCC, que se distinga dele. Até agora, o petismo não fez isso. Assim como Lula vive atacando “eles” em seus discursos (as oposições), por que não ataca “eles”, os bandidos? Não, em vez de fazê-lo, vem com a cascata de que foram crianças sofridas. Se leram o blog ontem, é o mesmo que diz Marcola. O PSDB e o PFL nem precisam inventar frases novas para revelar o que o PT pensa sobre segurança. Basta ficar com o que os petistas disseram. Em suma: não e para se intimidar. Sempre que um colunista “isento” escrever, pergunte: “a quem essa análise interessa?’ Obtida a resposta, avalie o teor de isenção do texto. Vale para este blog? Claro que vale. Mas este ousa dizer o que pensa. E tampouco se incomoda que apontem o que pensa.
Por Reinaldo Azevedo | 22:23 | comentários (13)

Mercandante, Serra, tempero e poupança
Os dois instrumentos de Segurança Pública de Mercadante
O candidato tucano ao governo de São Paulo trata o senador Aloizio Mercadante mais ou menos como este blog trata os petralhas que acharam que poderiam aparelhá-lo com suas boçalidades: aperta o botão “EXCLUIR”. E lá fica Mercadante falando sozinho, vituperando na “PTesfera”. Ele não consegue articular quatro palavras do que pretende fazer sem citar o nome do tucano e perguntar o que este faria. Parece estar à cata de dicas para elaborar um programa. Entrou bem nesta crise: foi o primeiro a jogar as responsabilidades nas costas do PSDB. Quem está começando a se queimar com essa estratégia inteligente é Lula. Hoje, poupou o governador Cláudio Lembro — que chama Lula de “desequilibrado” em entrevista ao Estado — porque, ora, porque quer atacar os... adivinhem: tucanos. No meio da crise, ele teve uma idéia genial: dar caderneta de poupança aos presos. Todos temos o dever moral de espalhar e divulgar aos eleitores de São Paulo o insight genial deste estrategista. Aí ele veio com o que chamo Paradigma Sazon de Resolução de Distúrbios: melhorar a comida dos presos. Quer mais tempero, mais amor, suponho eu. Agora, Mercadante está promovendo, no meio policial, uma espécie de agitação sindical, falando sobre os baixos salários da Polícia. Como se vê, a cada ato, nota-se o perfil de um homem de Estado.
Por Reinaldo Azevedo | 21:53 | comentários (6)

Governismo quer sugar CPI dos Sanguessugas
A CPI dos Sanguessugas está sendo alvo de assédio para que breque os seus trabalhos. A desculpa oficial do comunista do Brasil Aldo Rebelo (SP), presidente da Câmara, é que não daria tempo de punir os responsáveis e, oh!, Santo Deus!, a imagem do Congresso poderia ficar arranhada. Aldo acha que aqueles que o elegeram são trouxas. Talvez sejam. Mas não porque não saibam distinguir a investigação da punição. O que é necessário que se faça, de imediato, é liberar, quando menos, os 15 nomes cuja investigação já foi determinada pelo Supremo — há 57 na mira do Ministério Público. Aliás, a bola está com STF. Já não basta o tribunal ter atrapalhado, como nunca antes se viu, o andamento das outras CPIs? O cuidado de Aldo com o Congresso é de levar às lágrimas, mas papelão grande se fez quando o governo torrou RS$ 1 bilhão em emendas para fazê-lo presidente da Câmara. Esse é mais um caso em que o governo parece estar escondido na moita, pálido de espanto. Eta coisa aborrecida! É surgir um escândalo no Brasil, e logo aparece um governista pregando “bom senso” — ou seja, que se pare de investigar.
Por Reinaldo Azevedo | 21:40 | comentários (4)

A pedidos...

"O Sabá das Bruxas", de Goya. Se é que me entendem
Por Reinaldo Azevedo | 20:47 | comentários (7)