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• Nos Emirados Sáderes |
| Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas – Tradução de Mário Faustino) |
| Sábado, Julho 01, 2006 |
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O asno, o rei e eu
Um bom poema de um mau poeta é sempre um acontecimento interessante. Porque é preciso atravessar a ruindade do que ele escreve para encontrar, entre os escolhos, algo que preste. Assim é com Chanson du Mois de Mai, do antigamente popularíssimo Jacques Prévert. E não é o poema todo que presta, não. Tem uma estrofe final de uma idiotia rara. Mas as duas primeiras são encantadoras — e talvez ele jamais tenha sabido por quê. Vejam aí: há um fatalismo banal nos versinhos que pode nos ajudar.
L’âne le roi e moi Nous serons morts demain L’âne de faim Le roi d’ennui Et moi d’amour Um doigt de craie Sur l’ardoise des jours Trace nos noms El le vent dans les peupliers Nous nomme Âne Roi Homme Fica assim: O asno o rei e eu Estaremos mortos amanhã O asno de fome O rei de tédio E eu de amor Um dedo de giz Sobre a lousa dos dias Escreve nossos nomes E o vento nos álamos Nos denuncia Asno Rei Homem O resto é baboseira. A última estrofe é a catástrofe: La vie est une cerise La mort est un noyau L’amour um cerisier A vida é uma cereja A morte é um caroço O amor uma cerejeira Não é impressionante? Tivesse parado lá em cima, havia uma pequenina jóia da poesia popular. Não! Em vez disso, bom francês, foi se meter a filosofar. Deu no que deu: “O amor é uma cerejeira”... Deveria ter feito como Zidane: nem mais nem menos. Só o essencial. |
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Por Reinaldo Azevedo | 21:47
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O avanço da democracia, segundo Rimbaud
Rimbaud pode ser superestimado, mas tinha grande valor. Veja o texto Democracia, que está em Iluminações. Para bom leitor, o que aí vai basta. Se você ficar tristinho com o que o garoto dizia sobre a democracia e a civilização, sempre resta combater as palavras abaixo com Walt Whitman... Uma tradução (tão literal quanto possível) e os versos originais.
Democracia Avança a bandeira na paisagem imunda, e nossa fala bárbara abafa o tambor. Nos centros, alimentaremos a prostituição mais cínica. Massacraremos as revoltas lógicas. Aos países apimentados e inundados – a serviço das mais monstruosas explorações industriais e militares. Adeus aqui, não importa em que lugar. Recrutas de coragem, nós teremos a filosofia feroz, ignorantes da ciência, fustigados pelo conforto; o mundo que se arrebente. É a verdadeira marcha. Adiante, a caminho! Démocratie "Le drapeau va au paysage immonde, et notre patois étouffe le tambour. "Aux centres nous alimenterons la plus cynique prostitution. Nous massacrerons les révoltes logiques. "Aux pays poivrés et détrempés! - au service des plus monstrueuses exploitations industrielles ou militaires. "Au revoir ici, n'importe où. Conscrits du bon vouloir, nous aurons la philosophie féroce; ignorants pour la science, roués pour le confort; la crevaison pour le monde qui va. C'est la vraie marche. En avant, route!" |
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Por Reinaldo Azevedo | 19:58
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Au Lecteur, outro de Baudelaire
E, abaixo, o clássico dos clássicos de As Flores do Mal. A primeira estrofe conta tudo (vai em sentido quase literal, hein...). E a última (idem) não poderia ser mais eloqüente.
A tolice, o pecado, o engano, a pequenez Ocupam nosso espírito, escravizam nosso corpo, E nós alimentamos nossos amáveis remorsos Como os mendigos nutrem seus parasitas (...) É o tédio! O olhar tomado de um choro involuntário, Ele sonha com o cadafalso, fumando seu cachimbo. Tu conheces, leitor, este monstro delicado, - Leitor dissimulado — meu semelhante – meu irmão! Au Lecteur La sottise, l'erreur, le péché, la lésine, Occupent nos esprits et travaillent nos corps, Et nous alimentons nos aimables remords, Comme les mendiants nourrissent leur vermine. Nos péchés sont têtus, nos repentirs sont lâches; Nous nous faisons payer grassement nos aveux, Et nous rentrons gaiement dans le chemin bourbeux, Croyant par de vils pleurs laver toutes nos taches. Sur l'oreiller du mal c'est Satan Trismégiste Qui berce longuement notre esprit enchanté, Et le riche métal de notre volonté Est tout vaporisé par ce savant chimiste. C'est le Diable qui tient les fils qui nous remuent! Aux objets répugnants nous trouvons des appas; Chaque jour vers l'Enfer nous descendons d'un pas, Sans horreur, à travers des ténèbres qui puent. Ainsi qu'un débauché pauvre qui baise et mange Le sein martyrisé d'une antique catin, Nous volons au passage un plaisir clandestin Que nous pressons bien fort comme une vieille orange. Serré, fourmillant, comme un million d'helminthes, Dans nos cerveaux ribote un peuple de Démons, Et, quand nous respirons, la Mort dans nos poumons Descend, fleuve invisible, avec de sourdes plaintes. Si le viol, le poison, le poignard, l'incendie, N'ont pas encor brodé de leurs plaisants dessins Le canevas banal de nos piteux destins, C'est que notre âme, hélas! n'est pas assez hardie. Mais parmi les chacals, les panthères, les lices, Les singes, les scorpions, les vautours, les serpents, Les monstres glapissants, hurlants, grognants, rampants, Dans la ménagerie infâme de nos vices, Il en est un plus laid, plus méchant, plus immonde! Quoiqu'il ne pousse ni grands gestes ni grands cris, Il ferait volontiers de la terre un débris Et dans un bâillement avalerait le monde; C'est l'Ennui! L'oeil chargé d'un pleur involontaire, Il rêve d'échafauds en fumant son houka. Tu le connais, lecteur, ce monstre délicat, Hypocrite lecteur, — mon semblable, — mon frère! |
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Por Reinaldo Azevedo | 19:10
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Um Baudelaire pra nós, não pra eles
Também eles merecem. Abaixo, um poema de Baudelaire, extraído de As Flores do Mal
Le Guignon Pour soulever un poids si lourd, Sisyphe, il faudrait ton courage! Bien qu'on ait du coeur à l'ouvrage, L'Art est long et le Temps est court. Loin des sépultures célèbres, Vers un cimetière isolé, Mon coeur, comme un tambour voilé, Va battant des marches funèbres. - Maint joyau dort enseveli Dans les ténèbres et l'oubli, Bien loin des pioches et des sondes; Mainte fleur épanche à regret Son parfum doux comme un secret Dans les solitudes profondes. Uma versão não poética da segunda estrofe: "Longe das sepulturas célebres,/Num cemitério distante,/ Meu coração, como um tambor encoberto/ vai soando as marchas fúnebres." É isso aí. “A arte é longa, o tempo é breve’. |
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Por Reinaldo Azevedo | 18:44
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Silêncio em Banânia, com rojões de desespero
Baixou o silêncio em Banânia. Alguns rojões de desespero explodem no céu como uma espécie de desaforo. A alegria represada é engolida, e um súbito vazio toma conta das consciências. Falei com um amigo enquanto a Marselhesa era tocada. Liguei para provocar: “Há um revolucionário adormecido em mim; não deixo de me emocionar com aquele banco de sangue em versos”. Ele riu: “Vamos perder. Somos fregueses da França”. Eu me despedi dizendo qualquer coisa como um “Tomara que não!”. Ainda antes comentei a faixa contra o racismo aberta em campo. Achei um mau presságio. Protestos dessa natureza mobilizam sentimentos de solidariedade dos que estão historicamente por baixo e açula o complexo de inferioridade. Não se vai para uma disputa sem sentir gosto de sangue na boca. Thierry Henry fez o gol. Negro. E aquele que disse que o Brasil é bom no futebol porque, em vez de ir pra escola, fica jogando bola na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé. Ele estudou oito horas por dia. Os nativos reagiram indignados. A gente não consegue deixar de ser escravo. E isso não tem nada a ver com a história. É complexo de vira-lata mesmo. Thierry sabe a diferença entre a civilização e a quase barbárie em que vivemos, de que o futebol pretende ser a única ilha de excelência. A chamada “crônica” especializada, que já havia nomeado Kaká o comandante em campo (pfui...), vai cair de pau em Parreira. Besteira. Esses babacas acham que nos faltou mais ginga. Não! Faltou Zidane, alguma herança cartesiana (mesmo o homem sendo um pied noir, vindo da colônia. Mas sabem cumé... Os franceses oprimiam os povos distantes com sua escola. Depois eles foram expulsos, e os nativos preferiram o confronto tribal. Dava para ver o geômetra em campo, jogando sozinho, como que protegido por um campo de força. Não havia nada de místico: pura racionalidade, ocupação dos espaços vazios. É assim que funciona. Ah, sim: se eu vir Ronaldinho Gaúcho fazendo malabarismo com bola em sinal de trânsito, não dou a ele um tostão. Fecho o vidro.
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Por Reinaldo Azevedo | 18:09
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O pior primeiro tempo desde o começo da Copa
O resultado é, até agora, injusto para a Franca. Queriam Juninho Pernambucano. Ele está lá. Queriam Ronaldinho Gaúcho na frente. Ele está. E nada. Já dei a ele meu ultimato: ou desencanta ou vai fazer malabarismo em sinal de trânsito. O Brasil joga com dez e sem oito: Kaká inexiste em campo. Zidane voltou a ser o maestro do meio-campo e do jogo cadenciado. É um espanto que seja assim — não por suas qualidades, imensas, mas porque esse é um dos pilares da visão que Parreira tem do futebol. Nada acontece. Os franceses até que esperaram um pouquinho: diante da apatia brasileira, partiram para cima. Resta torcer para que a bola espirre no pé do Gordo. Aí vamos ver. Em tempo: a França merecia estar na frente porque jogou muito melhor o primeiro tempo, não por causa daquele lance absurdo da “bola na mão”, e não da “mão na bola” de Ronaldo. Só não teria acontecido se ele fosse maneta. Agora, se aconteceu e se o juiz marcou, como foi dentro da área, então foi pênalti. Foi o pior primeiro tempo do Brasil desde o início da Copa. Vamos ver se eles acordam. Por enquanto, está mais para Diazepan do que para Prozac.
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Por Reinaldo Azevedo | 17:12
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O esforço é grande e o homem é pequeno
E agora Padrão, em homenagem a Felipão, o "Diogo Cão" (pesquisem) um tanto às avessas. Também de Mensagem
O esforço é grande e o homem é pequeno Eu, Diogo Cão, navegador, deixei este padrão ao pé do areal moreno e para deante naveguei. A alma é divina e a obra é imperfeita. Este padrão signala ao vento e aos céus Que, da obra ousada, é minha a parte feita: O por fazer é só com Deus. E ao immenso e possível oceano Ensinam estas quinas, que aqui vês, Que o mar com fim será grego ou romano: O mar sem fim é portuguez. E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma E faz a febre em mim de navegar Só encontrará de Deus na eterna calma O porto sempre por achar. |
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Por Reinaldo Azevedo | 15:07
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Agora Fernando Pessoa, de Mensagem
O poema abaixo é, na minha opinião, um dos melhores de "Mensagem" porque na fronteira entre o épico e o lírico, entre a causa como fatalidade ou contingência histórica e o indivíduo.
O INFANTE Deus quere, o homem sonha, a obra nasce. Deus quiz que a terra fosse toda uma, Que o mar unisse, já não separasse. Sagrou-te, e foste desvendando a espuma, E a orla branca foi de ilha em continente, Clareou, correndo, até ao fim do mundo, E viu-se a terra inteira, de repente, Surgir, redonda, do azul profundo. Quem te sagrou creou-te portuguez. Do mar e nós em ti nos deu signal. Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal! |
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Por Reinaldo Azevedo | 14:59
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Portugal ganhou, então Camões n'Os Lusíadas
«E disse: "Ó gente ousada, mais que quantas
No mundo cometeram grandes cousas, Tu, que por guerras cruas, tais e tantas, E por trabalhos vãos nunca repousas, Pois os vedados términos quebrantas E navegar meus longos mares ousas, Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho, Nunca arados de estranho ou próprio lenho; (...) "Sabe que quantas naus esta viagem Que tu fazes, fizerem, de atrevidas, Inimiga terão esta paragem, Com ventos e tormentas desmedidas! E da primeira armada, que passagem Fizer por estas ondas insofridas, Eu farei de improviso tal castigo, Que seja mor o dano que o perigo! (...) "Eu sou aquele oculto e grande Cabo A quem chamais vós outros Tormentório, Que nunca a Ptolomeu, Pompónio, Estrabo, Plínio, e quantos passaram, fui notório. Aqui toda a Africana costa acabo Neste meu nunca visto Promontório, Que pera o Pólo Antárctico se estende, A quem vossa ousadia tanto ofende. |
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Por Reinaldo Azevedo | 14:52
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E por falar em bola...
Entrando no espírito da coisa, selecionei abaixo alguns textos sobre futebol. Na seqüência, o de sempre: as manchetes do dia e o clipping dos jornais com notícias que o blog não postou ontem. Vamos lá, camaradas! Nada a perder a não ser o jogo. Por isso, prudência, bola no pé e geometria. Tudo isso que deixa o populismo da crônica esportiva morrendo de ódio. Os dois Ronaldos lá na frente com Juninho Pernambucano.
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Por Reinaldo Azevedo | 05:40
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A Poesia de Chuteiras 5 - Vinicius de Moraes
O anjo de pernas tortas
A um passe de Didi, Garrincha avança Colado o couro aos pés, o olhar atento Dribla um, dribla dois, depois descansa Como a medir o lance do momento. Vem-lhe o pressentimento; ele se lança Mais rápido que o próprio pensamento, Dribla mais um, mais dois; a bola trança Feliz, entre seus pés – um pé de vento! Num só transporte, a multidão contrita Em ato de morte se levanta e grita Seu uníssono canto de esperança. Garrincha, o anjo, escuta e atende: Gooooool! É pura imagem: um G que chuta um O Dentro da meta, um L. É pura dança! |
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Por Reinaldo Azevedo | 05:20
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A Poesia de Chuteiras 4 - Ferreira Gullar
O Gol
A esfera desce do espaço veloz ele a apara no peito e a pára no ar depois com o joelho a dispõe a meia altura onde iluminada a esfera espera o chute que num relâmpago a dispara na direção do nosso coração. |
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Por Reinaldo Azevedo | 05:18
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A Poesia de Chuteiras 3 - João Cabral de Melo Neto
Ademir da Guia
Ademir impõe com seu jogo o ritmo do chumbo (e o peso), da lesma, da câmara lenta, do homem dentro do pesadelo. Ritmo líquido se infiltrando no adversário, grosso, de dentro, impondo-lhe o que ele deseja, mandando nele, apodrecendo-o Ritmo morno, de andar na areia, de água doente de alagados, entorpecendo e então atando o mais irrequieto adversário. * João Cabral foi jogador de futebol na juventude, e este poema, como se vê, foi feito em homenagem a Ademir da Guia, jogador do Palmeiras. Dedicou outros ao tema, como o que segue: O futebol brasileiro evocado da Europa A bola não é a inimiga como o touro, numa corrida; e, embora seja um utensílio caseiro e que se usa sem risco, não é o utensílio impessoal, sempre manso, de gesto usual: é um utensílio semivivo, de reações próprias como bicho e que, como bicho, é mister (mais que bicho, como mulher) usar com malícia e atenção dando aos pés astúcias de mão. |
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Por Reinaldo Azevedo | 05:13
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A Poesia de Chuteiras 2 - Oswald de Andrade
Um monumento aos Reis do Futebol
A Europa curvou-se ante o Brasil: 7 a 2 3 a 1 A injustiça de Cette 4 a 0 2 a 1 2 a 0 3 a 1 E meia dúzia na cabeça dos portugueses. PS: O poeta se refere ao time Paulistano, em excursão pela Europa em 1925. Só perdeu para o Cette (hoje em dia, Sète) |
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Por Reinaldo Azevedo | 05:05
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A Poesia de Chuteiras 1 - Carlos Drummond
O poema-quase-prosa abaixo é de Carlos Drummond de Andrade e está no livro Versiprosa. Foi escrito em 30 de maio de 1970. Fala por si mesmo. Dispenso-me de fazer comentários.
Prece do brasileiro Carlos Drummond de Andrade Meu Deus, só me lembro de vós para pedir, mas de qualquer modo sempre é uma lembrança. Desculpai vosso filho, que se veste de humildade e esperança e vos suplica: Olhai para o Nordeste onde há fome, Senhor, e desespero rodando nas estradas entre esqueletos de animais. Em Iguatu, Parambu, Baturité, Tauá (vogais tão fortes não chegam até vós?) vede as espectrais procissões de braços estendidos, assaltos, sobressaltos, armazéns arrombados e – o que é pior – não tinham nada. Fazei, Senhor, chover a chuva boa, aquela que, florindo e reflorindo, soa qual cantata de Bach em vossa glória e dá vida ao boi, ao bode, à erva seca, ao pobre sertanejo destruído no que tem de mais doce e mais cruel: a terra estorricada sempre amada. Fazei chover, Senhor, e já! numa certeira ordem às nuvens. Ou desobedecem a vosso mando, as revoltosas? Fosse eu Vieira (o padre) e vos diria, malcriado, muitas e boas... mas sou vosso fã omisso, pecador, bem brasileiro. Comigo é na macia, no veludo/lã e matreiro, rogo, não ao Senhor Deus dos Exércitos (Deus me livre) mas ao Deus que Bandeira, com carinho botou em verso: “meu Jesus Cristinho”. E mudo até o tratamento: por que vós, tão gravata-e-colarinho, tão vossa excelência? O você comunica muito mais e se agora o trato de você, ficamos perto, vamos papeando como dois camaradas bem legais, um, puro; o outro, aquela coisa, quase que maldito mas amizade é isso mesmo: salta o vale, o muro, o abismo do infinito. Meu querido Jesus, que é que há? Faz sentido deixar o Ceará sofrer em ciclo a mesma eterna pena? E você me responde suavemente: Escute, meu cronista e meu cristão: essa cantiga é antiga e de tão velha não entoa não. Você tem a Sudene abrindo frentes de trabalho de emergência, antes fechadas. Tem a ONU, que manda toneladas de pacotes à espera de haver fome. Tudo está preparado para a cena dolorosamente repetida no mesmo palco. O mesmo drama, toda vida. No entanto, você sabe, você lê os jornais, vai ao cinema, até um livro de vez em quando lê se o Buzaid não criar problema: Em Israel, minha primeira pátria (a segunda é a Bahia) desertos se transformam em jardins em pomares, em fontes, em riquezas. E não é por milagre: obra do homem e da tecnologia. Você, meu brasileiro, não acha que já é tempo de aprender e de atender àquela brava gente fugindo à caridade de ocasião e ao vício de esperar tudo da oração? Jesus disse e sorriu. Fiquei calado. Fiquei, confesso, muito encabulado, mas pedir, pedir sempre ao bom amigo é balda que carrego aqui comigo. Disfarcei e sorri. Pois é, meu caro. Vamos mudar de assunto. Eu ia lhe falar noutro caso, mais sério, mais urgente. Escute aqui, ó irmãozinho. Meu coração, agora, tá no México batendo pelos músculos de Gérson, a unha de Tostão, a ronha de Pelé, a cuca de Zagalo, a calma de Leão e tudo mais que liga o meu país e uma bola no campo e uma taça de ouro. Dê um jeito, meu velho, e faça que essa taça sem milagres ou com ele nos pertença para sempre, assim seja... Do contrário ficará a Nação tão malincônica, tão roubada em seu sonho e seu ardor que nem sei como feche a minha crônica. |
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Por Reinaldo Azevedo | 04:51
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Futebol na manchete do jornais
Estado: A Seleção em busca do erro zero
Folha: Ou vai ou racha O Globo: Argentina cai. O Brasil é o continente hoje |
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Por Reinaldo Azevedo | 04:07
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Estado 3 - Propaganda oficial já está proibida
Por Carlos Marchi: "A Lei Eleitoral iguala, a contar de hoje, as oportunidades dos candidatos às eleições de outubro. Daqui por diante, o presidente da República e os governadores candidatos à reeleição não mais podem fazer propaganda oficial, a não ser em caráter de emergência, nem comparecer a inaugurações, usar a distribuição de benefícios de programas sociais em seu favor, dar aumento a servidores que excedam a recomposição de perdas, fazer transferências voluntárias a Estados ou municípios e nomear, exonerar ou transferir servidores.A partir de hoje, também, os Estados terão juízes especiais (os chamados juízes auxiliares do Tribunal Regional Eleitoral) para julgar os casos de propaganda indevida e desatenção ao que a Justiça Eleitoral chama de "condutas vedadas". Outros casos irão a julgamento do próprio TRE. Em São Paulo, os três juízes serão James Alberto Siano, Roberto Antônio Belocchi e José Percival Albano Nogueira. Além dessas instâncias, todos os juízes terão poder de polícia eleitoral em suas jurisdições, embora não possam julgar as eventuais transgressões."
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Por Reinaldo Azevedo | 03:52
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Estado 2 - E Lula cobra mais eleitoralismo oficial
De Leonencio Nossa: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a queda da vantagem sobre o adversário Geraldo Alckmin (PSDB) nas pesquisas foi um alerta para petistas e aliados deixarem de andar de "salto alto". Em conversa com três ministros na manhã de ontem, ele avaliou que os números eram esperados e acusou a imprensa de criar a imagem do "Lula imbatível", só para dar destaque ao crescimento natural do candidato tucano."Mais dia, menos dia, esses números iriam aparecer", disse o presidente, segundo relato de participantes do encontro. "Eles (veículos de comunicação) vão explorar muito isso contra mim, como se os dados fossem ruins." Na conversa, Lula reclamou da falta de empenho de assessores e até de ministros na sua campanha. "As pesquisas são boas para mobilizar quem está acomodado, para chamar atenção da militância", disse. Clique aqui para ler mais
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Por Reinaldo Azevedo | 03:47
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Estado 1 - Tesoureiro de Lula, ONG e ilegalidades
Por Ricardo Brandt: "O novo tesoureiro da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o prefeito de Diadema, José de Filippi Júnior (PT), reproduz em seu governo contratações que estiveram associadas a escândalos de outras administrações petistas, como a do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e da ex-prefeita Marta Suplicy.Foco de uma devassa em seus governos municipais nos últimos anos, o PT é acusado de montar uma ampla rede de corrupção e fraude em contratos de suas prefeituras, que alimentou o caixa 2 do partido.Em Diadema, um dos problemas detectados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) foi a contratação do Instituto de Organização Racional do Trabalho (Idort), um velho conhecido das gestões petistas.Foram três contratos durante seus governos (1993-1996, 2001-2004 e 2005-2006), dois deles julgados irregulares pelo TCE, por terem sido feitos sem licitação. O terceiro contrato ainda aguarda julgamento." Clique aqui para ler mais
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Por Reinaldo Azevedo | 03:42
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Folha 2 - Pesquisas levam o PT a mudar de tom
“Ao comentar o resultado da última pesquisa Datafolha, que apontou crescimento do candidato Geraldo Alckmin (PSDB), o presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse ontem que é uma "avaliação arrogante" trabalhar com a certeza de vitória de Luiz Inácio Lula da S |