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| Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas – Tradução de Mário Faustino) |
| Sábado, Junho 24, 2006 |
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Lulécio, Lulônio e Lucássio na Veja
Ainda na Veja desta semana, na reportagem de Marcelo Carneiro e José Edward, intitulada “Morre o petismo, nasce o lulismo”: “Ao soterrar o petismo, desmoralizar parte do Legislativo e expor a fragilidade das oposições, o escândalo do mensalão ajudou a abrir espaço para surgimento de um novo fenômeno no cenário político brasileiro: o lulismo”. Faz-se em seguida o elenco das alianças brancas heterodoxas que estariam em curso, o que traria à luz derivações teratológicas como “Lulécio” (Lula mais o tucano Aécio Neves) e Lucássio (cabeça de Apedeuta com corpinho do tucano paraibano Cássio Cunha Lima). Já o “Lulônio” fundiria o petista na Presidência com o senador Teotonio Vilela Filho no governo de Alagoas. Sim, ele também é do PSDB. Seu pai dá nome ao Instituto Teotônio Vilela, um quase think tank do partido. A mistura traz bichos ainda mais exóticos do que ornitorrinco, equidna e galeopiteco (colecionei Os Bichos quando moleque). Seria uma prova de que Lula se move acima dos partidos, o que seria a evidência de um novo fenômeno político. A reportagem é boa, com muitos dados, merece ser lida, mas a tese é furada. O PT continua a ser o que sempre foi. Apenas incorporou o cinismo em seu discurso oficial. José Dirceu, por exemplo, continua a se mover, mais poderoso do que antes, porque agora ninguém lhe dá bola, o que é ótimo para o seu ramo. O partido está e continuará incrustado nas estatais, nos Três Poderes da República, nos fundos de pensão e nas festinhas de aniversário. Lula é apenas uma personalização midiática do Moderno Príncipe. Se a tese da reportagem estivesse certa, Lulécio, Lucássio e Lulônio seriam saídas espertas. Mas não são. Provam apenas que as oposições ainda não cansaram de sua própria estupidez. Nessa marcha, serão engolidas pelo PT. Uma prova a mais de estupidez, de falta de clareza, de falta de método.
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Por Reinaldo Azevedo | 22:38
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PT, PCC e peruas na era Marta
“Sempre se soube que uma das principais fontes de renda do PCC (...) era o mercado de peruas (...) que circulam em São Paulo (...). O PCC não só domina parte das linhas do sistema como também extorque cooperativas que, sem ligação com ele, operam no setor. Há três semanas, a Polícia prendeu Luiz Carlos Efigênio Pacheco, presidente da Cooper Pam (...). Conhecido como “Pandora”, o perueiro é acusado de ter financiado (...) uma tentativa de resgate de presos de uma cadeia de Santo André (...). Detido, ele negou pertencer ao crime organizado, mas admitiu a infiltração do PCC no setor perueiro e disse que foi por ordem de Jilmar Tatto, ex-secretário de Transportes da prefeita Marta Suplicy”. É um trecho da reportagem “PT, PCC e peruas: tudo a ver?”, publicado pela Veja desta semana, assinada por Juliana Linhares. A revista informa que Pandora e Tatto “são velhos amigos” e que “a nomeação de Tatto como secretário de Transportes da gestão Marta coincidiu com a ascensão de Pandora no mercado perueiro”. Leia a íntegra na revista.
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Por Reinaldo Azevedo | 22:09
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Blindagem de araque
Na mesma Veja em que brilha a coluna de Diogo, André Petry dá uma enorme contribuição ao equívoco numa coluna intitulada “Moralismo de Araque”. Reclama dos que chamaram Lula de bêbado. Refere-se principalmente a senador José Jorge (PFL-PE), vice na chapa do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), e a José Roberto Arruda, outro pefelista. “A acusação de que Lula é um bêbado é o primeiro grande exemplo de golpe rasteiro e ofensa pessoal na atual campanha”. Discordo de Petry de várias maneiras combinadas. O primeiro golpe baixo da campanha é Lula ser candidato. Mas poderia ser o reajuste concedido ao funcionalismo na boca da urna, a inauguração de pedras fundamentais ou o uso descarado da máquina pública. Ou a candidatura dos mensaleiros. O PT passou oito anos “acusando” FHC de ser um intelectual. E aquilo era parte do jogo. Prefiro um país em que a reputação dos bêbados seja pior do que a dos intelectuais. Clinton quase cai nos EUA porque dava destinação heterodoxa a charutos em lugares não menos heterodoxos e porque, bem, revelou ter um entendimento particular sobre o que é exatamente sexo ao falar em juízo: para ele, só valia “aquilo naquilo”; o resto era prosopopéia. E ninguém ficou arrepiado com os “golpes rasteiros”. A democracia vai bem na América. Asseguro que tem avançado de Tocqueville a esta data. A reação de Petry se insere numa já longa tradição da imprensa brasileira que faz questão de proteger Lula de si mesmo. É como se o homem precisasse ser tutelado pelos iluministas: um bom selvagem caído num ambiente de racionalidade e realismo político que lhe seria estranho.
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Por Reinaldo Azevedo | 21:40
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A vitória do Coiote
Imperdível, como sempre, a coluna de Diogo Mainardi na Veja desta semana. Melhor: mais imperdível do que habitualmente. Diogo se compara ao Coiote do desenho de Chuck Jones e diz que Lula é o Papa-Léguas. Leiam um trecho: “O Papa-Léguas é uma besta primária, um oportunista microcéfalo perfeitamente adaptado ao seu meio, que sabe apenas fugir e se esquivar das ciladas preparadas pelo Coiote. O Coiote, por sua vez, é a caricatura do humanista otário que acredita no triunfo da racionalidade, do conhecimento, do engenho humano, da lei, do progresso social, da tecnologia.” Huuummm, tão simples e tão exato. Coisa de gênio. É isso aí. Fiquei com uma inveja benigna do texto. Imagino a raiva dos inimigos, dos microcéfalos. Para saber mais sobre Diogo, leia os seus livros. Para saber mais sobre Chuck Jones, clique aqui. Para saber mais sobre o governo do PT, chame a Polícia.
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Por Reinaldo Azevedo | 21:06
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Voltei
A canalha no Brasil é sentimental. Alimenta-se do ódio, que é uma paixão. Concedi uma entrevista ao Observatório da Imprensa sobre o fim de Primeira Leitura. Os petistas entraram na seção de comentários e aparelharam o OI. Eles são assim mesmo: tomam de assalto até velório. Quando Luíza Erundina foi eleita prefeita de São Paulo, houve uma disputa renhida para ver quem tomava conta do serviço funerário. Se não me engano, os presuntos acabaram na mão do ainda Partidão. Até hoje, me informam, há militantes de todos os gostos puxando os cadáveres pelo pé. Eles nos perseguem até depois de mortos. Vejam só: este é um post de estréia. Quem comemorou precocemente o fim de Primeira Leitura perdeu seu tempo. O site permanecerá no ar para consulta por pelo menos mais um ano. Os textos podem ser reproduzidos à vontade. Como eles diziam naqueles velhos tempos, “a luta continua”. E vai se dar em várias frentes. Recebi um telefonema de um ministro de Lula lamentando o fim da revista. Foi uma atitude gentil. Mas não quero que ele fique triste comigo. Nem ele nem seus companheiros. Não adianta botar água no feijão para a minha volta. Eu odeio feijão. Estamos apenas no começo. O blog terá outras seções. O que se vai ler aqui? Tudo o que se lia em Primeira Leitura e um pouco mais. Estou como Brás Cubas, de Machado. Morri e agora estou mais solto. Vão ter de me agüentar opinando também sobre literatura, cinema, culinária, futebol e furacões. Qual o tempo das atualizações? A qualquer hora do dia ou da noite, num intervalo qualquer entre o diazepan e um discurso do Lula.
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Por Reinaldo Azevedo | 18:57
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