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entrevista

17/08/2012

às 8:26 \ entrevista, games

Como os games ajudam a melhorar a sociedade

Nos últimos anos, o conceito de “gamificação” deixou de ser apenas um debate entre entusiastas de tecnologia nos Estados Unidos para agarrar as oportunidades de mercado em todo o planeta. Definida em 2004 pelo empreendedor britânico Nick Pelling como o uso da lógica dos jogos aplicada a contextos nada lúdicos em temas como saúde, marketing, negócios e educação, a técnica ganhou rapidamente adeptos – e números nada desprezíveis. Pesquisa da empresa de consultoria inglesa Delloite aponta que a “gamificação” está no ranking das dez tendências tecnológicas em 2012. Segundo a companhia americana Gartner, sete a cada dez empresas vão usar a técnica até 2014. Apesar dos dados vultosos, o conceito opõe dois grupos de analistas: os “ciber-utópicos”, que consideram o poder da “gamificação” na sociedade e os “ciber-céticos”, que pensam o oposto. O brasileiro Sunami Chun, de 36 anos, diretor-executivo da Aennova, companhia que cria soluções de aprendizado baseadas em jogos, faz parte do primeiro grupo. Conhecido no país por criar a primeira rede de LAN houses do Brasil, a Monkey, Chun sustenta sua tese garantindo que a técnica engaja profissionais no mundo corporativo, além de aprimorar o sistema educacional e de saúde. Confira a entrevista a seguir concedida ao site de VEJA:

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30/03/2012

às 7:00 \ entrevista, facebook, twitter

Nicholas Carr, um escritor contra a internet e as redes sociais

Em geral, o surgimento de uma tecnologia provoca também o aparecimento de grupos antagônicos, que em relação a ela se dividem em entusiastas e céticos. Foi assim com o rádio e com a TV. O mesmo aconteceu com a internet e, em tempos mais recentes, com as redes sociais. O escritor Nicholas Carr é um dos líderes dos céticos. Aos 53 anos, o americano, mestre em literatura pela Universidade de Harvard, afirma que as características mais brilhantes da internet podem cegar (no sentido figurado, é claro) seus usuários. Segundo ele, a miríade de conteúdos oferecidos na web termina por minar o poder do usuário de se concentrar em qualquer um deles. O saldo, portanto, é zero, na visão de Carr. As ideias foram parar em um livro, A Geração Superficial – O que a Internet Está Fazendo com os Nossos Cérebros (Agir, 384 páginas, 49,90 reais), que combina análise da tecnologia com descobertas da neurociência. O livro foi malhado no exterior, mas a discussão suscitada pelo autor merece lugar. Na entrevista ao site de VEJA reproduzida a seguir, o autor reconhece os benefícios provenientes da web, mas volta a atacar: diz que o Google é motor da desconcentração na web “O negócio deles é vender distração” e promete manter-se como um dos poucos americanos a ficar fora das redes sociais: “Não pretendo reativar meus perfis no Twitter e Facebook.” Confira.

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27/03/2012

às 18:27 \ entrevista, google

O Google derrubou o muro que separa idiomas

O sonho concebido por Douglas Adams no livro O Guia dos Mochileiros das Galáxias já foi concretizado pelo Google. Desde meados de 2011, a gigante de buscas oferece um intérprete virtual para smartphones com o nada singelo objetivo de diminuir barreiras linguísticas. Recentemente, o português entrou para a lista de 24 idiomas que possuem o recurso. Na entrevista a seguir, Hugo Barra, diretor de engenharia do Android, fala sobre o assunto e também sobre mudanças no sistema operacional da empresa para aparelhos móveis.

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27/02/2012

às 17:18 \ tumblr

‘Tumblr quer ser maior fórum criativo do Brasil’, diz brasileira responsável pela internacionalização do serviço

A paulistana Gina Gotthilf, de 25 anos, é mais um talento brasileiro fisgado por empresas digitais estrangeiras. Formada em filosofia e neurociência na Universidade Brandeis, Estados Unidos, ela se preparava para dar a volta ao mundo (ela já havia comprado as passagens e tomado sete vacinas) para assumir, há duas semanas, o cargo de gerente de internacionalização do Tumblr, híbrido de rede social e plataforma de blogs criado em abril de 2007. A empresa recrutou Gina após constatar o uso crescente da plataforma no país – o mercado nacional é atualmente o segundo maior filão do Tumblr, superado apenas pelo americano: dos 46 milhões de blogs já criados, cinco milhões foram feitos a partir do Brasil. O sucesso virtual é espelhado nas finanças: segundo o jornal americano The Wall Street Journal, o serviço recebeu investimento estimado entre 75 milhões e 100 milhões de dólares, elevando o valor da companhia a cerca de 800 milhões de dólares. Na entrevista a seguir, Gina fala sobre os projetos da empresa, como suprir a lacuna deixada por MySpace e Orkut enquanto espaços de discussão – o primeiro minguou com o aparecimento do Facebook e o segundo assiste à decadência da atividade de seus fóruns, as famosas comunidades. “Queremos que o Tumblr seja a maior comunidade criativa do Brasil”, afirma.

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12/12/2011

às 7:45 \ diaspora, entrevista

‘O Google+ nos copiou’, diz representante do Diaspora

Desde outubro de 2010, a batalha virtual entre redes sociais conta com um contendor discreto, o Diaspora, concebido como uma alternativa ao Facebook. Para assumir o papel de antípoda da maior rede social do planeta, o serviço decidiu colocar nas mãos do usuário, de maneira inconteste, todo o controle sobre informações pessoais e conteúdos compartilhados. A ideia foi de quatro estudantes da Universidade de Nova York. Para colocar o plano em prática, contudo, era necessário amealhar uma quantia nada irrisória, que sustentasse a empresa. Eles recorreram a um serviço de financiamento coletivo, e deu certo: em 39 dias, foram arrecadados mais de 200.000 dólares. Entre os benfeitores, estava o próprio fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. “Estamos felizes com o apoio dele”, admite, pela primeira vez, Peter Schurman, representante do Diaspora. Dos Estados Unidos, Schurman, de 42 anos, falou ao site de VEJA sobre o futuro do projeto – ainda disponível apenas para convidados –, e acusou o Google+, rede social do gigante de buscas criada em junho de 2011, de copiar recursos lançados pelo Diaspora – caso da exportação simplificada de informações, os círculos de amigos (Circles, no Google+) e o próprio visual de três colunas (imagem abaixo). “Não teremos combates judiciais com o Google. Estamos lisonjeados por servir de referência a eles”, afirma Schurman. Confira a entrevista a seguir.

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22/11/2011

às 7:00 \ entrevista

Smartphone é porta de entrada da web, diz consultor

No início de outubro, gigantes de telecomunicações instalados no Brasil apresentaram pacotes convergentes conhecidos como quadruple play, que combinam a oferta de telefonia fixa e móvel, internet e TV paga. Com o plano, as operadoras de telefonia e TV a cabo NET, Embratel e Claro prometem preços mais baixos ao consumidor, com mensalidades variando entre 399 e 699 reais. No dia seguinte, foi a vez das operadoras Vivo e Telefonica revelarem suas ofertas combinadas triple play, sem TV a cabo. Quem ganha com isso é o usuário, garante o espanhol Juantxo Guibelalde Folch, responsável pela área global de telecomunicações da Everis, uma das maiores consultorias do mundo no setor. Confira a seguir a entrevista que ele concedeu a VEJA.com.

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30/08/2011

às 7:00 \ paypal

‘Brasil será um dos cinco maiores mercados do PayPal’

Recentemente, o Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) revelou que o Brasil tem cerca de 12 milhões de consumidores on-line, o equivalente a 19% do total de usuários de internet no país. Esse número, é claro, tende a crescer. O PayPal, maior plataforma de pagamento on-line do mundo, quer abocanhar parte da montanha do dinheiro que esses brasileiros gastam. Criada em 1998 por Peter Thiel e Max Levchin, a empresa possui mais de 100 milhões de cadastrados no planeta, o que proporcionou um faturamento de 97 bilhões de dólares em 2010, fruto da comissão (que varia de 5,4% a 6,4%) calculada a partir do valor das operações de compra e venda e cobrada do vendedor. No Brasil, são 2,5 milhões de cadastrados, sendo que o país já registra o maior crescimento de usuários do serviço em todo o planeta. “Nosso objetivo é ser uma das cinco principais filiais do PayPal no mundo”, diz Mario Mello, presidente do PayPal no Brasil. Confira a seguir a entrevista que ele concedeu ao site de VEJA:

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08/04/2011

às 7:00 \ compracoletiva, entrevista

Nasce o mercado secundário de compras coletivas on-line

Vinícius Dornela e Antônio Miranda, fundadores do Regrupe

O mercado de compras coletivas avança rápido no Brasil. Em 2011, espera-se que os brasileiros gastem 1 bilhão de reais em cupons – passaportes que permitem consumir produtos variados – serviços de salões de beleza, ingressos de teatros, jantares etc. – com descontos atraentes. Segundo relatório divulgado em março pela WebShoppers, em parceria com o apoio da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, são 1.200 sites em operação ou lançamento no segmento. As apostas no segmento são tantas, que já tem até um mercado secundário de compras coletivas. É o caso do Regrupe. Fundado em fevereiro por Antonio Miranda e Vinicius Dornela, engenheiros formados pelo ITA – um deles, ex-funcionário do gigante Groupon -, o site revende cupons de compras coletivas.

A lógica por trás do negócio é relativamente simples: o Regrupe permite que o usuário adquira ofertas que perdeu em sites como Peixe Urbano e Groupon ou venda aquele cupom que comprou por impulso e desistiu de usar – no valor que considerar adequado, diga-se. Em tese, todos saem ganhando ao final da operação: o consumidor final aproveita a barganha, o consumidor arrependido pode reaver parte do que gastou, e o site, claro, leva o seu quinhão: 8% do valor vendido e mais R$ 0,99.

Em entrevista ao site de VEJA, o fundador do Regrupe Antonio Miranda projeta que até o final do ano o site movimentará cerca de 5 milhões de reais. E aproveita para negar que haja uma bolha no setor. “Clubes de compras coletivas vieram para ficar”, vaticina.

Como funciona o modelo do Regrupe? O site é um agregador de compra e venda de cupons de sites de compras coletivas como Groupon, Peixe Urbano, ClickOn. A grande novidade é a possibilidade de um consumidor comprar ofertas que perdeu nesses sites ou vender aquele cupom que comprou e não pretende usar.

Como surgiu a ideia de criar um mercado secundário de um setor que cresce de forma vertiginosa? Participei da fundação brasileira do Groupon, maior site de compras coletivas do mundo. Trabalhei por quatro meses na empresa como diretor de inteligência de mercado e, apesar dos poucos meses de trabalho, consegui constatar um processo durante a compra. Cerca de 20% a 30% dos usuários desses sites não conseguiam usar os cupons de menor valor e não encontravam espaço para revendê-lo. Pouco tempo depois, preferi deixar o Groupon para criar em fevereiro o Regrupe com outro colega de ITA (Vinícius Dornela). Até o momento, são sete pessoas trabalhando na empresa.

Como a empresa lucra? A cada transação, o Regrupe retém 8% do valor vendido e mais R$ 0,99 e arcamos com a taxa dos cartões de crédito. O grande charme do negócio é que o consumidor faz valer a lei da oferta e da procura: escolhe o valor para oferecer no site.

Quais são as ofertas que mais aparecem no site? Promoções envolvendo alimentação (restaurante), saúde e bem-estar (clínicas de estética) aparecem constantemente no site. O Regrupe é reflexo do perfil de quem consome em sites de compras coletivas: mulheres são maioria, entre 60% e 70%.

Quantos sites de revenda de compra coletiva existem no país? O mercado ainda é novo – começou nos Estados Unidos em outubro, com o Lifesta e Couprecup. Nosso modelo se aproxima ao do Lifesta, onde um intermediador facilita a compra e venda de cupons que não serão utilizados pelos consumidores. No Brasil, já temos três exemplos parecidos aos princípios da empresa, casos do Recupom, Troca Cupom e Troca Descontos.

Compra coletiva é uma bolha? Não considero. Clubes de compras coletivas e seus mercados desenvolvidos a partir de seu sucesso vieram para ficar. Haverá apenas um processo de evolução das empresas no setor – e do próprio consumidor.

29/10/2010

às 7:00 \ entrevista, produto, tendencias

Mercado Livre segue os passos do Twitter

Foto: Divulgação

O gigante de compra e venda na web Mercado Livre pode ser considerado um sobrevivente do estouro da bolha da rede, em 2001, quando as altas expectativas relacionadas às empresas de tecnologia se desfizeram, enterrando muitas companhias do mundo digital. O site continuou vivo e cresceu. Hoje, está presente em treze países, onde ajuda a viabilizar transações da ordem de 2,75 bilhões de dólares. No Brasil, são 25 milhões de brasileiros cadastrados. O próximo passo é fazer o negócio avançar para os dispositivos móveis – ou seja, franquear acesso ao Mercado Livre por meio de aplicativos dedicados, como celulares e tablets.

A revelação é de Stelleo Tolda, chefe de operações da empresa no Brasil. Para se tornar mais “acessível”, o site vai se tornar mais aberto. Na prática, isso significa que ele vai seguir o exemplo de hits da internet, como Twitter e Google, e apresentar uma API pública: em troca, espera que desenvolvedores independentes criem aplicativos aos usuários mundiais. “Queremos programadores e desenvolvedores produzindo serviços úteis. E a criação de recursos disponíveis em diferentes dispositivos móveis é um dos caminhos a serem trilhados pela empresa em 2011″, diz Tolda. Confira a entrevista com ele a seguir.

O Mercado Livre caminha para apresentar a desenvolvedores uma API pública (recurso que permite que profissionais espalhados pelo mundo criem serviços para o site)?
Com certeza. O mercado exige flexibilidade. Grandes empresas como Google, Amazon, PayPal, Twitter e Facebook já optaram por essa escolha há algum tempo. O contra-exemplo deste cenário é o Orkut, que está estagnado. Essa mudança acontecerá nos próximos meses, mas no primeiro semestre de 2011 já disponibilizaremos nossa API aos desenvolvedores e programadores. Queremos novas possibilidades de visualizar o conteúdo do Mercado Livre e a criação de aplicativos móveis é um dos projetos, que vai acontecer com a abertura das APIs.

Qual é o futuro do Mercado Livre?
Tenho absoluta certeza de que o comércio eletrônico dará novos saltos virtuais. E só temos um propósito: facilitar a vida de quem compra e vende.

Vocês pensam em realizar alguma ação em clubes de compra coletiva?
Há poucos dias, o Ebay (que detém participação de 19,5% do MercadoLivre.com) anunciou parceria com o Groupon, maior site de compra coletiva no mundo. Desde então, a empresa passou a listar os melhores negócios do dia do Groupon.com, além de permitir que seus usuários coletem pontos com as compras que fazem, com o objetivo de aumentar sua presença no crescente segmento de compras em grupo na internet. Portanto, observamos esse novo modelo com interesse, mas não acredito que seja o formato padrão para que ocorram transações comerciais. Trata-se de uma estratégia de nicho que resultou em muitos lucros.

Os produtos mais comercializados (imagem acima) revelam o perfil de quem vende e de quem compra produtos no Mercado Livre? Quem são essas pessoas?
Não temos um perfil de pessoas como existe em um clube de compra coletiva, por exemplo. No início do nosso projeto, classes A e B eram a grande maioria. Hoje, a classe C cresce de forma vertiginosa. São Paulo e Rio de Janeiro são as duas cidades que mais realizam negociações. O vendedor é, geralmente, um empreendedor. Há alguns meses, percebemos a evolução de comerciantes de mais de 40 anos – que já têm lojas físicas – vendendo no Mercado Livre.

O que não vende no Mercado Livre?
É difícil responder essa questão pelo simples fato de que o cadastrado no site tem a liberdade de anunciar o produto. E são as palavras e as imagens que vão atrair compradores. No entanto, acredito que o segmento de roupas deveria vender mais. É um setor com grande potencial.

Como o senhor chegou à presidência do Mercado Livre?
Sou formado em engenharia pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Pouco tempo depois, fiz o MBA na mesma instituição. Estou no Mercado Livre desde sua fundação. Ingressei após conhecer o fundador do site, Marcos Galperin, em Stanford. Assim que lançou o Mercado Livre na Argentina, em 1999, ele me chamou para abrir a operação brasileira. Mas sinceramente o projeto não estava nos meus planos. Na época, eu tinha um objetivo: continuar no setor de finanças. Fiquei por seis meses no banco Lehman Brothers, mas sabia do potencial da internet e aceitei o convite.

Como o Mercado Livre sobreviveu à bolha da internet?
Tivemos um grande apoio financeiro. Em maio de 2000, recebemos 46,5 milhões de dólares de investidores, como Chase Capital, Hicks Muse (conhecida no país por ser ex-parceira de investimentos do Corinthians), Goldman Sachs, Banco Santander e GE. Eles acreditavam no nosso trabalho e pediram uma única coisa: cuidem deste precioso recurso.

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25/09/2010

às 7:00 \ entrevista, mobilidade

O fim da divisão entre ‘on’ e ‘off-line’

Foto: Divulgação

Aos 39 anos, Ricardo Cavallini acaba de lançar seu quarto livro: Mobilize (download gratuito), em coautoria com Léo Xavier e Alon Sochaczewski. Trata-se de um desafio pessoal. Isso porque na obra o vice-presidente de convergência da agência Fischer+Fala! e seus parceiros se impõem a tarefa de mostrar qual o real impacto dos dispositivos móveis na publicidade e também na vida de cidadãos do mundo – e especialmente do Brasil. Diz o publicitário no texto: “Vivemos num país onde há mais acesso à telefonia móvel do que à rede de esgoto ou água tratada”. Por mais chocante que pareça a informação, ela reflete a grande penetração dos dispositivos móveis no país. O Brasil de 192 milhões de habitantes fechou o mês de agosto com o registro de 189,5 milhões de linhas de celulares, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Na entrevista a seguir, Cavallini comenta os reflexos da geolocalização, da realidade aumentada e da mobilidade sobre nossas vidas. E prevê: “No futuro, não teremos mais divisão entre mundo on-line e off-line”.

A rede 4G – próxima e mais rápida geração de transmissão de dados e voz com dispositivos móveis – já deu os primeiros passos nos Estados Unidos. Ainda não há data certa para a tecnologia aportar no Brasil, mas já é possível antever seus benefícios ao país?
O 4G pode acelerar a curva de adoção de banda larga no Brasil. E, com certeza, irá superar o número de pessoas que acessam a internet em residências. Teremos ainda mais pessoas conectadas. Consequentemente, o valor da rede aumenta exponencialmente. O que contribuiu com o pensamento de que, no futuro, não teremos mais divisão entre mundo on-line e off-line.

Então, será esse o cenário que nos aguarda?
No futuro próximo, estaremos conectados o tempo todo. Os objetos à nossa volta vão se comunicar entre eles, o que permite acabar com a ideia de dividir tarefas nos mundos on-line e off-line. E essa transição começa a acontecer no Brasil. Em um dos meus livros, O Onipresente, eu cito um exemplo retirado do cotidiano de um adolescente, que diz: “Eu vou estudar, depois irei à natação e depois ao Orkut”.

Os recursos de geolocalização, que permitem relacionar usuários de redes de comunicação e lugares do planeta, está se popularizando. Isso poderá colocar a privacidade em xeque?
A privacidade é algo complexo. Hoje, é um conceito subjetivo. Vamos pensar nas redes sociais. Grande parte dos brasileiros é adepta desses sites para se relacionar: quer ver e ser vista. O que eu considero como invasão de privacidade é, geralmente, o que cadastrados no Facebook ou Orkut fazem – revelando e buscando muitas informações pessoais. Mas isso tende a acabar. É um processo de amadurecimento. O cenário será exatamente igual ao ocorrido no início da estabilização da economia, com acesso ao crédito: muitos brasileiros se endividaram além da conta. Hoje, as pessoas lidam com isso de uma forma mais madura – já se programam, não entram em vários financiamentos. É a velha evolução natural do ser humano.

Qual é a sua opinião sobre o uso crescente da realidade aumentada?
Como em toda tecnologia, há o período de exagero em torno do recurso. Perde-se a relevância. Ao passar a febre, fica a sensação de que a funcionalidade não existe mais. Mas assim como o QR Code (código de barras bidimensional capaz de armazenar diversas informações, como textos e links), a realidade aumentada traz benefícios reais, como o já conhecido sistema usado pelas emissoras de TV em jogos de futebol para indicar, por meio de linhas virtuais, se um jogador está impedido ou não. Cabe aos profissionais da comunicação tornar os recursos relevantes. É importante lembrar algo de que muita gente se esquece: a realidade aumentada é um recurso antigo, usado há muitos anos no visor dos capacetes de pilotos de caça americanos: imagens projetadas ali ajudam os militares a controlar a aeronave.

 

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