Wave: tsunami do Google virou marola e morreu na praia

Lars Rasmussen foi um dos criadores do Wave: nesta praia, o Google fracassou
O Google anunciou oficialmente nesta quarta-feira o fim do desenvolvimento do Google Wave, serviço que une mensagens instantâneas, e-mail, armazenagem de documentos e recursos de rede social em um pacote integrado. O fechamento de um dos serviços mais alardeados na web nos últimos anos expõe aquela que é talvez a maior fragilidade da empresa: a dificuldade em criar ferramentas bem-sucedidas com vocação para relacionamento e interação social.
Por meio de uma nota em seu blog oficial, a empresa alega falta de adesão dos usuários ao Wave. Em outras palavras: pouca gente surfou na onda do Google. O vice-presidente de operações do site, Urs Holzle, ainda tentou salvar o produto moribundo. “Vamos manter o site pelo menos até dezembro e estender a tecnologia para uso em projetos do Google”, disse.
O Wave foi projetado na Austrália por uma pequena equipe, liderada pelos irmãos Lars e Jens Rasmussen, funcionários do Google que ajudaram a construir o serviço de mapas da empresa. Ele foi lançado em maio de 2009, de forma restrita: era necessária convite, o que gerou uma gritaria virtual. Seus criadores estavam ambiciosos: “O Wave vai revolucionar a comunicação feita por intermédio da internet”. Não é bem o que aconteceu.

O tsunami que acabou em marola expõe o calcanhar de Aquiles do Google. Desde sua fundação, em 1998, o gigante não emplacou nenhuma ferramenta de grande participação e interação entre usuários. A lista de fracassos é extensa. Em 2009, foi desativado o Lively, “mundo” virtual que pretendia fazer frente ao Second Life. No mesmo ano, foi a vez de sucumbir o Dodgeball, serviço criado pelo fundador do Foursquare que informava o paradeiro de usuários por meio da geolocalização. Outro que desapareceu foi o Jaiku, microblog imaginado para rivalizar com o Twitter.
Outros produtos de menor envergadura também foram descontinuados, como o Catalog Search, que escaneava catálogos de produtos e permitia buscas on-line, e o Notebook, ferramenta que permitia que os usuários tomassem notas sobre sites visitados. O Orkut, projeto inicial desenvolvido por um funcionário da empresa, foi aproveitado e, em pouco tempo, virou uma febre nacional. Já o YouTube é uma exceção – o serviço não é prata da casa e foi adquirido junto a terceiros.
Foto: Nialkennedy.












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