Nicholas Carr, um escritor contra a internet e as redes sociais

Em geral, o surgimento de uma tecnologia provoca também o aparecimento de grupos antagônicos, que em relação a ela se dividem em entusiastas e céticos. Foi assim com o rádio e com a TV. O mesmo aconteceu com a internet e, em tempos mais recentes, com as redes sociais. O escritor Nicholas Carr é um dos líderes dos céticos. Aos 53 anos, o americano, mestre em literatura pela Universidade de Harvard, afirma que as características mais brilhantes da internet podem cegar (no sentido figurado, é claro) seus usuários. Segundo ele, a miríade de conteúdos oferecidos na web termina por minar o poder do usuário de se concentrar em qualquer um deles. O saldo, portanto, é zero, na visão de Carr. As ideias foram parar em um livro, A Geração Superficial – O que a Internet Está Fazendo com os Nossos Cérebros (Agir, 384 páginas, 49,90 reais), que combina análise da tecnologia com descobertas da neurociência. O livro foi malhado no exterior, mas a discussão suscitada pelo autor merece lugar. Na entrevista ao site de VEJA reproduzida a seguir, o autor reconhece os benefícios provenientes da web, mas volta a atacar: diz que o Google é motor da desconcentração na web – “O negócio deles é vender distração” – e promete manter-se como um dos poucos americanos a ficar fora das redes sociais: “Não pretendo reativar meus perfis no Twitter e Facebook.” Confira.
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