Quando o Google entra em um terreno da Microsoft

Na última sexta-feira, o Google anunciou sem muito barulho a aquisição da empresa DocVerse, pequena companhia especializada em serviços que permitam aos internautas produzirem trabalhos colaborativos com documentos do Microsoft Office, como Word, Power Point e Excel.
Segundo informações da versão on-line do Wall Street Journal, a negociação girou em torno de 25 milhões de dólares (aproximadamente 50 milhões de reais). O valor, considerado alto por um recurso específico, confirma mais uma estratégia do gigante da web – entrar em um terreno dominado até hoje pela Microsoft.
A DocVerse foi fundada em 2007 por Shan Sinha e Alex DeNeui, ambos ex-gerentes da Microsoft. O software (imagem abaixo) produzido pela empresa permite que várias pessoas possam trabalhar ao mesmo tempo em um arquivo sem a necessidade de enviar ou manter um controle de mudanças, funcionalidade que será uma das maiores atrações no pacote Office 2010 da própria Microsoft, que chega às lojas em sua versão final no segundo semestre do ano.

A principal vantagem do DocVerse, no caso, é não exigir que você aprenda uma nova forma de trabalho. Seu software faz uma integração ao Microsoft Office e toda vez que é feita uma alteração no arquivo, uma cópia é disponibilizada ao usuário na internet, artifício que era pago até então (seis dólares por mês).
Quem pensa que o plano do Google é tirar a hegemonia da Microsoft em documentos, está enganado. O símbolo de busca na web busca convergência com o Google Docs. No caso, DocVerse faria a conexão que faltava ao seu serviço – uma sincronia para adicionar funções e facilitar o trabalho entre mais pessoas conectadas à rede.
Mas o que uma empresa pode querer depois de conquistar o quase monopólio em seu ramo de negócios? O Google tem uma resposta implacável: buscar ser ainda maior e atingir o domínio global em uma escala jamais vista. Mas, é claro, quer algo em troca – todos os dados que seus usuários possam fornecer sobre hábitos de consumo e, a partir disso, conquistar toda a verba de publicidade disponível na rede. @veja


