Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Lisergia polonesa

Belzebong, quarteto repleto de canções de andamento lento e pesado e histórias mirabolantes, apresenta seu stoner metal em Belo Horizonte, São Paulo e Rio

Black Sabbath, Michael Jackson, Mutantes e lisergia: a receita musical do Belzebong (Divulgação/Divulgação)

O cenário é Kielce, cidade polonesa localizada a três horas de distância da capital Varsóvia. Ali, um grupo de amigos se reúne todos os dias para sessões de, digamos, meditação. Num desses encontros uma fada verde (isso mesmo, uma fada verde) sussurrou para eles o nome Belzebong – o bong, claro, faz menção a um tipo de cachimbo utilizado durantes esses momentos de, hmmm, meditação. Os rapazes então ficaram tão tocados por esse aviso místico que decidiram criar um grupo de stoner metal, vertente mais lenta e arrastada do heavy metal. Verdadeira ou não – suas entrevistas passam longe da seriedade –, o Belzebong é uma atração imperdível. E neste final de semana, o quarteto polonês faz sua primeira incursão em terras brasileiras: eles se apresentam nesta sexta-feira, 28 de julho em Belo Horizonte (Stonehenge Rock Bar, rua Tupis 1448, Barro Preto); sábado, 29, em São Paulo (Feeling Music Bar, rua Domingo de Morais, 1739, Vila Mariana), e domingo, dia 30, no Rio de Janeiro (La Esquina, avenida Mem de Sá, 61, Lapa).

Para entender melhor a sonoridade do Belzebong, é necessário observar as mudanças do heavy metal nas últimas décadas. Quando surgiu, no dia 13 de fevereiro de 1970 (data de lançamento do primeiro disco do quarteto inglês Black Sabbath), o gênero era influenciado basicamente pelo rock’n’roll, blues e jazz. Posteriormente, o rock pesado passaria por outras transformações: a new wave of british heavy metal, representada por bandas como Iron Maiden e Saxon, eliminou o blues e o jazz, tornando-o um pouco mais “embranquecido”. O grunge, gênero surgido em Seattle no início dos anos 90, adicionaria um tanto de sujeira e agressividade. Em meio a essas inovações, o stoner rock pode ser considerado um retorno às raízes: ele reverencia os primórdios da música pesada (especialmente em suas conexões com o blues), mas com um andamento grave e moroso, além de exaltações a plantas, digamos, alucinógenas. Os americanos do Sleep e os ingleses do Electric Wizard são os primeiros destaques do stoner metal, ainda no início da década de 90.

O Belzebong surgiu mais de uma década depois do aparecimento de Sleep e Electric Wizard. A formação inicial da banda data de 2008 e, além de trataram essencialmente de temas, hãn, psicodélicos, seus integrantes têm o costume de usarem o pseudônimo de “Dude”. No início, eram Cheesy Dude e Alky Dude nas guitarras, Sheepy Dude no baixo, Felony Dude na bateria e Mary Dude nos vocais. Este último, no entanto, teria sido esquecido pela banda (como falamos, nada é muito sério e verdadeiro na biografia do Belzebong) e hoje vaga por um estacionamento em Salé, cidade americana famosa por suas conexões com a bruxaria. “A história é verdadeira, ninguém sabe onde ele foi parar. Por outro lado, estamos muito bem sem vocais – é mais fácil fazer a passagem de som”, diz Cheesy Dude.

A Polônia esteve sob o jogo da então União Soviética até 1991. Era, portanto, quase impossível obter discos de artistas do bloco capitalista. As influências iniciais de Cheesy Dude, portanto, passaram longe dos nomes do heavy metal tradicional. “Meu pai trazia discos de Bon Jovi e Michael Jackson no mercado negro”, confessa ele, que foi se apaixonar pelo rock pesado somente no período ginasial. A porta de abertura para sons mais, digamos, “viajantes”, se deu com Master of Reality (1971), terceiro disco do Black Sabbath. “É até hoje o melhor trabalho para se escutar em estado levemente alterado”, completa Cheesy Dude. Outro integrante, Sheepy Dude, aponta uma influência brasileira na sonoridade do Belzebong. “Eu adoro Mutantes. Escutei o grupo numa coletânea de rock psicodélico e os achei incríveis. Pretendo conhecer mais da cena sul americana.”

 

Embora os grooves lentos e arrastados sejam a prioridade do Belzebong, o grupo também lança mão de outros elementos para reforçar sua sonoridade. Nem sempre eles são musicais. Sonic Spaces and Weedy Grooves (2011) foi acompanhado por uma demo gravada em 2009. Ela trazia, entre outras coisas, chiados e um discurso intitulado Alice no País do Ácido – que foi tirado de uma propaganda governamental que alertava a população sobre os efeitos maléficos do LSD. Pesado, por vezes engraçado, mas nunca monótono, o Belzebong faz história dentro do cenário stoner metal mundial. A turnê brasileira do grupo é uma excelente oportunidade para apreciar uma das bandas mais interessantes desse subgênero do rock pesado.

 

*colaborou Noel Bielecki

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s