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tragédia de realengo

08/04/2011

às 17:33

A tragédia parou Realengo, um bairro onde todos se conhecem


As irmãs Juliana e Vitória, com foto junto à amiga Bianca, que morreu no massacre da escola Tasso da Silveira

As irmãs Juliana e Vitória, com foto junto à amiga Bianca, que morreu no massacre da escola Tasso da Silveira (foto de Selmy Yassuda)

Desde quinta-feira, Joana de Souza, de 49 anos, não consegue fazer nada. Nem arrumar a casa. Sua vida parou desde o massacre na Tasso da Silveira, e é exatamente essa a impressão que se tem ao circular pelas ruas de Realengo, onde pessoas caminham sem rumo, muitas chorando.

No bairro, todo mundo se conhece, como numa pequena cidade do interior. Vitória, de 10 anos, filha caçula de Joana, estuda no Tasso da Silveira. Sua irmã Juliana, de 15 anos, estudou lá até dois anos atrás. As duas são muito ligadas a Larissa dos Santos Atanásio, uma das vítimas do atirador. Apesar de mais nova, Vitória estava na mesma sala de balé de Larissa. Nesta sexta, quis ir ao enterro da amiga. A mãe levou. “Quis que ela visse a vida como ela é”, explicou.

Juliana estuda na escola estadual Madre Teresa de Calcutá. Lá, é colega de Breno, irmã de Bianca Rocha Tavares, que foi enterrada nesta sexta-feira. Ela soube por ele que estava havendo um tiroteio na escola onde estuda sua irmã caçula, e ficou desesperada. Brigou com a diretora, que mandou fechar o colégio, porque queria buscar a irmã no colégio, como faz normalmente, “Eu bati no portão, chorei, gritei, não sabia se minha irmã estava viva. E eu sou a responsável por ela. Só tive certeza de que estava tudo bem quando a vi em casa. A gente se abraçou muito.”

07/04/2011

às 21:03

Sobe para 12 número de alunos mortos no Rio

Subiu para 12 o número de crianças mortas no massacre da escola Tasso da Silveira, em Realengo. No início da noite foi confirmada a 12ª morte – ainda não há o nome da vítima.

Dez das vítimas são meninas. Todos têm entre 12 e 14 anos. Uma delas apenas não tem identificação.

O assassino, Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos, também morreu, depois de ser baleado e, segundo a polícia, atirar contra a própria cabeça.

Os nomes confirmados são:

1- Karine Lorraine Chagas de Oliveira, 14 anos
2- Rafael Pereira da Silva, 14 anos
3- Milena dos Santos Nascimento, 14 anos
4- Mariana Rocha de Souza, 12 anos
5- Larissa dos Santos Atanázio, 13 anos
6- Bianca Rocha Tavares, 13 anos
7- Luiza Paula da Silveira Machado, 14 anos
8- Laryssa Silva Martins, 13 anos
9- Géssica Guedes Pereira (idade a ser confirmada com documento)
10- Samira Pires Ribeiro, 13 anos
11- Ana Carolina Pacheco da Silva, 13 anos

07/04/2011

às 20:27

“Ele tinha um olhar transtornado”, diz policial


Chamado de herói pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, o policial militar que baleou o assassino de Realengo rejeita esse rótulo. “Evitamos uma tragédia ainda maior. Se ele chegasse ao quinto andar, haveria mais mortes. Mas agi com outros policiais e cumpri o dever que o estado me entregou”, disse, usando as formalidades militares de quem não está acostumado com os holofotes, o terceiro sargento Márcio Alves, do 14º Batalhão da PM (Realengo).

Márcio estava a duas quadras da escola municipal Tasso da Silveira, em uma blitz. A rotina de trabalho da manhã foi interrompida por um aluno baleado, que conseguiu chegar até a viatura da polícia e avisou: “Tem um homem atirando na escola”.

“Seguimos até a escola e ouvimos disparos no 2º andar. Quando subimos, ele vinha saindo de uma sala com a arma em punho. Ele apontou a arma em minha direção e eu efetuei o disparo. Consegui certar o tiro. Ele caiu e depois tirou a própria vida, atirando em sua cabeça”, contou o sargento.

“Ele tinha um olhar transtornado, mas determinado. Parecia que ir ao terceiro andar era um objetivo dele. Se chegasse lá, a tragédia seria maior”, conta o policial.

Márcio Alves teve pouco tempo de ver e entender a cena, ainda repleta de corpos e de feridos. Havia a suspeita de que outro criminoso estaria na escola. As crianças só foram liberadas depois que Alves, com os cabos Edinei Feliciano da Silva e Denílson Francisco de Paulo, terminou uma varredura no prédio.

No meio da debandada em desespero, uma menina, antes de fugir correndo, quis agradecer. “Ela subiu na cadeira e perguntou se podia me dar um beijo. Ela me beijou e saiu correndo”, contou Márcio.

Cecília Ritto, do Rio de Janeiro

 

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