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seleção brasileira

08/06/2011

às 1:00

Mano enxerga boas alternativas na lista para Copa América

Um time jovem, mas com boa experiência em posições estratégicas – e com uma dose de talento suficiente para entrar na competição com chance de encarar qualquer adversário. É assim que o técnico Mano Menezes planejou o grupo para a Copa América, convocado depois da partida desta terça-feira, em São Paulo, contra a Romênia, na despedida de Ronaldo. “Montamos um grupo capaz de dar alternativas. Isso é importante em um torneio curto.” A escolha também foi pautada pela presença de pelo menos um jogador experiente em cada setor – o que explica a presença de atletas como Júlio César, Lúcio, Maicon e Fred. “Estamos indo para uma competição dura”, lembrou, em referência aos prováveis confrontos contra seleções como Argentina e Uruguai.

O futebol apresentado nos amistosos contra Holanda e Romênia foi modestíssimo, mas Mano acha que a evolução da equipe transcorre dentro do previsto – segundo ele, estão cumpridas as etapas de organização da equipe e construção da dinâmica de jogo. “Falta o apuro final, aquela coisa de você nem precisar olhar para o companheiro para saber que ele estará lá.” Mesmo dizendo estar satisfeito, Mano sinalizou claro incômodo com a escassez de gols da equipe. “Todos eles sabem fazer gol. Talvez falte um pouco de concentração, mas isso é normal num amistoso. Isso, em um jogo oficial, tem de ser diferente.” E voltou a reclamar da torcida, assim como fez em Goiânia – disse que o público atrapalhou ao pedir Lucas quando Jadson errou alguns passes. “O Lucas não joga onde jogava o meu camisa 10 neste jogo”, explicou.

Confiante no prazo de recuperação para que Alexandre Pato e Paulo Henrique Ganso estejam prontos para a Copa América, Mano destacou o papel importante que reserva a ambos na equipe. “Pato é o jogador com o maior número de gols nessa nova fase da seleção. E o Ganso só jogou uma partida, na minha estreia, mas sempre deixei claro que ele é o atleta que reúne o maior número de qualidades para exercer a função de armador.” Mano avisou ainda que os convocados para os amistosos e excluídos para a Copa América ainda podem voltar: “Não cortamos ninguém, só convocamos 22. Mas é óbvio que a conversa com quem ficou de fora foi olho no olho, até para deixar bem claro que o fato de não estar na lista não os exclui da nossa trajetória, que é muito maior que a Copa América.” A seguir, a lista completa:

Goleiros: Júlio César e Victor
Zagueiros: Thiago Silva, David Luiz, Lúcio e Luisão
Laterais: Daniel Alves, Maicon, André Santos e Adriano
Meias: Lucas Leiva, Sandro, Elano, Ramires, Elias, Jadson, Paulo Henrique Ganso e Lucas
Atacantes: Alexandre Pato, Fred, Neymar e Robinho

(Giancarlo Lepiani)

08/06/2011

às 0:30

Brasil terá Paulo Henrique Ganso e Pato na Copa América

Mano Menezes decidiu apostar em dois dos maiores talentos da atual geração do futebol brasileiro para a disputa da Copa América, em julho, na Argentina. Eles não participaram dos amistosos contra Holanda e Romênia, por causa de contusões. Mas tanto Alexandre Pato como Paulo Henrique Ganso estão na lista divulgada pela CBF logo depois do jogo desta terça-feira, no Pacaembu. No resto da lista, nenhuma surpresa: a seleção no primeiro torneio oficial com Mano é uma mistura de jogadores experientes, como Júlio César e Lúcio, e grandes apostas do Brasil, como Lucas e principalmente Neymar. A seleção se apresenta no dia 20 de junho, no Rio de Janeiro, e viaja já no dia seguinte. A seguir, a lista completa:

Goleiros: Júlio César e Victor
Zagueiros: Thiago Silva, David Luiz, Lúcio e Luisão
Laterais: Daniel Alves, Maicon, André Santos e Adriano
Meias: Lucas Leiva, Sandro, Elano, Ramires, Elias, Jadson, Paulo Henrique Ganso e Lucas
Atacantes: Alexandre Pato, Fred, Neymar e Robinho

07/06/2011

às 23:56

Seleção perde Ronaldo, mas ganha o jogo – e uma chance de ver encontro único entre passado e futuro, com Neymar

Neymar e Ronaldo: dupla afinada (Foto: Cesar Greco/Fotoarena)

Neymar e Ronaldo: dupla afinada (Foto: Cesar Greco/Fotoarena)

O placar não importava tanto; o desempenho, também não – pelo menos para a torcida, que foi ao Estádio do Pacaembu, em São Paulo, na noite desta terça-feira, para se despedir de Ronaldo. No fim das contas, o saldo até que foi positivo. A seleção brasileira perdeu seu segundo maior artilheiro, que se despediu numa participação marcante – curiosamente, não pelos gols que fez, mas sim pelos que deixou de marcar. O time do técnico Mano Menezes, porém, ganhou o amistoso contra a Romênia, 1 a 0, gol de Fred, ainda no começo da partida, e também uma chance única: a de presenciar, ao mesmo tempo, o passado e o futuro da seleção. Isso porque a dupla Ronaldo e Neymar, que durou pouco mais que 15 minutos e jamais voltará a ser reeditada, funcionou muito melhor do que qualquer um imaginava. O mais promissor jogador brasileiro da atualidade costurou três jogadas de gol para o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. Ronaldo perdeu as três, mas ficará na lembrança o entrosamento instantâneo entre os dois. Com Ronaldo já fora de campo, o segundo tempo fez jus à classificação de amistoso, com muito pouco a oferecer à torcida – que preferiu continuar gritando o nome de Ronaldo. A seleção volta a se reunir dentro de algumas semanas – agora para disputar uma competição oficial, a Copa América, na Argentina.

A definição da lista de convocados para o torneio, aliás, era uma das expectativas da noite para os jogadores. Uma das dúvidas do técnico Mano Menezes, tanto para o amistoso como para a Copa América, era a posição de armador – e ele surpreendeu colocando Jadson na função que foi de Elano no amistoso anterior, como homem mais avançado entre os três ocupantes do meio (no treino, ele tinha ensaiado Henrique na função). O meia do Shakhtar, da Ucrânia, decepcionou na sua primeira chance, no amistoso contra a Escócia, em Londres – tímido demais, deu lugar a Lucas. Nesta terça, porém, o atleta revelado pelo Atlético-PR apareceu muito mais. Logo aos 3 minutos, por exemplo, foi derrubado na entrada da área – a arbitragem deu só falta, não pênalti. Aos 8, Jadson acionou Neymar pela esquerda, mas o novo astro da seleção teve seu chute bloqueado. E aos 11, ele puxou um contra-ataque que deixou Neymar frente a frente com o goleiro – o camisa 11 chutou por cima. Neymar voltou a levar perigo aos 18 minutos, entortando um zagueiro no lado esquerdo da área e levantando para Fred soltar um voleio, que não levou perigo. Aos 21 minutos, depois de tanto ameaçar, o Brasil enfim abriu o placar. Maicon subiu pelo lado esquerdo e virou para Neymar na esquerda. Ele fez uma linda finta e acionou Fred, quase embaixo do travessão, só completar.

Em vantagem no placar e com liberdade para jogar, a seleção passou a aprontar o terreno para a entrada do dono da festa. A torcida já gritava seu nome desde os 15 minutos – e enquanto o jogo corria, o telão do Pacaembu mostrava Ronaldo no vestiário, se aquecendo, sempre com a companhia dos filhos, Ronald e Alex. Às 22h22 desta terça, aos 27 minutos de partida, Ronaldo subiu ao gramado – e deixou tudo o que se passava em campo em segundo plano. Com todos os olhares direcionados à lateral do gramado, Fred, o autor do gol, foi o escolhido para dar o lugar ao maior artilheiro da história das Copas. A equipe passou a buscar Ronaldo sempre que possível. Ele demorou a pegar na bola, mas aos 33, depois de um cruzamento rasteiro de Neymar, o Fenômeno finalizou na pequena área – só para o goleiro Tatarusanu rebater e fazer o papel de estraga-prazeres da festa. Aos 39, Ronaldo teve uma chance mais clara ainda, de novo graças a Neymar, que iniciou o lance. Recebeu de Robinho a bola limpa, na altura da marca do pênalti, e bateu de chapa, com o pé direito, seu melhor. Isolou a bola – e caiu na gargalhada. Aos 41, Neymar – de novo – disparou pela ponta e ainda esperou Ronaldo chegar antes de cruzar, para o Fenômeno chutar rasteiro – e de novo esbarrar no goleiro romeno.

Leia também: ‘Até breve, mas dessa vez fora de campo’, diz Ronaldo

Foi a última chance de gol de um artilheiro que ficou marcado por aproveitá-las ao máximo. E o último lance importante da primeira etapa, concluída com o início da homenagem programada para durar todo o intervalo. Ronaldo deu volta olímpica, vestiu a bandeira brasileira, falou um “muito obrigado” e fechou um capítulo da história da seleção. Enquanto descia ao vestiário, a seleção voltava ao gramado – com Nilmar na vaga que era do Fenômeno -, com a tarefa de assegurar a vitória, tentar ampliar o placar e deixar uma boa impressão antes de se apresentar para a disputa da Copa América, em julho, na Argentina. A temperatura do jogo, porém, despencou. Neymar, Robinho e Jadson ainda tentavam acelerar o ritmo da partida, mas os lances mais contundentes eram raros. A seleção encaixou dois belos ataques – aos 17, com Nilmar, em um chute rasteiro defendido pelo goleiro, e aos 18, de novo com Nilmar, de novo com defesa de Tatarusanu. Aos 21, Lucas, que vinha sendo pedido pela torcida, entrou – mas no lugar de Robinho, troca que desagradou à torcida. Era chegada a hora de dar alguns minutos de jogo a quem ainda não tinha atuado desde o amistoso anterior, como Luisão e Thiago Neves. Desentrosados, os substitutos tentaram mostrar serviço, mas sabiam que a noite não era deles, e sim de quem já estava no vestiário havia um bom tempo.

(Giancarlo Lepiani)

07/06/2011

às 22:58

Ronaldo: ‘Até breve, mas dessa vez fora dos campos’

(Foto: Cesar Greco/Fotoarena/Folhapress)

Fenômeno se cobriu com bandeira jogada por torcedor (Foto: Cesar Greco/Fotoarena/Folhapress)

A única coisa que Ronaldo sabia ao acordar neste dia 7 de junho de 2011 era que iria entrar em campo vestindo pela última vez – pelo menos oficialmente – a camisa da seleção brasileira. Ele também sabia que o amistoso contra a Romênia seria interrompido aos 30 minutos do primeiro tempo para ceder lugar, ainda com a bola rolando – como ele gosta, para “meus 15 minutos finais”, como ele mesmo definiu. De resto, a noite reservava apenas surpresas e emoções ao craque que se despedia da profissão à qual se doou nos últimos 18 anos – 17 deles eternizando a camisa 9 do Brasil. No dia anterior, ele confessou não saber o que estavam lhe preparando. Ao chegar com toda a delegação no Pacaembu, em São Paulo, o técnico Mano Menezes também percebeu que esse não seria um jogo normal. “Daí que vi que essa era uma noite diferente: ele chegou antes de todo mundo”, brincou o treinador.

Leia também: Seleção perde Ronaldo mas ganha o jogo

Duas horas e meia antes do horário programado para pisar no gramado, o Fenômeno chegou ao estádio acompanhado dos filhos Ronald e Alex – a mesma dupla de semelhança inegável que o pai levou consigo para suportar a difícil tarefa de anunciar sua aposentadoria, em fevereiro passado. O eterno craque manteve os rebentos sempre perto de si, inclusive durante o aquecimento no vestiário, onde aguardou até ser chamado para substituir Fred, que reverenciou o ídolo antes de sair. Para os demais jogadores, esse era o último teste antes da convocação oficial para a Copa América. Para Ronaldo – e toda a torcida brasileira, que se vestiu de amarelo em sua maioria, gritou bastante e levou faixas com mensagens de carinho -, era uma festa de despedida. E foi nesse clima que ele entrou em campo, vestindo o uniforme que não usava desde o Mundial de 2006, exatamente às 22h25 de terça-feira. À base de uma injeção de anti-inflamatório para suportar os minutos em que todos os olhos estariam grudados nele, não tinha qualquer preocupação em mente.

E os torcedores do Pacaembu tiveram de dividir mesmo sua atenção com o ídolo que estavam prestes a perder e cuja imagem nos bastidores era exibida no telão do estádio enquanto o restante do time tentava colocar a bola na rede da Romênia – o que aconteceu aos 21 minutos do primeiro tempo. Ronaldo ouviu os gritos da torcida no primeiro gol e não conseguia parar de se mexer e andar de um lado para o outro, em claro sinal de nervosismo – soltou, inclusive, um dos palavrões típicos de desabafo e que dispensa ser reproduzido aqui. “Ole-le, ola-la, Ronaldo vem aí e o bicho vai pegar”, gritava a torcida, empolgada. E ele veio, ovacionado desde o vestiário. Quando apareceu, delírio geral e ritmo lento em campo – nem os jogadores pareciam querer perder esse momento. O maior artilheiro na história das Copas do Mundo sabia que não tinha mais nada a provar em seu jogo de número 105 pela seleção. “Acho que não tenho que demonstrar nesse jogo o quão bom eu fui”, falou, na véspera.

Aos 30 minutos, o quarto árbitro levanta a placa de substituição e, ao ver o tão aguardado número 9 em verde, os torcedores enlouquecem de novo. Ronaldo levou míseros três minutos para tocar na bola a primeira vez, tempo que pareceu maior para quem clamava para que a redonda fosse dada a um dos que melhor soube tratar dela. E apenas cinco minutos depois de entrar, o Fenômeno estava no lugar certo, onde sempre se sentiu à vontade: a área adversária. Mas o goleiro romeno, no lugar errado – pelo menos para os brasileiros – e recebeu, meio sem jeito, o chute dele a partir de um passe de Neymar. Aliás, todos queriam dar o passe para o que seria o último gol da carreira de um dos maiores nomes da seleção brasileira. Aos 39, foi a vez de Robinho, mas Ronaldo chutou para fora. E enquanto suspirava por mais uma boa chance perdida, o colega e fã o abraçou e beijou seu rosto. E a disputa não parou por aí: só dois minutos depois, Neymar avança para o ataque mais uma vez e, descaradamente, espera a chegada do Fenômeno – como um obediente garçom, pronto para servi-lo. Mas o goleiro romeno atrapalha mais uma vez.

Aos 43, preocupação: o homem do jogo parece começar a sentir as dores e manca. O ritmo diminui, e o juiz encerra, aos 46. E mesmo tendo perdido três chances que a torcida já cansou de ver convertidas em gol, Ronaldo tem mais uma vez seu nome gritado por todo o estádio. Fim de jogo, e todos os jogadores fazem fila e se mostram honrados em receber o cumprimento de um mito. Em seguida, é a vez dos fãs serem homenageados pelo craque, em uma troca de papéis que só um humilde ídolo é capaz de prestar. Em volta olímpica, ele acena para os torcedores, que começam a se aglomerar na parte de mais baixa da arquibancada, na tentativa de vê-lo mais de perto. Alguém joga uma bandeira do Brasil, que lhe serve de manto. Ronald filma cada reação do pai e dos fãs, enquanto Alex segue ao lado do pai, acenando junto.

Enquanto passa, a fila atrás de Ronaldo cresce: jovens com o uniforme da seleção carregam estandartes que lembram cada um dos 15 gols marcados em Mundiais pelo recordista único – e que seguirá assim pelo menos nos próximos três anos. “Vocês são demais”, disse, finalmente, desculpando-se pelas chances de gol perdidas. “Desculpem, não consegui fazer. Seria uma pequena retribuição de tudo o que vocês fizeram por mim. Muito obrigado por tudo. Por me aceitarem do jeito que eu sou, por terem chorado quando chorei, e sorrido quando eu sorri. Até breve, mas dessa vez fora dos campos.” E sem deixar nenhum herdeiro à altura para vestir sua tão honrada camisa 9 na seleção, o Fenômeno se retira sob muitos aplausos de um dos muitos gramados onde deixou sua marca na história do futebol.

(Por Pollyane Lima e Silva)

07/06/2011

às 21:24

Não faltam candidatos para entregar o último gol a Ronaldo

Ronaldo no último treino com a seleção: idolatria (Foto: Rodrigo Coca/Fotoarena)

Ronaldo no último treino com a seleção: idolatria (Foto: Rodrigo Coca/Fotoarena)

Durante quase uma semana, uma pergunta – com algumas variações, mas basicamente a mesma – perseguiu os 28 jogadores convocados pelo técnico Mano Menezes para os amistosos contra a Holanda e a Romênia: como seria atuar ao lado de Ronaldo em seu último jogo com a camisa da seleção brasileira? Em qualquer outro caso, pelo menos parte dos jogadores mostraria alguma irritação com a insistência – as seleções, afinal, sempre reúnem jogadores consagrados, com egos de dimensões consideráveis, nem sempre dispostos a ceder os holofotes a outro jogador do grupo. Mas a reação de todos os integrantes da equipe, sem exceção, foi boa medida do tamanho do prestígio do Fenômeno entre os colegas.

Fosse na zona mista antes ou depois dos treinos, fosse nas entrevistas coletivas, todos se transformavam em simples torcedores quando falavam sobre Ronaldo – e sobre a vontade de estar em campo com ele, de dar um passe para gol, de cavar um pênalti para que ele batesse… Mais notável ainda era ver que essa admiração invariavelmente parecia autêntica, e não uma mera formalidade de quem precisa respeitar um grande ídolo que está se despedindo. Ficaram comuns as histórias de jogadores que chegavam à seleção e ficavam acanhados quando viam Ronaldo por perto. E o craque invariavelmente “adotava” essas jovens promessas, fazendo com que começassem a se sentir em casa na seleção. Foi assim com Robinho – e na segunda-feira, véspera do jogo, ele admitiu que ficou “emocionado” quando encontrou o ídolo pela primeira vez. “E ainda me sinto assim sempre que vejo ele, mesmo hoje já sendo amigo dele.” Candidatos a dar um passe para o último gol do Fenômeno, portanto, não vão faltar.

(Giancarlo Lepiani)

07/06/2011

às 20:50

Na cidade em que é mais vaiada, seleção raramente perde

Não é só a encrenca envolvendo o estádio de São Paulo para a Copa de 2014 que irrita parte dos integrantes da CBF quando se trata da maior cidade brasileira. A capital paulista ficou marcada também como o lugar do país onde a seleção brasileira costuma ser mais vaiada. E isso é especialmente incômodo quando se trata de uma fase de preparação para jogar o Mundial em casa, dentro de três anos. Dentro de cerca de uma hora, no amistoso contra a Romênia, no Pacaembu, é possível que a história seja diferente – a festa é de Ronaldo, e não da seleção, e o resultado do jogo importa menos que em outras ocasiões. Mesmo assim, o técnico Mano Menezes avisou depois do empate com a Holanda, sábado, em Goiânia, que é preciso “educar” o torcedor para que ele empurre o time ao invés de pressioná-lo ainda mais.

Foi inevitável pensar no jogo desta terça, já que os últimos encontros da seleção com a torcida paulistana tiveram momentos de atrito – principalmente em 2001, no empate com o Peru, jogo que ficou famoso pela chuva de bandeiras brasileiras arremessadas ao campo. No último encontro com o público paulistano, em partida das Eliminatórias, contra o Uruguai, em 2007, o Brasil venceu apertado, 2 a 1, de virada – mas só depois de uma enorme vaia levar Dunga a colocar Luís Fabiano em campo. O artilheiro fez dois gols, garantiu a vitória e, de quebra, começou a assegurar uma vaga de titular na Copa do Mundo da África do Sul. Apesar de ter a torcida mais exigente do país, São Paulo não costuma dar azar à seleção. Pelo contrário: o retrospecto do Brasil jogando na cidade é muito bom, e a última derrota sofrida pela seleção em qualquer estádio paulistano ocorreu há quase meio século (em 1964, para a Argentina). E é difícil imaginar que essa escrita termine justamente na partida desta terça.

(Giancarlo Lepiani)

07/06/2011

às 8:06

Ronaldo encerra seu reinado sem ter um sucessor à altura

O 'Presidente' no treino de segunda (Foto: Ricardo Saibun/Agif/Folhapress)

No treino de segunda: véspera do adeus (Foto: Ricardo Saibun/Agif/Folhapress)

Para os jogadores, ele é o “Presidente”, apelido que até outros craques consagrados aceitam usar quando está por perto. Na história da seleção, no entanto, Ronaldo é rei. Desde que Pelé inaugurou a dinastia dos brasileiros campeões do mundo, nenhum outro monarca ocupou esse trono por tanto tempo. E na noite desta terça-feira, quando seu reinado acabar oficialmente, Ronaldo não deixará nenhum sucessor direto. Alguns já reivindicam a coroa – um deles, o jovem príncipe Neymar, estará em campo ao lado dele no amistoso contra a Romênia, às 21h50 (horário de Brasília), no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Mas ainda falta ao novo astro da seleção uma coisa que consagrou os outros craques que marcaram época com o manto amarelo: a capacidade ímpar de fazer gols de todas as formas possíveis e imagináveis. Nisso, Ronaldo só perde mesmo para Pelé – são 67 gols, contra os 95 do tricampeão mundial. Ronaldo, aliás, foi bi em Copas – e ainda marcou seu nome com maior artilheiro da história dos Mundiais (e três vezes melhor jogador do mundo eleito pela Fifa). Não tinha mais fôlego nem pernas para continuar, e por isso é forçado a se despedir da seleção deixando um enorme vazio no lugar que ocupou durante mais de uma década.

Pelo roteiro anunciado pela CBF na véspera da partida, Ronaldo entra em campo aos 30 minutos do primeiro tempo, saindo direto dos vestiários – não vai ficar no banco, por motivos evidentes -, e joga até o fim da etapa inicial (no intervalo, receberá sua derradeira homenagem com a camisa amarela). Um sinal muito claro de que não existe quem o substitua é a escolha do jogador que ocupará seu lugar no campo durante a primeira meia hora: Fred, que já viveu fases mais brilhantes e que pouca gente aponta como candidato forte a comandar o ataque do Brasil na Copa de 2014. Na volta do intervalo, são candidatos à vaga Nilmar e Leandro Damião, que também não despontam como possíveis herdeiros do Fenômeno. Desde Pelé, o Brasil teve raros períodos sem um grande goleador, mesmo que não ocupasse a posição de centroavante – nas últimas décadas, por exemplo, houve Zico, Careca, Romário e Ronaldo. Tamanha é a dúvida sobre quem vai assumir esse papel que o técnico Mano Menezes está esperando até o último momento para decidir sobre a convocação de Alexandre Pato para a Copa América, em julho, na Argentina. Machucado – como é quase rotina para o frágil atacante revelado pelo Internacional -, Pato pode ser chamado nesta terça, depois do jogo contra a Romênia, mesmo estando ainda em recuperação. Ele vinha sendo o favorito para vestir a camisa 9 no time de Mano.

Ronaldo e Neymar no treino da seleção brasileira (Foto: Piervi Fonseca/Agif/Folhapress)

Com Neymar: candidato a sucessor (Foto: Piervi Fonseca/Agif/Folhapress)

Falta em Pato, porém, algo que Ronaldo sempre teve de sobra – e que continua evidente mesmo depois de sua aposentadoria, anunciada em fevereiro. Na tarde de segunda-feira, no treino de reconhecimento do gramado do Pacaembu – reconhecimento para os outros, claro, porque Ronaldo aprendeu cada atalho desse campo, seu último grande palco, atuando pelo Corinthians -, o magnetismo do craque era indiscutível. Até Neymar, que provocou histeria no amistoso do último fim de semana, em Goiânia, contra a Holanda, não chegou nem perto de ofuscar o carisma do dono da festa desta terça. Muito à vontade no grupo (são, afinal, 17 anos participando da seleção), Ronaldo parecia estar se divertindo no treino, em que mostrou pontaria ainda afiada numa sessão de finalizações e distribuiu belos passes no “rachão” que encerrou a atividade. Mas além do peso – em resposta à brincadeira feita na entrevista coletiva de algumas horas antes: não, Ronaldo, você não está mais magro -, as dores, inseparáveis do craque por anos a fio, atrapalharam. Tanto que ele confessou ter levado uma injeção de antiinflamatório depois do treinamento. De acordo com ele, foi para aliviar o incômodo e “não estragar a festa de terça”. Impossível: a festa da entrega da coroa está mais que garantida, com ou sem sucessor, com ou sem lances geniais, com ou sem mais um gol, o último, de Ronaldo.

(Giancarlo Lepiani)

Tema em Foco: o triste anúncio da despedida de Ronaldo do futebol, em fevereiro
Acervo Digital VEJA: relembre as glórias (e os deslizes) da carreira do Fenômeno

06/06/2011

às 19:15

Mano promete um jogo ‘híbrido’ – parte festa, parte teste

Ronaldo no treino: 'Ele é exceção', diz Mano (Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress)

Ronaldo no treino: 'Ele é exceção', diz Mano (Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress)

Além de marcar a despedida do segundo maior artilheiro da história da seleção, a partida de terça-feira, contra a Romênia, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, terá também outra característica incomum. Durante 75 minutos, o jogo será encarado como um importante teste para ensaiar mais uma vez o esquema com três atacantes, avaliar alguns jogadores e definir o grupo que vai à Copa América, na Argentina, em julho. Durante os outros quinze minutos, a partida vira uma festa e um tributo a Ronaldo. É assim que Mano Menezes está preparando a equipe, segundo o próprio técnico revelou nesta segunda-feira, depois do treino de reconhecimento do gramado no Pacaembu. “Vai ser um jogo amistoso oficial. A gente precisa ter responsabilidade cada vez que a seleção entra em campo. É preciso fazer o resultado, o que é muito importante na parte de confiança”, avisou o treinador. “Mas teremos 15 minutos nesse jogo em que ele assumirá um caráter mais festivo, é lógico. E teremos o prazer de participar desses 15 minutos especiais com o Ronaldo. No segundo tempo, mais uma vez volta tudo ao normal.”

A comissão técnica quer, inclusive, excluir da conta de seis alterações permitidas a troca de Fred por Ronaldo, aos 30 minutos do primeiro tempo – ele fica em campo até o fim dessa etapa e, então, é homenageado. “Estamos reivindicando isso porque o jogo tem, sim, uma exceção.” Mano não teme que essa divisão no ritmo e no clima da partida não seja bem assimilada pelos jogadores. “Acho totalmente possível fazer grande parte do jogo pensando nele como competição e como resultado e não abrir mão de uma festa bonita que a gente deve fazer para o Ronaldo.” Para os outros atletas, aliás, não será muito difícil lembrar que o jogo é importante. Como o técnico anuncia a lista de convocados para a Copa América logo depois do amistoso, os jogadores que brigam por uma vaga estão ansiosos para mostrar trabalho. Alguns deles deverão ter chance de começar o jogo. No treino desta segunda, enquanto Ronaldo treinava finalizações com os reservas em uma metade do campo – com grau de acerto maior que de todos os outros, diga-se -, na outra metade do gramado Mano comandava um ensaio tático com a formação que pretende usar na terça.

De acordo com o que foi ensaiado no Pacaembu, o time deverá ser formado por Victor; Maicon, David Luiz, Lúcio e André Santos; Henrique, Sandro e Elias; Robinho, Fred e Neymar. Além do goleiro do Grêmio, do lateral da Inter, do zagueiro do Chelsea e do volante do Atlético de Madri – que entram nos lugares dos dispensados Júlio César, Daniel Alves, Thiago Silva e Ramires -, Mano quer observar principalmente Sandro e Henrique (esse último, no entanto, ainda é dúvida, segundo disse o próprio Mano, que parou o treino várias vezes para corrigir o posicionamento do cruzeirense). Como se já não fosse difícil o bastante concorrer com quem já está no grupo convocado para o amistoso, ainda é preciso superar dois rivais de respeito na tentativa de segurar a vaga: Alexandro Pato e Paulo Henrique Ganso estão numa espécie de lista de espera para entrar no grupo. Mano disse nesta segunda que já recebeu as informações sobre a situação clínica dos dois atletas, cortados dos amistosos deste mês por causa de lesões. Mas ele não quis dar pistas sobre o que ouviu dos médicos. “Temos as informações, só falta a decisão final. Mas só vai para a Copa América quem está em condições de jogo.” Só uma coisa é certa: os jogadores serão avisados antes da imprensa sobre quem embarcará à Argentina. “Eles saberão em primeira mão.”

(Giancarlo Lepiani)

06/06/2011

às 13:15

Na despedida, Ronaldo deve continuar bem longe do banco

Ele sempre foi titular das equipes que defendeu, e não seria em seu jogo de despedida, na terça-feira, em São Paulo, contra a Romênia, que Ronaldo esquentaria o banco da seleção brasileira. De acordo com o diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, o Fenômeno vai entrar só aos 30 minutos de jogo, mas não passará essa meia hora sentado entre os reservas – ficará no vestiário aguardando o momento de entrar em campo. Ele deve disputar quinze minutos de jogo e, no fim do primeiro tempo, receber sua homenagem no gramado. Na volta para o segundo tempo, a seleção já não terá mais Ronaldo – desta vez, para sempre. No início da tarde desta segunda-feira, Ronaldo apareceu ao lado do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, num hotel em Guarulhos, para o início das homenagens. Depois de ouvir o cartola, Ronaldo falaria à imprensa.

06/06/2011

às 10:34

Neymar sofre marcação de tietes – e dos companheiros

Fã abraça Neymar: marcação forte (Foto: Vanessa Carvalho/News Free/Folhapress)

Fã abraça Neymar: marcação forte (Foto: Vanessa Carvalho/News Free/Folhapress)

Duas garotas aproveitaram uma desatenção da segurança e invadiram o CT Joaquim Grava, no domingo, para agarrar Neymar durante o treino da seleção brasileira – marcação que o atacante santista até deve gostar, se comparada à que ele vem sofrendo em campo desde que se tornou uma sensação. “O menino é liso. Já tinha acompanhado vários jogos do Santos na Libertadores e via a qualidade dele se sobressair. Aqui na seleção não está sendo diferente. Estamos vendo a qualidade dele, que é jovem e ainda tem muito o que a aprender no futebol, mas já está mostrando que é um grande jogador’, disse o lateral Maicon, que vem sofrendo com as subidas do santista nos treinamentos. “Para marcá-lo é bastante complicado. O problema é que não pode dar uma chegadinha mais forte nele, porque a gente espera que ele nos ajude em campo depois”, brincou Maicon. “Esperamos que ninguém consiga pará-lo também para que ele nos ajude nas competições.” Após a atividade leve realizada no domingo, um dia depois do empate sem gols com a Holanda, no domingo, Neymar ainda foi parado por marmanjos que queriam autógrafos ou um simples aceno do jogador de 19 anos. A próxima defesa a encarar é a da Romênia, no amistoso da noite de terça-feira, no Pacaembu. Será o último compromisso antes da Copa América, em julho. Na tarde desta segunda, a equipe faz outro treino leve, de reconhecimento do gramado, no Pacaembu – onde certamente novos fãs deverão fazer de tudo para se aproximar da jovem estrela.

(Com agência Gazeta Press)

 

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