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são paulo fashion week

14/06/2010

às 23:57

SPFW verão 2011 termina com protestos

Fotógrafos protestam na sala de desfile de André Lima. (Foto: Lucas Landau)


Minutos antes do último desfile do último dia da SPFW, fotógrafos se juntaram na passarela para protestar contra os costumeiros roubos de equipamentos feitos fora e dentro da Bienal, durante o evento. Essa é uma questão antiga. Pelos corredores, sempre há quem reporte a história de um furto de câmera, laptop ou que tal, que acontece como mágica em lugares improváveis como a sala de imprensa, ou mesmo no pit de fotógrafos (a mini-arquibancada em que esses profissionais se postam para registrar os cliques da passarela) – nos dois casos, só entram pessoas credenciadas.

Texto do cartaz anti-pele, colado na porta dos banheiros. (Foto: Milene Chaves)

Outro protesto, com menos impacto, também estava acontecendo diretamente das portas dos banheiros do prédio: era contra o uso de peles na moda, feito pelo Move Institute. Esse é um clássico de semanas de desfiles; no exterior, por exemplo, a organização de defesa dos animais Peta dá o que falar com suas intervenções nem sempre pacíficas. Por aqui, o grito em favor dos animais é tímido, feito com atraso e fora de contexto – afinal, estão em espaços de pouca visibilidade, só apareceram neste último dia e, bem, a temporada é de verão, quando nem um vestígio de pelo aparece na passarela.

(Milene Chaves)

14/06/2010

às 22:51

Uma estreia comercial, uma estreia conceitual

Alguns nomes da SPFW são famosos e podem ser citados até por quem não acompanha as notícias da moda nacional. Outros, tão ou mais antigos no evento, nunca conseguiram atingir o grande público, porque geralmente fazem o que se chama de moda conceitual, como é o caso de Jefferson Kulig, um talentoso estilista que desfila desde os primórdios dessa semana de moda. Ele costuma se inspirar na ciência e na física para fazer peças impossíveis de serem aceitas em um escritório, por exemplo.

Com 15 anos de existência, a SPFW já consegue ensinar algumas lições como essa, a de não cair no conto do conceito. Mas isso não garante que todos vão ouvi-la. As duas estreias desta edição, João Pimenta e Fernanda Yamamoto, serão bons testes para verificar se ainda é válida a regra de que é preciso mostrar criatividade com realidade – leia-se, noção de que a roupa precisa ser vendida e, portanto, usável – para fazer sucesso em um país sem cultura de moda.

Desconhecidos dos brasileiros, eles guardam boa reputação no restrito mercado, onde são considerados eternos iniciantes. Eles desfilavam há cinco anos em semanas de moda pequenas – ele, na Casa de Criadores; ela, no Rio Moda Hype. Para a apresentação de estreia no calendário oficial, Fernanda e Pimenta tomaram rumos opostos. Ela optou por uma moda comercial, mas esforçada: vestidos e saias com leve transparência e trabalho intenso sobre o pano – construiu um tecido aplicando feltro sobre seda. Já ele mostrou uma coleção masculina cheia de feminilidade, com punhos e golas de renda, saiotes de linho e modelagem difícil de ser aceita pelo consumidor comum. No Twitter, o bem-sucedido estilista e negociante Alexandre Herchcovitch não o poupou. “Já experimentei colocar somente imagem na passarela, quase morri de fome. Equilíbrio é sempre a melhor escolha.”

(Milene Chaves)

14/06/2010

às 21:58

Quem manda na moda da maquiagem

Nadine Luke em ação nesta SPFW. (Foto: Divulgação)

Assim como há moda para as roupas, há também para a maquiagem. A M.A.C. – sigla para Make-up Art Cosmetics – é considerada uma das ditadoras da beleza do mundo. É justamente nos desfiles de moda, para os quais é contratada para criar a maquiagem, que ela aponta essas tendências. Nesta edição da SPFW, a marca assinou a beleza de 10 grifes. E, como de costume, trouxe uma maquiadora do time oficial para o país.

Nadine Luke é jamaicana, mas foi criada no Canadá. Diz que cabulava aula para visistar a loja da marca e se diz grata à empresa porque só ali encontrava base da cor da sua pele. A história pode ser inventada, mas ela não a conta à toa. A fama da marca reside exatamente nesse ponto: os canadenses que a criaram enxergaram mais adiante, quando, nos anos 1980, começaram a comercializar tons para peles que iam do ultrabranco ao supernegro, iniciativa inédita até então.

A pedido de VEJA.com, Nadine traçou um rápido perfil da consumidora brasileira. “Elas cuidam muito da pele do rosto e sabem como protegê-la do sol. As modelos brasileiras sempre têm o rosto mais claro do que o corpo”. E apontou as direções do que é atual na maquiagem: “Lábios pintados de cores fortes, mas opacas. E unhas cada vez mais coloridas – de verde e amarelo, inclusive”.

No Brasil, a M.A.C. vem cumprindo, desde 2009, um plano de expansão que compreende a abertura de seis lojas por ano, até 2013. A loja do shopping Iguatemi é uma das 10 que mais vendem no planeta, segundo a sua assessoria de imprensa. Por ali, o item mais procurado – e vendido – é o batom Snob, um rosa meio lilás que dá à boca ares de luz neon – algo meio oitentista – que está na moda. Preço: 69 reais – mais do que o dobro do cobrado pelo O Boticário, por exemplo.

(Milene Chaves)

14/06/2010

às 19:05

Recordações de um boteco em branco

Lembra do boteco que o estilista Jum Nakao prometeu vestir nesta SPFW? O projeto ficou pronto, conforme você confere na foto acima. Segundo as contas da produção, foram usados:

-4.030 hexágonos pequenos
-158.600 hexágonos médios
-2.300 hexágonos grandes

Nakao contou com a ajuda de uma equipe de dez pessoas, que se revezaram em dois turnos nesses seis dias de evento. Foram cerca de 4.224 horas de trabalho – ou, mais especificamente, de colar hexágonos de algodão cru do chão ao ventilador do cenário montado pelo estilista.

Sem apego: os espectadores que se aproximavam foram convidados a retirar um hexágono da obra – de onde quer que fosse – para levar como lembrança. Cada peça foi carimbada com o nome da exposição, Vestígios Vestíveis.

(Milene Chaves)

13/06/2010

às 20:55

Shorts + meia-calça: para elas e – por que não? – para eles

Shorts jeans + meia-calça + bota: agora também para eles. (Fotos: Milene Chaves)

Além da bota do Gato de Botas, há um look específico que é tão usado por quem frequenta a Bienal que já até parece demodé. A receita do visual contém um short jeans, uma bota de cano médio e uma meia-calça fina – lisa, com corações, laços ou point d’esprit (bolinhas).

Eis que o modelito aparece no corpo de um homem. Extravagâncias permitidas em uma semana de moda.

(Milene Chaves)

13/06/2010

às 20:30

Gianecchini fala de tudo, mas se cala sobre briga com ex-empresário

No backstage, Gianecchini fala sobre qualquer coisa, menos de briga. (Foto: Milene Chaves)

Reynaldo Gianecchini desfila logo mais pela Colcci e é destaque da apresentação, ao lado de Gisele Bündchen – a marca sempre convida um “homem do momento” para entrar alternando com a top.  

Enquanto o desfile, marcado para as 21h, não começa, ele ele recebe alguns jornalistas no camarim e responde a perguntas dos mais variados tipos – de “qual foi a última coisa que você comeu?” até “como está sendo a repercussão do seu personagem?”. A saber: uma salada e “boa, segundo meu porteiro e a minha faxineira”.

Mas o que importa mesmo é a questão do apartamento milionário pelo qual ele briga com o ex-empresário. Sobre isto, o ator se cala, mas revela o incômodo pelo modo titubeante como fala enquanto tenta despistar a reportagem. “Não tenho o que dizer, nem posso. O processo está correndo na Justiça”. E o que você pensa sobre o assunto? “O que quer que eu fale pode ser usado contra mim. Eu vou provar na… Enfim, vocês saberão o final dessa história quando ela for julgada”, encerrou o papo. 

 (Milene Chaves)

13/06/2010

às 19:18

Nua em plástico

Daniela Piala desfilou ovacionada, pela Neon. É que ela percorreu nua, coberta apenas por um vestidinho de plástico transparente, a “passarela” nada curta da marca – ela contornou a piscina semi-olímpica do Complexo Desportivo Baby Barioni, onde aconteceu a apresentação.

“Fiquei com medo de não ter coragem, mas adorei. As pessoas deram a maior força”, contou a modelo de 19 anos, nascida em Curitiba (PR). Chamaram a atenção os fartos pelos pubianos. Eram um cavanhaque falso, que os estilistas da marca lhe deram, com o propósito de fazer tudo parecer mais oitentista. “É, eu não faço mesmo a linha Claudia Ohana”, brincou a modelo, se referindo ao famoso ensaio da Playboy em que a atriz revelou sua nudez – e a escassa depilação.

A modelo Daniela Piala, que desfilou coberta por um aplique falso na virilha e um vestido transparente. (Foto: Milene Chaves)

(Milene Chaves)

13/06/2010

às 19:11

Cuidado com o blablatholini!

Regina Bertholini é mãe de Dudu Bertholini, estilista que faz dupla com Rita Comparato na Neon, marca festejada, que desfilou neste domingo.

No meio, é notória a intolerância de Rita para com papo mole ou perguntas repetidas. Já Dudu é conhecido por sua eloquência e paciência – ele é o porta-voz da marca, além de um exímio palestrante.

No seio de sua querida família, no entanto, o poder de discursar de Dudu é mais conhecido como… Blablatholini.

“Essa lábia dele…”, suspira a mãe, com jeito de quem já foi convencida muitas vezes.

(Milene Chaves)

13/06/2010

às 19:07

Domingo: dia de casting sem estrelas, mas com charme

No palco, os amigos-modelo de Marcelo Sommer. À direita, 3 deles nos bastidores. (Fotos: Milene Chaves)

Se o sábado chamou a atenção pela quantidade de modelos famosas (leia sobre Eva Herzigova em Adriana Degreas e Raquel Zimmermann em Animale), o domingo começou se destacando pelas escolhas anônimas para os castings.

Marcelo Sommer desfilou sua Do Estilista no Villa Country, casa de shows caipiras na Barra Funda. Convidou apenas os amigos, como já havia feito outras vezes, mas se incluiu na brincadeira – até o último momento, quando decidiu que tinha vergonha de desfilar. “Só valem amigos. Tem gente que pede, mas eu não coloco mesmo”, contou ele. Os camaradas faziam uma cena no palco, como se estivessem num saloon, e então entravam, um a um na passarela, desfilando de um jeito mais espontâneo e menos profissional. Agradaram.

Quatro das oito nadadoras da Neon, que fizeram performance na piscina. (Fotos: Milene Chaves)

Na Neon, que desfilou na sequência, médicas nadadoras da Santa Casa foram convidadas a fazer uma performance na piscina que servia de cenário para o desfile – o tema era o mundo aquático. Elas saltaram e nadaram crawl de lá para cá, usando maiôs com letras estampadas, que juntas formavam a palavra Neon – foram aplaudidíssimas.

(Milene Chaves)

12/06/2010

às 21:56

Como o Pavilhão da Bienal é “animado” pela decoração

As paredes falsas decoradas: à esq., parede estampada com os motivos do bloco Ilê Aiyê; à dir., do Cortejo Afro. (Foto: Milene Chaves)

Um mês depois do final de uma SPFW, Paulo Borges, o organizador do evento, costuma ligar para Daniela Thomas,  a cenógrafa, para contar sobre o que anda pensando como tema para a próxima temporada – elas acontecem em janeiro e junho. “São sempre temas positivos; ele acredita que tem como missão falar de coisas otimistas. Quando viu meu filme, Linha de Passe, Paulo me ligou pra dizer que achou tudo muito pra baixo”, diz Daniela.

Juntos, eles e Felipe Tassara, marido e sócio de Daniela, vão desenhando a coisa toda. Desta vez, falando de Anima – a animação, uma das características do brasileiro – eles pensaram em alma, movimento, alegria e vento. E foram todos para a Bahia, conhecer os blocos de música baiana – o que, para Paulo, resumia o sentido de “anima”. Cada grupo tem um abadá com estampa específica. Resultado? Elas viraram papel de parede da Bienal.

Tudo o que decora, portanto, remete ao tema proposto – a roda-gigante (leia mais sobre o brinquedo aqui) que ocupa o vão e também o tobogã que termina em uma piscina de bolas. Cataventos gigantes e pequenos rodam o tempo todo e também decoram os vidros do prédio, estampados em adesivo – a outra estampa são peixes, porque eles nunca param quietos.

O curioso desse trabalho é que o prédio da Bienal é ultra-vigiado no que diz respeito às suas regras de utilização. Um zelador-fiscal acompanha as duas semanas de montagem batendo o martelo para o que pode e o que não pode. Por exemplo: nada pode ser perfurado nem pendurado.

A solução encontrada para criar ali dentro as três salas de desfile, mais a estrutura para o video-wall (uma supertela que transmite ao vivo os desfiles no primeiro andar) e também os lounges dos patrocinadores foi mandar fazer paredes falsas de madeira – são cerca de 4.000 metros quadrados de paineis. Algumas delas são revestidas de caixas de papelão recicláveis e reaproveitáveis. Os vidros recebem 950 metros quadrados de adesivos. Nove pufes redondos e quarenta quadrados são distribuídos pelo evento toda edição.

Na sala de imprensa: cataventos cobrem toda uma parede - são animados por ventiladores de chão. (Foto: Milene Chaves)

Segunda-feira, 14 de junho, é o último dia da SPFW. A equipe de montagem tem até sexta-feira para tirar tudo isso lá de dentro.

(Milene Chaves)

 

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