27/01/2011
às 18:39Dilma anuncia construção de 6 mil casas para desabrigados
A presidente Dilma Rousseff, em visita do Rio de Janeiro, anunciou na tarde desta quinta-feira que o programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, vai destinar 6.000 unidades habitacionais para as vítimas das chuvas na região serrana do estado. A parceria estabelecida com o governo do estado vai permitir que as famílias que perderam suas casas ou que serão removidas de áreas de riscos recebam as residências sem custo. Isso será possível porque o governo do Rio vai arcar com os 50 reais de mensalidade que caberiam aos beneficiados pelo programa.
Além das 6.000 do programa, outras 2.000 serão construídas na região afetada pelo temporal. Um grupo de 12 construtoras assumiu o compromisso de construir as residências sem “custo para o poder público e as famílias”. Ainda não foram decididos os locais exatos e a distribuição das casas pelos sete municípios mais afetados – Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Bom Jardim, Sumidouro, São José do Vale do Rio Preto e Areal.
O evento no Palácio Guanabara havia sido preparado, inicialmente, para o anúncio da iniciativa dos empreiteiros. A presidente, então, decidiu aproveitar a oportunidade para detalhar a participação do governo federal no que foi prometido ainda no calor dos efeitos da tragédia, quando, na semana passada, o governador Cabral disse que destinar unidades do Minha Casa, Minha Vida para as vítimas do desastre era um compromisso de Dilma.
A presidente ofuscou, assim, a oferta dos empresários. Na mesa, tendo à direita o vice-governador Luiz Fernando Pezão e, à esquerda, Sérgio Cabral, Dilma fez um elogio aos dois. “Diante da catástrofe, tivemos gestão bastante eficiente”, disse. Cabral, em seguida, fez seu elogio ao vice. “Pezão é a síntese das três esferas de governo nesses municípios”, definiu.
No encontro, foi anunciado que caberá ao governo do estado e aos municípios a cessão de áreas para a construção das residências. Isso, no entanto, ainda deve levar algum tempo: como ainda não são conhecidas todas as áreas de risco, também não é possível determinar com precisão os melhores locais para receber os grupos de residências do Minha Casa, Minha Vida.
A presidente defendeu a estruturação de um sistema eficiente de Defesa Civil. “É preciso estruturar as defesas civis, não só da União, não só do estado”, disse Dilma, admitindo que as prefeituras precisam de mais apoio nesse sentido. Recentemente, o governo federal divulgou uma estimativa segundo a qual somente cerca de 500 cidades têm defesa civil aparelhada em todo o país.
De acordo com o governador, prover condições para que os municípios se preparem é o melhor caminho para evitar novas catástrofes. “Temos que capacitar as cidades. É o mais barato e o mais importante. Senão, não adianta o governo federal e a União investirem”, alertou.
Dilma também adiantou que será criada uma linha do BNDES para financiar o mapeamento de áreas de risco. Atualmente, um dos problemas dos municípios é a falta de recursos para estabelecer levantamentos confiáveis e precisos sobre onde estão as casas em situação de maior risco para deslizamentos e inundações.
(Rafael Lemos, do Rio de Janeiro)
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