11/06/2010
às 23:58A ‘tia’ das modelos: a sexta-feira de Meire Maron
Com 30 anos de moda e 15 de São Paulo Fashion Week – está lá desde os seus primórdios, quando o evento ainda se chamava Morumbi Fashion -, Meire Maron, 50, tem hoje uma extensa rede de contatos, entre diretores de grifes, stylists e modelos, que nunca lhe deixa sem trabalho. Na quinta-feira, por exemplo, ela coordenou o camarim de todos os sete desfiles do evento. Nesta sexta, está ligada a três, Cavalera, Movimento e Fause Haten, e ainda à prova de roupa da Adriana Degreas, que sobe à passarela no sábado. VEJA.com está na rua, acompanhando de perto a correria dessa que pode ser considerada uma “tia” das modelos, que lhe confiam o corpo e os gostos – Gisele Bündchen, por exemplo, deve ganhar dela um pacote de pipoca no domingo. “Ela gosta de milho de canjica”, lembra Meire.
5:30: Meire acorda para seu terceiro dia de São Paulo Fashion Week Verão 2010. Dormiu menos de três horas. Depois de comandar e arrumar sete camarins, na quinta, chegou em casa às 2h30.
6:00: Meia hora depois, toma um café preto coado e come um pão integral. Tudo ligeirinho. “Época de Fashion Week é assim. Você não faz xixi, não come…”, explica, rindo.
7:00: Meire chega à Casa Panamericana, que será palco, por volta do meio-dia, do desfile da grife Cavalera. Por uma hora e e-meia, prepara o camarim, montando araras, organizando a sequência de roupas – que segue a ordem do desfile, definida pelo stylist da marca – e recepcionando as modelos. O camarim se mostra pequeno para as meninas (são 28, contra 11 garotos) e é transferido para o terraço da casa. As 12 camareiras da equipe de Meire se dividem entre os dois grupos de modelos.
8:30: Parada para um rápido café com bolo, fornecido pela organização do evento.
9:00: Meire termina de arrumar o camarim e faz o que chama de “giro de camareiras: recruta algumas de sua agenda para completar o time que trabalhará no camarim da Movimento, desfile marcado para as 17h30.
11:00: Este é o horário para o qual estavam marcados o início do desfile da Cavalera e o começo da prova de roupas da grife Adriana Degreas, da estilista de mesmo nome. Mas a essa hora Meire e suas assistentes ainda estão vestindo as modelos, já devidamente maquiadas, penteadas e de unhas feitas. No mundo da moda, tudo atrasa – menos o que é tendência.
11:18: Ensaio geral na passarela. Os modelos voltam reclamando da superfície, que é lisa e pode escorregar.Meire providencia adesivos antiderrapantes para as solas dos sapatos.
11:34: Há, em média, uma camareira para quatro modelos, que também recebem os reparos finais de maquiagem. Um chuvisco cai pelo teto vazado do terraço da Casa Panamericana, deixando o cabeleireiro histérico. “Quem resolveu fazer isso aqui fora? Vai c… todo o cabelo!”
11:37: Meire improvisa tapetes para o chão do terraço, que está gelado. Apesar das intempéries, as modelos não perdem o bom humor. Duas se abraçam, dividindo um casaquinho, para se proteger do frio. Outras duas comentam a situação. “Depois dizem que vida de modelo é fácil”, diz uma. A outra, também rindo: “Que modelo não sofre, né?”.
11:43: Os modelos começam a formar a fila para a entrada no desfile. São alvos de fotos e retoques. Hora de colocar os brincos, meninas.
11:57: Tem início, enfim, a apresentação da coleção verão da Cavalera. O som é alto, e é tudo o que Meire consome do desfile. Enquanto os modelos tomam a passarela, ela adianta assuntos dos outros trabalhos por telefone com a filha, Carolina, que é sua assistente, e começa a arrumar o camarim.
12:12: Os modelos voltam, se trocam com a ajuda das camareiras e seguem para outros compromissos. “Época de Fashion Week é assim.”
13:07: Meire chega à prova de roupa da grife Adriana Degreas, no hotel Fasano. A prova havia começado cerca de quarenta minutos antes, mas ainda dá para Meire entrar e dar uma mão às modelos.
14:20: Meire deixa o hotel Fasano a caminho da Fundação Bienal, palco da São Paulo Fashion Week. Vai sempre de táxi. O trânsito é intenso e o plano de almoço é abortado.
14:52: Chega à Bienal, onde poderá se deliciar com um menu enxutíssimo no camarim da Movimento: 1 palitinho de queijo e um brownie “delicioso”. Pelo menos, isso. Almoçar, talvez só quando a Fashion Week acabar.
15:02: Arrumação do camarim. É quando se organizam as araras e o mapa (foto abaixo), mural com as fotos dos modelos e os respectivos figurinos que vestirão – ordenadas conforme a lista do desfile.
16:15: No camarim da grife Movimento, Meire cola as fotos das modelos, entregues a ela pelo stylist Pedro Salles, nos figurinos há pouco pendurados nas araras.
16:58: Hora de trocar os cursores dos sapatos cujo zíper, na prova de roupa realizada na quarta-feira, fizeram jogo duro para subir. Nos últimos dois dias, deu tempo de o fornecedor enviar novos cursores do Rio para as meninas desfilarem com segurança e, é claro, com elegância.
17:22: Modelos começam a se vestir para o desfile, com ajuda das camareiras de Meiroca, como alguns chamam a regente do camarim.
17:48: Meiroca faz papel de tia e fotografa modelo a pedido da própria.
18:07: Chegam, pelo ar, as derradeiras coordenadas do desfile. “Atenção, meninas, vocês vão entrar pela passarela à direita, dar uma parada e sair pela esquerda”, avisa a voz empostada de Bill, assistente de Pedro Salles. Tranquila, Meire conversa com duas modelos que, da fila, contam a ela as últimas novidades em bronzeamento artificial.
18:09: Calmo e discreto, o empresário Paulo Borges, organizador da semana de moda, passa pelo camarim para checar se está tudo nos conformes e desejar boa sorte.
18:11: Começa o desfile.
18:14: A modelo que puxava a fila retorna ao camarim. Entra correndo para a troca de roupa e Meire, que já a esperava com uma espécie de canga na mão, a cerca com o pano, fazendo “cabaninha”.
18:23: O camarim vai aos poucos voltando a ficar cheio de modelos. Elas entram ligeiras sobre os saltos. Trocam de roupa, recebem nova dose de laquê e uma nova camada de hidratante – para brilhar na passarela. É uma espécie de pit-stop da Fashion Week.
18:24: Nova fila formada. Nova entrada.
19:03: Meire deixa a Bienal. Vai para casa, descansar um pouco, para depois voltar à prova de roupa de Adriana Degreas, no hotel Fasano.
Perfil: Moda virou profissão de família
Meire Maron tem 50 anos, 30 deles dedicados à moda. Nesse tempo, formou diversas camareiras e a própria filha, hoje sua assistente e braço direito. O filho também passeia pelo mundo fashion: transporta roupas de grifes nas semanas de moda, faturando um extra.
Nesses 30 anos, Meire formou também uma comprida agenda comprida, por onde dá um “giro” quando precisa montar uma equipe para um desfile ou quando precisa falar com algum cliente. A agenda é uma vasta arara de contatos, que lhe fornecessem um vasto número de serviços. uando não está na São Paulo ou na Rio Fashion Week, está em algum desfile fora de época, que as lojas e grifes organizam por conta própria.
Os anos de imersão no universo da moda também lhe renderam amizades e intimidade com nomes como Gisele Bündchen, que considera “um amor”.
Ágil, realiza uma série de coisas num só tempo, e comanda uma equipe de dezenas de pessoas (foto abaixo), sem perder a calma. É por isso que é querida no meio, onde muitos a chamam de “Meiroca”.
(Maria Carolina Maia)
Tags: cavalera, Meire Maron, Movimento, SPFW









